Colégio Interno – O regresso!
18 Punições, prisão e consequências.
Notas iniciais
Estávamos sentados há uns vinte minutos, escutando o monólogo confuso de Conus sobre o quanto nós éramos irresponsáveis, e não tinha mais punições o suficiente para aplicar na gente.
— Na minha época, isso seria caso de palmatória, mas acho que agora isso é ilegal.
— Na Rússia não é. Vocês sabiam que...
—Ninguém liga pra como funciona o ensino na Rússia, Ivan — belisquei-o para que calasse a boca e ele deu os ombros.
Conus choramingou, se jogando na cadeira dramaticamente, e olhou pra gente.
— Eu vou separar vocês.
— Desculpe? — soltou Bruna, em português mesmo — Você não pode simplesmente...
— Posso. Na verdade, não todos. Só a origem de todo o mal.
— Satã? O mais próximo que temos de Satã é... — começou Rafa, e logo ele parou — O que o senhor vai fazer com a Amanda?
— Vou transferi-la pro outro lado do campus.
Por um milésimo de segundo, houve um silêncio cortante na sala. Nós nunca ficávamos quietos.
Em seguida, veio a enxurrada de reclamações.
— Isso é completamente arbitrário! — gritou Nicholas — Você não pode simplesmente pegar uma aluna e colocá-la do outro lado do campus só porque você acha que...
— Vocês FABRICARAM A PRÓPRIA BEBIDA. Eu acho que posso fazer o que quiser com cada um de vocês.
— Isso soou meio sinistro — sussurrou Gustavo, me empurrando com o ombro.
A verdade é que, a esta altura, eu estava resignada. Ele tinha razão.
Não é como se fôssemos anjinhos inocentes e ele fosse um carrasco. Nós traficamos bebidas, escondemos animais, fumamos todo o tipo de substância tragável através de fumaça, invadimos áreas da escola que só deveriam ser utilizadas para fins esportivos ou acadêmicos, demos uma festa no terreno da escola, e não sei mais quantas infrações cometemos desde que cheguei. Não é como, se de alguma forma, pudéssemos estar na situação de vítima.
— Tudo bem, Conus.
— Como é?
— Todo mundo vai ficar livre de qualquer outro tipo de punição? — perguntei, firme. Os demais continuaram a algazarra, tornando muito difícil a minha negociação e pose de mafiosa.
— Sim.
— Promete?
— Não posso assinar um termo, posso? — soltou, irônico, e eu quis socar a cara dele — Mas você tem a minha palavra.
— Por nada que tenhamos feito até esse momento?
— Nada.
— Nem se eu disser que a festa foi coisa nossa?
Conus riu, irônico.
— De quem mais seria, Froidefonde?
— Tudo bem — sorri, cínica — Quanto tempo?
— Um mês.
— Amanda vai passar UM MÊS com gente estranha? — choramingou Rafa — Nem a gente aguenta ela direito, Conus, ela vai ser massacrada!
— Vamos ver como vocês se comportam com a bonitinha do outro lado do campus.
— Vão todos se comportar como anjinhos, agora me deixa ir pro quarto arrumar minhas malas.
— Você não tá pensando em...
— Alguém tem uma ideia melhor? — perguntei, interrompendo Gustavo. Silêncio absoluto — Era o que eu pensei. Conus, quanto tempo eu tenho?
— Vinte minutos. Vou deixá-la na porta do bloco e volto para buscá-la em 20 minutos.
Assenti calada, e assim me mantive até que estivéssemos no Chambre 657. Quando comecei a arrumar as malas, suspirei.
— É bom vocês se comportarem.
— Quê?
— Vocês querem que eu volte?
— É lógico! — gritou Thiago, exasperado.
— Então vai ser o mês mais tranquilo de nossas vidas. Vai ser como se eu estivesse, sei lá, presa.
— Quer que eu te leve cigarros? — perguntou Nick, irônico — A gente esconde no Rafa, ele tá acostumado.
— Não é porque eu sou gay que você pode fazer esse tipo de piada, Nicholas.
— Você é gay?! — perguntamos, em uníssono.
— Não, mas e se fosse? Eu hein. Homofóbicos.
— Nós vamos destruir esse lado da escola, e você vai destruir o outro, Froidefonde — disse Ivan, dando um soquinho em meu ombro.
— Não dessa vez. Vou ser um anjinho, e vocês vão ser anjinhos. Precisamos disso pra eu poder voltar.
Arrumei as malas o mais rápido que pude, e passamos algum tempo juntos como se não fosse uma despedida. Quando Conus voltou pra me buscar, Gab desabou.
— Eu vou te esperar, pequena! — gritou, e pude perceber o farfalhar de sua voz enquanto o fazia.
— Ela tá indo pro outro lado do campus, não vai morar na Bahia não, cara — soltou Rodrigo, e não pude evitar sorrir.
Sendo do outro lado do campus ou na Bahia, aquela seria a noite mais longa da minha vida desde que cheguei à Suíça.
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