Adormeci logo depois e tive um pesadelo terrível comigo, eu dirigia e sorria para alguém, até uma luz muito branca me deixar cega e eu acordar suada. Olhei para o relógio, já era 7:45 a.m. e decidi tomar um banho e correr um pouco no parque. As 9 a.m. eu iria ao banco e sabe-se lá que horas eu sairia de lá.

Enquanto corria, deixei as músicas se escolherem automaticamente, já não tinha tido uma boa noite e começa a tocar uma das músicas que mais defini minha história com Niall – Back to December, Taylor Swift. Em dezembro brigamos e depois nunca voltamos ao normal. Era um resumo da nossa pouca história. Ou melhor, da nossa linda história com final trágico. Meu celular começou a vibrar, era um número estranho, atendi.

_Alô?

_Oi, é a Charlotte?_ Era uma voz masculina, eu não conhecia.

_Sim, quem está falando?

_Argh .. Oi, aqui é o Enrique, de ontem, do escritório do Dr. Freire? _Opa, espera aí, o advogado sexy. Senhor!

_Ah, sei sim, oi Enrique, tudo bem?

_Tudo sim, na verdade estou ligando para confirmar a reunião no Banco as 9 a.m.? _ Reunião, e eu com a esperança dele me convidar para sair, sei lá.

_Ah, claro que está, mas é cedo ainda.

_Sim, eu não queria acordá-la, desculpe.

_Não estou correndo agora. Acordei cedo mesmo.

_Hmm, menos mal. Bom, é então é isso..

_Ah claro, obrigado por ligar então.

_Ah claro, .. é Charlotte?

_Sim?

_Que tal um jantar uma hora dessas, sei lá, se tu quiser. Soube que tu não conhece nada aqui, conheço lugares ótimos e posso ser teu guia de viagem ..

_Ah, claro, eu iria adorar, hoje estou livre .. se tiver também.

_Hoje é ótimo, eu passo para te pegar as 8 p.m. pode ser?

_Claro, perfeito, te passo uma mensagem com meu endereço então..

_Ok, então tchau e boa reunião.

_Obrigada, beijos!

_Beijos. _ AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH, ele me chamou para sair, aquele gato! Jesus toma conta.

Voltei mais feliz que nunca para casa. Tomei um banho e coloquei uma roupa mais apropriada para a tal reunião.

Chamei um táxi e fui para o banco. Logo que cheguei fui recebida, um lugar muito discreto e elegante. A secretária era muito simpática. Me levou até a sala do Sr. James.

_Por aqui Srta. Lavezzo.

_Obrigada! _ E entrei na sala, onde havia uma outra menina. O que para minha surpresa deveria ser a tal menina dona da conta que ia meu dinheiro, mas era impossível acreditar que ela menina que tinha a minha idade talvez fosse roubar alguma coisa. Usava pouca maquiagem, um vestido florido e sapatilhas, tinha um cabelo longo e muito bonito. Era muito inocente para tal ato.

_Bom dia Srta. Lavezzo sou James e essa é a Maria Sophie._ Disse me apontando para menina que sorria para mim, com mais inocência ainda.

_Prazer, sou a Charlotte._ Disse cumprimentando os dois.

_Olá, sou a Sophie. _ Disse com sua voz meiga e angelical.

_Sentem aqui meninas e vamos ao que interessa logo.

_Concordo.. _ Respondi seriamente.

_Bom, o assunto que temos a tratar é complicado, vendo a circunstancia dos dois lados.

_Olha vocês me desculpem, mas eu juro que não tenho qualquer coisa a ver com isso, nem conta tenho aqui nesse banco. _ Como assim a menina não tinha conta ali? Isso era demais.

_Claro, Srta. Cloer é o que você acredita.

_Com licença mas como a menina não sabe do que estamos falando?

_Bom, meninas eu peço a calma agora, eu vou explicar tudinho agora.

_É eu acho que é melhor assim .. _ Disse ela meio atordoada.

_Seguinte, essa Sophie, é sobrinha da sócia da sua família, a Sra. Boher. E ela veio para cá cuidar das coisas da família, ou seja aqui em Londres fica a sede da loja delas. No aso, ela veio resolver uma falha que a empresa D’Lazzo está tendo, um desvio de muito tempo para uma conta que até então nunca soubemos de onde que veio. Até conseguirmos achar a conta, a sua. Seus pais Sophie deixou uma herança para você, uma grande herança, eles eram agentes especiais e deixaram a família Boher como seus tutores. Eu conhecia seus pais. Eles podiam mexer na conta até por ali, só quando você fizesse 16 anos você ficaria responsável legal da conta e da herança. O que nunca aconteceu, sabemos tudo que eles gastaram, desde de anos e anos a agência dos deus pais .. _ A menina estava ficando branca com toda aquela história, incluindo eu nessa lista, coitada era rica e não sabia._ ... investigaram onde que eles gastavam o dinheiro, e conseguimos rastrear todo e qualquer gasto e movimento na conta, ou seja o que era para ser seu e ser gastado com você nunca ocorreu de fato. Posso continuar, querem uma água?

