Colisão

5 5. Seu sangue em minhas mãos


Notas iniciais
Olá, meus queridos! Tudo bem? Faz bastante tempo que eu não atualizo, e algumas pessoas até desistiram de me pedir para voltar. Eu passei por alguns momentos bem complicados nestes últimos meses, desde a morte do meu avô até o fato de que meu computador estragou sem avisar, ao ponto de eu achar que tivesse perdido todos os meus trabalhos. Mas, felizmente, o tempo passou e tudo deu certo. Consegui comprar um computador novo e um teclado para o computador antigo, e recuperei tudo outra vez. Só me faltava então terminar esta one que já tinha sido começada. Demorou um pouco, mas aí está! Espero que se divirtam.

Uma sensação gélida atingiu sua face. Então outra, e mais outra.

Anthony virou o rosto para o lado a fim de afastar aquele incômodo, quando o estrondo de um trovão ribombou no céu, terminando de despertá-lo.

Em outras circunstâncias, a intromissão teria sido recebida com desgosto, mas então ele se lembrou de onde estava, e um sorriso despreocupado brotou em sua face. Ainda sonolento, inspirou o ar para capturar o perfume de lírios que ainda circulava por ali, virando o corpo com antecipação, ansioso por rodeá-la com os braços e afundar o nariz em seus cabelos, como fizera inúmeras vezes ao longo daquela noite.

Só que o espaço ao seu lado estava vazio.

Tateando cegamente a colcha que servira de colchão para ambos, não encontrou vestígio algum de Kate. O tecido ainda estava revirado, o que significava que a noite passada não fora apenas um fruto de sua imaginação, porém a sensação de calor e aconchego deixada por seu corpo quente havia desaparecido, como se ela tivesse partido há muito tempo.

De repente, um peso insuportável pareceu empurrar seu peito para baixo, em direção ao chão, deixando-o completamente sem ar. Com as mãos trêmulas, Anthony se apoiou sobre os cotovelos e ergueu o tronco com esforço. Seu coração batia como um louco dentro do peito, e um amargor subiu por sua garganta. Algo dentro dele se recusava a acreditar que ela o havia deixado ali, não depois do momento maravilhoso que passaram juntos. Seus olhos esquadrinharam o gazebo, buscando qualquer sinal de que Kate estivesse por perto, e ele teve de se conter para não chamar seu nome em voz alta e arruinar tudo, mas só o que conseguiu ver foram as próprias roupas estiradas pelo chão.

As dela haviam desaparecido.

Foi somente após sentir os cabelos começado a ficar molhados que reparou na tempestade que começara a despencar sobre sua cabeça. Um novo trovão ecoou ao longe, alto o bastante para fazê-lo cair em si e parar para pensar racionalmente.

Não havia motivo para se desesperar. Devia existir uma razão para Kathani ter partido. Talvez ela não quisesse ser pega em uma situação comprometedora com ele, e com razão. Teria sido mais um escândalo se os descobrissem daquela forma no jardim de sua casa e, ainda por cima, logo após o fiasco de ter sido deixado no altar por Edwina.

Ou será que ela simplesmente ficara assustada ao se ver ao lado do visconde, quase nua e com sua honra comprometida? Por Deus, o que ela estaria pensando dele agora?

De repente, as palavras que ela uma vez usara contra ele o atingiram: sua reputação duvidosa e libertina o precede, lorde Bridgerton.

Realmente, depois das coisas que fizera com ela na noite anterior... depois do modo como removera cada peça de roupa de seu corpo, revelando a pele macia por baixo... depois de suas mãos terem se aventurado por suas curvas, acariciando, apertando, invadindo... depois que seus lábios a beijaram de modo tão íntimo, desvelando sua feminilidade e tendo feito com que ela gritasse de prazer com sua cabeça entre as pernas — porra, como podia a mera lembrança de seu gosto na língua deixá-lo tão duro outra vez?

O ponto era que Kate tinha razão sobre ele, no fim das contas. Ele agira como um cretino, não como um cavalheiro, e ela o abandonara para acordar sozinho, como ele mesmo fizera com tantas outras mulheres antes. O destino era mesmo um bastardo.

Anthony não se surpreenderia se Kate estivesse tão sobrepujada pelos eventos da noite que não estivesse mais disposta a vê-lo, mas, por outro lado, sabia que não estava de todo arrependido. Não podia ser hipócrita de negar, mesmo se quisesse, que, caso a situação se apresentasse da mesma maneira que fora, teria feito tudo exatamente igual. Se o fosse permitido, ele teria reexperimentado seu sabor inebriante e mergulhado no calor de seus braços uma e outra vez, consecutivamente. Sem nunca se cansar.

