Com amor, com afeto.
14 'God save the queen.'
Ponto de vista de America White
– Corre, America! Não podemos deixar a Família Real esperando. — Gabe disse, me acordando do meu pequeno cochilo pós voo.
Me espreguicei e bocejei centenas de vezes até conseguir sentar na cama e não cair pra trás. Abri os olhos e focalizei em Gabe, que tinha uma expressão horrorizada e preocupada no rosto. Sorri, enquanto ele falava milhares de coisas que eu tentava entender, mas estava tão sonolenta que só escutava grunhidos.
– Hmm, Gabe, você já se arrumou?
– Mas é claro que sim. Não está vendo?
Tentei abrir os olhos novamente e consegui ver o look maravilhoso de Gabe. Ele estava estiloso e moderno, como sempre. Usava um paletó bem moderno e com um corte ousado, branco. Comecei a rir da minha gafe, porque eu provavelmente, usaria calças jeans e uma blusa com alguns dizeres típicos daqui, tipo : ' God save the queen. '
Perai, isso não é da Inglaterra?
– O que vai usar, White? Pelo amor de Deus, diga que tem algo maravilhoso nessa sua mala mixuruca aí.
Respirei fundo e dei um sorriso amarelo, já imaginando o sermão que eu levaria de Gabe.
– Hmm... Na verdade, eu só trouxe calças jeans e aquela camiseta maravilhoso com os dizeres mais que icônicos daqui : ' God save the queen. '
– Isso, sua desmiolada, é parte do nosso hino. Bateu a cabeça hoje e não lembra disso?
Dei de ombros.
– Estou numa fase muito patriota.
– Esqueça essa fase e guarde essa sua camiseta maravilhosa dentro da bolsa. Vou ver o que posso fazer. Você trouxe algum vestido nessa porcaria?
Botei a mão no peito e abri a boca, fingindo estar ofendida com o comentário.
– Porcaria não, ok? Gastei 5 libras nessa bolsa.
Ele riu.
– Trouxe ou não?
– Trouxe um vestido que eu acho grande demais e que não vou usar.
– Não é um problema. Eu conserto. Onde está?
Era um vestido velho. Tinha usado na minha formatura da faculdade. Gabe o conhecia e também não gostava do comprimento, mas a cor era bem bonita. Era um lilás bem claro, tinha uma fita preta na cintura, o que a destacava e era longo, mas com um puxão violento, Gabe arrancou alguns pedaços até fazê-lo ficar no tamanho certo. Ele correu para onde estavam seus acessórios de costura e consertou a bainha do vestido, deixando-o pronto em segundos.
– Pronto. — Ele disse, feliz, admirando a mais nova obra de arte. — Mas, está faltando um detalhe... — Ele disse, arrancando uma das mangas e puxando tudo pra um lado, deixando-o com somente uma manga. Eu ficaria com um ombro de fora.
– Não gosto da ideia desse vestido tão curto e sem uma das mangas. Vou com a minha linda camisa mesmo.
– Nananinanão. Pode voltar, Srta. White. Não vai querer envergonhar o Harvey, vai?
– O Harvey que se...
– Ei! Nada de palavrões em Liechtenstein.
Ri um pouco e peguei o vestido, afinal discutir com o Gabe, que era mais persuasivo que políticos, era inútil.
***
Ponto de vista de Gabe Morales
Palácio de Liechtenstein, 12 de Outubro, 5:45 p.m
Um arraso! Simplesmente um arraso! Era somente isso que eu podia falar desse palácio. Não era tão grande como eu imaginei, mas a grandeza real estava na classe e no sangue azul daquela família tão respeitada por aqui.
Harvey e Brad estavam comigo enquanto esperavam America que tinha ficado no Hotel, se maquiando. Eu não queria deixar ela ficar em casa sozinha, pois como a conheço bem demais, ela poderia muito bem trocar o lindo e maravilhoso vestido que fiz por aquela camiseta que não valia nem 4 libras em Londres.
