Ponto de vista de America White

Depois de voltar pro quarto, ainda em choque com os últimos acontecimentos, pude ter certeza de que Gabe estava irado comigo. Ficou falando por horas e horas, sermões que eu não conseguia escutar, simplesmente por causa da minha mente que insistia em reviver aquele quase beijo. Mas que menino chato e audacioso. Como pode? Quase me beijar e... Meu Deus! Audacioso, chato, inconsequente. Todas essas palavras podiam definir Harvey Madley. Além de outras, como : Ridículo, irônico, lindo... Peraí... O QUE?

– ... Além disso, eu estou namorando, America.

– QUE?

– Ah, agora você presta atenção, não é? Eu tô há mais de meia hora tentando chamar a tua atenção, tentando colocar algum juízo nessa sua cabeça, mas você fica aí no mundo da lua. O que aconteceu pra te deixar desse jeito, hein? Além daquela idiotice de sair vestida daquele jeito.

Eu adoraria dizer para Gabe do quase beijo. Aliás, deveria dizer sim, pois como melhor amigo do universo, ele deveria saber tudo o que acontecia comigo. Deveria, mas eu não ia dizer nada, afinal, eu conheço muito bem o melhor amigo que tenho e sei que ele não me deixaria em paz até que eu admitisse que morria de amores por Harvey. O que não era verdade, claro.

– Nada. Só estou meio desatenta.

Ele suspirou e veio me abraçar.

– Olha, eu te perdoo por ser inconsequente e rebelde, mas brega não, tá amiga? Brega nunca!

Comecei a rir e deitei minha cabeça em seu peito, tentando me acalmar depois de tudo que tinha acontecido naquele dia. A princesa maravilhosamente perfeita, a admiração exagerada de Harvey, Gabe me dando sermão e eu nesse palácio. Tudo parecia tão surreal. Enquanto eu vivia essa loucura toda, Anne segurava as pontas no jornal e Meri tinha tirado alguns dias de férias. Apesar disso, H não saía da minha memória. Nunca. Todas aquelas ironias que me faziam rir, continuavam na minha mente, mas do que eu mais lembrava era da maneira como ele falava dos meus olhos e que tinha vontade de vê-los um dia. Bom, não era só ele então. Eu tinha muita vontade de ver os olhos verdes dele. Muita.

– America, prometa pra mim que vai usar tudo que eu fizer pra você usar nesses dias.

– Ok, prometo.

– Vou fazer um vestido fantástico pra você, meu amor. Você vai deixar a Princesinha sem sal no chinelo.

– Ih... E eu que pensei que você era um dos admiradores doentios da grande Aurélia.

– Aurora.

Dei de ombros.

– Não me importa o nome.

– Ih, mas o ciúme tá forte mesmo, hein?

– Minha mão também. Quer experimentar ela na sua cara?

Ele começou a rir.

– Mas, diz aí e a Meri? Com tudo isso você não está tendo tempo de mandar os e-mails.

– Anne tá segurando as pontas por lá. Pra todos os efeitos, Meri Stratfort tirou alguns dias de férias.

– Hum... Só não entendo uma coisa.

– O que?

– Como a Anne, que sempre é pior que um limão de tão azeda, aceitou segurar tuas pontas por lá?

– Anne odeia ter que segurar minhas pontas, mas odeia mais ainda perder dinheiro e foi exatamente isso que Brad ofereceu pra ela, em troca desse favorzinho.

– Ah. Claro.

Sorri e Gabe resolveu descer para aproveitar o ar puro. Perguntou se eu queria ir também e eu disse que iria daqui a pouco. Ele assentiu e saiu, me deixando sozinha com meus pensamentos, ainda conturbados.

***

Ponto de vista de Harvey Madley

Depois do jantar de daquele quase beijo que eu ousei dar em America White. Aliás, eu nem sei o porquê daquilo, foi tudo no impulso. Depois daquela cena maravilhosa dela entrando na sala de jantar,vestindo roupas tão simples e vendo a família Real pasma, eu não tive como não reagir. Depois de algum tempo descansando no quarto, resolvi descer um pouco e ver se encontrava Aurora por aí. Mas, o que encontrei foi America com as mesmas roupas de antes, com uma expressão confusa no rosto.

– Perdida? — Disse, assustando-a.

– Ai, idiota. Quase me matou de susto agora. Sim, estou perdida sim. Algum problema com isso?

– Nossa, que amor.

– Não sou adepta de falsidade.

– Deixa de ser tão azeda, cara. Vem cá, eu te ajudo. Aurora me mostrou tudo aqui. Sei como chegar no último andar, assim como sei sair daqui.

– Não preciso da sua ajuda. Tenho um senso de direção maravilhoso.

– Tô vendo. Parabéns, GPS ambulante.

Ela revirou os olhos, colocando as mãos na cintura, parecendo indignada.

– Tudo bem. Me ajude.

– Não antes de uma recompensa...

– Que?

– Que tal um beijo de recompensa por todo meu trabalho?

Ela ficou branca de susto e foi se afastando de mim até que suas costas encontraram a parede mais próxima. Fui me aproximando até que nossos corpos estivessem colados.

– N-não s-s-se atreva. — Ela dizia, gaguejando.

– Peço desculpas, mas não tem como não fazer isso.

E, quando finalmente ia conseguir...

– Harvey? — Escutei a voz de Aurora ao fundo e me separei rapidamente de America, sorrindo.

– Aurora? Aqui. Estou perto da biblioteca.

Alguns minutos depois, Aurora veio ao nosso encontro.

– Olá, Sr. Madley. Srta. White.

America sorriu amarelo esbanjando falsidade e eu peguei a mão de Aurora e a beijei.

– Queria saber se você queria dar uma volta no jardim. É tão lindo à noite. Mas, vejo que está com America e...

– Não. Não me importo não. Pode ir.

Olhei pra ela que apenas sorriu, incentivando Aurora, que me puxou em seguida.

Notas finais
Hey girls, boys, everybody! Todo mundo bem? Espero que sim! Queria agradecer pelos reviews e pedir que continuem comentando, ok? Tenho uma notícia pra vocês, já estou com uma nova fic em mente. Depois digo os detalhes pra vocês, ok? Beijos. P.S : Quem mais está odiando a Aurora? Com amor, com afeto, - N.