Fechando os olhos com força, e ainda sentindo os golpes gelados da chuva sobre os ombros desnudos, Anthony lentamente se levantou e começou a arrumar a bagunça do jardim. Não queria que algum dos empregados enxeridos metesse o bedelho por lá e começasse a especular sobre o que acontecera no gazebo. Sabia que, quando se tratava de me-xericos envolvendo os patrões, não seria preciso muito esforço para que algum dos criados ligasse os pontos e compreendesse o que realmente ocorrera.

E se ele pudesse, manteria aquele segredo apenas para si.

Quando enfim terminou de ajeitar a colcha e as almofadas sobre os bancos, não fazendo muita questão de tomar cuidado com a forma como atirava os objetos sobre a superfície de pedra já umedecida, vestiu-se com as roupas do baile e marchou para casa.

Encontrou-a vazia, para sua grande surpresa. Devia ser muito cedo para que a criadagem ainda não tivesse se levantado para fazer a arrumação do salão. De certa forma, era um alívio não os ter por perto, porque não saberia bem explicar o fato de suas roupas estarem encharcadas e amassadas, ou porque cargas d’água passara a noite no jardim.

Aproveitando o silêncio nada costumeiro da residência, partiu para o seu quarto e tratou de se limpar da melhor maneira que conseguiu. Não havia tempo a perder e ele sabia bem o que deveria ser feito, o que devia ter sido feito desde o princípio.

Em posse das roupas limpas, passou apenas em mais um lugar antes de sair de casa. Seu escritório. Escondido em um compartimento ao fundo da gaveta, o anel de noivado que o pai dera de presente à mãe ainda estava posicionado no mesmo lugar, acomodado com cuidado na fenda de veludo vermelho. Enquanto admirava a joia, Anthony não podia crer que tivera a audácia de entregá-la a outra jovem que não fosse a senhorita Sharma.

Uma onda de vergonha e revolta inundou seu corpo. Pela primeira vez em muitos anos, não soube dizer o que seu pai diria se ainda estivesse vivo. Conseguia visualizar seu olhar de decepção, sua piedade pelas más escolhas do filho, a reprimenda visível na sua expressão por saber que ele nunca teria concordado com as escolhas do primogênito.

Edmund Bridgerton podia ter sido um homem bravo e honrado, mas ele amara Violet de todo coração, e nunca tivera medo de expor aquele sentimento a quem quisesse ver.

— Eu prometo que farei diferente desta vez, meu pai. — Anthony sussurrou para o vazio, esperando que, estivesse onde estivesse, Edmund pudesse ouvir suas palavras. — Farei o que for preciso para reparar o meu erro. O senhor verá.

E com aquele juramento proferido, disparou porta afora.

—•O•—

Mais uma vez encharcado pela chuva, Anthony batia furiosamente na porta principal da residência Danbury, sem se importar com o alvoroço que a sua presença provocava. Com uma impaciência fervente, ele acompanhou enquanto o vulto do lacaio se aproximava da entrada, sequer esperando que o homem terminasse com a tarefa de abrir a porta para se enfiar pela fresta e forçar passagem com o próprio corpo.

O pobre serviçal o encarou com os olhos arregalados.

— Lorde Bridgerton? O que o senhor faz...

— Preciso falar com a senhorita Sharma. — Ele não soube se pelo seu estado lamentável ou pelo tom urgente de sua voz, mas o lacaio se limitou a dar um passo para trás e abrir passagem para o visconde, partindo depressa na direção do andar de cima.

Anthony sentia a água escorrer em cascatas por dentro do tecido da calça e encharcar as suas botas, mas não podia se importar menos. Uma das mãos estava firmemente apertada em torno de seu relógio de bolso enquanto os pés caminhavam de um lado para o outro, a ansiedade não permitindo que ficasse quieto no lugar.

Quanto mais o tempo passava, mais o desespero o consumia. Será que levava assim tanto tempo para uma senhorita se aprontar? Anthony não imaginava Kate como uma delicada dama que levava uma eternidade para colocar um vestido, também não achava que ela o deixaria plantado ali apenas por diversão. Mas então, será que o serviçal se esquecera de chamá-la? Ele não se encontrava à vista em nenhuma parte, nem na entrada, nem na sala de visitas. Anthony respirou fundo. Não. Ele a havia chamado. Kate desceria a qualquer instante e os dois teriam uma longa conversa, na qual ele enfim a pediria em casamento e ela aceitaria, e ambos poderiam finalmente se ver livres para expressar o que sentiam.

Só que ela não apareceu. Mais de quinze minutos haviam se passado. Anthony já não sabia mais o que fazer para conter a impaciência, e ao ver o lacaio novamente no corredor, tratou de se levantar depressa, pronto para atacá-lo se preciso fosse. No entanto, quando estava prestes a lhe dirigir a palavra, outro serviçal se aproximou do primeiro e começou a cochichar depressa em seu ouvido. O lacaio lançou um olhar preocupado na direção de Anthony e, então, o desviou, como se não pudesse encará-lo.

