Colidir

4 Claustrofobia


Notas iniciais
Desculpem a demora, mas eu estava em provas. Quer dizer, ainda estou. x-x

Claustrofobia: Medo excessivo de permanescer em local fechado; medo de ficar preso; ato proveniente de claustrofóbico.

─ Tá bom. — Riu, e jogou a câmera para Milo, que agarrou com habilidade. ─ Mas eu acho melhor vocês irem para casa. Sabe como é, as pessoas não estão acostumadas com tarados que descem parcialmente nús. — Riu, e foi em direção ao estacionamento.

Não conseguiu deixar de rir assim que sentou-se no bando do carro. Abraçou o volante de seu KIA Soul branco, e riu como nunca. Aqueles dois o faziam tão bem, e foram capazes de tirar toda a melancolia do dia anterior, de aliviar a dor de mais um anos seus amados pais.

Recupenrando-se, deu partida no motor, e saiu do estacionamento subterrâneo calmamente, enquanto o rádio começava a funcionar. Tocava "We found love", da Rihanna, uma música boa que fazia as pessoas quererem cantar junto. E assim que parou no primeiro sinal vermelho, tirou um chiclete de tuti-fruti do porta luvas, e colocou na boca. Também aproveitou para ajeitar os longos cabelos azuis — que não tirava de forma alguma, mesmo sendo um advogado.

Desde que seus pais morreram, ficaram evidentes as mudanças na sua personalidade. Sempre fora tão ingênuo, e ainda continuava, mas agora possuía esperteza, não era feito de bobo tão facilmente.

Começou a se cuidar ainda mais, de sua aparência principalmente. Todo mês ía para o Cabeleleiro, cinco dias por semana estava na academia, frequentava restaurantes caros com os amigos uma vez por semana, tinha uma vida quase perfeita. Seus romances nunca duravam mais de cinco dias, realmente não gostava de namorar sério, por ter sido magoado algumas vezes. Por exemplo, não namorava uma menina há muito tempo, só estava saindo com homens agora. Milo era apenas uma amizade com benefícios, nada muito sério.

Afrodite é um homem "feminino", possuindo a pele delicada, suave, curvas femininas pelo corpo — não deixando de possuir fortes músculos no braço por conta da academia, mas nada exagerado -, os olhos inocentes, lábios rosados e principalmente a forma como tratava os outros, com extrema gentileza. Claro que ele não era assim sempre, pelo contrário, sabe ser cruel da maneira mais terrível possível. Faz o inferno com quem merece, e consegue dormir tranquilamente de noite.

Mas naquele momento, o rapaz só queria saber que tipo de homem o aguardava na empresa. Soube pelo telefone, por Shion, que o dito cujo só queria ser defendido por Afrodite, e pagaria o quanto fosse necessário para tê-lo ao seu dispor. Haviam regras para que isso acontecesse: um, A pessoa precisava ser bela; dois, tinha que pagar muito bem; três, precisava ser confiável. Mas o motivo para não gostar de ir para a empresa não eram as lembranças que tinha, os devaneios, por causa do pai, muito menos não gostar da profissão, seu problema estava no centro do prédio de oito andares, em todos eles: O elevador.

O escritório do presidente era justamente no último, o último andar, e o presidente não poderia ir de escada. Por isso pedia para os clientes o aguardarem no térreo, para poderem subir juntos no elevador da presidência — porque existem dois, um para os empregados, e outro apenas para os membros da elite da empresa.

Levou o carro até a entrada, onde soltou do mesmo, e deixou as chaves do carro com o manobrista. Usava um terno elegante e com corte moderno, os cabelos foram presos num rabo de cavalo baixo, e uns óculos escuros grandes na face. Ao passar pelo segurança — Um homem realmente monstruoso, mas com um sorriso bobo no rosto — disse:

─ Bom dia, Aldebaran. — Cumprimentou, adentrando no prédio, indo até a recepção.

