Colors And Promises.
2 Capítulo 2
Tomei meu café e fui para a loja. Cheguei lá e vi minha tia lá, o que era bem estranho e raro.
_Bom dia meninas ..e você aqui em Milão tia? _ Disse indo ao encontro dela, e beijando-a. Sentia saudades dela.
_Oi meu amor, como você está?
_Estou ótima, mas você .. _ Ela não parecia muito bem, estava cansada, preocupada. Conhecia minha tia, e sabia que algo a importunava.
_É nada bem, podemos conversar lá em cima Charlotte? _ Realmente, eu sabia que esse tipo de frase: “precisamos conversar” nunca soa muito bem, mas eu não havia feito mais nada de errado.
_Tudo bem tia, vamos subir. Meninas, se o representante da Colcci chegar vocês me avisam tudo bem?
_Claro Cho, eu te aviso. _Disse Mel, uma das vendedoras da loja, junto com Julliet. Subi para o escritório e minha tia estava sentada no sofá. Sentei ao lado dela. Sentia que não estava bem mesmo.
_Então o que houve tia? É sobre o aquele problemas lá na loja?
_É Charlotte, sobre o desvio na loja, já conversei com o gerente do banco, mas tu sabe como é, ele investigou tudo, onde foi parar, como e quando. Só que eu preciso que você vá para lá meu amor, é melhor, vão se sentir mais a vontade contigo lá e fica fácil de pegar eles. _ Londres? Opa, Londres mesmo? O único lugar que eu não queria ir, mas é o lugar onde a loja é controlada porque a sócia da minha tia mora lá. Eu sei que eu que fui a errada na história toda, mas sabe como é: quando erramos nunca conseguimos encarar de frente, eu pelo menos. Mas eu precisava fazer isso, afinal é minha família, meus problemas eu tenho que resolver e já estava mais que na hora.
_Londres então ..?
_É, eu sei meu am..
_Não tudo bem tia, eu vou, agora me conte tudo que eu tenho que fazer e saber ..
E assim foi, ficamos por um longo tempo conversando. A coisa estava feia, e estávamos entrando no vermelho. Era preocupante a situação. Eu iria embora pela manhã, nossas passagens estavam compradas já e minha tia deixou tudo arrumado para irmos logo, era urgente.
O dia na loja foi corrido, três reuniões seguidas, e trabalho extra que eu estava fazendo ainda. Minha tia foi para minha casa arrumar minhas coisas. Cheguei passada das 22 h., jantamos e conversamos mais um pouco e ela foi deitar, estava bem cansada. Fui para o armário do corredor, onde ficam os cobertores, pegar a minha ‘caixa’ que eu escondia no fundo do armário. Não tive coragem de olhar para aquela embalagem preta e abrir, embora soubesse o que tinha dentro, mas preferi guardar e ir deitar que eu estava muito cansada, os dias que passassem iriam ser longos e eu precisava de energia mais do que nunca.
Levantei e fui tomar um banho, vesti uma roupa confortável que eu deixei arrumada na noite anterior. Minha tia iria direto para a Irlanda, não queria ser vista lá. Combinamos o que eu diria, e quem eu teria que encontrar quando chegasse lá. Era hora de cuidar dos negócios da minha família e depois cuidaria dos meus problemas. Despedimo-nos no aeroporto, meu voo era antes do dela, e embarquei. Adeus cidade maravilhosa! Liguei meu Ipod no máximo e dormi toda a viagem. Foi um voo tranquilo e sem turbulência o que em minha opinião foi milagre, porque todos meus voos eram agitados. Um saco!
