Com amor, com afeto.
13 Você sabe falar alemão, H ?
Ponto de vista de America White.
Com base nas minhas especulações, e nos meus vinte e poucos anos de vida, lugares bonitos deviam ser divulgados. Não era o que acontecia com Liechtenstein, pois, apesar de ser um dos lugares mais bonitos que eu já tinha visto, não tinha divulgação nenhuma.
O lugar era de um verde maravilhoso, e sua capital, Vaduz, era simplesmente contagiante. Enquanto chegávamos no jato de Harvey, eu apenas olhava pela janela e abria a boca, de admiração a cada nova paisagem e a cada pedacinho de Liechtenstein.
Enquanto isso, Gabe não parava de falar sobre a cultura do lugar ( Tinha pesquisado no Google mais cedo ), dizia estar bastante agradecido pelas passagens e Brad apenas ria daquilo tudo. Harvey estava quieto, num canto qualquer, com um violão nas pernas e um caderno à sua frente. Escrevendo, talvez. Fiquei curiosa ao ver sua expressão de concentração e sorri ao vê-lo escrevendo algumas notas e testando-as no violão.
Quando seus olhos verdes se voltaram pra cima e se encontraram com os meus, virei o rosto rapidamente, tentando olhar novamente pra paisagem que podia se ver lá embaixo. Mas, qual não foi minha surpresa ao ver que ele continuava olhando pra mim. Voltei a olhar pra ele, apenas para desafiá-lo. Levantei a sobrancelha, como se dissesse : ' O que quer olhando pra mim? ', ele apenas sorriu e voltou a tocar em seu violão, permanecendo assim, até que chegássemos ao hotel mais famoso de Vaduz, onde ficaríamos hospedados.
***
Ponto de vista de Harvey Madley
Cinco horas. Cinco horas dentro de um jatinho, escutando Gabe falar a viagem inteira sobre como Liechtenstein é incrível e como ele é agradecido por Brad ter dado aquela passagem pra ele. Cinco horas tendo que aguentar turbulências e nervosismos. E cinco horas tentando conter a vontade de olhar pros olhos castanhos da chata da White. Mesmo não querendo admitir, eu simplesmente não queria parar de olhar pra ela. Pelo simples fato de saber que os olhos de Meri poderiam se parecer com os dela. Pelo simples fato de saber que daqui a alguns dias eu estaria dançando com ela. Pelo simples fato de não suportar nada que ela fizesse...
– Finalmente! Sejam muito bem vindos a Liechtenstein. Espero que saibam falar alemão. — Brad disse, descendo do jatinho.
Para minha surpresa, um número considerável de garotas nos esperava, gritando meu nome e quase acabando com os seguranças. O jeito como olhavam para America chegava a ser hilário. Então, provavelmente a notícia de meu namoro já tinha sido espalhado. Corri para perto de America, quando vi um olhar significativo de Brad. Assim que cheguei perto dela, segurei sua mão e ela olhou pra mim, sorrindo. Nem parecia a mesma pessoa. Era uma atriz nata, afinal. Quem diria?
Quando chegamos, finalmente no Hotel, America soltou minha mão e pareceu aliviada, o que me chateou um pouco, devo confessar. Apesar de não saber o porquê.
– Finalmente! — A garota disse, sentando em um sofá da recepção, enquanto Brad providenciava as chaves dos nossos respectivos quartos. — Minha mão formiga muito quando está com a sua. — Ela disse, olhando pra mim com desdém.
– Já ouvi falar disso. Depois vem as borboletas no estômago e o coração acelerado, os beijos e tudo mais. Ah, o amor! — Disse, rindo e olhando pra ela que estreitava os olhos, me analisando.
– Se acha muito espertinho, não é, Madley? Pois fique sabendo que nem mesmo em mil anos eu me apaixonaria por você. Na verdade, nem mesmo conseguiria olhar pra você.
– Como está fazendo agora?
Ela revirou os olhos, fazendo Gabe e eu rirmos.
– Está tudo pronto, gente! Gabe e America, se importam em ficar no mesmo quarto? Só há três quartos disponíveis.
Eles se entreolharam, rindo. Não gostei disso.
– Mas é claro que não. Eu e Gabe moramos juntos há muito tempo.