─ Bom dia, Sr. Hansson. — O grandalhão devolveu.

Avistou próximo a recepcionista uma figura conhecida. Ele era alto, tinha longos cabelos grisalhos, e uma face bonita, ainda não muito castigada pelo tempo, esse era Shion. Estava acompanhado por dois homens um tanto mal encarados.

O primeiro era o mais baixo, os cabelos eram negros, levemente arrepiados, e havia uma cicatriz horrenda na testa — Afrodite até descartou a possibilidade de defendê-lo se fosse o caso — com roupas elegantes, sociais.

O segundo era mais alto, tinha os cabelos grisalhos e arrepiados, a face era bem larga e máscula, a pele corada, os músculos eram bem chamativos com a roupa que vestia, uma camisa gola em "U" bem apertada, marcando seus quadradinhos da barriga, que deixaram Afrodite de boca aberta.

─ Este aqui, é o Sr. Hansson. — Disse Shion, despertando Afrodite de seus pensamentos nada puros.

─ É um prazer conhecê-lo. — Disse o mais baixo, apertando a mão do pisciano. ─ Sou Ikki Amamiya, empresário do Máscara da Morte.

─ Máscara da Morte? — Indagou, alheio aos apelidinhos. Fitou o grandalhão. Afrodite não estava acostumado a usar apelidos tão diferentes.

─ Io. — Disse o lutador. Oh sim, era um lutador, normalmente eles possuem apelidos.

─ Desculpe, não sou muito fã de lutas. — Desculpou-se, e logo fitou o amigo de seu pai. ─ Shion, este é o homem de quem me falou?

─ Sim, sim. Eu e o Sr. Amamiya deixaremos vocês subirem para conversar. — Shion piscou, e Afrodite ignorou. Sabe-se lá o que aquilo significava, mas na certa não era boa coisa. Shion estava muito assanhado ultimamente! Assustador, aos olhos de Afrodite.

─ Então, podemos ir para o elevador? — Máscara da Morte deu a ideia, que não pareceu muito confortável para o mais magro.

─ Siga-me. — Disse, chamando o elevador calmamente.

E como o elevador não era usado por qualquer um, já estava lá, apenas abriu-se. Os dois entraram. Máscara da Morte até estranhou os sorrisos dos empregados ao verem Afrodite entrar, realmente não entendeu, mas quando o fitou, não evitou um sorriso de canto.Sua face estava pálida, e já não havia mais os óculos — que foram guardados dentro da pasta que levava consigo — deixando a mostra os olhos azuis arregalados de medo.

─ Está com medo de mim? — Indagou. Era um rapaz enorme de forte, assustador, mas não faria mal a ele.

─ Claro que não. — Respondeu ríspido, afrouxando a gravata no pescoço.

─ Parece incomodado. — Riu.

─ Engano seu. — Não queria dar bandeira, seria ridículo.

Mas sua sorte não estava sempre lá, principalmente dentro de elevadores. Sentiu o chão tremer, as luzes piscarem, e tudo parar. Pronto, as luzes de emergência acenderam, e Máscara da Morte ficou embasbacado ao ver a face de Afrodite ainda mais pálida. Um ataque de risos por parte do lutador italiano, foi o suficiente para Afrodite o fitar.

─ Do que está rindo? — Indagou, deixando a voz sair mais fina que o normal.

─ Você está com medo de mim. — E aquele maldito lutador estava realmente achando que era a causa para o temor de Afrodite.

─ Não estou não!

─ Fala sério, estou sendo acusado de meter a porrada numa pessoa. — Riu.

─ É o mais comum, já vi homens mais assustadores. — Provocou, o pisciano.

─ Hm, então tá.

Um minuto de silêncio, e Afrodite apertou o botão do interfone, incessantemente, como quem está desesperado para sair. Máscara apenas sentou-se, paciente demanis para um lutador.