Cheguei no aeroporto, estive poucas vezes em Londres, conhecia muito pouco, então eu teria que me virar sozinha mesmo. Chamei um táxi e fui para meu apartamento. Era um senhor muito simpático, me indicou várias rotas diferentes, conversámos sobre o tempo e sobre as últimas do Manchester. Cheguei no prédio e acertei com o porteiro sobre as chaves da garagem, já que eu não tinha carro, ainda. Minha tia deixou tudo bem arrumado no apartamento, uma linda decoração. Uma sala ampla com sacada, a cozinha grande também, sala de jantar, escritório, dois quartos, três banheiros e lavanderia. Um ótimo lugar para morar, uma vista linda. Tomei um banho e fui tomar um café, tinha que ir no escritório do advogado. Achei uma padaria pertinho da minha casa, isso era um perigo. Comprei um café e chamei um táxi para ir ao advogado. Não demoramos muito para chegar, era próximo da minha casa.
O escritório ficava em uma espécie de casa, mas onde havia várias salas. Procurei pela placa do Dr. Freire e toquei a companhia que havia do lado. Fui atendida por um rapaz jovem até, aparentemente uns 25 anos, meio castanho claro os cabelos e olhos verdes, vestia um terno escuro, muito bonito, o terno e o rapaz. E que belo sorriso.
_Bom dia, Dr. Freire?
_Olá, bom dia, não eu sou o Enrique, estagiário do Dr. Freire.
_Ah prazer, eu sou a Charlotte. _ Disse apertando a sua mão quente.
_Entre Charlotte, você tem horário marcado já?
_Ah sim, minha tia mandou isso._ E entreguei um papel que minha tia mandou entregar para ele.
_Ah sim, ele está te esperando, por aqui._ E me indicou a porta branca.
_Obrigado, Enrique.
_Foi um prazer, Charlotte._ Senti uma malícia no meu nome quando ele disse, mas gostei do tom da voz dele, sensual, mas moderado, um gato completo. Entrei na sala, e lá estava o tal advogado, devia ter uns 50 anos para mais.
_Bom dia, você é a Charlotte certo?
_Certo, e você o tal advogado que minha tia falou, Dr. Freire?
_Certo, sente-se querida, a conversa é longa.
_Eu tenho todo o tempo do mundo. _ E sorri para ele com convicção. Tomamos um café e conversámos por longas horas. O caso era crítico mas tinha solução, tinha mais gente envolvida do que eu imaginava. O caso foi parar até numa agência secreta, e tinha mais outra menina envolvida. Só pela investigação tudo que era desviado ia para conta dela, e ela tinha muita grana na tal conta. Uma confusão. No fim, eu teria que ir no banco de Londres conversar com o gerente e a tal menina, dona da conta.
Fui passear um pouco pelas lojas de lá, sempre ouvi dizer que tinha coisas mais lindas que Milão. Eu não queria ir na D’Lazzo e fiz algumas compras e fui na agência que era filial da que eu trabalhava lá em Milão. Conversei com a dona, eu já conhecia ela de Milão mesmo, a Sara. Muito querida e disse que ria adorar que eu trabalhasse com ela.
Sentei em uma cafeteria, e abri uma revista que eu tinha comprado no aeroporto. Algumas fofocas nada a ver nas páginas que seguiam, até ver uma reportagem com os meninos da One Direction. Falavam sobre os shows, o sucesso, a carreira, vida pessoal, emocional e frases que aprenderam com o tempo. Niall disse: “Aprendi que a confiança quando se quebra, nem o amor pode salvar.” Aquilo doeu, e muito, minha coragem de tentar falar com ele foi por água a baixo. E o arrependimento tomou conta de novo. Era hora da vida real, e arrumar minha casa. Cheguei meio triste com o que havia lido e fui arrumar minhas coisas.
