Com amor, com afeto.

26 Vida sem roteiro.


Ponto de vista de America White.

Era tarde da noite, quando meu celular tocou. Gelei ao ver que o nome na tela era da minha vítima. Harvey Madley. Olhei para Gabe, que resmungava algo para Travis, enquanto ele rebatia. Resolvi me destanciar um pouco para atender.

– Alô? — Respondi, tentando manter uma voz amorosa e com saudade. Infelizmente, eu era uma péssima atriz.

– America? Tá tudo bem?

Revirei os olhos.

– T-tá. Tudo bem sim. E com você? Fazendo caridade já?

QUE DIABOS DE FRASE É ESSA, AMERICA?

– Ainda não.

– Admiro muito essa sua atitude, Harvey. Sério mesmo.

Nisso eu não estava mentindo. Harvey podia ter me tratado muito mal, dizendo tudo aquilo, mas eu sabia que ele estava sendo sincero indo àquele show beneficente. E eu admirava muito isso. Mesmo sem querer.

– Obrigado, White. Só acho que você devia estar aqui.

– Irmãos não flertam com irmãs, Harvey... — Falei baixinho, lembrando da velha frase. Ela é uma irmã pra mim. Irmã o escambau!

– O que?

– Nada, nada. Também queria estar aí. Sabe como é. Saudade matando.

Demais!

– Sinto o mesmo. Enfim, um beijo, minha linda.

Revirei os olhos e desliguei, sem me despedir. Eu ainda sentia por tudo isso. Quer dizer que, pros outros, eu sou a irmã, mas quando estamos sozinhos ele fica com saudade. Ah, qualé.

– America! Olha o que o Travis tá fazendo com a almofada. Tá mordendo ela. Solta isso, garoto. America! — Gabe disse, indo pra cima de Travis para pegar a almofada.

Comecei a rir e separei os dois, pegando a almofada.

– Vocês dois, viu? Parecem crianças.

– Ele que começa sempre.

– Cala a boca, purpurina man.

– Purpurina man? Não me faça te xingar, pseudo-bombado.

Esses dois com certeza seriam a minha alegria. E eu realmente estava precisando disso. A minha vida amorosa nunca foi um mar de rosas, disso eu tinha certeza, mas eu não sofreria de novo. De novo não. Uma vez ouvi uma frase que ficou pra sempre guardada comigo. No amor, ou você fere ou é ferido. Eu já tinha me ferido demais. É minha vez de ferir.


***

Ponto de vista de Travis White.

O apartamento não era dos melhores e o acompanhante gay da minha irmã dificultava um pouco meu bem-estar aqui, mas eu não tinha do que reclamar, né? Minha mãe, mais uma vez, tinha me expulsado de casa. Ok, eu pisei na bola várias vezes. Já peguei várias multas por excesso de velocidade, já fui preso por uma briguinhas em bares. Isso mesmo. Briguinhas. Coisa pequena. O pessoal desse país que é exagerado. E tantas outras coisa, que se eu fosse contar, acabaria com uma bengala, num futuro bem distante. Daqui a 50 anos, talvez.

O problema é que eu sempre fui meio louco mesmo. Pegava todas, sim. Meu coração é grande, amigos. Pra que só uma, se pode caber mais? Eu era adepto dessa teoria. Minha ficante da vez era a Luna Mason. Uma doidinha que era super apegada ao horóscopo. Sério. Lia 300 vezes por dia e quando conhecia alguém, tinha que analisar se o signo batia com o dela, senão...

" Sinto muito. Não podemos nos conhecer. Incompatibilidade de signos. Namastê. "

Era louca. Louquinha de pedra, mas era bem gostosinha e era até suportável se estivesse de boca fechada.

Assim que o purpurina man foi dormir, America sentou do meu lado e fitou a televisão. Passou alguns minutos olhando fixamente pra tela e eu sabia que ela estava triste. Era uma mania dela que eu conhecia bem.

– Meri? Tá tudo bem? — Disse, puxando-a para um abraço. Ela aceitou.

America sempre foi a irmã que eu mais gostava. Ela sempre encobria minhas burradas e me salvava das encrencas em que eu me metia. Sempre foi doce e sonhadora e eu admirava isso nela. Éramos quatro irmãos. Eu, ela, Suzanah e Noah.

– Tá tudo bem, sim. Espero que você dê um rumo nessa sua vida, Trav.

Dei de ombros.

– Eu gosto de viver sem roteiro, America. Sem rotina.

Ela sorriu e me abraçou, levantando-se em seguida e desligando a TV. Me deu um beijo no rosto e saiu, falando.

– Um dia você vai perceber que uma vida sem roteiro não leva a lugar algum. Espero que perceba isso a tempo.

– Boa frase pra um biscoito da sorte, mas pra mim não vale, Meri.

Ela sorriu.

– Quem sabe um dia, né?

Notas finais
Amoreeeeeees, how are ya doing? Espero que todos estejam muito bem. Hoje o cap foi curtinho, só pra não deixar vocês na mão. Tô meio doentinha, mas vim aqui escrever. De nada u_u kkkkkkkkkk Mas, enfim. Ledmbram que eu colocava a playlist de alguns capítulos? Hoje eu tenho uma pra vocês. Escutei essas músicas enquanto escrevia esse capítulo. 1 - XO ( Beyoncé ) 2 - Rainbow e What if ( Colbie Caillat ) 3 - Steal my girl e Ready to run ( One Direction ) 4 - Rather be ( Clean Bandit ft Jess Glyne ) Espero que tenham gostado! Beijos e mais beijos. Com amor e com afeto, - N.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.