— Eu sei que ainda é cedo, mas poderia dizer a ela que estou aqui? — Ele disse ao lacaio, que engoliu a seco antes de se virar para o visconde.

Anthony não gostou nada da expressão que ele lhe dirigiu.

— Receio que isso não seja possível, milorde. Ela não parece estar aqui.

— Então, onde...?

— Um dos cavalos também sumiu! — Uma das criadas exclamou, juntando-se ao grupo. Anthony estreitou os olhos, começando a entender por que Kate tardava tanto a descer. Ela não estava em casa, é claro. Devia ter adivinhado.

— Não se preocupem. — Ele se apressou em alcançá-los, antes que seu alvoroço causasse ainda mais comoção entre a criadagem. — Eu sei onde a senhorita foi. Irei buscá-la.

— Mas, milorde, está fazendo uma tempestade horrível lá fora. Melhor chamar o cavalariço. Se a senhorita está em apuros, ele saberá trazê-la de volta.

— Ele não sabe onde ela está. — Retorquiu Anthony, com firmeza. — Mas eu sei.

— Milorde, o senhor tem certeza de...? Milorde? Milorde! — Era tarde demais. Anthony havia deixado a residência Danbury e partia para os estábulos com a rapidez de um tornado. O cavalariço o recebeu sem nenhuma surpresa, e parecia esperar pela aparição dele, pois já tinha arrumado a sela sobre o lombo de um dos cavalos e estendia-lhe as rédeas.

— Milorde, eu separei Storm para o senhor. — Disse assim que o visconde se aproximou.

— Bom, talvez ele seja útil lá fora, se o nome for um indicativo. — Anthony meneou com a cabeça em direção à tempestade, a qual servira para denominar o animal.

— Sim, senhor. Storm é veloz e destemido, mas Bali, a égua da srta. Sharma, costuma se assustar facilmente. Por favor, encontre-a e a traga para casa.

— Eu trarei. A ambas.

Com um aceno de cabeça, o cavalariço saiu do caminho e permitiu que Anthony montasse Storm. O cavalo estranhou o seu peso por um momento, mas ele estava tão compenetrado na tarefa de encontrar Kate que sequer deu tempo ao animal para se acostumar. Esporeou as ancas largas de Storm e saiu a galope de encontro à torrente de água.

A chuva açoitou seu corpo mais uma vez, com intensidade, e a umidade do solo tornava perigoso o passo do cavalo, mas nenhum deles arriou diante do perigo. Storm seguiu em frente firmemente, rumando com velocidade ao Hyde Park. Não havia mais nenhum lugar para onde Kate pudesse ter ido que não para lá, ele estava certo, mas por que decidira sair naquele tempo? Os relâmpagos trovejavam no céu como loucos, e os campos abertos eram um perigo para qualquer transeunte desavisado. Kate fizera de si mesma um alvo muito fácil, e Anthony preferia não pensar no motivo que a fizera ser tão imprudente.

Depois de percorrer um longo caminho pelo parque, apertando os olhos para ver melhor por entre a densa camada de névoa que se espalhava à volta, Anthony teve um vislumbre do que lhe pareceu a capa de Kate esvoaçando ao vento. Ela galopava com uma velocidade estupenda e se aproximava rapidamente da mesma cerca-viva que uma vez lhe servira de obstáculo. Na ocasião, entretanto, o tempo estivera firme e a montaria não tivera motivos para se assustar, se é que ela havia escolhido o mesmo cavalo naquela primeira vez.

Com o coração lhe saltando pela boca, ele gritou o nome dela com toda a potência de sua voz, só que mesmo o seu melhor esforço não bastou para ultrapassar a barreira causada pela névoa e pela chuva. Ainda assim, não desistiu. Continuou chamando por ela, tanto que sua garganta começou aos poucos a protestar, mas parecia que, quanto mais Anthony projetava a voz para alcançá-la, mais ela se empenhava em se afastar.

Uma onda de lembranças atingiu sua mente embaçada, nas quais Kate, ainda como uma dama desconhecida e aparentando precisar de socorro, cavalgava naquela mesma posição até virar o tronco quase que imperceptivelmente para lhe lançar um olhar por sobre um dos ombros. Na época, Anthony ainda não sabia como era seu rosto, porém agora que o conhecia bem, poderia dizer exatamente o tipo de expressão travessa que o adornaria.

Entretanto, naquela manhã Kate não fez menção nenhuma de se virar. Ela não cavalgava por diversão, mas com vigor e compenetração. Sua égua disparava pelo campo e parecia quase etérea no meio daquela tempestade. Os únicos sons eram o dos trovões e dos cascos de ambas as montarias que se perseguiam em uma corrida desenfreada.

O que ocorreu depois poderia ter sido uma perfeita reprodução daquela primeira vez, não fosse uma diferença crucial: a angústia crescente triturando o peito de Anthony.

