Colidir

3 Caliente, as mina pira.


Notas iniciais
Capítulo dedicado ao espanhol gostoso ♥

Capítulo 2 — Caliente, as mina pira.

Nove e meia da manhã, os dois estavam se sentindo muito confortáveis na cama. Shura a Milo estavam abraçados, roncando e babando, literalmente. Até que foram despertados por culpa de um clarão que nem durou um segundo, e uma risada gostosa.

Abriram os olhos, e se afastaram rápido, envergonhados, e fitaram a frente da cama. Afrodite estava com o pé direito sobre a cama, curvado para frente, sorrindo e com uma câmera na mão esquerda.

─ Estavam tão bonitinhos aí — Comentou, recuperando-se do ataque de risos.

─ AFRODITE! — Os dois berraram, e tudo começou.

Dois homens de pijama perseguindo um outro de terno pelo apartamento inteirinho. Aquela foto não poderia parar nas mãos erradas, e Afrodite era muito — MUITO! — malvado as vezes. Rindo, o jovem de cabelos azuis pegou as chaves do carro e saiu do apartamento, descendo pelas escadas do prédio de cinco andares. Mas os outros dois o seguiram, até a entrada social do prédio, onde haviam pessoas sérias esperando o elevador.

─ Afrodite, pare de molecagem, devolve isso! — Shura pediu completamente desesperado, vermelho de vergonha.

─ Tá bom. — Riu, e jogou a câmera para Milo, que agarrou com habilidade. ─ Mas eu acho melhor vocês irem para casa. Sabe como é, as pessoas não estão acostumadas com tarados que descem parcialmente nús. — Riu, e foi em direção ao estacionamento.

Era verdade, Shura e Milo estavam de pijama, mas durante a noite, tiraram a parte de cima, sem contar que pareciam mesmo tarados. Corados, pediram desculpas as pessoas que ali estavqam, e subiram correndo as escadas, de tão envergonhados.

─ Aquele cretino. — Shura resmungou, sentando-se no sofá tão logo que chegou.

─ Ainda bem que ele devolveu. — Milo riu. ─ Mas, onde ele vai todo arrumado? Afrodite não sai para trabalhar, que eu me lembre.

Afrodite é herdeiro da empresa de advocacia de seu pai, mas como é ele quem escolhe quem vai defender — porque sim, ele se formou em direito por causa do pai — só aparece raramente lá para resolver algumas coisas na administração, ou verificar os possíveis clientes. Ele deixa a empresa nas mãos do melhor amigo do pai, Shion Amaterasu, que é de total confiança.

─ Pra empresa. Um lutador de MMA deu umas porradas num cara sem motivo, está sendo processado e quer que o Afrodite seja o advogado dele, não acha muita prepotência? — Indagou Shura, entediado.

─ Mas o Afrodite não defende só gente importante, bonita e que ele conhece? — Perguntou Milo, suspirando.

Afrodite atuava sim como advogado, mas não era bem o que mais gostava de fazer. Era dos melhores, aliás, mas seu sonho sempre foi ser ator: desde que seus pais morreram, nunca mais tocou nesse assunto, embora os amigos sempre falassem que deveria tentar.

─ Já disse, esse cara é um famoso lutador, e o Shion ligou pra cá pedindo para o Afrodite fazer isso. — Disse, enquanto ía para o quarto calmamente. ─ Você arruma a cama?

─ Ahn... Mas pra que? Você sempre arruma. Vai sair? — Indagou,m assombrado com a possibilidade de ter que arrumar alguma coisa.

─ Vou resolver umas coisas. Fazer as compras do meu bar, da minha casa, preciso passar no shopping pra comprar umas roupas. — Disse, enquanto entrava no banheiro para fazer sua higiene, principalmente tomar um bom banho.

─ Posso ir com você? — Perguntou alto, para o outro ouvir, justamente porque Shura só usava o chuveiro, nunca a banheira.

─ NÃO! — Alterou-se, assustando Milo. ─ Quer dizer... É melhor eu ir sozinho. — Disse, já debaixo do chuveiro, molhando o corpo com a água gelada.

─ Hm, tá bom. Ei, Shura ... — Chamou, como quem tem vergonha de falar algo.

─ O que você quer?

─ Nada.

─ Ok então.

Dez minutos depois, Shura já encontrava-se seco, e vestia a roupa calmamente em frente ao espelho. O banheiro de Afrodite era algo assustador. Não haviam paredes, eram espelhos. Para onde olhasse, veria o próprio reflexo. Afrodite parecia narcisita certas vezes. Riu ao pensar nisso, e terminou de vestir-se.

Calça jeans, blusa de manga comprida e gola "V". Colocou o cordão com pingente de flor e outro de escorpião — Um presente dado por Afrodite e Milo de quando eram crianças, Shura não saía para lugar algum sem aquilo no pescoço. Penteou o cabelo negro e curto, arrepiando-o um pouco. Shura é um espanhol muito caliente, arranca suspiros de qualquer mulher, mas mesmo assim se sente um pouco inseguro, como se não soubesse do que era capaz.

