Colégio Basílius

7 Capítulo 1: A cerimônia de entrega (Jack)


Capítulo 01: A Cerimônia de Entrega

Jack



Os dias se passaram e o colégio se tornou cada vez mais lotado até que todos os alunos, antigos e novos, haviam chegado.

As aulas haviam começado há uma semana, mas não houvera nada de emocionante já que ainda não haviam recebido uma arma encantada. Tiveram aulas teóricas de Introdução à Criaturas e Monstros, aprendendo que criaturas eram seres com energia natural e monstros eram os com energia negativa. Outra era Introdução à Condenados e Aberrações. Condenados eram pessoas com muita carga sobrenatural negativa e aberrações eram lugares amaldiçoados também por estas cargas. Havia também uma chamada História da Caça, a qual os ensinava sobre os principais eventos que envolveram humanos, criaturas e monstros ao longo da história.

A única aula prática que tiveram sem a necessidade das armas fora a aula de Controle da Energia, que servia justamente para ensiná-los a ativar e desativar suas armas usando a energia mágica natural que existe dentro de seus corpos.

Manifestar energia não era algo muito difícil, mas fora a primeira vez da maior parte daqueles calouros. Embora todos os seres tenham energia, nem todos eram capazes de manifestá-la magicamente, portanto era comum que alguns alunos tivessem caçadores na família e praticassem o uso da energia com eles antes de ingressar no colégio, mas outros podiam não ter esse privilégio. Como Jack, cujo pai não era caçador e nunca teve contato com energias mágicas, pelo menos não intencionalmente até o fatídico dia daquele incidente. O mesmo valia para Jay já que seus pais foram caçadores, mas ele nunca chegara aconhecê-los e seu tio Phillip não o treinava por receio, já que na época ele preferia não estimular o desejo precoce de Jay de se tornar caçador.

O primeiro dia da segunda semana de aulas estava marcado como Dia da Cerimônia de Entrega de Armas. Neste dia todos os alunos calouros receberiam suas armas encantadas e se conectariam com elas pela primeira vez, criando um elo que duraria até o final de suas vidas como caçadores.

Naquela manhã Jack decidiu levantar da cama bem cedo e tomar seu banho e café da manhã bem rápido antes de ir para o pátio a céu aberto onde a cerimônia seria realizada. Chegando lá via um local lotado de novos alunos, que assim como ele estavam a espera de sua arma encantada. Nos mirantes ao redor do pátio estavam os alunos veteranos ostentando suas enormes e luminosas armas como foices, pistolas, correntes, arcos e muitos outros tipos, observando-os com rostos curiosos enquanto mostravam seu poder nas armas que carregavam. Nos mirantes estavam também os professores, que também os observavam, mas sem exibir armas.

Os alunos começam a ser chamados pelo nome, em ordem alfabética, para que buscassem sua arma ao lado do Grande Ferreiro do colégio, um anão chamado Horff, e em seguida realizassem em público sua primeira conexão empática com a arma e fazer uma breve demonstração de habilidade com ela.

— "Hmm, me espanta que as armas se submetam a serem usadas como objeto de decoração nas mãos desses veteranos" — Pensava Jack sem dar muita bola para eles. Por enquanto queria apenas manter uma boa imagem. — "Um tanto tedioso, mas inevitável. Porém nada me impede de me divertir com o sofrimento alheio de outras formas." — Com um sorriso no rosto por fora, Jack apreciava o nervosismo dos outros alunos por dentro. Com alguma sorte poderia ver alguém ter uma crise de pânico e falhar durante a conexão.

Os primeiros alunos são chamados, um a um, para ir até o estande onde estava o ferreiro Horff para recolher suas armas e utilizá-las pela primeira vez. A maioria deles vai bem, apenas um ou outro tem algum tipo de complicação precisando de duas ou três tentativas para fazer as armas funcionarem. Ao finalizarem eles retiram a energia da arma, fazendo-a se transformar em uma versão miniatura da mesma.

Ao chamar por um nome o qual Jack não havia prestado atenção, uma garota de cabelos escuros e franja laranja passa apressada ao seu lado, esbarrando em Jack no caminho até o estande. Jack a encarapelas costas, sem saber se ela realmente não o vira ou se esbarrou de propósito. De qualquer forma ele decidira torná-la um alvo em potencial para algum tormento futuro. Ela recolhe sua arma que era uma espada longa, como a de Jack seria, porém fina como uma agulha. Ao conectar-se com ela, realiza uma singela, porém precisa apresentação de rápidos movimentos para em seguida descer. Após alguns nomes depois dela, Jack é chamado para subir.