Na frente de seus olhos arregalados e incrédulos, Anthony testemunhou o instante exato em que um novo relâmpago explodiu no céu, causando um barulho ensurdecedor. A égua de Kate, tomando um susto pela proximidade do som, empinou e se lançou para trás, um relincho de puro terror irrompendo de sua boca.

A força letal do equino era tamanha que não haveria escapatória.

Kate não conseguiria se manter estável. Ela iria cair.

— KAAATE! — Anthony berrou com desespero, vendo o corpo dela escorregar da montaria e despencar com estrondo no chão, como um peso morto.

Anthony poderia jurar que seu coração tinha parado no instante em que a cabeça de Kate se chocou com o solo e permaneceu ali, inerte. Seu sistema parou de funcionar, e tudo no que a mente podia pensar era quando ele acordaria daquele pesadelo.

Pânico gélido corria por suas veias, a uma velocidade tal que não parecia condizente com o tempo. Se o coração havia atrofiado, como era possível sentir o sangue zunir nos ouvidos? Afinal, aquele era ou não era um sonho?

Não, não, não, não, não. Aquilo não podia estar acontecendo. E foi apenas quando ouviu o som entrecortado da própria voz que Anthony notou que havia externado a sua negação. Aliás, aquilo era tudo o que parecia sair de sua boca.

Ele não saberia dizer como conseguiu se mover depois daquilo, mas, quando se deu conta, estava saltando do lombo de Storm e percorria o resto da distância até Kate.

Seu corpo se mantinha inerte, empedrado, mas havia um leve franzir em suas sobrancelhas que indicava que ela ainda lutava pela consciência. Alívio se derramou sobre ele, que rapidamente começou a abrir os botões do casaco a fim de protegê-la da chuva. Parte de sua mente gritava que aquela era uma estupidez sem tamanho, porém Anthony não tinha ideia de como agir, e achou que se manter em movimento seria melhor do que nada.

Assim que se inclinou para perto dela e com cuidado pousou a mão na parte de trás de sua cabeça, sentiu uma substância viscosa e cálida entrar em contato com sua palma. Em um ímpeto, puxou a mão de volta apenas para encontrá-la vermelha.

Sangue.

— Kate, fique comigo. Não vá embora. Tudo vai ficar bem. — Ele murmurou próximo a seu ouvido. Para a sua completa alegria, Kate tremelicou as pálpebras e fez menção de mover a cabeça, mas estava tão fraca que não conseguiu abrir os olhos. — Está tudo bem, eu vou nos tirar daqui. Venha comigo agora.

Com cuidado, Anthony passou um dos braços dela ao redor do pescoço e firmou o tronco para erguê-la no colo. Seu peso era tremendo em razão das roupas encharcadas, ou assim ele preferiu pensar, pois a outra opção seria a falta de vitalidade, no que ele se recusava a acreditar, pois, se o fizesse por um segundo, talvez sucumbisse em prantos ali mesmo.

E Anthony não podia se permitir cair em prantos.

Ainda não, pelo menos.

Como se fosse um presente dos céus, Anthony não precisou andar muito para avistar um veículo vindo pela estrada deserta, um único homem guiando as rédeas de dois cavalos.

— Ajuda! Preciso de ajuda! — Berrou Anthony, apressando-se em alcançar o sujeito. Ele levou longos segundos encarando a cena diante de si antes de parecer compreender que era a pessoa a quem o visconde pedia socorro, e seus olhos arregalados desceram para o rosto desacordado da jovem dama.

— Senhor, quer ajuda para carregá-la? — O homem perguntou de modo afoito ao vê-lo se aproximar da carroça. Reflexivamente, os braços de Anthony se apertaram ao redor do corpo de Kate, e ele meneou a cabeça com firmeza, apressando-se em subir no veículo e se sentar na parte de trás com a mulher inconsciente pousada no colo. Anthony estava tão concentrado em fazer a cabeça de Kate se apoiar em seu peito que não notou os olhos curiosos do homem presos a cada movimento seu. — O que houve com ela?

— Se limite a guiar! Já! — Foi a resposta de Anthony, sobressaltando o pobre coitado.

— Mas para onde, senhor?

Anthony cerrou os olhos e conteve um grunhido de frustração. Se continuassem naquele ritmo, Kate corria o sério risco de... de... ele não queria nem pensar.

— Para a residência Danbury. Tenho certeza de que o senhor sabe onde fica.

O homem assentiu com um aceno breve de cabeça.

— Lady Danbury, sim, sei onde mora a condessa.

— Então nos leve até lá! Depressa!

Ainda de olhos arregalados, o homem se virou para a frente com as rédeas em punho, e, no instante seguinte, punha a carroça em movimento.

— Como quiser, senhor.

