Coloring The Life - Um Restart Na Vida
2 O que eu mais ODEIO.
Notas iniciais
É, a entrevista tinha acabado. Tava na cara que não tinham gostado de mim. Eu estava mesmo me sentindo deslocada. Me sentia triste. Muito triste, por não poder estar ajudando minha mãe. Agora eu passava pelo mesmo corredor. Forçando os olhos para ler as placas lá de longe. É, eu precisava usar óculos, mas precisaria deixar isso pra depois, agora todo dinheiro que eu ganharia seria para ajudar minha mãe e, colocar nem que se for um grão de arroz na mesa da minha casa.
Passando pela salinha, adivinha quem estava lá? Os coloridos. Como diz Alícia: "Afe!" Abaixei os óculos escuros que estavam segurando meus cabelos e segui de cabeça baixa, indo para a porta automática de vidro.
- Manuella? — Alguém falou lá atrás
Não quis ficar imaginando quem seria, e segui como se não tivesse ouvido nada.
- Você é a Manuella, não é? — senti segurarem meu braço.
- Me solte. — Falei com uma voz rouca, mesmo não querendo me soltar. Eu não queria olhar para trás. Sabia que era quem eu mais ODEIO na minha vida
- Espera nós temos que falar com você. — Por mais que isso me custaria muito, me virei para trás. Era ele mesmo, Pe Lanza, me segurando.
- Ok. Podem falar... — Olhei para o resto da caixinha de lápis, sentada no sofá de couro marrom. — E me digam como sabem meu nome.
- Você canta muito bem, cara! Nós te ouvimos! — Pe Lu olhou para mim e Koba o cutucou.
- Obrigada. — Dei um meio sorriso forçado.
- Olha, estamos procurando alguém que feche contrato com a gente para abrir nossos shows. — Pe Lanza empurrou Thomas do sofá e sentou no encosto.
- Isso é uma oferta? — Revirei os olhos.
- Sim, o quê acha? — Pe Lanza respondeu
- Sem chance. Odeio restart. — A expressão de todos mudou, pareciam agora desapontados. — Aliás, o que me interesso dessa conversa é como vocês descobriram meu nome.
- Ah... Tudo bem. — Pe Lanza olhava para os amigos. — Qualquer coisa nosso empresário liga pra você. Pra você confirmar, vai que muda de ideia.
- Eu não vou passar meu celular pra você. — Soltei uma risada cínica e os meninos se entreolharam, e depois olharam para a mocinha da recepção. — Ah! E não se atrevam de pegar meu celular aqui. — Dei meia volta e fui embora.
Caminhei até uma sorveteria que tinha lá de frente, me esquivando das fãs loucas. Peestei atenção em umas placas. Além da "Pe Lanza, me seca neném!" Tinha: "Thomas, vem fazer um showzinho comigo, na Amazônia, no meio do mato?" Segurei o riso.
Entrei na sorveteria e confesso, não resisti, pedi um açaí com muito leite condensado. Peguei meu celular no fundo da bolsa. Que pelo jeito se melecou tudo por causa das minhas mãos lambuzadas de leite condensado. Liguei para Alícia.
- Alícia Falando ! — Ouvi a voz familiar que eu tanto adorava.
Alícia e minha mãe eram as únicas que eu tinha. A mãe de Alícia vivia viajando, não tinha tempo pra própria filha, nem para sua sobrinha. Meu pai infelizmente abandonou minha mãe quando estava grávida. Ainda por cima sou filha única... Enfim...
- Alie, pode vir me buscar. — Dizia entre mastigadas e engolidas — Tenho coisas fantásticas para te contar.
- Fantásticas?
- Bem... Só pra você.
- Já estou indo. Beijos, emo ! — Já ouvia o barulho do motor. Quando se tratava de fofoca...
Foi questão de uma meia hora e eu já avistava o Palio rpata do outro lado da rua. Paguei a conta e sai correndo até o carro.
- Então. Conta agora! — Ela acelerava demais o carro
- Bom... — Me segurava na alça acima da janela — ... Digamos que o Pe Lanza me fez uma oferta para abrir o show deles. — Fiz uma careta
- O quê? — Ela brecou na hora, fazendo os pneus cantarem. — me DIGA que você aceitou! — Ela estava eufórica
- Não. — Revirei os olhos — não vou fazer trabalhar com a caixa de lápis.
- O quê? — Ela me deu um empurrão tão forte que bati minha cabeça na janela.
-Ponto final. — murmurei, encarando a capa do Happy Rock Sunday debaixo de meus pés.
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