Gabe apenas assentiu, subindo para o quarto junto de America. Corri para meu quarto para ver meu e-mail, mas parece que Meri está mesmo muito ocupada, pois o que eu gostaria de ver em minha caixa de mensagens, não estava lá.
***
Ponto de vista de America White
O quarto era simplesmente incrível! Com uma vista maravilhosa para o castelo, que aliás visitaríamos mais tarde, e duas camas extremamente grandes.
– Dá pra acreditar que estamos aqui? Sempre foi o meu sonho estar aqui! — Gabe disse, sorrindo, maravilhado.
– Você quer dizer, sempre desde hoje de manhã, quando o generoso Google te deu todas aquelas informações preciosas que você despejou durante a viagem?
– É, exatamente.
Começamos e rir e deitamos em uma das camas.
– Harvey é um cara legal, America.
Olhei pra ele, rapidamente. Ainda sem entender o porquê de tudo aquilo.
– Legal? Legal? Você tá falando do mesmo Harvey que eu, ou...
– Harvey Madley, sim, esse mesmo. Você viu a atenção dele para com as fãs? Quantos cantores, mesmo cansados depois de cinco horas de voo, atendem tão bem a pessoas que nem sequer conhecem?
– São eles que pagam as contas e as mordomias dele. Nada mais justo do que atendê-los da melhor maneira possível, Morales.
– Ok, White. Continue sendo assim tão antipática. Vai ficar aquelas velhas com 7 gatos pela casa e ficar dizendo : ' Ah, bons tempos aqueles em que aquele gato de olhos verdes dava mole pra mim e eu não fazia o mesmo. '– Ele disse, imitando a voz de uma velhinha, o que foi cômico, devo admitir.
Sorri, ainda deitada na cama e olhei pro teto.
– Gabe?
– Hum?
– Você sabe falar alemão?
– E quem sabe?
– Sei lá.Como vamos falar com a Família Real?
– Eles devem saber Inglês ou ter um intérprete bonitão.
– Espero que sim. Espero que sim...
***
De : meri_stratfort@hotmail.com
Para : h.m@hotmail.com
Coluna Correio do Amor
Assunto : Você sabe falar alemão?
Querido Sr. H,
Não, eu não troquei a maravilhosa letra H, por nenhuma outra, ou melhor, troquei sim, pela letra O de Ocupada. Acredito que sejamos bem parecidos pois estou vivendo exatamente a mesma coisa que você. Conhecendo pessoas insuportáveis e vivendo uma loucura atrás da outra.
Queria que as coisas fossem mais fáceis, sabe? Que essa minha vontade de amar, fosse um motivo suficiente pra isso acontecer logo, mas acho que o Amor gosta de enrolar as coisas. Você não acha?
A propósito, senti seu desespero e sei que está com saudades de mim, sim. ( Não vale essa de dizer que está sem nada pra fazer, afinal, você poderia fazer muitas coisas, aposto, mas prefere mandar um e-mail pra mim. ) Devo admitir que também estou com saudades ou mentir e dizer que nem esperei por esse e-mail?
E, respondendo à sua pergunta, já que tenho tanta necessidade de Amor e de Afeto, por que não dar às pessoas o que eu quero? Amor e Afeto? Não é o que todos querem? É exatamente por isso que eu escrevo este ' Com amor, com afeto. ' em todos os fins de e-mails. Porque quero isso também. Portanto, sua diabetes repentina, me fez feliz sabia? Assim pude saber que estou repassando amor por aí.
Há pessoas que temem o Amor, outros sonham em senti-lo, e há aquelas que já sentiram e que agora o temem. Querendo ou não, H, somos aprisionados a esse sentimento. Não sabemos quando ou como ele vai acontecer, só temos a certeza de que um dia sentiremos. E devemos estar preparados pra isso. Afinal, certa vez, ouvi falar que o amor é uma guerra em que um fere e o outro sai ferido. Espero não ferir e nem sair ferida. Mas, eu não sei de nada. Só o Amor sabe e, como eu já disse, ele gosta de surpreender.
P.s : Você sabe falar alemão? Preciso de uma pessoa que fale, urgentemente, aqui do meu lado. Quer sair dessa tela e vir pra cá?
P.s² : Soei muito oferecida?
P.s³ : Saudades, sim! Admito. Admita também.
Com amor, com afeto.
– Meri Stratfort.
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