- Tem certeza que dá pra ir vida? — Lanza disse, enquanto eu amarrava meus all-stars.

- Dá sim vidinha. — Sorri. — Posso te contar uma coisa? Sei que é inútil, mas é legal. — Dei um laço final.

- Conta. — Ele sorriu.

- Eu sei tocar baixo. — Levantei da cama do hotel, arrumando o meu corte emo. Estava precisando cortar de novo.

Faltavam 40 minutos para o show no México, ainda não tínhamos saído do hotel. Sim, eu teria que ficar com em repouso por causa da minha perna, mas o médico, muito legal e generoso, me deixou fazer só hoje, o show. Depois uma semana sem fazer muita coisa, já que o corte foi muito feio, e eu tive que tomar vacina anti-tetânica, por isso estava meio "brisante" e desligada. Mais ainda que o Thomas.

- Tá pronta amorzinho? — Thomas abriu a porta do banheiro.

- Ei, ela é meu amorzinho. — Lanza fez biquinho e todos riram.

- Eu sou namorada de todos vocês, ok? Só com o Lanza que é sério. — Dei um sorriso.

- Sorte a dele. — Agora Thomas fez biquinho.

- Tá no México faz três dias e já esqueceu da Alícia é? — Cruzei os braços, com um tom de deboche.

- A Alícia é a menina da minha vida, a que eu sempre quis. — Ele me abraçou por trás. — Você é minha melhor amiga, Manu.

- Oun. — Sorri. — Você também é meu melhor amigo Tho. — Dei um beijinho em sua bochecha. — Vamos lá? O Lucas e o Pedro já estão lá em baixo. — Me apoiei no Lanza.

- Falando em baixo, por que você não me disse que sabia tocar antes? — ele disse, abrindo a porta do quarto.

- Sei lá, não achava importante. — Disse, enquanto apertava o botão do elevador.

- Nossa, valeu Manu. — Ele disse rindo.

- Não, não é isso! — Comecei a rir também.

Não, não vou nem falar de como foi na nossa van. Porque vocês já sabem. Não, aqueles meninos não são normais. Estão muito longe disso, aliás, eu também. Eu admirava as paisagens lindas que o México tinha, mesmo depois de alguns estragos depois daquele... É, vocês sabem.

- Toma cuidado com seus dedos, suas roupas, seus cabelos, seu corpo todo. — Pe Lanza disse rindo.

- É, tô sabendo. Mas eu não esqueci aquele negócio no jornal não viu? — Eu disse, avistando a casa de shows em que iríamos tocar um pouco em frente, com filas dobrando o quarteirão.

- É, tô sabendo que você quase me matou. — Lanza gargalhou, arrumando sua calça preta e branca.

- Levanta essa calça garoto! — Agarrei sua calça e puxei para cima.

- Ai! — Ele gritou, e eu comecei a rir.

- Machuquei alguma coisa aí? — Disse, ainda rindo.

- Sim, machucou. — Ele fez biquinho, foi aí que eu comecei a rir mais.

- Vai com calma Manuella! — Pedro Lucas disse, rindo também.

- Levanta sua calça também senão faço a mesma coisa. — Ri mais ainda.

- Nem adianta Manu, eles gostam. — Koba disse, começando a rir.

- Aí, meu marido é o unico sincero aqui. — Abracei o Koba.

Logo, a van foi passando no meio daquelas garotas que batiam nela feito loucas, gritavam e choravam. Eu parecia agora entender tudo o que Alícia sentia, tudo que pra mim não tinha sentido. A lágrima que ela derrubava por conseguir ver seus ídolos, nem que fosse do pior lugar, mas pra ela era um momento único. Agora isso fazia sentido em minha cabeça, pra mim aquelas garotas não eram mais aquelas afobadas com a calça na modinha. Elas eram garotas, e garotos também, que tinham amor incondicinal.

- Gente, olha que lindo. — Apontei pela janela da van. Uma garota, bem pequena no colo da mãe, começando ao ver nossa van passar em sua frente.

- É para isso que estamos aqui. — Pe Lu sorriu. — Não é maravilhoso saber que você faz pessoas felizes?

- Sim, agora eu entendo tudo. — Disse, enquanto passava as mãos no cabelo do Lanza. — Entendo também esse amor que elas sentem por vocês. — Sorri. — Agora, podem acreditar, talvez eu seja a fã número um de vocês.

- Por que talvez? — Lanza me abraçou por trás, já que eu estava no colo dele.

- Existe uma barreira de fanatismo Alicístico. — Dei uma risada.

- Preparem-se, vão abrir as portas. — Lanza disse, se levantando. — Afe Manuzita, você me machucou aquela hora.

- Ai desculpa, não sabia que sua área era tão sensível ok ? — Comecei a chorar de tanto rir.

- Se eu batesse no seu peito, iria doer não iria? — Lanza disse, colocando a mão pra fora.

- Primeiro: Seu safadinho! — Eu disse e todos riram. — Segundo: é diferente, eu não te bati. — todos riram de novo.

- Ok, agora vamos sair né? — Puxei o zíper de minha jaqueta e desci meus óculos.

- Sim. — O segurança que estava num banco disse, abrindo em seguida a porta.

As fãs gritaram, cheguei a perceber até algumas desmaiando. Era incrível como não era diferente do Brasil. Estávamos a caminho da entrada quando sinto meu machucado latejar. Sim, alguém me chutou ou fez alguma coisa sem querer, só sei que minha calça começava a ficar novamente vermelha de sangue.