─ Por que... Não atende?! — Extressou-se, apertando mais e mais o botão do interfone.

─ Senta o rabo aí, moça — Soou realmente cínico. ─ Que logo logo a gente sai daqui. Tá com pressa? HAHAHA!

─ Moça? Olha o respeito, seu brutamontes! — Estava puto agora, muito puto.

Mas toda a sua raiva transformou-se em pavor, quando as luzes de emergência se apagaram. Afrodite perdeu por alguns instantes o ar, e teve uma tontura, que não passou despercebida por Máscara da Morte, que que arregalou os olhos e levantou-se.

─ Ei, você tá bem? — Alarmou-se.

─ Eu... Eu... Preciso sair daqui. — Disse baixo, choroso. E então veio o desespero, as lágrimas.

Máscara da Morte nunca presenciou um ataque de pânico, era assustador e sem sombra de dúvidas, doloroso. Afrodite partiu para cima da porta de metal, como se aqueles socos fossem realmente adiantar de alguma coisa. Ele gritava por socorro, qualquer coisa, nunca havia visto alguém gritar e chorar de forma tão desesperada, nem mesmo nos filmes. Arqueou as sobrancelhas, bestializado.

Tinha que fazer alguma coisa, ou então o delicado rapaz se machucaria, porque da forma como ele socava a porta de metal, parecia que estava é querendo quebrar alguma coisa. Agarrou-o pela cintura, e puxou-o para longe da porta com brutalidade. Sentiu certa dificuldade em imobilizá-lo: Aquele magrelo era forte, apesar de tudo, e estava realmente fora de si.

─Ei, CALMA! — Berrou, apertando ainda mais a cintura do advogado, que não parava de se debater.

─ ME TIRA DAQUI! ME TIRA! SOCORRO, ME LARGA! — Gritava desesperado, suas lágrimas não paravam de escorrer. ─ ME LARGA, PORRA!

─ Calma, calma! — Não estava conseguindo mandar na situação. ─ HAHA, pare de medinho de elevador. Estamos no terceiro andar ainda! — Bingo, só fez o menino ficar ainda mais apavorado.

Até que teve uma ideia, colocando o empresário contra a parede, segurando seus pulsos de maneira forte. O encarou nos olhos, lembrando-se de algo que viu em um filme ou algo parecido, mais provável num livro.

─ Fecha os olhos, porra! — Ordenou, e viu o advogado fazê-lo.

E só então notou o quanto as pernas do mais novo tremiam, estavam fracas. O fez sentar-se no chão calmamente, pegando a pasta que o jovem carregava antes, e a colocando no chão.

─ Respire, relaxe. — Estava indo bem, porque Afrodite estava calado agora, só continuava chorando.

Colocou as mãos sobre os ombros do rapaz, e começou a massagear de forma calma, até mesmo delicada demais para um bruto como ele — tudo o que queria era não machucar o advogado que parecia tão frágil, até porque, era ele quem o defenderia, e Máscara da Morte de bobo não tem nada — algo que melhora o relaxamento do corpo e da mente. Pegou novamente a fina pasta que o rapaz tinha em mãos antes do ataque, e o abanou por um tempo ao notar a dificuldade que tinha em respirar, e só depois retornar com a massagem suave.

A calmaria não foi abosoluta, porque o elevador começou a fazer estranhos barulhos, deixando Afrodite novamente em crise. Máscara da Morte parecia realmente preocupado agora, com seu olhar assustado mirando os do advogado de cabelos azuis — que conseguiam estar ainda mais amedrontados.

Ambos se olharam por mais um tempo, até Máscara da Morte ter uma nova ideia, para Afrodite esquecer aquele barulho realmente apavorante: Começou a assoviar, afinal, qualquer coisa vale para desviar a atenção do claustrofóbico para outra coisa sem ser o trauma. Agora Máscara se perguntava o que diabos havia acontecido na infância daquele pivete a sua frente, para que ficasse tão traumatizado. Segurou o riso quando algo nada puro passou em sua mente.

