Colégio Interno – O regresso!

17 Piscinas, nus e contagem de chifres.


Notas iniciais
Meninas que ressurgem de tempos em tempos pra um post: euzinha

Vamos contextualizar um negócio: muitos de nós éramos brasileiros.

Eu, Bruna, Lucas, Thiago, Rodrigo e Gabriel estávamos acostumados a 40 graus de secura extrema, da capital paulistana no verão. E lá estávamos, com a amena temperatura de 23 graus, tendo de fingir que era calor o bastante para nos jogarmos na piscina.

Ivan, porém, russo como era, estava quase nu naquele momento.

Na verdade, tenho quase certeza de que alguns de nós ficariam nus em algum momento da noite.

Havíamos esperado a noite cair pra não levantar suspeita. A piscina do Instituto não era para fins recreativos, como era de conhecimento geral, e era uma infração grave utilizá-la dessa maneira.

Mas também eram infrações graves incendiar a toalha de mesa da sala do inspetor, dar uma festa regada a todo tipo de cachaça encontrada pelos nossos traficantes, abrigar uma família de pequenos roedores numa gaiola debaixo da cama e, a infração mais cometida, permanecer no dormitório de um gênero oposto ao seu depois das 18h.

Havíamos quebrado cada uma dessas regras desde meu primeiro dia ali, e não era agora que eu estava disposta a mudar essa visão negativa que todos ali tinham a nosso respeito.

— Isso vai dar merda – resmungou Bruna – O que foi que aconteceu com a ideia do basquete, hein? Nem tá tão calor, pelo amor de Deus!

— Cala a boca, Bruna, meu verão é de 15 graus, e...

— Seus invernos de –67, todo mundo já sabe, Ivan, você tem muito orgulho do seu país. Agora vê se cala a boca, tá, princesa Romanov? — resmungou Chloe.

— Acho engraçado que não tinha ninguém com essa grosseria toda há uns...

— Pelo amor de Deus, será que podemos não entrar nesse assunto de novo?!

Rodrigo já estava calado e com uma carinha de catatônico de dar dó em qualquer pessoa com o mínimo de empatia ou amor ao próximo. Sentei ao seu lado e encostei a testa na sua, e meu menino soltou um suspiro longo.

— Eu sou o mais novo corno do Instituto.

— Muito aconteceu naquela festa, meu bem, você não...

— Eu não vou me culpar por nada. Só tô triste.

— Quer beber? — perguntei, esticando uma garrafa de um destilado artesanal nojento que os garotos do quarto ano haviam cedido.

— Que porra é essa?

— Deve ter aí também — intrometeu-se Nicholas – De sofrer eu entendo, cara. Bebida ajuda. Tapa o nariz e fecha os olhos, e manda tudo pra dentro. Vai ajudar.

— Você é o melhor conselheiro de todo esse lado do campus – disse Rodrigo, tirando a garrafa da minha mão e virando um gole grande demais pra quem não estava acostumado a beber.

Rodrigo era o nosso equivalente a um personagem do Terry Crews. Demasiadamente grande, muito doce, sensível e engraçado. Um coração do tamanho de um bonde, comportado por um corpo igualmente imenso. O típico gostosão sem muito na cabeça, também.

Era esquisito vê-lo numa situação de debilidade porque ele, do seu jeito troncho, sempre cuidou dos meus momentos.

Me afastei um pouco e deixei que Nicholas, com mais expertise nesse lance de tocos e questões do coração, cuidasse dele, mas não consegui tirar os olhos do meu menino. Nisso, Thiago se sentou ao meu lado e afagou minha cintura.

— Tá preocupada com o Teddy Bear?

— Tem como não se preocupar?

— Todo mundo já foi traído alguma vez na vida, pequena, ele vai sobreviver.

— Eu nunca fui

— Ah, Amanda, não é possível.

Rolou os olhos e começou a citar meus privilégios e o quanto eu era intocável e eu não pude evitar rir e empurrá-lo de lado, quase derrubando-o na piscina. Thiago fez careta e me segurou nos braços.