Saiu do banheiro calmamente, e foi até a sala onde colocou o tênis esportivo branco e cinza. Colocou a carteira no bolso da calça, e abriu as cortinas do lugar, para clarear tudo. Passou pelo quarto, para ver que Milo estava dormindo novamente. Bufou, e escreveu um bilhete para o amigo: "Arrume a cama".

Saiu calmamente do apartamento, e chamou o elevador no corredor. Não gostava de usar as escadas como Afrodite, e assumia que tinha preguiça mesmo, só não tinha para ir para a academia quase todos os dias, mas isso é outra história. Assim que a porta do elevador abriu, o espanhol entrou. Mas antes que ela pudesse fechar, ele ouviu uma pessoa gritar.

─ ESPERE! — Era uma mulher, e como todo bom homem, ele segurou o elevador para ela entrar. ─ Obrigada.

─ Denada. — Sorriu tímido.

E começaram os segundos mais tensos. Pessoas que nunca se falam no mesmo elevador, sem poder sair, tendo que esperar chegar ao destino. Não tinham o que falar, mas Shura estava incomodado: Aquela menina não parava de olhar para ele, isso o deixava paranóico, pensando que algo no corpo dele poderia estar errado. Sempre foi assim, inseguro.

─ Até. — Disse, assim que a porta abriu-se,sem esperar resposta e saiu apressado.

Saiu do condomínio e foi até o carro estacionado do outro lado da rua — a síndica do condomínio de Afrodite não deixava os visitantes estacionarem lá dentro — e apertou um botão que tirou do bolso, destravando as portas do belo carro negro.

Acomodou-se no banco, ligou o carro, o rádio — que estava no CD e começou a tocar Corazón Partio — e deu partida. Diferente da antiga mansão, a nova casa de Afrodite ficava próxma de tudo, era perfeita. Não demorou nada, apenas o tempo da música acabar, para chegar ao mercado atacado. Estacionar o carro que foi difícil, mas uma hora ele conseguiu.
Já dentro do mercado, verificou no iPhone os itens que estavam em falta no bar, e foi direto para cada sessão. Sentindo-se incomodado porque todas as mulheres, acompanhadas ou não, paravam o que estavam fazendo e o olhavam como quem quer devorar algo, ele olhou para o carrinho que empurrava, que por sinal ainda etsava vazio. Aos poucos foi enchendo o carrinho — que era gigante — com os itens que precisava, e ao enchê-lo todo foi direto para a fila, que como sempre estava gigantesca. Parou, apoiando-se no carrinho.

─ Olá. — Ouviu uma voz atrás de si.

─ Sim?- Indagou, virando-se para a pessoa. Era uma mulher, tinha longos cabelos ondulados e castanhos, os olhos verdes claríssimos, lábios carnudos e pele branquinha, o melhor não era ela ser bonita, mas ela não o encara como quem olha um lanche do MC DONALD'S.

─ Desculpe, mas poderia me dizer onde achou o molho de tomate? — Ela sorriu, apontando para um enorme balde de molho de tomate.

─ Hm. — Abobalhado, não conseguiu responder de primeira. ─ E-era o último.

─ Ah, que azar o meu. — Ela riu, e posicionou-se logo atrás dele. ─ Então vou pagar isso aqui mesmo.

─ N-não, pode pegar esse. — Ele pegou o balde, colocando no carrinho dela.

─ Está falando sério? — Ela perguntou assustada com o cavalheirismo.

─ Claro. Só vou precisar disso na sexta-feira. — Sorriu, um pouco envergonhado.

─ Obrigada, meu chefe me mataria se eu não conseguisse isso. Prazer, me chamo Helena. — Sorriu, estendendo a mão direita.

─ Prazer. M-me chamo Shura. — E apertou com delicadeza a mão da mulher. ─ Mas, por que seu chefe lhe mataria?

─ Ele é o dono de um pequeno restaurante italiano. Vocês sabe, macarrão, molho de tomate... Essas coisas. — Ela riu.

─ Oh sim, esses italianos. — Riu.

─ Pois é. Você tem cara de espanhol. — Ela afirmou sorrindo. ─ Meus pais eram da Espanha. Tive que aprender a falar.

─ Sim! Como advinhou? — Ouviu o resto. ─ Que coisa, meus pais também. Tive que aprender também.

─ Ah, é que os espanhois são mais charmosos, não vê como as mulheres olham para você? — Ela continuou sorrindo.

─ Hm.. Será? — De fato, o espanhol era muito envergonhado.

O tempo passou, e na fila os dois fizeram uma pequena amizade, trocando os telefones e tudo mais. Shura mal esperava para poder encontrar a menina novamente, não que estivesse apaixonado, isso não; Seu coração sempre foi e sempre será de uma pessoa, Afrodite Hansson. Sim, o espanhol sempre morreu de amores por Afrodite, e sua única razão para não odiar Milo, era pela infância que tiveram juntas.