Já eram 2:30 a.m. Quando abri minha bolsa com a caixa. Peguei ela e sentei na minha cama, olhei por alguns instantes para ela, e abri. Tinha algumas fotos e cartas por cima do livro preto escrito em letras rosa e brilhantes “Niall e Charlotte”, um nome infantil, mas que eu achava que combinava. Eu peguei com cuidado porque já estava meio velho já, comprei em uma livraria antiga lá em Mullingar, eu tinha uns 12 anos, queria colar minhas fotos com Niall e um dia quando nos formássemos eu entregaria para ele. Abri e a primeira foto era quando tínhamos uns 5 anos talvez. Eu achava linda aquela foto, minha tia e a mãe dele adoravam tirar foto nossas, inclusive nós sempre tirávamos também, era um vicio, ainda mais depois na era digital. Na outra página, tinha uma das que ele mais gostava que ele tinha tirado de mim, estávamos no parque perto de casa. Me deu saudade dele, muita saudade. Virei a página e tinha a outra que eu mais gostava, estávamos na praia com a minha família, e minha tia que havia tirado. Nós éramos o casal da cidade. Todos apostavam que um dia iriamos ficar juntos. Aquilo me fez lembrar da noite que estávamos na praia e escrevíamos nossos nomes na areia, e nos molhamos todos, gripe na certa no outro dia. Troquei algumas páginas e fui para uma aleatória, a foto que nós estávamos nos despedindo para as férias. Fiquei tão triste sem ele, fui para a Disney e foi um tédio aguentar um monte de guria chata sem ele. Olhei na outra página e tinha outra foto que eu amava talvez o que mais gostava de fazer com ele, ‘aprender’ a tocar violão. Enquanto eu ensaiava para as líderes ele tocava violão na arquibancada. Ficávamos a tarde fazendo isso, quando eu não o botava como minha base. Morríamos rindo. E eu estava morrendo de tanto chorar, de tanta saudade, queria ter ele por perto de novo. Sempre achei que ele precisava de mim, mas estive tão enganada, eu precisava dele, para tudo, quando passei na torcida era para ele que eu corria, para falar dos meus problemas, era ele, visitar meus pais no cemitério, era ele, ir à missa, era ele, comer, era ele, sorrir, era ele, tudo com ele. Assim como a outra foto. Fechei rapidamente aquele livro e deitei no meu travesseiro, e comecei a recordar do dia que nós dois ficamos.
_Gente, acho que é melhor trocarmos de consequência, somos amigos. _ Disse ele avermelhado. Eu conhecia aquela cara, ele estava com muita vergonha.
_Tudo bem, é beijo que vocês querem, vocês terão mas não aqui na frente de todo mundo, amigos também se beijam Niall. _ E puxei ele pela mão, e o levei para a sacada da casa de Julie. Eu tremia, ele tremia. Eu suava, e ele também. Eu tinha 13 anos. Parei em frente a janela, para que eles vissem mas não nos incomodassem. Olhei para ele, e ele me olhou, foi estranho, borboletas se moviam dentro de mim.
_E agora ..? _ Eu sabia que eu queria voltar, mas ao mesmo tempo não. Ele já tinha beijado antes, eu não. Mas eu sabia que ele não iria rir de mim, se eu não soubesse.
_Vamos ser amigos mesmo depois disso tudo bem?
_Sim, vamos fingir então que nunca aconteceu nada. _ Era ele me beijar ou andar nu pela rua gritando, o que ele não faria, eu sabia disso.
_Tá então .. _ Eu o encarei enquanto ele colocava suas mãos na minha cintura, eu ainda tremia. Senti a respiração dele ficando cada vez mais perto de mim, seus olhos azuis me encaravam. Ele fechou os olhos, e eu os meus e senti o calor da boca dele. Foi devagar, mas bonito, ele me deixava calma, mesmo eu estando muito nervosa. Foi primeiro um selinho, por alguns segundos, até eu me sentir confiante e envolver o pescoço dele, e ele colocar meu corpo perto do dele, eu sentia o coração dele batendo forte. E então senti a língua dele dando espaço na minha boca, era estranho no primeiro momento, mas aí a confiança que eu tinha nele me deixou levar e foi fazendo os mesmo movimentos. E assim foi meu primeiro beijo. Depois nos olhamos meio avermelhados e voltamos para dentro de mãos dadas. E nunca mais isso se repetiu, infelizmente.
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