Os garotos estavam elegantes e fiquei feliz por isso, afinal não podíamos fazer feio diante de tamanha importância. Estávamos conversando sobre algumas trivialidades, como o clima, a beleza da cidade e a cultura, quando escutamos sapatos de salto tocando o chão, atrás de nós. Viramos exatamente na mesma hora. E lá estava minha melhor amiga. Ma-ra-vi-lho-sa! Mérito meu. Yey!
– Fala sério, parem de me olhar. Já estou com vergonha. — Ela disse, pondo uma parte do cabelo para trás, enquanto vinha em nossa direção.
– Nossa, America, você tá... — Harvey começou a falar, maravilhado com America. Aqueles dois ainda dariam muito assunto por aí... — Tá simplesmente... — Quando ele ia dizer alguma coisa. Um barulho surgiu e o impediu de completar a frase. Xinguei baixinho quem fez isso.
– Atenção para a Família Real de Liechtenstein! Princesa Aurora Mércia Bender. — Um guarda disse, e uma garota começou a descer da escada. Era linda, devo admitir, e estava com um vestido maravilhoso. Harvey olhou boquiaberto para ela, que sorriu, envergonhada. — Rei Mason Bender e Rainha Aurélia Bender.
Todos desceram sincronizadamente e Harvey só tinha olhos pra Aurora, que assim que desceu veio ao seu encontro.
– Princesa. — Ele disse, fazendo uma reverência e repetindo o mesmo para a Rainha e o Rei. — É uma honra estar aqui.
– Não, a honra é minha em ter um cantor tão maravilhoso em minha cidade.
Ele sorriu, como se estivesse se gabando. America bufou e revirou os olhos.
– Anh... Não vai nos apresentar, Harvey? — Brad disse, sorrindo.
– Ah, sim. Esses são Brad Hastings, Gabe Morales e America White.
A princesa sorriu para nós. É impressão minha ou ela não sorriu tanto assim pra America?
– Hmmm... Já que estamos aqui. Temos uma proposta para fazer a vocês.
– Proposta? Pode dizer. — Harvey disse, com um enorme sorriso no rosto.
– Queremos que fiquem aqui no palácio até o dia do Baile.
Os olhos de Harvey e Brad brilharam, enquanto eu dei de ombros e America pigarreou.
– Hm... acho melhor não. Não queremos incomodar. Além disso, o Hotel é maravilhoso, não é Gabe?
Olhei pra ela e ela deu aquele olhar significativo.
– Anh... Claro! Maravilhoso, princesa.
Ela logo se entristeceu um pouco e baixou os olhos. Os pais tentaram convencer-nos de que o melhor era ficar ali.
– Ok, eu aceito. — Brad disse, sorrindo largo. — Harvey?
– Totalmente.
– Gabe?
Dei de ombros.
– Fico onde America ficar.
Ela sorriu e me deu um pequeno abraço de lado.
– Tudo bem. Podemos ficar aqui.
A princesa, logo, deu um pequeno pulo de prazer e tocou o braço de Harvey.
– Quer ir conhecer o palácio? Posso mostrar a você.
Harvey olhou pra America, mesmo não querendo admitir, ele sabia que tinha explicações a dar.
– Tudo bem. Vou descansar um pouco. Pode ir com a Princesa Aurora.
Ele, então, sorriu e saiu com ela no encalço. Olhei pra ela que apenas balançou a cabeça de um lado pro outro e pediu licença à Rainha e o Rei, indo para o jardim. Segui-a, enquanto Brad conversava animadamente com o casal Real.
– Você está bem, America?
Ela respirou fundo, de costas pra mim.
– Sim, estou sim. Claro! Afinal, vamos ficar em um palácio de graça. Não é incrível? — Ela disse, sorrindo fraco.
– É. É sim, amor. É sim. — Disse, abraçando-a e ficamos ali, observando o pôr-do-sol de Liechtenstein.
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