É, tudo mudou na minha vida agora. E eu não vou mais ter medo. Vou mergulhar de cabeça nas chances... Mas confesso que fiz uma coisa um tanto... Não sei nem descrever. Eu iria tentar ficar com o Lanza. Fazia tempo que eu não me sentia bem assim... Só com ele.

- Manuella... — Lanza olhou dentro dos meus olhos.

- E agora você cala a boca? — Dei um sorriso sem graça, passando meu dedo indicador na gola de sua camiseta.

Eu olhei diretamente para aqueles olhos castanhos claros, por trás daqueles óculos, e pensei em todo esse tempo que eu conhecia ele, que não era muito, e que eu tanto fui feliz. Nós dois parecíamos dois bobos agora. Um olhando para a cara do outro... Sem jeito... Até que eu resolvo olhar para trás.

É, o resto dos garotos, acompanhados com a Alícia estavam nos olhando, incrédulos. Thomas e Alícia carregavam um sorriso malicioso, o Pedro Lucas com uma sombrancelha levantada e um sorriso brincalhão e, o Koba, quase gargalhando. Me senti corar, e o Pe Lanza, também, ficou MUITO vermelho.

- Se liga nos dois! — Thomas brincou, abraçando a Alícia.

- Você não pode falar nada... — Fitei minhas unhas. — Nós não esquecemos de você e a Alícia no hotel. — dei uma risada.

- Relaxa Manu. — Pedro Lucas falou, rindo. — A gente torcia para isso acontecer.

- Ah, mas vocês nem sabem o que é isso. — Lanza riu.

- Gente, foi só um beijo. — Levantei as mãos.

- Tudo bem então. — Alícia gargalhou.

- Aliás, como vocês invadiram minha casa? — Lanza mudou de assunto.

- Lembra que eu tenho a cópia da sua chave? — Pe Lu a balançou.

- Sua mãe ainda tá dormindo? — Passei meus braços pelo pescoço de Lanza e comecei a brincar com seu cabelo. Que merda eu tava fazendo?

- Sei, só um beijo. — Thomas gargalhou e eu o empurrei.

- Cala a boca xiliquenta. — Lanza riu e o empurrou também. — Eu acho que minha mãe continua dormindo.

- Pior que eu estou morrendo de fome. — Pedro Lucas disse, passando a mão na barriga.

- Nossa, invade minha casa e ainda vem comer de graça. — Lanza riu, endireitando seus óculos. — Eu não vou acordar minha mãe pra fazer comida pra você. — Ele riu.

Eu olhei para Alie, e ela olhou para mim.

- Se quiserem, eu e Alícia cozinhamos. — sorri.

- Omelete Á la primas? — Ela começou a rir.

- Sim. — bati na mão dela.

Os meninos ficaram em silêncio, porque tava na cara que eles queriam comer. Lanza nos deixou a vontade na cozinha e foi fazer adivinha o quê? Jogar videogame.

- Hm... Quer dizer que você e o Pe Lanza... — Ela disse com um tom baixo, "cavocando" a geladeira.

-Ah. Eu não sei o que eu fiz. — Coloquei as mãos em minha cabeça.

- Manuella, teve que acontecer alguma coisa pra você beijar ele. — Ela disse, retirando algumas coisas da geladeira.

- Pensei que tinham ligado pra você... — Me apoiei na pia, com a cabeça baixa. — Minha mãe, Alícia. Sua tia. — murmurei. — Ela morreu. — sussurrei.

- O quê? — Ela gritou, batendo a porta da geladeira.

- Que o quê? — Thomas gritou da sala.

- Cala a boca Thomas! — Ela gritou. — então... — ela levantou uma sombrancelha com uma expressão triste.

- Ele sabe agora. Agora você entende o que eu fiz? — senti as lágrimas quentes passando pelo meu rosto novamente.

- Manuella. — Alícia me segurou pelos ombros. — O Pedro gosta MESMO de você. — Ela olhou para a sala. — Ele te ama, garota! E me diz, o que você sente por ele?

- É esse o problema. Eu não sei. — Me virei, fitando meus pés.