E aquela foi a última coisa que Anthony o ouviu dizer. Na verdade, não soube se ele ainda tentou falar qualquer coisa ou se desistiu ao ver que não obteria resposta do visconde. A única coisa que mantinha a atenção de Anthony era o rosto de Kate descansando em seu peito. Embalava a sua cabeça nas mãos com todo o cuidado, protegendo-a da chuva torrencial que desabava sobre eles. Não havia muito o que fazer com as suas vestes encharcadas ou com os seus longos cabelos que pingavam água além de tentar cobri-la com seu corpo o melhor que conseguia. Anthony sentia as costas arderem pelos pingos gélidos, e era difícil enxergar sem poder remover a umidade acumulada nos olhos. Mesmo assim, pousou a face sobre a dela, segurando-a tão apertado nos braços que temeu machucá-la.

Seu peito queimava com uma dor sufocante, e ele fazia força para conter as lágrimas que ameaçavam cair a qualquer instante. Se Anthony se permitisse chorar, seria como admitir uma derrota, e ele não estava disposto àquilo. Se a admitisse, queria dizer que aceitava que a morte estivesse levando embora o seu bem mais precioso. A única coisa que o fazia ter vontade de viver, de sorrir, de respirar. A única pessoa que o fizera baixar a guarda e mandar às favas as convenções sociais, simplesmente porque podia, porque queria.

O grande amor de sua vida.

Parecia irônico, pensou Anthony com amargura, enquanto olhava para aquele rosto tão descorado, que ele não fora capaz de dizer que a amava em nenhum momento. Porque, sim, a amava, senão o desespero que fazia o seu coração querer cair do peito não seria tão forte, ou o embrulho que devorava o seu estômago não o faria querer vomitar. Uma pena que fora tão teimoso e fugira daquele sentimento como quem fugisse da morte.

Anthony sempre pensara que, ao remover o amor de seu casamento, de sua vida, estaria seguro. Sua firme convicção de que morreria ainda jovem o impedira de demonstrar seus sentimentos, incapaz de suportar a ideia de ser a causa de um tipo de dor tão vil quanto o luto. Mas agora, enquanto observava Kate, completamente imóvel em seus braços, tudo o que podia fazer era rir de si mesmo por ser tão tolo. Todas as vezes que ele considerara aquela visão, nunca passara por sua mente que ele, e não sua amada, seria a pessoa a ficar para enfrentar aquela maldita dor. O destino era mesmo um bastardo, às vezes.

Não que Anthony não tivesse sido avisado. Ele sequer podia alegar inocência quanto a isso. Sua mãe o alertara para a insensatez de buscar um casamento sem amor, e ele, teimosamente, preferira ignorar os seus apelos. É claro que sabia que ele e Kate compartilhavam muito mais afinidades, sabia que era ela quem fazia seu coração bater mais forte, não a irmã, Edwina. Mesmo assim, tratara de afogar qualquer espécie de sentimento que vinha à superfície, temendo consequências que existiam apenas em sua imaginação.

Porque a realidade era bem mais cruel do que isso.

— Você não pode me deixar aqui. — Anthony praticamente soluçava agarrado ao corpo frágil de Kate. Ela sequer se movia. — Vamos começar outra vez, eu prometo que vai ser diferente. Eu vou deixar que você brigue comigo, que me corrija, que me ponha no meu lugar. Eu não me importo que você me olhe atravessado, eu só preciso vê-la sorrir outra vez, por favor. Nem que seja só mais uma vez, Kate, por favor...

Agarrando a mão inerte que ela pousava sobre o colo, Anthony a levou ao próprio rosto e beijou a palma em um gesto quase desesperado. Não podia conceber o fato de que aquela mão que na noite anterior o afagava tão ardorosamente estivesse sem vida; que a mulher que o segurara com tanta paixão jazesse em seus braços como uma boneca de pano.

Como a vida podia ser tão cruel? Quando ele finalmente estava disposto a amar alguém, lá vinha o destino e o ceifava uma chance que mal havia se formado. Ele fechou os olhos por um instante, em parte pelo estrondo retumbante do trovão que soou ao redor. Anthony não se considerava um cristão muito exemplar, mas até ele temia a ira de Deus em momentos como aquele, e tinha certeza de que sua revolta não era infundada.

— Senhor? Senhor? — Anthony foi despertado de seu torpor quando sentiu o homem a seu lado sacudindo seus ombros com força. Ao erguer os olhos para encará-lo, notou seu suspiro de puro alívio. — Ah, que bom, senhor. Pensei que tivesse desmaiado também!

— O que houve? — Perguntou em pânico.

— Nós chegamos! Estamos na frente da residência Danbury, o senhor quer que eu entre para me anun... senhor?

Mas Anthony já se pusera em movimento. Não havia tempo a perder com formalidades e, de qualquer forma, a criadagem da casa sabia muito bem quem ele era.

Aninhando Kate novamente nos braços, ele se lançou para fora da carroça e correu tanto quanto o peso que carregava lhe permitia. Ao notar a senhorita desmaiada, a criadagem apenas se retirava do seu caminho e dava um jeito de abrir as portas para que ele passasse.

