Com amor, com afeto.

2 O correio do amor.


Notas iniciais
Gostaram? Comentem!

Londres, Inglaterra. 7 de Outubro de 2013.

Ponto de vista de America White.

Era cedo quando bati na porta da Editora Chefe do jornal. Ela acenou e pediu que eu entrasse. Respirei fundo e entrei com o pé direito. Não era supersticiosa, mas parecia muito certo entrar com o pé direito numa situação como aquela, então o fiz. Li o nome da editora em seu crachá. Anne Hopkins.

Não que eu já não soubesse o nome dela. Sabia muito bem. Me preparei muito para esse momento. Quero ser jornalista desde pequena. Quando minhas amigas brincavam com bonecas, eu pegava uma mesinha alugava meus irmãos e os fazia de câmera. Depois de muitas conversas com meus pais ( que sempre tentavam mudar minhas ideias e sonhavam com uma futura — rica — e bem sucedida médica ), consegui convencê-los de que minha real vocação era pro Jornalismo. Entrei rapidamente na faculdade, de primeira. E agora estou aqui, rezando pra todos os santos e pedindo que esse jornal me aceite. Anne olhou fundo em meus olhos, me analisando. Tremi na base, mas não desviei o olhar. Minha mãe sempre me disse que devemos sempre sustentar o olhar, se não o fizermos, passaremos a ideia de insegurança e eu queria mostrar exatamente o contrário.

– Então você é... America Whar?

Cocei a nuca.

– America White, Sra. Hopkins.

– Ah, me desculpe. Essas secretários sempre erram nomes. Imprestáveis. — Ela disse, tirando os óculos da mesa e pondo-os no rosto.

– Tudo bem. Não há problemas em errar. É um nome difícil. — Disse, sorrindo amarelo.

Ela fechou a cara. Tremi mais uma vez.

– Não tente ser engraçada, Srta. White. Não é uma risada minha que vai te manter aqui.

Respirei fundo e parei de sorrir abruptamente.

– Mas, diga-me quais as suas pretensões para com este jornal?

Respirei fundo pela milésima vez só naquele dia e tentei lembrar o discurso que eu havia decorado.

– Bom, gostaria de trabalhar na área investigativa e...

– Não pedi para saber a sua área. Pedi as pretensões. Afinal, eu que escolho a área em que você irá trabalhar. Se você conseguir passar nessa entrevista, é claro.

– Claro. — Respondi, assentindo. — Hm... Pretendo trabalhar duro. Quando entro em algum projeto levo tudo muito a sério.

Ela assentiu. Entrelaçou os dedos e apoiou o queixo neles.

– Tudo bem. Gostei desse seu espírito encorajador, ousado. Está contratada.

Meus olhos ficaram marejados e eu agradeci várias vezes.

– Mas vai ter que trabalhar na área que eu quiser. Ou melhor, na coluna que eu quiser.

– Coluna? — Perguntei.

– Sim. Você, Srta. White, por acaso já ouviu falar do antigo 'Correio do Amor'?

– Correio do amor? Não, senhora.

– Hm... 0 Ela disse, rindo e coçando o queixo. Por algum motivo, não gostei disso. — Era uma antiga coluna do jornal. Os leitores enviavam e-mails para uma mulher a fim de receber conselhos amorosos.

Cocei a nuca, já bastante nervosa; O que será que a Hopkins está tramando?

– Bom, ainda não entendo o que eu tenho a ver com o Correio, Sra. Hopkins.

Ela riu. Ou melhor, gargalhou.

– Você voltará a escrever o Correio.

Engoli em seco e tive que sentar na cadeira mais próxima pra respirar e tentar não desmaiar. Ok, receber ordens daquela mulher mais do que autoritária tudo bem. Ir pra área de Esportes tudo bem. Escrever receitas tudo bem. Mas, coluna amorosa? Isso não pode ser possível. Eu sou a pessoa menos amorosa do mundo. Não sei nada sobre o amor. Só quebrei a cara esses anos todos. Como uma pessoa de coração quebrado pode aconselhar outra pessoa exatamente igual. É como se um louco cuidasse de outro louco ou um obeso servisse de Nutricionista para outro. Não tem como.

– A senhora tem certeza de que quer que eu faça isso?

Ela suspirou e levantou da poltrona onde estava.

– Srta. Whar...

– White.

– Que seja. Em meus 20 anos de profissão eu nunca errei. Não será dessa vez que eu irei errar. Então, concorda com isso?

Seria uma grande humilhação, mas eu teria dinheiro e prestígio por trabalhar num jornal tão bem conceituado. Foi aí que tive uma ideia. Uma ideia que iria mudar a minha vida pra sempre.

– Tudo bem, mas não assinarei com meu nome.

Anne franziu a testa, como se estivesse tentando entender o que eu queria fazer. Expliquei em seguida.

– Assinarei como Meri Stratfort. Assim, não saberão que sou eu.

Ela assentiu, com desdém.

– Então, seja bem vinda ao Jornal, Srta. Stratfort.

Agradeci, ainda meio balançada com tudo aquilo. Talvez eu estivesse errando, mas tudo foi por impulso. A coisa toda estava feita. Meri Stratfort tinha nascido. E eu nem imaginava o quanto isso tudo ia me custar.

Notas finais
Comenteeeeeeem :)