Colégio Basílius
8 Capítulo 2: A cerimônia de entrega (Jay)
Capítulo 2: A Cerimônia de Entrega
Jay
Jay havia dormido pouco naquela noite. Estava ansioso por saber que no dia seguinte aconteceria a cerimônia de entrega e finalmente receberia sua Manopla Transformadora, a qual encomendara na forja do Colégio Basílius.
Ao acordar, comeu rápido e seguiu com pressa para o pátio, pois sabia que o lugar estaria cheio de outros novos alunos a espera de suas armas encantadas e queria pegar um bom lugar para conseguir ver as armas de todos e não ter dificuldade na hora de ir buscar a sua. Chegando lá ele encara de cara feia os veteranos espalhados no mirante ao redor do pátio que se exibiam com suas armas reluzentes se achando o máximo, embora Jay soubesse que eles não eram ninguém se comparados a ele.
Os alunos começam a ser chamados para buscar as armas e Jay aguardava ansiosamente, até com um pouco de pressa, a sua vez.
— Ah, que demora! — Ele passa a mão no cabelo, bagunçando-o ainda mais enquanto bate o peito do pé contra o chão de tanta ansiedade. — Quem se importa com as armas desses fracotes? Eu quero as minhas manoplas logo! — Ele bate os punhos um contra o outro e dá um largo sorriso sádico. Além dos veteranos ele nota também os professores lá em cima e pensa — "Alguns deles são caçadores de elite extremamente fortes. Sindo vontade de lutar contra algum deles um dia."
— Manoplas, é? — Diz uma garota ao seu lado, que o ouvira falando sozinho. — Elas são como luvas, não é? É para não sujar as mãozinhas em combate?
— Hã...? — Jay tomba a cabeça para trás, virando o rosto na direção da voz. — Você disse alguma coisa seu pedaço de merda?
Com a sua resposta ela o olha com um pouco de espanto e após uma expressão de desgosto ela se afasta e desaparece entre os outros alunos na multidão.
Segundos depois o ferreiro criador das armas, que se chamava Horff, começa a chamar pelos nomes que começavam com J. Em breve chegaria o seu. Apoiado em uma parede próxima e de braços cruzados ele continua a bater os pés no chão, agora com mais velocidade, impaciente. — "Anda, anda, anda, anda, anda..." — Ele pensava, até que finalmente seu nome é chamado.
— AHÁ! ATÉ QUE ENFIM. — Ele grita com extrema animação. — Não aguentava mais ver esses perdedores se apresentando! — Com um largo sorriso no rosto ele sai correndo em direção ao anão, parando diante do mesmo de punhos cerrados e ainda mais animado. — Você fez certo? Elas ficaram iradas né? Me dá elas logo eu mal aguento esperar.
Horff quase não falava nada e sempre olhava de cara feia para quase todo mundo e assim fizera com Jay. Calado, ele pega o par de manoplas do rapaz no meio de diversas armas e as encaixa em seus punhos. Jay abre e fecha as mãos para checar o encaixe. Estavam perfeitas em tamanho. Imediatamente ele tenta realizar a conexão empática que fora ensinada na primeira semana de aulas. Jay sonhava com aquilo desde que se entende por gente e estar ali, sentindo pela primeira vez as armas encantadas que seriam suas companheiras de agora para toda a vida era incrível.
Ele respira fundo e concentrar sua energia nas mãos esticando-as para frente e depois puxando-as para trás ao mesmo tempo em que fecha os pinhos. Uma densa energia corre por suas manoplas, fazendo-as se ativarem, liberando um pouco de luz e emitindo pequenos sons de engrenagem em seu interior.
— Agora faça alguma coisa com elas! — Horff cochicha na altura de sua cintura.
A multidão de novos alunos aguardava ansiosamente para descobrir do que as manoplas de Jay eram capazes agora que estavam ativadas.
— Nem precisava pedir. — Ele cerra os punhos com força, se encolhe e então dá um salto. Usando sua energia ele faz com que suas manoplas lancem um disparo dos dedos, para servirem de impulso para saltar ainda mais alto. — Uhuuul. — Gritando de entusiasmo ele aprecia um pouco da vista, observando a multidão de alunos por cima. Quando começa a cair ele pousa socando o chão com toda sua força e ao se levantar lança mais alguns disparos da ponta de seus dedos pra cima. O disparo, porém, parece entupir em sua manopla e depois de alguns segundos sai com um estouro. A bala de energia ricocheteia para todos os cantos, acertando uma árvore, uma parede, o chão e então se desmancha, fazendo com que todos abaixassem a cabeça no pátio. No mirante diversos alunos veteranos riem com a cena.