— Milorde? — Gritou o lacaio assim que assimilou a presença de Anthony.

— Corra! — Rugiu o visconde de volta, sequer se dando ao trabalho de lançar um olhar na direção do criado enquanto liderava o caminho escadas acima com Kate ainda em seus braços. — Depressa! Chame o cirurgião agora mesmo!

— Kate? — Atraídas pela gritaria no andar de baixo, Lady Mary e Edwina desceram as escadas ao encontro deles, mas, assim que percebeu o que estava acontecendo, a madrasta de Kate deu um grito de horror, sua tez empalidecendo de imediato.

Ela não perdeu tempo lhe perguntando o que havia acontecido, apenas se limitou a abrir caminho para que o visconde passasse, e ele correu. Anthony seguiu em frente sem pestanejar, invadindo o corredor e levando Kate para seus aposentos, onde a depositou com todo o cuidado em cima da cama.

Depois disso, tudo aconteceu tão depressa que ele não saberia dizer quanto tempo havia se passado desde que resgatara Kate. Na verdade, olhá-la era doloroso o suficiente sem que se pudesse precisar o tempo. Ele sabia que quanto mais o médico demorasse a chegar, mais as chances dela diminuiriam. Portanto, ele se pôs em movimento. Quando percebeu que a criadagem se amontoava ao seu redor, instruiu-os, sem se importar com o fato de não ser o lorde daquela residência, a enrolá-la em cobertores e a colocar brasas aos pés de sua cama, a fim de que seu corpo ficasse aquecido. Mesmo quando o cirurgião apareceu, os gritos de Anthony ainda podiam ser ouvidos de longe:

— Ela precisa de mais cobertores, ainda posso senti-la tremer!

— Deixe que eu faça o meu trabalho! — O médico se precipitou à frente de Anthony e, com o braço firmemente esticado diante de seu torso, impediu que o visconde se dedicasse ele mesmo à tarefa que havia ordenado não mais que um segundo atrás.

E então, pareceu que o peso do mundo caiu sobre os ombros dele.

Indefeso, apavorado e com o coração batendo na boca, Anthony observou enquanto Kate gemia e revirava os olhos pela febre em cima da cama. Tinha certeza de que se recebesse um tiro no meio do peito não seria tão doloroso quanto vê-la se contorcendo sem poder fazer nada para impedir. Anthony começou a sentir a mente nublada, sem poder formular um pensamento coerente. Sabia que estava parado ali, que respirava, mas era como se só o seu corpo estivesse presente. Uma outra parte dele havia simplesmente se desprendido dali e vagava por outro lado, muito longe do seu alcance.

De repente, uma voz familiar soou ao seu lado, forçando-o de volta à realidade.

— Anthony, o que aconteceu? O meu valete o viu carregando Miss Sharma para dentro... — Era Benedict, que viera correndo e havia se posicionado ao seu lado, as feições chocadas ao se dar conta de que acontecia naquele aposento. Mesmo que de modo vago, sentiu a mão pesada dele pousar em seu ombro. — Ela está bem?

— Eu... não sei... — Anthony conseguiu responder, sentindo que era muito difícil sequer colocar simples palavras para fora. Havia um nó apertando a sua garganta, e ele fazia um esforço estupendo para poder respirar.

Benedict notou isso.

— Você está bem? — Insistiu o irmão, olhando-o com expectativa.

Anthony não respondeu. Ele se limitou a lançar um olhar para as duas outras mulheres da família Sharma, Edwina e Lady Mary, em pé e unidas em um abraço desesperado. Seu coração se apertou de modo doloroso quando viu as feições de Edwina retorcidas em uma expressão de dor, lágrimas escorrendo de seus olhos enquanto encarava a irmã.

Não podendo mais suportar, finalmente se virou para Benedict, e a expressão que encontrou no rosto dele era algo deveras sombrio. Algo como preocupação.

— É minha culpa. — Anthony murmurou, incapaz de conter a torrente de palavras. Ele sabia que aquilo era verdade. Kate jamais sairia em uma tempestade como aquela se não estivesse desesperada, assustada, ou pior... arrependida. Ela jamais teria de fazer isso se Anthony não tivesse se dado certas liberdades, se tivesse agido com a cabeça em vez de com seus instintos mais primitivos. — É tudo culpa minha.

Lá fora, a tempestade rugia com uma fúria cega; por dentro, Anthony não se encontrava muito diferente. Parecia que o céu cairia sobre sua cabeça a qualquer momento, e o peso que sentiu sobre os ombros de repente fez parecer com que fosse derrubá-lo, e respirar se tornou cada vez mais uma tarefa impossível.

— Anthony? Anthony? — A voz de Benedict ecoou outra vez, só que muito distante.

Ele não soube dizer de que maneira conseguiu fazer suas pernas se moverem, mas logrou escapar daquele cômodo abafado e repleto de gente, cambaleando pelo corredor enquanto tentava se afastar ao máximo da visão que insistia em se repetir diante de seus olhos.

