Coma
4 Four
Notas iniciais
Bang's pov
Eu já sabia onde o mais novo guardava todos os seus documentos, o que ajudou muito, pois não tive de sair procurando por todo o nosso pequeno "escritório". Ele usava uma única gaveta apenas para isso e, por incrível que pareça, haviam documentos de todos nós guardados lá dentro também.
Junto a todos aqueles papéis havia uma foto escondida... Mas não era uma foto qualquer, ou da família dele. Era uma foto do grupo que estava no meio de toda aquela papelada. Peguei-a e me surpreendi ao virá-la. Atrás havia algo escrito com uma caligrafia tão caprichada quanto a dele normalmente é.
"A família que eu sempre sonhei em ter~ Meus meninos, meus amores, minha família! ♥
Se eu sou a omma, então sou a mais feliz por tê-los sempre ao meu lado... E nada nunca irá nos separar.
Os amo muito! ^^"
—Também te amo, HimChan! –murmurei.
—Hyung..? –YoungJae entrou no quarto e se sentou na cama em que o loiro passava algumas noites. –Está falando sozinho?
—Só pensei em voz alta, Jae. –guardei a foto e fechei a gaveta. Limpei as lágrimas que insistiam em se formar nos meus olhos e sorri.
O moreno mais novo passou a mão sobre os lençóis da cama, onde por muitas vezes HimChan dormia enquanto tentava escrever as melodias que tocava, e sobre o travesseiro do mais velho e sorriu docemente antes de voltar a falar.
—É estranho passar um dia sem ele aqui... –YoungJae puxou o travesseiro do loiro sobre o seu colo e o abraçou. –Já sinto falta dele me chamando... "YoungJae kka keol... YoungJae kka keol..." –imitou a voz do mais velho bem baixinho como se estivesse conversando consigo mesmo.
HimChan sempre o chamou carinhosamente assim. Era adorável! E o mais novo nunca reclamou do excesso de carinho que o mais velho distribuía e que, muitas vezes, eram mais para provocá-lo. Fazia cara feia de vez em quando, mas no fundo gostava de ser chamado assim.
—Yah, YoungJae... –me aproximei do mais novo e repousei minha mão no seu ombro, confortando-o. –Vou trazê-lo de volta para nós. Ainda não acabou! –sorri novamente e me sentei ao seu lado. –Lembre-se do que você me disse... HimChan nunca nos deixou, e não nos deixará tão fácil!
—Me desculpe, hyung. E-eu não queria pensar dessa forma, mas... E se ele não voltar? –seus olhos cheios de lágrimas denunciavam que o moreno estava prestes a chorar.
Sou um líder horrível! Eu deveria confortá-lo e não estou fazendo isso... Era meu dever, como líder e mais velho do grupo, proteger a todos!
—Jae, olhe bem para mim. –chamei pela atenção do mais novo e, segurando seu rosto entre minhas mãos, prossegui olhando em seus olhos. –HimChan vai voltar! –disse pausadamente tentando formar um sorriso em meus lábios.
Realmente nunca imaginei YoungJae desse jeito... Sempre aparentou ser o mais "forte" do grupo, mas agora parecia tão frágil. Senti que deveria protegê-lo... Mas ainda tinha que sair. O deixaria sozinho, de novo.
—Me perdoa, YoungJae? –o abracei fortemente como nunca fiz antes.
—Perdoar? Mas você não fez nada de errado, hyung.
—Fiz sim. Era meu dever estar aqui, cuidando de vocês... Mas... –desfiz o abraço, mas permaneci segurando-o pelos ombros.
—Pode ir, hyung! Eu sei que você precisa ir... Eu vou ficar bem! –sorriu forçado o que, de certa forma, me fez sentir um tanto pior por ter de deixá-lo novamente. Fui para a cozinha e lá encontrei o manager não muito feliz por eu tê-lo deixando para trás.
—Encontrou todos os papéis? –perguntou se aproximando de mim com as mãos no bolso e com uma expressão séria.
—Encontrei sim. Já peguei tudo. Podemos ir? –respondi desviando dele e seguindo para a porta fingindo não entender o seu olhar sobre mim.
—Onde estão os meninos? –o manager Kang voltou a me encarar como se quisesse me repreender pelo que eu estava fazendo, mas sabia que não era o momento para isso.
—Estão dormindo... Vamos? –abri a porta e fiquei esperando que ele saísse primeiro, mas ele permaneceu no mesmo lugar apenas me encarando com os braços cruzados. Bufei, cansado e me sentindo cada vez mais culpado, e logo respondi a pergunta oculta em seu olhar. –Prometo que quando voltarmos eu contarei para eles, mas agora vamos, por favor manager!