Enquanto Máscara da Morte era só perguntas, a mente de Afrodite voou para longe daquele elevador, graças a massagem e os assovios de Máscara. Lembrou-se de quando era criança, como sua mãe o abraçava sempre que ficava em desespero, de como era chamado carinhosamente pelo irmão mais velho, de como se amavam. Albafica era seu irmão mais velho, tinha uns 17 anos quando ficou doente, e Afrodite apenas sete, mas mesmo assim não conseguiu esquecer do rosto tão parecido com o seu, da voz tão idêntica, e do amor que ambos sentiam pelas rosas do jardim.

Sentiu seus olhos lacrimejarem ao ter tais lembranças, de sua tão saudosa infância. Lembrou-se de Milo e Shura quando mais novos, os três brincavam na escola de pique-pega, e de sua primeira crise perto deles. O desespero estampado na face de duas crianças na faixa dos cinco à seis anos de idade, quando entraram sozinhos numa caverna durante um passeio escolar. Sua sorte foi a turma do irmão também estar por perto.

Albafica os encontrou por acaso quando notou a caverna, onde gostaria de entrar para ver os tipos de pedras.

"─ Irmão! — Albafica berrou, correndo até os três que ali estavam. ─ Calma, Afrodite! Calma! — Pediu, colocando as mãos levemente sobre os ombros do menor, massageando-os, enquanto aos poucos o guiava para fora do lugar".

Despertou de suas lembranças quando Máscara da Morte deixou de massageá-lo, e de assoviar. Notou que o barulho havia desaparecido, e aquelas quatro paredes já não pareciam tão assustadoras como antes. Tantas lembranças que tivera, e agora se perguntava quanto tempo ficou preso em seus devaneios.

─ Obrigado. — Disse, tentanto fazer a voz parecer a mais firme possível.

─ Pelo que? — Sorriu o belo italiano, virando-se para fitar o rapaz. ─ Você estava mesmo desesperado hein!

─ Você ... Não tem medo?

─ Medo? Medo de que? — Sorriu, já esperando pela pergunta.

─ Disso, dessa situação.

Mas é claro que o grande Máscara da Morte não tinha medo de algo tão inofensivo como ficar preso por algumas horas dentro de um elevador. O cara é um monstro, entra no ringue e bate em quem vier apenas por um cinturão e muito dinheiro. Uma pessoa que não tem medo da briga, jamais poderia ter um medo tão bobo como esse, Claustrofobia.

─ Não tenho claustrofobia. — Riu, sem graça. ─ Deixa eu ver a sua mão.

─ Ahn? — Não entendeu, realmente não entendeu aquele pedido.

─ Você batia tão forte, acho que deve ter machucado, deixa eu ver. — Sorriu, calmo.

─ Eu estou bem. — Disse, mas mesmo assim levou as mãos para o rapaz examinar.

Máscara o tocou delicadamente, ou pelo menos tentanto ser o máximo possível, suas mãos eram brutas e ásperas.

─ Não dói?

─ Não. Estou bem... — Respondeu Afrodite, dando um sorriso tímido.

─ Hm, pensei que com aquela força, HAHAHA. Então, fica sentado aí que eu vou ligar pro Ikki. — Disse, pegando o celular.

─ Ikki?

─ Meu empresário, sabe.. Aquele de cabelos arroxeados...

─ Ahn?

─ O da cicatriz. — Riu.

─ AAAAH! Aquele. Mas que cicatriz hein...

Os dois riram por alguns segundos, até Máscara da Morte conseguir falar com Amamiya. Ficaram falando por um tempo, cheios de gírias e tudo mais, Máscara ria vez ou outra, nada muito estranho. Até que desligou o celular, e fitou o advogado.