Kate revirando os olhos de febre. Kate se contorcendo. Kate urrando de dor.

Não conseguiu ir muito longe.

Sentiu que alguém o agarrava com força pela cintura e o puxava para o lado, guiando os seus passos trêmulos pelo corredor escurecido até atravessarem algumas portas. Ele foi despejado com pouca delicadeza sobre o sofá, seu torso empurrado para baixo até que a cabeça estivesse pendurada no espaço entre os joelhos.

— Anthony, respire. — Seu irmão dizia com rigidez perto de seu ouvido, como se tivesse falado a mesma frase uma porção de vezes, mas ainda não tivesse sido atendido. Quando Anthony conseguiu grunhir algo em resposta e Benedict percebeu o movimento de seus pulmões sob as escápulas, ele deu leves tapinhas confortantes sobre a região. — Isso, de novo. Respire fundo, já vai passar. É só respirar.

Foi só então que Anthony foi capaz de registrar que os ofegos que zumbiam como loucos em seus ouvidos vinham dele mesmo, e que a sala que girava à sua volta era, na verdade, uma reação ao desmaio quase iminente pelo qual ele havia acabado de passar. Ainda assim, não conseguia recuperar o fôlego, que estava preso em sua garganta e não demonstrava qualquer intenção de se mover daquele lugar.

— Anthony. — Benedict repetiu, estendendo as mãos para colocá-las sobre seus ombros. — Você precisa respirar, senão vai despencar bem aqui no meio da sala.

Mais fácil falar do que fazer, pensou Anthony. Por outro lado, a pressão que o seu irmão fazia em suas costas parecia estar ajudando a recuperar a lucidez.

Minutos se passaram, o ritmo da chuva marcando o tempo, enquanto os ofegos agudos de Anthony começaram a se transformar em soluços devastadores. Benedict se inclinou para frente, envolvendo seus braços firmemente ao redor de seu irmão mais velho, sentindo toda a força do tremor violento de seu corpo.

Seu rosto estava rígido de tensão enquanto encarava Anthony. Por mais que buscasse na memória, não conseguia se lembrar de um momento em que vira o irmão tão vulnerável. Teria sido comovente, se não o deixasse tão assustado. Parecia que algo no mundo estava tremendamente errado. Anthony era a fortaleza da família. Anthony era seu apoio, não o contrário. Benedict era o irmão sensível, o irmão vulnerável, mas ao mesmo tempo, era o irmão certo para estar ali com ele. Ninguém entendia Anthony como Benedict.

O visconde, por sua vez, ainda se preocupava em contar as respirações, uma tarefa muito difícil, diga-se de passagem. Sempre que pensava estar conseguindo acalmar os nervos, uma nova onda de trovões assomava o ambiente, preenchendo o espaço apertado com o som do desespero. Uma vez, Kate lhe dissera que detestava tempestades, e somente então Anthony entendeu o porquê. Ele estava passando um trabalho danado para evitar que o barulho da chuva ribombasse nos ouvidos, cada gota o atingindo como uma bigorna.

— Com licença, senhor. Lorde Bridgerton está se sentindo bem? — Benedict, espantado pela intromissão, ergueu o rosto para ver que uma das criadas estava parada à porta, as mãos firmes sobre o peito, suas feições contorcidas de preocupação. Seus olhos se voltaram novamente para Anthony, ainda inerte em seus braços. Ele podia não estar consciente agora, mas Benedict tinha certeza de que o irmão odiaria se o vissem naquele estado. Por isso, ele apenas balançou a cabeça e cobriu o corpo de Anthony com o seu.

— Está tudo bem, pode nos trazer um copo de água, depressa?

— Claro! Imediatamente, senhor.

A criada se apressou para longe, sumindo de vista. Benedict suspirou, aliviado, e então se voltou para o irmão novamente.

— Anthony. — Murmurou com a voz macia, não querendo assustá-lo. Notou, para o seu alívio, que o irmão parecia um pouco mais consciente, ainda que sua respiração estivesse agitada. — Anthony, escute. A senhorita Sharma vai ficar bem. Eu sei que nada do que eu te disser vai fazer sentido agora, mas confie em mim quanto a isso.

Anthony meneou a cabeça, soluçando.

— É tudo minha culpa, Benny. — Sua voz saiu tão quebrada que o coração de Benedict quase chegou a pular do peito. Não se lembrava qual fora a última vez que Anthony usara seu apelido de infância para se dirigir a ele. — Quando acordei sozinho, quando ela fugiu, quando saiu na chuva... tudo.

Benedict piscou, aturdido. Não queria nem pensar no que ele quisera dizer com aquilo.

— Tony, pare com isso. Nada é culpa sua, ouviu bem? Seja o que for que tenha acontecido entre vocês dois, isso vai se resolver. Quando ela acordar, vocês podem conversar.

