Com amor, com afeto.
25 O maior clichê.
Ponto de vista da Autora.
Gabe e America discutiam mais uma vez, enquanto assistiam à Friends. Gabe torcia para que Rachel ficasse com Joey e America acreditava veemente no amor de Ross e Rachel.
– Qualé, Gabe. Joey deveria ficar era com a Phoebe.
– Nunca. Joey Tribianni foi feito para a Rachel. Sem mais.
Eles continuaram com essa briguinha até ouvirem batidas na porta. Gabe olhou para America, com a testa enrugada, a dúvida e a curriosidade estampadas no rosto.
– Chamou o Harvey? — Ele disse, rindo.
– Não. Você chamou alguém?
Gabe deu de ombros, negando em seguida. America ficou com medo. Ainda não estava preparada para começar o seu plano de vingança, mas teria de comaçá-lo assim que visse Harvey novamente. Respirou fundo, indo até a porta e ficou ainda mais curiosa ao abrí-la.
– Travis? — Ela disse, com a testa franzida.
– Maninha! Tudo bem com você? — O rapaz disse, beijando a bochecha da irmã e entrando logo em seguida.
– Eu te deixei entrar? — Ela perguntou, indignada com a audácia do irmão.
– E precisa?
Travis passou pela sala como se não tivesse visto Gabe. Entrou na cozinha e pegou algo da geladeira. Num primeiro momento, America não soube identificar o que era, mas depois viu a cor vermelha e notou a maçã recém-comprada que Travis abocanhou rapidamente.
– Não viu o Gabe? — America disse, cruzando os braços e incentivando o irmão a olhar para o melhor amigo que estava perplexo com a repentina visita do grandalhão espaçoso.
– Ah, o viadinho! E ai?
Gabe abriu a boca, surpreso e depois riu, debochando.
– A casa nem é sua. Amo a America, mas não acredito que o irmão dela seja tão idiota quanto você.
Travis deu de ombros.
– Ela é a parte boa da família.
Pela primeira vez, America sorriu e correu para abraçar o irmão. Travis era o mais velho dos 4 irmãos. America era a mais nova. O mais velho era espaçoso e largado e super popular. Usava uma camiseta de um time de basebol qualquer e tinha a mania insistente de morder o lábio inferior ao estar nervoso. E era exatamente isso que estava fazendo agora.
– Desculpe por atrapalhar essa sua vida maravilhosa com o colorido do sofá, mas eu tinha que falar com você pra te pedir um favor.
America olhou para Gabe, que encarava insistentemente os lábios do irmão dela, enquanto ele os mordia. Ela quis rir, mas ficou calada.
– Ok, mas primeiro : Nada de zoar o Gabe. — O irmão fez uma continência e sorriu. — Então, o que quer, Trav?
– Morar aqui por uns tempos.
America engasgou com a própria saliva diante do choque com a última frase do irmão. Gabe correu para ajudar a amiga, enquanto dizia em 30 idiomas diferentes que Travis não ia ficar nem uma noite por ali. Quando, finalmente conseguiram fazer com que a garota se acalmasse, Travis tentou explicar o porquê daquela ideia, considerada pelos outros dois ali presente, no mínimo, maluca.
– Mamãe me expulsou de casa porque desisti da faculdade de Direito. Aquilo não é pra mim, Meri. Sério. Não dá. Não gosto de impor regras. Gosto de quebrá-las.
Gabe riu, falsamente.
– Pois acabo de criar uma regra que você vai ter que seguir, gostosão. Você não vai pôr os pés aqui, enquanto eu for um dos donos deste apartamento.
– É isso que nós vamos ver, arco-íris ambulante.
– America! — Gabe disse, reclamando.
– Travis!
– Ok, ok. Sinto muito, mas não consigo chamá-lo de outra coisa.
– Pode me chamar de Gabe, querido. — Gabe disse, revirando os olhos.
– Nunca. Mais. Revire. Esses. Olhos. Pra. Mim. Libélula purpurinosa.
America teve que rir e Gabe olhou indignado para ela.
– Eu adoraria te hospedar aqui, amor, mas não temos condição. Só há dois quartos aqui.
Travis contornou o balcão para ficar mais perto da irmã. Ele tinha os olhos mais lindos dos 4 irmãos e usava isso sempre que podia.