Sim, meus caros, Afrodite e Milo mantinham um relacionamento aberto, uma amizade "colorida" como chamam geralmente. Shura nunca tocou nos lábios de um homem, e nunca disse se quer uma palavra sobre seu amor por Afrodite, porque preferia não se magoar, e magoar o belo.

Afrodite não era lá um rapaz muito ingênuo também, tinha suas horas de pura maldade. E quando isso acontecia, Milo e Shura preferiam nem mesmo falar com ele pelo celular. Podia ser muito cruel se quisesse, e realmente poderia acabar com a vida de uma pessoa, por ser muito influente no mundo dos negócios — não era presidente só da empresa que herdara do pai — pode muito bem destruir a vida comercial de qualquer um que entrar em seu caminho.

Também tinham os joguinhos: Afrodite era um excelente manipulador, e Shura sabia muito bem disso. Aquele rosto de anjo enganava muito bem, e não tinha dó nem mesmo dos pobres amigos de infância. Manipulava os dois quando queria, e de uma forma tão fácil que assustava. Quando Shura se dava conta, já havia feito as vontades do pisciano.
Passou em casa antes de mais nada: Era um sobrado, em cima de um estabelecimento elegante, algo muito simples. Não tinha cozinha, apenas um quarto, banheiro, e sala. No andar de baixo havia seu bar, não um boteco. Era algo elegante, caro, e vendia os pratos mais deliciosos da região. Tudo isso graças ao Afrodite, que acreditou e investiu nos telentos culinários de Shura.

Organizou tudo na geladeira do bar dentro da cozinha, para logo depois perceber que estava entardecendo, e nem se quer tinha almoçado. Suspirou, e tratou de fazer alguma comida rápida, algo como macarrão instantâneo. Não era fã dessas comidas, até porque elas não alimentavam, mas a preguiça que tinha de preparar outra coisa, era realmente grande. Não tardou em deixar o estabelecimento, para ir ao shopping como tinha planejado.

Mais uma vez, mulheres o fitando, engolindo o pobre espanhol com o olhar. E ele? Como sempre, envergonhado, inseguro, pensando que talvez algo estivesse errado com ele. "Você é lindo, Shura. Pare de insegurança! Eu te acho um Deus da beleza" Lembrou-se de Afrodite uma vez falando aquilo. Tão incrível, emocionante, que nem percebeu até esbarrar na porta de saída do shopping — Aquelas que abrem só com a presença do indivíduo, só que ele foi justamente na com defeito, dando com a cabeça ali.

Recuperado do mico que pagou — porque todos sim riram de sua distração — foi até o estacionamento, onde guardou as duas sacolas que trouxe na mala, para finalmente retornar até a casa de Afrodite: Não que fosse dormir lá, mas ele realmente precisava contar sobre a espanhola para Milo, que é bissexual, mas entende quase tudo de mulheres. Queria saber se tinha uma chance com ela, porque viver na esperança de ficar com Afrodite já havia se tornado segunda opção.

─ MILO! — Berrou o espanhol, assim que entrou no apartamento de Afrodite e não viu o loiro.

─ Calma, caralho! Estou aqui! — Surgiu sabe-se lá de onde, segurando um tubo de batatas fritas.

─ Trouxe o lanche. Larga esta porcaria! — Disse o espanhol que como sempre trazia pães fresquinhos, queijo, presunto e bolo da padaria da rua do bar. Dirigiu-se para a suíte de Afrodite, quando teve uma visão que realmente ochocou. A cama estava ainda bagunçada.

─ MILO! QUE MIERDA, ¡Vuelve aquí!

─ O que foi, espanhol? — Indagou Milo, que sem entender apareceu na porta do quarto.

─ Você não arrumou a cama. — Disse, tentando controlar-se.

─ Hehe, verdade... Esqueci! — Sorriu amarelo, e correu para arrumar. Nem mesmo Milo seria capaz de enfrentar a fúria de Shura.

─ Acho bom. Está tarde, não acha? Afrodite já devia estar aqui. — E estava mesmo, o pisciano jamais chegava depois das 20 em casa, e eram 21:34 no momento. Shura preocupou-se.

─ Relaxa. Nosso bebê sabe se cuidar! — Sorriu. Como podia estar tão calmo?

─ Mas e se aconteceu alguma coisa?

─ Nossa, você não é mãe dele, Shurinha querido. — Riu com deboche. ─ Relaxa que notícia ruim chega rápido. — Mas e as péssimas?

Como Milo conseguia ficar tão relaxado? O mundo inteiro de Shura estava atrasado, coisa que nunca acontece, e Milo só consegue rir e fazer piada? Tudo bem que Shura é exagerado com essas coisas, mas Milo é muito calmo nessas situações — só nessas.

Mas até mesmo Milo sabia que havia algo fora do lugar, Afrodite nunca chega tarde em casa.

Notas finais
E então? Mereço reviews, não é?