Suas palavras pareceram piorar o estado de Anthony, pois ele soltou um gemido sofrido.

— Não, não. Você não a viu cair, Benny. Não como eu vi.

— Está certo. Eu não a vi cair. — Benedict se apressou em dizer, ansioso por fazer com que o irmão parasse com aquela lamentação terrível. — Mas eu tenho fé de que as coisas vão se resolver, e você deveria ter também. Enquanto isso, vamos para casa, sim?

— Casa? — Os olhos de Anthony de repente brilharam pelas lágrimas não derramadas, seu rosto demonstrando perplexidade.

— Sim, casa. Vamos para a Casa Bridgerton, antes que a criadagem te veja nesse estado.

— O quê? Ah... meu Deus.

Como se tivesse sido conjurada, a criada resolveu escolher aquele momento para retornar ao cômodo. Em suas mãos havia um copo de água e um pedaço de pano umedecido. Ela parecia hipnotizada pelo estado de ânimo do visconde, olhando-o como se visse uma espécie de aparição vinda do além. Benedict se apressou em retirar de suas mãos os objetos e logo fez menção para que ela lhes desse privacidade.

— Obrigado. Pode se retirar.

— Ah... claro, senhor.

Mas ela não se moveu do lugar.

— Agora! — Benedict odiava ter de impor suas ordens à criadagem, mas aquela era uma situação de extrema urgência. A pobre mulher deu um salto e se aprumou, curvando-se um pouco antes de sair em disparada, deixando-os a sós.

Sem preâmbulos, Benedict se voltou para Anthony e agarrou seus punhos, usando o pano molhado para remover as manchas avermelhadas que se acumulavam nas palmas de suas mãos.

Anthony olhou para baixo, aturdido, e percebeu que aquelas manchas eram o sangue de Kate, sangue que ficara marcado em sua pele quando ele apoiara a cabeça dela no ombro. Antes que pudesse fazer qualquer comentário sobre aquilo, Benedict rapidamente tirou o pano ensanguentado de vista e depositou o copo de água em sua palma.

— Obrigado. — Anthony murmurou, levando o líquido aos lábios e o sorvendo em apenas um gole. Suas mãos ainda tremiam, apesar de ser menos do que antes. — Sinto muito.

Benedict sorriu gentilmente.

— Irmão, você não tem que se desculpar. Aliás, não queremos sujar a preciosa porcelana do dragão Danbury, não é mesmo? Aí, sim, teríamos um motivo para temer a vida. Não sei você, mas eu tenho amor ao meu pescoço.

Anthony se limitou a abrir um sorriso. Ele não sabia o que esperar do restante daquela noite, não sabia nem se Kate sobreviveria até o amanhecer. Mas uma coisa era certa: seu irmão estava ali, oferecendo consolo e segurança, e ele nunca teve tanta certeza de que era amado.

Notas finais
Sabem que uma das coisas que mais me cortou o coração na série foi eles terem colocado o Benedict na cena em que o Anthony resgata a Kate, mas a participação dele ter sido ínfima. Desde a primeira vez que vi aquela cena, alguma coisa me incomodava. Como podia o Anthony ter tido um ataque de pânico por causa de uma picada de abelha no episódio 3, mas quando a Kate estava quase morrendo ele simplesmente saiu andando como se nada? Sério, não sei vocês, mas eu fiquei me corroendo de curiosidade para saber o que aconteceu, ou melhor, o que teria acontecido se eles tivessem se dignado a fazer o Benedict correr atrás do Anthony e oferecer um pouco de apoio. É tão triste quando o Tony diz pra Kate que os irmãos dele os desprezam, e apesar de sabermos que isso NÃO é verdade, que é apenas uma percepção, a série não faz muita questão de provar que ele está errado. Então, com o coração na mão, eu escrevi essa cena, que foi bem difícil. Ela ficou gigantesca, mas amei ver o nosso Benny em ação. E por falar nisso, parece que essa one levou uma eternidade para ser finalizada, mas, ao mesmo tempo, acho que se eu tivesse terminado ela antes, não teria conseguido alcançar o mesmo resultado. Recentemente eu assisti a um vídeo no YouTube que fez uma análise completa do Benedict na S2, sobre o quanto ele é o apoio emocional da família Bridgerton e ninguém parece perceber, inclusive o Tony. Parece que foi só depois de ver aquele vídeo que eu finalmente consegui compreender 100% esse personagem, e foi quando, por coincidência ou não, a one enfim saiu. Enfim, gostaram do resultado? Espero que sim! Foi muito bom ter voltado, eu ainda tenho dezenas de ones que quero escrever sobre a série, inclusive algumas estão concluídas. O único porém é que eu estipulei uma certa ordem de postagem, e as ones que estão mais na frente são as mais longas e ainda não ficaram prontas... mas eu pretendo terminar, eu juro! Mil beijos, meus amores. Saudade de vocês!