— Você não ouse fazer isso. Estamos todos ao redor dessa piscina há vinte minutos e é quase uma ofensa que eu seja o primeiro derrubado.

— Não tava sabendo dessa pequena competição de quem cai por úitimo.

— Não tem quem cai por último, Amanda. É só quem cai primeiro. Quem é o babaca perdedor que vai...

Tchibum.

Água espirrada pra todo lado, por uma bomba humana que claramente havia sido arremessada. Foi um sacrifício, não um suicídio.

Foi minha deixa pra mergulhar também, e puxar Thiago pela perna.

— Quem foi, quem caiu?! — ouvi os gritos exasperados de Bruna – Cuidado com a Amanda, ela tem a respiração de um velho fumante!

Emergi das águas com os cabelos de sereia que Deus me deu e ela suspirou aliviada. Thiago veio em seguida, me puxando pra baixo.

— Para com isso, Stitch – resmunguei, entrelaçando as pernas em seu tronco e socando sua cabeça repetidas vezes – Mas quem perdeu? Quem caiu primeiro?

De repente, eis que surge Gustavo, com a maior das caras de cu.

— Quem? — resmungou, entediado – Eu só sou o primeiro pro que não presta, Froidefonde.

—Mas foi o primeiro em quem ela deu uns beijos aqui né!

Meu rodrigo estava de volta. Com os mesmos comentários impertinentes característicos, que fizeram Gabriel soltar um bufo.

— Vamos mesmo retornar ao assunto...

— Vamos – interrompeu, animado – Quer dizer, eu quero falar do fato de você ter muito mais concorrentes que eu. Chega a ser ridículo o tanto que os feromônios desse serzinho atraem todos os...

— Vamos contar! — gritou Rafael, animado – Eu gosto desse assunto.

— Vocês são ridículos — resmungou Gabriel, se jogando na água.

— Gustavo, Gabriel, Nick, e eu tenho certeza que ela tem alguma coisa com o cunhado, porque não é normal esse chamego todo.

— Qual cunhado?

— Bruna!

— Qual foi? Tem dois e ambos você...

Lucas a puxou pra dentro d’água pra calar sua boca e nunca fui tão grata àquele rapaz. Aos poucos, todos foram caindo na piscina e parecia que não estávamos mais no internato, mas num passeio ao Sesc, regado por bebidas de qualidade duvidosa e música ruim de diferentes nacionalidades (a nossa playlist do Spotify era uma loucura. Desde os nossos funks proibidões às músicas grunge de Nich e as típicas de Ivan e Desirèe).

Estava distraída, apoiada à beirada observando os grandes amores da minha vida, quando senti mãos engilhadas brincarem com meu pescoço e puxarem meu cabelo. Fechei os olhos, porque conhecia aquele toque.

— O que cê quer, hein?

— Você, coração. Todos os dias da minha vida desde que meus olhos encontraram os seus, eu só quero você.

— Cada dia que passa, você fica mais romântico.

— Eu sou.

Me pressionou contra a parede e encostou a testa na minha, aproveitando-se situação na piscina. Brincava com a parte debaixo do meu biquini enquanto contornava meus lábios com a língua.

— Me beija logo, vai.

— Tava esperando um pedido formal.

Riu e puxei sua cabeça pra beijá-lo. Não pudemos aproveitar dois segundos sem sermos atacados por um bando de adolescentes que se portavam como crianças ao verem amigos se pegando.

— Nosso casalzinho favorito voltou! — gritava Rodrigo, completamente embriagado.

— Casalzinho favorito? Eles são o apocalipse! — grunhiu Lucas – A causa primária de todos os problemas!

— Mas sem eles, nós não teríamos nos conhecido! — argumentou Rafael.

— Viu! — gritou Lucas, de novo — Só desgraça aconteceu na nossa vida por causa deles.

Os dois começaram uma discussão e isso tomou a atenção novamente. Eu e Gab aproveitamos a deixa pra nos beijarmos de novo.

Claro, não durou muito.

Quando olhamos pro lado, lá estava Conus, boquiaberto diante da situação em que nos encontrávamos.