Estava usando agora.
– Por favor, Meri. Posso dormir no sofá, se quiser. Ou com você.
– Não mesmo, playboyzinho de merda. America, não caia nessa, por favor.
– Cala a boca, cara. Ou melhor, boneca. Prefere ser chamado assim, né?
Gabe bufou. Enquanto ele e o irmão brigavam, America começou a pensar naquilo que poderia ser o melhor plano pra todos ( Menos para Gabe, mas ele ia entender. ) A garota pediria que Harvey empregasse seu irmão como seu segurança particular, e Travis poderia ganhar dinheiro. De quebra, ela teria informações valiosas de Harvey que passaria o dia inteiro com o valentão que ela chamava de irmão.
– Tudo bem, Trav. Pode morar conosco.
– Mas, America...
– Podemos ir conversar no meu quarto, Gabe?
O garoto, que estava com a cara emburrada, franziu o cenho, mas aceitou.
– Posso assistir TV?
– Pode ir pra p...
– GABE!
– Ok, Ok. Pode sim.
Travis sorriu e ligou a TV, enquanto America e Gabe se dirigiam ao quarto.
***
– Então quer usar Travis como espião?
America assentiu, sorrindo empolgada.
– Acha que pode dar certo?
Gabe, com toda certeza reprovava tudo aquilo. Além de amar Harvey, ele odiava Travis. A relação dos dois sempre foi conturbada, pois o mais velho dos irmãos de America, nunca gostou da relação de amizade que a garota mantinha com o melhor amigo. America nunca deu ouvidos à ele, pois amava Gabe e o entendia.
– Pode, claro. Você é um gênio. Depois, me lembra de fazer uma lista das coisas que eu nunca devo fazer. Lembre também que o número 1 da lista será. Abre aspas. Não aborrecer America em hipótese alguma. Fecha aspas.
America gargalhou e abraçou o amigo.
– Sei que você odeia Travis, mas ele é um cara legal. Amo vocês dois. Não me faça ter que escolher um só.
Gabe assentiu, olhando para o chão e sentiu lágrimas caírem, limpando-as em seguida.
America não viu aquilo, pois estava ocupada demais pensando em seu plano mirabolante.
***
" Sinto falta de você e de tudo que você fez por mim.
Penso em tudo que fizemos e o que ainda faremos até o fim... "
Harvey estava compondo um pouco, enquanto lembrava de America. Parecia estranho estar apaixonado. Esperar tanto por aquilo que tinha medo de tudo isso desmoronar. Ele estava sentado em um hotel. Participaria de um show beneficente em Nova York para arrecadar fundos em prol de crianças carentes no Natal. Ele queria que tudo estar perto de America, mas sabia que ela estaria torcendo por ele onde estivesse.
– Harvey, meu menino do ouro! — Lamar disse, entrando rapidamente.
– Lamar! Tudo bem, cara?
Lamar Williams era o responsável pela carreira de Gabe deslanchar. Foi ele que o viu primeiro e bancou seu primeiro CD.
– Tudo. Fiquei sabendo que anda escrevendo músicas de amor... Não acredito que meu garoto está apaixonado.
Harvey riu e sentou, escondendo a letra que estava escrevendo e colocando o violão em cima do frigobar.
– Pois é... A garota me pegou de jeito.
– America White. Jornalistas são fogo, cara.
Harvey deu de ombros.
– Como sabe disso?
– Sou casado com uma. Elas roubam de você várias informações. Podem roubar corações, também.
– Que clichê, cara.
– Um dia você vai perceber, que o amor é o maior clichê...
Harvey ficou pensando nessa frase e agradeceu Lamar pela visita, alegando que tinha que voltar a compor. Assim que o ex-empresário saiu, ele pegou a letra e escreveu um pouco abaixo.
O maior clichê, por Harvey M.
" Nada parece funcionar quando você não está aqui.
Tento entender seu jeito de ser e suas formas de agir.
Você que odeia o igual e sempre quer ser diferente,
E que só com um sorriso me deixa contente.
Queria te dizer tantas coisas e nada poderia me fazer te esquecer.
O amor é tão frágil e tenho medo de te perder.
Espero que um dia entenda essa mania de tentar te entender,
e que um também entenda que o amor é o maior clichê. "
Fale com o autor