Surpreendido, Jay encara as manoplas e depois o anão ferreiro.
— Ei, baixinho. Essas manoplas estão com defeito. O meu disparo não devia ter engasgado dessa maneira. Você tá querendo me fud#@?
Horff o ignora completamente e grita um novo nome em voz alta, praticamente expulsando Jay, e com um toque de sua mão pesada o empurra com força para para que desse espaço para o próximo aluno. Embora fosse um anão, suas mãos de ferreiro tinham a força de um hipopótamo.
Ao ser arremessado pra longe ele range os dentes e rosna — Ei! Qual é o seu problema, seu nanico? Não me ouviu? Você fez essas merd#@ muito fracas! Ferreiro uma de uma ova! — Jay mostra o dedo do meio pra ele e em seguida guarda as mãos nos bolso e se vira emburrado enquanto caminha resmungando.
— Como eu vou caçar bruxas com isso? Não vai nem fazer um arranhão nelas! Argh! Que se dane, se as balas são um lixo eu vou esmagar a cara delas com minha própria força! — Ao perceber que ainda estava usando as manoplas ele tira as mãos do bolso e em seguida as transforma em braceletes fixos em seus pulsos.
Jay assiste algumas das próximas apresentações, mas logo perde o ânimo e começa a andar para fora do pátio. — Bando de perdedores, han, de quem eles acham que riram? Eu vou quebrar a cara de cada um desses novatos imundos. — Falava sozinho enquanto se empurrava para fora da multidão.
Neste momento ele ouve uma voz doce falar com ele.
— Eu acho que você se comunicou muito bem com a sua arma lá na frente. — Dizia uma garota tão baixinha quanto Horff.
— Sim. Não há por que ficar tão nervoso. — Dizia uma outra garotinha, que era completamente idêntica à primeira. — Você terá oportunidades o suficiente para provar seu talento a todos.
— E quem foi que te... — Ele fala virando o corpo para ver quem era, parando e franzindo o cenho ao ver duas garotas baixinhas idênticas. Ele esfrega os olhos para ter certeza de que não era uma miragem. — O que é isso? A sua arma é um clone?
— Clone? Não! Nós somos gêmeas, bobo. — Respondem ambas ao mesmo tempo trocando risadas uma com a outra.
Elas eram realmente muito pequenas, quase na altura de sua cintura. Ambas com cabelo loiro, de um amarelo-areia tão claro que quase se tornava branco. Elas vestiam-se com uma roupa branca com bordados no pescoço e nos pulsos, botões dourados no peito e uma saia ligada a suspensórios, azul para uma e verde para a outra, combinando com seus olhos respectivamente. Para Jay aquilo parecia roupa de empregada.
— O importante é que você não deve... — Dizia a de saia e olhos azuis.
— ...se deixar levar pelas reações dos outros. — Finalizava a de saia e olhos verdes.
— Aqueles perdedores? — Jay dá uma leve risada de deboche — Que se fo#@. Quando eu me tornar o maior caçador de todos e estiver capturando bruxas eles vão estar implorando pelo meu socorro. Até mesmo o diretor vai pedir pela minha ajuda. — Ele dá um sorriso confiante e arrogante.
— Que ótimo! Você tem um espírito bem animado e forte. — Comenta a pequena de azul de forma sincera. — Foi um prazer conhecer você. Agora vamos indo!
— Espero que nos encontremos de novo durante as aulas. Até mais. — Dizia a outra irmã, que se dão os braços e somem na multidão muito rapidamente, principalmente por serem pequenas.
— Hum... gêmeas. Nunca tinha conhecido gêmeas antes. — Ele se vira de costas e volta a caminhar se afastando da multidão e procurando um lugar isolado para ficar enquanto pensava. — "Okay. Eu preciso me acostumar com essas armas. Preciso saber o limite delas eu quanto estou ligado a elas."
Jay deixa o pátio para trás e entra pelos corredores do colégio enquanto o som da animação dos outros alunos vai se tornando cada vez mais baixo. Passando por algumas portas encontra uma delas aberta, lhe dando acesso à uma quadra vazia. Sem ninguém para impedi-lo e nem para incomodá-lo, ele decide entrar e botar em prática a sua conexão com as armas que acabara de receber. Estava determinado a se tornar o melhor caçador daquele colégio e não queria perder nem um segundo sequer com moleza.
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