Fazia uma semana que eu havia ido fazer a "entrevista" e encontrado a caixa de lápis de cor. Não, a Universal não me retornou. De volta para as procuras, é assim a vida, não é mesmo?

Hoje de tarde, depois da aula fui com Alícia até um ponto pra ela comprar um ingresso para o show do restart.

- Tem certeza que não quer ir? — Disse ela ajeitando seus óculos de grau ( Ela mandou fazer igual do Pe Lanza, "Ray Ban")

- Eu não. — Bufei. — Pára de ficar me infernizando, peste colorida!

- Foi você que não aceitou, emo. — Disse ela, enquanto tropeçava na calçada com aqueles tênis nike cano alto. — Cara. Tô pensando em colocar um alargador igual ao do Thominhas. O que acha?

- Eu não acho nada. — Senti meu celular vibrar.

- Vê se é a Universal Sounds ! — ela pulou

Peguei meu celular da bolsa, olhei no visor e era número desconhecido. "Quem sabe não é a Universal mesmo??" Pensei para mim mesma.

- Oi. Manuella falando.

- Era exatamente com você que eu queria falar. — Engasguei com o chiclete e levei um tapa desnecessário da Alie nas costas.

- Quem gostaria? — Fiz voz de certinha e a Alícia começou a rir.

- Sou empresário da banda Restart. — Foi aí que eu engoli o chiclete.

- Um momento por favor. — Tapei meu celular e olhei para Alícia. — ELES pegaram o número do meu celular que tava registrado na Universal Sounds ! — Falei baixo, mas com muita raiva. Alícia Logo percebeu quem eu mencionava ao dizer "ELES".

- Eles te amaram, emo! — Ela pulou e eu coloquei o dedo na boca pra ela fazer silêncio.

- Oi voltei. — Disse seca, ao destampar o celular

- Manuella, vamos direto ao assunto. O grupo restart quer ter você abrindo os shows deles.

- Imaginava.- revirei os olhos.

- Aceita ou não aceita?

- Deixa eu pensar. Por favor.

- Tudo bem. No final do dia retornarei a ligar para você Manuella.

- Tuuudo bem. — Estiquei o som no "tuuuudo" e terminei a ligação. — Vou me divertir com eles nas minhas mãos.

- Afe Manu ! — alícia levantou da calçada, pegou sua bolsa da restart e continuou andando.

Eu corria atrás dela, rindo. Quando meu celular vibra de novo.

- Nossa, o que esse cara quer agora? — Tirei o celular do bolso e era do hospital particular onde minha mãe estava.

- Manoella Falando ! — atendi rápido e com medo

- Senhorita Manuella, sua mãe não poderá mais permanecer neste hospital por mais de 3 meses se as contas não forem pagas. — O homem deu um leve suspiro — Você pode comparecer aqui?

- S-sim... Posso... — gaguejei.

- Alícia, mudança de planos... — puxei ela. — Precisamos ir para o hospital. Tem troco para o busão? — Dizia nervosa.

- O quê aconteceu com sua mãe? — Ela perguntou Aflita.

- Te conto no caminho. — eu disse enquanto a arrastava para um ponto de ônibus que tínhamos acabado de passar.

No Hospital deixei Alícia sentada na sala de espera e, acompanhei o responsável pela área de onde minha mãe estava: UTI.

- Manuella. Entenda. — o médico olhava para mim com as mãos cruzadas em cima da mesa de escritório de vidro — Não podemos mais manter sua mãe aqui por mais de três meses. Lembre que isso é um hospital particular. E Exige que você pague.

- Mas... Me espere até arranjar um emprego. — Suspirei.

- Nem mas, nem menos mas. — O médico levantou. — O prazo é de até 3 meses, senão, sua mãe será encaminhada para a área pública novamente.

Isso me deixou aflita. Quando minha mãe estava na área pública, quase morreu. Isso em fez mantê-la em um particular. Não queria correr o risco. MAs não tinha nenhuma proposta de emprego pra mim. A não ser...

- Tudo bem. — Peguei minha bolsa que estava na cadeira ao lado. — vou tentar arranjar o dinheiro.

- Ótimo. — ele sorriu. — qualquer notícia da sua mãe, nós avisaremos. Manuella. — Ele apertou minha mão.

Sai marchando nos corredores brancos e bem iluminados do hospital. Fui ao encontro de Alícia, que estava na cadeira, no Twitter do Pedro Lanza, claro.

- Temos que conversar. Sério. — puxei ela pelo pulso para a frente do hospital.

- O que eu fiz? — Ela parecia preocupada.

- O que eu NÃO fiz? — eu bati minha cabeça contra a parede.

- Espera. O que aconteceu lá dentro? — ela colocou a mãe em minhas costas.

- Tenho que arranjar dinheiro, em dentro de três meses, para pagar o hospital. Senão minha mãe irá para a área pública novamente. — uma lágrima passeava pelo meu rosto

- Ah. Entendi com o "O quê eu não fiz". — ela disse com uma voz macia alisando meus cabelos.

- Você acha que eu aguentaria eles, Alie? — Me virei para ela e olhei dentro de seus olhos.

- Você... Tem certeza de que vai fazer isso? — Ela estalou os olhos, aflita.

- É pela minha mãe... — dei um meio sorriso de lado e peguei meu celular. — e também, só vou abrir os shows deles, não vou conviver todo dia com eles, não é mesmo? — Eu já me alegrava, acessando as chamadas efetuadas. Disquei o número do empresário.

- Alô, aqui é a Manuella.

- E então Manuella? — o homem perguntava com uma certa ansiedade na voz.

- Sim. Eu vou trabalhar com vocês. — Forcei isso até sair. Não era possível que eue stava falando isso.

- Perfeito ! — A Voz do homem ficou mais alegre — me encontre na frente da Universal, sim?

- cla-claro ! — olhei para baixo. — Ok. Tchau. — desliguei o celular — Allie, pega seu carro, que vamos para a Universal, de novo.

Ela tinha uma expressão radiante. Um sorriso alegre, e seus olhos brilhavam.