─ Ele disse que faltou energia na rua inteira, um idiota bateu no poste e o transformador pifou. — Gesticulou com as mãos, simulando uma explosão. ─ Vai demorar um pouco, mas somos prioridade, pode deixar.

─ Hm, acho que eu consigo sobreviver aqui. — Suspirou, tendo de se conformar. ─ Ei, posso fazer uma pergunta pessoal?

Máscara da Morte sorriu, não gentilmente, porque nunca sorria assim. Seu sorriso era misterioso, um tanto sacana, e realmente cínico as vezes.

─ Sim.

─ Qual o seu nome? — Tratou de especificar. ─ Verdadeiro, nome.

─ Mephisto, é o meu nome. — E não pareceu muito contente com isso.

─ O que significa? — Indagou, realmente curioso.

Mas o lutador negou com a cabeça, fazendo-o se calar de imediato. Sorriu torto, de forma que Afrodite se perdeu totalmente na imensidão daqueles olhos castanhos avermelhados. Pareciam tão vivos de uma hora para outra.

─ Não faz diferença. Só me chame de Máscara. — Pediu calmamente.

─ Não gosta do seu nome? — Indagou, curiosamente. Parecia que não perderia o interesse jamais.

─ Digamos que não é um significado muito bonito. — Riu alto agora, sentando-se mais confortavelmente. ─ Você não tem algum baralho aí na maleta não né?

─ Claro que não. — Estranhou.

─ Droga! Eu sabia que devia ter trazido o meu no bolso. — Suspirou.

─ Você sempre faz isso? — Afrodite indagou, saindo do clima de piadas.

─ O que?

─ Mudar de assunto quando ele não te agrada. Sabe, fugir das coisas nem sempre é algo que vá te trazer benefícios. Pode até piorar.

Ficaram em silêncio por um tempo, um longo tempo. Talvez tivessem ficado assim por uma hora inteira, vez ou outra se olhavam. O silêncio foi quebrado quando o celular de Afrodite emitiu um som ensurdecedor.

─ O que é isso? — Indagou o italiano, arqueando as sobrancelhas.

─ Meu celular. Acabou a bateria. — Disse, esticando o pescoço ao enconstá-lo na parede. Fechou os olhos, desconfortável.

─ Você está bem?

─ Não muito. — Foi sincero.

─ Quer que eu faça aquilo denovo? — O fitou.

─ Não vai precisar, é só eu fingir que estou em outro lugar.

─ Que lugar?

─ Ah, bem... Um parque, sob a luz do Sol, o clima agradável... Cheiro de pipoca, pessoas que gosto ao meu lado... — Sorriu ao falar.

─ Que tal colocar algodão doce no lugar da pipoca? — O lutador perguntou.

─ Maravilhoso! Ainda melhor. Algodão doce é tão bom. — Sorriu, abrindo os olhos.

─ É mesmo, eu adorava. Minha mama e io sempre íamos para uma praça comer algodão doce, eu gostava do azul. — Sorriu.

─ Hm, você não agrediu aquele cara, não foi? — Perguntou de repente.

─ Não. — Suspirou. Não agredia as pessoas por aí, estavam armando para ele. Não era uma pessoa má, só bruto por ser um lutador. Mas fora do ringue, era outra pessoa.

─ Eu aceito! — Sorriu radiante.

─ Aceita o que?

BOOM! O elevador deu um tranco que fez Afrodite levantar-se assustado, mas logo veio o alívio. As luzes de emergência apagaram, dando a vez para as convencionais. Os botões piscaram, e o elevador pareceu começar a descer. Os andares foram passando, 3, 2, 1, até o térreo.

Afrodite olhou o relógio, estava bem tarde, e sua barriga roncava de fome. Ficar até as cinco da tarde dentro de um elevador foi bem exaustivo, mesmo com boa companhia.

─ Ei, Afrodite! — Máscara da Morte o chamou, quando Afrodite saiu em disparada do elevador quando este abriu-se.

