Colégio Interno – O regresso!

18 Punições, prisão e consequências.


Notas iniciais
3 anos depois, olha só quem voltou kkkk

Estávamos sentados há uns vinte minutos, escutando o monólogo confuso de Conus sobre o quanto nós éramos irresponsáveis, e não tinha mais punições o suficiente para aplicar na gente.

— Na minha época, isso seria caso de palmatória, mas acho que agora isso é ilegal.

— Na Rússia não é. Vocês sabiam que...

—Ninguém liga pra como funciona o ensino na Rússia, Ivan — belisquei-o para que calasse a boca e ele deu os ombros.

Conus choramingou, se jogando na cadeira dramaticamente, e olhou pra gente.

— Eu vou separar vocês.

— Desculpe? — soltou Bruna, em português mesmo — Você não pode simplesmente...

— Posso. Na verdade, não todos. Só a origem de todo o mal.

— Satã? O mais próximo que temos de Satã é... — começou Rafa, e logo ele parou — O que o senhor vai fazer com a Amanda?

— Vou transferi-la pro outro lado do campus.

Por um milésimo de segundo, houve um silêncio cortante na sala. Nós nunca ficávamos quietos.

Em seguida, veio a enxurrada de reclamações.

— Isso é completamente arbitrário! — gritou Nicholas — Você não pode simplesmente pegar uma aluna e colocá-la do outro lado do campus só porque você acha que...

— Vocês FABRICARAM A PRÓPRIA BEBIDA. Eu acho que posso fazer o que quiser com cada um de vocês.

— Isso soou meio sinistro — sussurrou Gustavo, me empurrando com o ombro.

A verdade é que, a esta altura, eu estava resignada. Ele tinha razão.

Não é como se fôssemos anjinhos inocentes e ele fosse um carrasco. Nós traficamos bebidas, escondemos animais, fumamos todo o tipo de substância tragável através de fumaça, invadimos áreas da escola que só deveriam ser utilizadas para fins esportivos ou acadêmicos, demos uma festa no terreno da escola, e não sei mais quantas infrações cometemos desde que cheguei. Não é como, se de alguma forma, pudéssemos estar na situação de vítima.

— Tudo bem, Conus.

— Como é?

— Todo mundo vai ficar livre de qualquer outro tipo de punição? — perguntei, firme. Os demais continuaram a algazarra, tornando muito difícil a minha negociação e pose de mafiosa.

— Sim.

— Promete?

— Não posso assinar um termo, posso? — soltou, irônico, e eu quis socar a cara dele — Mas você tem a minha palavra.

— Por nada que tenhamos feito até esse momento?

— Nada.

— Nem se eu disser que a festa foi coisa nossa?

Conus riu, irônico.

— De quem mais seria, Froidefonde?

— Tudo bem — sorri, cínica — Quanto tempo?

— Um mês.

— Amanda vai passar UM MÊS com gente estranha? — choramingou Rafa — Nem a gente aguenta ela direito, Conus, ela vai ser massacrada!

— Vamos ver como vocês se comportam com a bonitinha do outro lado do campus.

— Vão todos se comportar como anjinhos, agora me deixa ir pro quarto arrumar minhas malas.

— Você não tá pensando em...

— Alguém tem uma ideia melhor? — perguntei, interrompendo Gustavo. Silêncio absoluto — Era o que eu pensei. Conus, quanto tempo eu tenho?

— Vinte minutos. Vou deixá-la na porta do bloco e volto para buscá-la em 20 minutos.

Assenti calada, e assim me mantive até que estivéssemos no Chambre 657. Quando comecei a arrumar as malas, suspirei.

— É bom vocês se comportarem.

— Quê?

— Vocês querem que eu volte?

— É lógico! — gritou Thiago, exasperado.

— Então vai ser o mês mais tranquilo de nossas vidas. Vai ser como se eu estivesse, sei lá, presa.

— Quer que eu te leve cigarros? — perguntou Nick, irônico — A gente esconde no Rafa, ele tá acostumado.

— Não é porque eu sou gay que você pode fazer esse tipo de piada, Nicholas.

— Você é gay?! — perguntamos, em uníssono.

— Não, mas e se fosse? Eu hein. Homofóbicos.

— Nós vamos destruir esse lado da escola, e você vai destruir o outro, Froidefonde — disse Ivan, dando um soquinho em meu ombro.

— Não dessa vez. Vou ser um anjinho, e vocês vão ser anjinhos. Precisamos disso pra eu poder voltar.

Arrumei as malas o mais rápido que pude, e passamos algum tempo juntos como se não fosse uma despedida. Quando Conus voltou pra me buscar, Gab desabou.

— Eu vou te esperar, pequena! — gritou, e pude perceber o farfalhar de sua voz enquanto o fazia.

— Ela tá indo pro outro lado do campus, não vai morar na Bahia não, cara — soltou Rodrigo, e não pude evitar sorrir.

Sendo do outro lado do campus ou na Bahia, aquela seria a noite mais longa da minha vida desde que cheguei à Suíça.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.