Eu estava com pressa... Queria chegar logo naquele hospital novamente e ver o meu amigo. O manager sabia que eu cumpriria com a minha palavra; contaria mais tarde para os maknaes sobre como HimChan estava!
Quando chegamos no carro voltamos a ficar em silêncio, este que durou até a chegada ao hospital. Fora a primeira vez que fiquei tanto tempo sem trocar uma única palavra com o manager. O silêncio durou até o momento em que o médico veio até nós.
—Vocês poderiam me acompanhar por um instante? –assentimos e o seguimos até uma sala, provavelmente a sala onde ele atende os pacientes dele.
—Como ele está, doutor? –perguntei assim que entramos na sala.
—É difícil dizer ainda... HimChan está em coma agora. Quer dizer que ele não reage a nenhum tipo de estímulo, mas vamos fazer o máximo que pudermos para trazê-lo de volta. –disse olhando para alguns papéis que estavam em suas mãos. –Chamei-os aqui para dizer o que aconteceu com ele.
—Doutor Park... –disse o nome que estava escrito em letras azuis no seu jaleco. –Quando poderei vê-lo? –eu não estava muito enteressado no motivo de HimChan ter ficado daquele jeito, não agora. Queria apenas vê-lo.
—Bem, talvez amanhã fosse o melhor dia para vê-lo, mas você me parece um tanto ansioso em poder ver como o seu amigo está, não é?! –assenti com a cabeça e o médico sorriu respirando fundo. –Abrirei uma exceção então! Deixarei você ver o seu amigo... Mas primeiro, me dê os documentos dele! –sorri abertamente e entreguei os documentos nas suas mãos.
—Pode ir, YongGuk... Ficarei aqui conversando com o doutor Park. –assenti e sai rapidamente da sala. Sim, eu estava feliz agora em poder ver o loiro, mesmo que por pouco tempo... Isso era tudo o que eu queria agora!
—Agasshi?! –chamei a moça no balcão e ela prontamente me atendeu.
—Sim?!
—Eu... Bem, o doutor Park me deu autorização para ver Kim HimChan! –sorri mais uma vez. Eu não me aguentava de felicidade. Iria finalmente poder olhar para ele mais uma vez.
—Hum! –ela assentiu e olhou algo em seu computador. –Kim HimChan acabou de sair da UTI... Está no quarto número 23. Você pode ir! –agradeci e segui pelo corredor procurando pelo tal quarto.
UTI... Esse nome não me soava bem... Parecia ser algo tão horrível quanto o nome!
Por incrível que pareça, eu comecei a ficar nervoso enquanto andava por aquele corredor. Senti um certo medo em ver como ele poderia estar... Senti medo de vê-lo! Meu coração batia forte agora, era como se eu pudesse escutar suas batidas tão fortes que parecia querer sair do meu peito.
Fechei minhas mãos em punhos quando percebi que já estava mais perto do quarto de número 23, e não demorei muito para encontrá-lo. Agora meu medo parecia ter aumentado... Minhas pernas tremiam, em minha cabeça tudo girava... Senti novamente o chão se abrir sob meus pés e aquela sensação ruim de que meu coração se comprimia. Acho que só agora havia realmente me dado conta de que tudo aquilo acontecera.
Hesitei em entrar no quarto por alguns minutos; eu apenas me aproximava da porta, mas me afastava novamente. Em minha cabeça eu me perguntava o que deveria fazer... Deveria entrar e encarar tudo ou simplesmente me virar e ir embora?
Meu coração me dizia para ir em frente; entrar e ver como ele estava e se tivesse que chorar depois, que chorasse sem me arrepender. E a minha cabeça dizia que eu não estava preparado para isso, que deveria dar a volta e ir embora e só voltar no dia seguinte para tentar de novo. Eu estava confuso... Não sei ao certo quanto tempo fiquei ali fora pensando no que deveria fazer, mas parecia ser uma eternidade.
Olhei para o lado e vi uma senhora entrando no quarto ao lado sem preocupações como se aquilo fosse algo tão normal quanto entrar na casa de alguém para fazer uma visita amigável. Decidido, respirei fundo e entrei. Ainda virado para a porta, respirei fundo novamente tentando criar coragem e me virei bem devagar. Assim que finalmente consegui o que tanto queria, me arrependi no momento em que me deparei com HimChan naquela cama.
—HimChannie... –murmurei seu nome e senti algo horrível dentro de mim... Era como se um vazio se apossasse do meu coração de uma forma dolorosa.
Caí em prantos com uma mão no peito e outra tampando a minha boca.
Aquilo era tão doloroso... Por que dói tanto? Por que as palavras não saíam? Por quanto tempo aquela sensação de que meu coração fora dilacerado duraria?
Você pode ouvir o meu coração bater, HimChan?
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