Ele caminha até o estande de Horff e olha ao redor em busca de sua arma.— Sou Jack Hanther. — Ele se apresenta com uma expressão simpática.

Embora Horff fosse um anão ele não era tão pequeno ao lado de Jack e suas mãos era muito maiores que as do garoto. Ele puxa sua espada do meio de muitas outras armas. Uma espada montante imensa que se contrastava bastante comparada a pouca altura dos dois, fazendo com que algumas pessoas no pátio e no mirante soltassem algumas risadas. A espada é entregue em suas mãos, para que fizesse a conexão empática como ensinado nas primeiras aulas.

Ao receber a espada, Jack olha com um sorriso. — "Agora sim! Uma arma divertida de se usar." — Ele não consegue evitar que um sorriso mais largo se forme em seu rosto, imaginando todas as possibilidades de diversão que teria com aquela arma, ignorando completamente as risadas dos outros.

Concentrando-se por um segundo, Jack fecha os olhos e tenta realizar o vínculo empático com sua espada, conforme ensinado nas aulas. Sua energia se conecta com a arma, fazendo-a parecer uma extensão de seu corpo. Era como se, lá no fundo, já a tivesse há muito tempo.

— Agora use sua arma e mostre o seu talento para os idiotas que estão olhando. — Cochicha o ferreiro ao seu lado.

Jack balança a cabeça positivamente e, fingindo ter um pouco de dificuldade com o peso da arma, realiza alguns golpes giratórios tomando cuidado para fazer eles parecerem mais lentos do que eles realmente poderiam ser. — "Pelo menos assim ninguém vai esperar muita coisa caso eu precise enfrentar um deles." — Após fazer mais alguns golpes mal dados, fingindo ser menos capaz do que era, ele se afasta do palco e remove a energia de sua arma, transformando-a num pequeno broche em forma de espada e pregando-o ao peito. Em seguida começa a andar em busca da garota que esbarrou nele minutos antes.

O pátio estava muito cheio e dificilmente ele conseguiria encontrar uma pessoa específica, principalmente alguém que ele mal vira direito, mas sua persistência foi maior e em alguns minutos ele encontra a mesma garota, de cabelos escuros e uma franja de fogo, assistindo com um olhar curioso a apresentação de um aluno cuja arma, que era algo parecido como uma luva, havia falhado drasticamente no palco, fazendo com que todos abaixassem a cabeça por um segundo com medo de serem acertados por algo que saíra de sua arma.

— "Que tipo de fracassado usa luvas como armas?" — Ele pensa enquanto se aproxima daquela garota, fingindo não notá-la e parando a uma pequena distância onde poderia ficar de olho nela e notar outras pessoas com quem ela pudesse se comunicar, possíveis amigos. Dessa forma poderia saber mais sobre ela e sobre pessoas que poderia usar para saber mais sobre ela.

Entretanto ela estava sozinha e logo aquela apresentação falha ela decide caminhar para fora do pátio, desinteressada em continuar assistindo as outras apresentações.

Jack a observa com um leve divertimento. — "Parece que temos uma princesa solitária aqui... Uma pena ela não ter amigos que eu possa usar, mas pelo menos vai ser mais divertido descobrir mais sobre ela diretamente" — Jack decide se manter na sombra dela, seguindo-a para conseguir mais informações. O resto das apresentação já não lhe interessavam mais agora que tinha um alvo na mira.

Ela se afasta passando entre alunos animados até chegar ao final do pátio e atravessar um par de portas que levava aos corredores internos do colégio. Ao vê-la saindo Jack a deixa se afastar alguns metros e depois de um tempo volta a segui-la de forma descontraída, também passando pelas portas do pátio algum tempo depois, para verse conseguia descobrir onde ela costumava passar o tempo, o que gostava de fazer ou quem sabe até mesmo seu nome, que abriria portas para descobrir ainda mais coisas.

Alguns passos adiante naquele corredor ela faz uma curva para um novo corredor à direita e Jack segue o mesmo caminho em seguida. Quando ele também faz a curva a encontra bem ali parada, de frente para ele, com os braços cruzados e olhos sérios semi-cerrados como se o estivesse esperando.

Procurrando alguma coissa? — Ela pergunta com um sotaque bem acentuado.

Jack sorri ao ser surpreendido com a garota lhe esperando bem na esquinado corredor. Isto significava que ela havia notado estar sendo seguida e ele não esperava por isso, mas estava satisfeito com aquilo. Primeiro porque ouvir seu sotaque francês lhe soou como um objetivo alcançado, agora sabia de onde ela era, e segundo por ela ser uma garota atenta o que tornava as coisas ainda mais interessantes.