_Não, continua ... _ Disse ela apavorada com tudo aquilo.

_Bom, então, eles gastaram na vida deles e você sempre foi a empregada da casa, ou seja Maria você é dona de quase todo patrimônio deles, eles adquiriram cada coisa nas suas costas, e sem você saber. Agora, o dinheiro parava na sua conta e saia de lá, porque é uma conta protegida e de difícil acesso nosso. Eles foram muito esperto, incluindo os cartões que verificamos e existem quatro, um do casal e os outros das filhas, você que é a dona não tinha. Então temos aqui todas as contas e gastos deles e esse papel que já era para ter sido assinado e que nós descobrimos que um dos nosso funcionários estavam ajudando, com essa assinatura que depois da investigação da agência descobrimos que era falsa, e demos imediatamente um fim nessa papelada. Agora, você deve assinar a verdadeira para poder assumir o que é seu de direito e ai decidir se vai querer de volta o que eles pegaram, incluindo o dinheiro da loja D’Lazzo, que você conversa com a Charlotte para vocês duas resolverem .. É isso!

_Peraí, legalmente falando eu sou a sócia então?

_Mais ou menos, é o seu dinheiro que girava, então é você a ‘dona’ digamos assim da sociedade.

_Meu Deus, isso não pode ser verdade .. _ E realmente não podia, ficamos lá tentando acalmar a menina e depois ela assinou os tais papéis, e pelo visto não só rica era bem rica. Coitada feita de escrava o tempo todo e era dona da própria liberdade. Assinamos tudo e resolvemos que iriamos cobrar dele um valor arredondado do que eles roubaram e não iriamos prestar queixa, ela parecia ser muito legal, e eu estava com muita fome, então a convidei para comermos alguma coisa em um bar. Ela estava sem reação, e conversava comigo, eu sentia uma coisa com aquela menina, uma espécie de confiança, que ali poderia começar uma grande amizade. Sentamos em um bar, pedimos um café e começamos a conversar, ela me contou do inferno que era a casa dela, do namorado roubado pela irmã mais nova, de tudo que passava, cada humilhação e da vontade de ser estilista. Ponto em comum, ela gostava de moda, tanto quanto eu, ainda tinha vários talentos pelo visto, piano, francês, italiano, e cantava. E eu, dançava, uma grande companhia. Conversamos por horas a fio, sobre tudo minhas viagens e sobre os nossos sonhos, até ela receber uma mensagem e olhar para mim sorrindo.

_ Hmm .. Gatinho novo pelo visto? _ E rimos.

_Não, um amigo, mesmo._ Ela respondeu a mensagem e guardou o celular.

_Amigo, nada demais né? _ E rimos novamente.

_Nossa, não ele não é .. digamos, um cara que não dá para se apaixonar, digamos assim. _ E tomou mais um gole do seu café. Conhecia o tipo que se tratava obviamente.

_Entendi .. E agora já decidiu o que vai fazer? Afinal é tua fortuna né. _Perguntei mudando de assunto.

_Poisé, também não pensei ainda, é tudo tão rápido e tão novo, não sei o que eu faço._ Peguei na mão dela, achei que precisasse de uma amiga nesse momento que não era muito fácil mesmo.

_Olha, eu acho que você precisa descansar um pouco sabe, antes de falar qualquer coisa.

_Eu sei, mas como eu vou fazer isso Charlotte? Fui anos e anos sendo a empregadinha e agora descubro isso?

_Eu te entendo, quem sabe se você for para casa de alguma amiga hoje, sei lá ficar longe um pouco? _Ela me olhou meio sem saber o que pensar.

_O problemas é esse, eu nem amiga tenho direito .. Minhas ‘amigas’ eram as amigas da Isabella. _E tomou outro gole do café.

_Olha, então vai lá para casa, nos conhecemos hoje, eu sei, mas eu sinto que daqui vai sair uma grande amizade. _ E olhei para ela sorrindo.

_Mas não tem problemas quer dizer, não vai te atrapalhar? _Puts, tinha esquecido, o encontro com Enrique.

_Não, eu vou ir jantar com um carinha só, mas mais tarde, e vai ser bom, assim você vai ficar sozinha e conseguir colocar teus pensamentos em ordem.

_Um carinha, é?_ E riu.

_Um carinha, um verdadeiro gato na verdade. Mas ele não vai atrapalhar em nada de você ficar lá hoje.

_Mesmo?

_Meeeeesmo!

_Não tem problema de passar lá em casa?

_Claro que não, pega alguma coisa, eu te levo e tu pega o que tu acha necessário e pode ficar lá em casa quanto tempo quiser. Até porque a papelada vai ficar pronta só daqui a 48 hrs.

_É, mas agora me conte sobre o tal carinha gato .. _ Paguei nosso café e contei para ela do Enrique. E fomos para casa dela. Durante o caminho tivemos uma longa conversa, ela precisava distrair, e eu sentia nela uma grande confiança. Uma grande amizade estaria por vir.