Notas iniciais
Obrigada por lerem!

Acordei ao ouvir o barulho irritante do meu despertador.

"07:48"

— Droga! — saí correndo até o banheiro, fiz a minha higiene rapidamente e coloquei minha calça enquanto passava manteiga em um pão, tudo ao mesmo tempo. Vesti a minha camisa e saí pela escada de emergência, já que o elevador estava em manutenção.

Chamei um táxi e falei o endereço da minha faculdade.

Quando o carro parou na frente do enorme edifício, simplesmente deixei uma nota de 50 reais e saí em disparada até a minha sala.

Abri a porta com muita força, o que chamou a atenção de todos lá dentro, alunos e professora. Começaram a rir da minha cara que devia parecer uma mistura de desespero e sono.

— Anie, você atrasado? Você? Não pode ser! — falou a professora, com uma cara de surpresa falsa e com um sorriso discreto no rosto — Sorte a sua que hoje eu estou de bom humor, pode entrar.

Andei em direção a minha carteira, que era a primeira da última fileira, sendo seguido pelo olhar dos outros alunos. Peguei o meu fichário e fiquei anotando tudo que a professora colocava na lousa: melhores ângulos para fotografar um rosto, a claridade da luz, o foco, o zoom, tudo que influência uma boa foto.

Quando a aula dupla acabou, minha amiga Léia veio falar comigo.

— Você está muito sonhador hoje, hein Ani? — caçoou ela, prendendo seus curtos cabelos negros em um rabo de cavalo minúsculo.

— A culpa é do meu despertador, parece que ganhou vida só pra errar o horário e me ferrar. — ela riu, e logo depois me fez uma pergunta inesperada.

— Ani, por acaso você tem uma tia chamada Eleaine Weine?

— Não... — comecei a negar, quando fui interrompido por ela.

— Mentiroso! Se já é difícil para você achar um homem com um nome Anie, até parece que vai ter um com o mesmo nome E sobrenome, e com mesma idade ainda por cima!!

— Se já sabia, por quê perguntou? — falei irritado.

— Para ver se você ia mentir ou não. — ela respondeu, mostrando a língua — Mas e aí, é verdade mesmo que você tá indo pra essa faculdade da ostentação?!?

— O nome é faculdade dos famosos — corrigi ela — E não, eu não tenho o mínimo de interesse em ir para lá, imagina quanta gente esnobe e chatinha! Além disso, eu já estou quase terminando o meu tempo aqui e quero continuar a fundo no curso de fotografia, o que nem deve ter lá.

— Mas Ani, lá deve ter tantos cursos bem mais legais do que foto..

— Tipo o quê? Como hipnotizar as pessoas, tipo o Pyong Lee, sobre como elas devem ser? Melhor, como fazer pessoas terem insegurança com elas mesmas?

— Ani... — ela ia falar algo, quando foi interrompida pela chegada do outro professor.

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No fim das aulas, lá para as 14 horas, recebi uma ligação da minha mãe (finalmente!).

— Alô, filho?

— Oi mãe.

— Como meu bebê está? Já almoçou? Já fez as lições? Já..

— Já, já, já, já, já, que seja mãe, me fala logo sobre a tia Eleaine.

— Perai.. Você vai?! Você vai mesmo?! Que bom, pensei que você ia largar seu curso p...

— Mas eu não vou mãe. NÃO. Mas é disso mesmo que eu queria falar com você. Quero que diga à tia Eleaine que eu DEFINITIVAMENTE não vou para esse negócio.

— Mas Ani... ela já matriculou você lá.. já até liguei para a sua faculdade falando que você ia sair.

— O QUÊ? ENTÃO POR QUE DIABOS VOCÊ FICOU FELIZ ACHANDO QUE EU IA?!

— Pois daí eu ia te dar a boa notícia, que agora virou uma má.

— Não virou má, virou terrível, virou péssima. Tchau, mãe.

— Esper..

Desliguei na cara dela. Sério, fazer tudo aquilo e estragar tudo que eu fiz até agora e o meu futuro sem nem mesmo me falar?! (Que raiva!).

Me despedi de Léia, que ia em um show coreano aí (sei lá), e fui de volta para meu apartamento a pé. Estava quase chegando, só faltava atravessar uma rua, quando percebi um cara do meu lado. Ele era alto, tinha cabelos escuros curtos e estava usando roupas casuais e mexendo no celular (Pokemon GO?). Estava distraído e não viu quando um carrão prata saiu descontrolado em sua direção.

— Cuidado!! — puxei ele pelo braço, segundos antes do carro passar rapidamente por onde ele estava, salvando ele. Infelizmente, não posso falar o mesmo do seu celular.

E agora?! Eu podia ter salvado ele, mas havia quebrado o celular dele no processo, o que, para muitas pessoas, vale mais do que a própria vida. Será que ele era esse tipo de pessoa?!

Notas finais
Espero que tenham gostado!