— "Ela não é burra o suficiente para não notar alguém fazendo o mesmo trajeto que ela. Um alvo esperto pra minha caçada. Hehe!" — Ele se aproxima um passo e fala gentilmente. — Bom dia. Me desculpe, sou ruim com nomes. Como você se chama mesmo? — Decide usar uma pergunta para ganhar tempo em sua busca por uma desculpa.

— Eu me chamo Flarry, mas nunca havia me apressentado a você. Você é? — A garota o encara de cima à baixo e ergue uma sobrancelha no aguardo de sua resposta. Sua voz era firme e o tom ríspido. Sua expressão permanecia a mesma, quase como se nem piscasse.

Com uma desculpa planejada Jack comenta que estava indo atrás dela para avisá-la que durante o período de apresentações de armas a entrada dos alunos nas dependências do colégio não era permitida, pois todos deveriam acompanhar a cerimônia até o final e ela poderia acabar sofrendo uma penalidade por isso.

— Ah! Você jurra? Eu sincerramente não sabia disso. Acho que tenho de voltar então, certo? — Sua expressão era indiferente, então era difícil para Jack saber se ela acreditava nele ou se estava entrando no jogo, embora sua voz parecesse sincera.

— Certamente. Venha, eu acompanho você. — Com um gesto ele propõe que ela se aproxime para que voltem juntos ao pátio. — Por que você decidiu vir para cá? Digo, para este colégio, não para o corredor. Hehe. — Ele dá uma risada fingindo estar desajeitado.

Ela se aproxima para acompanhá-lo e enquanto anda ao lado dele responde a pergunta. — Você nem mesmo me respondeu o seu nome e já me faz outra pergunta?

— Ah, é mesmo. — Ele solta mais uma risada. — Eu sou Jack Hanther. Desculpe a minha falta de educação e minha distração também. — Responde enquanto percebe a mancada que acabara de cometer. — "Droga, provavelmente vai ficar mais difícil de me aproximar agora."

— Eu vim parra o Colégio Basílius pois meu pai acreditou que serria o melhor parra dessenvolver minhas habilidades como caçadorra. — Seu tom passava a se tornar mais suave.

— Legal. E tenho certeza de que será uma caçadora incrível. — Ele fala genuinamente alegre, acreditando que finalmente teria uma presa digna, diferente do que tinha no centro de reabilitação. — Você deve ser bem esforçada, já que está disposta a melhorar suas habilidades... ou você está aqui apenas por causa do seu pai?

Ela para de caminhar e o olha nos olhos ainda com uma expressão entediada. — Parre de me fasser tantas perguntas. Eu não te conheço e não gosto de ser entrevistada. Por que apenas não voltamos logo parra o pátio? — Ela se vira para o corredor outra vez e continua o caminho sozinha na frente. Lá atrás Jack corre para alcançá-la outra vez.

— Desculpe. Achei que uma conversa assim ajudaria a passar o tempo. — Ele volta a caminhar ao lado dela. — Para compensar eu irei lhe permitir que me faça qualquer pergunta. Uma troca justa, não concorda? — Ele sorri outra vez, curioso para saber o que ela fará diante daquela resposta.

— Não tenho interresse em saber mais sobre você. E por favor, chega dessa atuação. Foi muito boa enquanto durrou, mas agorra basta. — Ela apressa o passo novamente, decidindo ir embora sozinha enquanto deixa Jack para trás outra vez.

Ao vê-la apressando o passo Jack diminui o seu, deixando-a se afastar. Ele dá de ombros, não se importando, e depois que ela já havia sumido de vista ele volta ao pátio também.

— "Me pergunto se ela só percebeu que eu não estou querendo ser amigo dela de verdade ou se ela também se tocou de que eu estava fingindo lá no palco."

Jack retorna ao pátio lotado, mas agora as apresentações já estavam chegando ao fim e não muito tempo depois os alunos calouros se dispersam do pátio e os veteranos e professores se dispersam do mirante. Não haveriam aulas naquele dia, para que cada um passasse o dia compreendendo e se adaptando à suas armas por conta própria ou com amigos veteranos e então pudessem retornar à rotina de aulas na manhã seguinte. Assim Jack decide procurar por seus colegas de quarto para treinar na companhia deles, descobrir quais eram suas armas e do que eles eram capazes.

Notas finais
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