- Não quero ouvir rádio hoje. — Alícia barrou minhas mãos.

- Não? — Olhei para frente.

- Quero ouvir você cantar. — Ela desencaixou o rádio e jogou debaixo de seu banco.

- Never mind I'll find someone like you...

- Não ! Eu quero ouvir você cantar restart ! — ela me cortou

- Cadê o rádio? — Soltei meu cinto e comecei a procurar o rádio debaixo de seu banco

- Ok. Chega ! — ela brecou. — Já estamos aqui.

- Nossa. Vai ser difícil encontrar hein? — apontei para uma van toda enfeitada com o nome é claro: Restart.

- Vai lá emo! — Ela fez o som de um beijinho e piscou

- Ai droga, o que eu fiz? — estremeci

Eu caminhava e parecia que nunca ia chegar na van, quando vejo alguém de roupas vibrantes abrindo a porta e indo ao meu encontro.

- Pedro. — Acenei com a cabeça

- Me chama de Pe Lanza, como todos. — ele sorria

- Me sinto melhor te chamando de Pedro. — Dei uma patada.

- Não me diga que eu avisei quando o Pe Lu atender quando você me chamar. — Uau. Lanza 1 Manuella 0

Chegamos na van, e o empresário e os meninos desceram, em minha volta. Lanza carregava um sorriso irresistível na boca. "O que é isso Manuella, é só o Lanza" tentava pensar.

Foram perguntas, pequenas capelas. Mas eu continuava entre os meninos que eu mais odiava no mundo inteiro.

- Me diz, você vai trabalhar com a gente mesmo? — Pe Lu coçou a cabeça

- É... Vou... — Soltei um suspiro.

Os meninos se entreolharam, com uma cara estranha. Logo o empresário deles me apareceu com um contrato. Assinei é claro. Mas não prestei muita atenção e, só depois percebi que devia ter lido o que estava escrito naquele contrato.

- Então, Manuella, quer ir com a gente passar o som? A gente aproveita e te ouve cantar mais. — Thominhas disse. Aun. "não se renda Manuella!"

Era a MAIOR baderna dentro daquilo.

- Pe Lanza, Se eu te pedir você faz uma coisa? — Me atrevi á virar para trás.

- Depende... — ele cruzou os braços

Peguei meu celular e coloquei na câmera.

- Diz: Me seca neném. — gargalhei

- Ah não! — Ele olhou para o Pe Lu, que cutucou ele.

- Me seca neném, me seca. — ele olhou pra câmera e disse.

- Ai. Meu. Deus. — gargalhei

É, não sei o que me deu, eu me sentia á vontade com eles, pareciam "Alícias masculinas". É, naquele momento prometi para mim mesma de que tentaria ser mais amigável.

- Ei Thomas, tô precisando de aulas de geografia. — Olhei para ele

- Quê? — Ele pareceu não entender.

- É, tomas ! Ensina pra ela as civilizações da Amazônia. — Koba riu, encolhido no canto dele

- Ah... Mancada aquele dia viu, Thomas? — Pe Lanza chamou a atenção. — Mas, Manu... Posso te chamar assim? — ele arregalou os olhos.

- Me chama como quiser. — Dei um sorriso

- Manu, por que você mudou de ideia sobre abrir nossos shows? — Minha expressão mudou imediatamente.

- Nada. — me aborreci de novo e afundei no banco

- Desculpa! Falei alguma coisa errada? — Ele ajeitou o chapéu preto em seu cabelo.

- Não, não... você não teve culpa de nada..