─ Sim? — O fitou sorrindo.

─ Sua maleta. — Estendeu o objeto, até o menor pegar.

─ Obrigado. Máscara, se não for incômodo, acho melhor conversarmos sobre o seu caso num restaurante, estou faminto.

─ Isso é um convite? — Riu. ─ Porque se for eu aceito.

─ É sim. — Concordou.

Os dois caminharam para fora do prédio, e pela rua conversavam como bons amigos. Afrodite devia uma para Máscara da Morte, e agora que o defenderia diante do juíz, estavam quites.

Assim que arranjaram um bom restaurante, e ficaram a vontade após pedirem os pratos, começaram uma breve conversa sobre o caso.

Uma troca de documentos, perguntas normalíssimas, vez ou outra falavam sobre suas vidas. Nascia uma boa amizade entre o advogado e o lutador.

─ Mas e aí? Você nunca teve medo de ir para o ringue? — Indagou Afrodite, degustando de seu Whisky sem gelo.

─ Para falar a verdade, eu já senti medo várias vezes. Não sinto mais. — Sorriu. ─ Mas você não parece alguém que trabalhe como advogado.

─ Eu não gosto muito, mas pode deixar que sou bom nisso! — Disse para tranquilizar o outro. ─ É que meu pai era dono da empresa, e eu tive de seguir os passos dele. Mas eu sempre quis ser ator!

─ Ator? Que engraçado. Definitivamente, não posso estar falando com um advogado. — Riu ainda mais. ─ Nossa, já são sete horas! — Afirmou, olhando o relógio no pulso esquerdo.

─ Sete? Está cedo ainda.

─ Posso lhe perguntar uma coisa? Não é algo que deva querer falar, mas eu estou curioso.

─ Pergunte. Agora, não garanto que irei responder.

─ Certo. — Pareceu pensar.

Não eram próximos, apenas um cliente conversando informalmente com o advogado. Mas Máscara da Morte necessitava fazer aquela pergunta tão pessoal. Ele precisava, estava ficando louco para isso. A forma como Afrodite sorria, se vestia e mantinha os cabelos, estava deixando-o cada vez mais curioso.

─ Você é gay? — Saiu assim, rude, mas inocente. Mas ainda assim, fez Afrodite quase cuspir o whisky.

─ Por que acha isso? — Assustou-se.

─ Ah, você sabe... Não precisa responder... — Corou.

─ Eu sou gay. — Afirmou, pedindo uma sobremesa para o garçom. ─ Vou duas fatias do de sempre! — Sorriu, e assim que o garçom afastou-se, prosseguiu. ─ Eu sou gay, mas fique tranquilo, Máscara da Morte, que eu respeito o espaço dos outros.

─ Não, não! Não quis dizer isso, eu só recisava saber. Nunca pensei que fosse me assediar, jamais! — Estava envergonhado.

─ Relaxa! Pode me tratar normalmente, se é o que está se perguntando. — Riu.

A conversa seguiu normalmente, embora Máscara da Morte estivesse um tanto quieto demais. Talvez fosse um hétero metido a melhor do mundo, mas Afrodite não estava nem aí. Comeram a sobremesa, dividiram a conta e trocaram os telefones para poderem seguir para casa.

Afrodite teve de retornar para a empresa, e pegar o carro. Estava louco para chegar em casa, não para dormir, mas para aproveitar-se da companhia de Milo e Shura, assistirem um filme qualquer, e jogarem vídeo-game. Só não contava com o engarrafamento.

Não era longe, mas tantos carros parados fizeram a viagem durar muito mais que o de costume.

─ Senhor... Dá pra piorar? — Perguntou aos céus.

Logo após, foi testemunha ocular de uma batida entre um carro que procurava dar a ré e ir para outro lugar, e um outro carro que estava logo atrás. Agora sim, demoraria ainda mais.

Saíram dos carros, discutiram por um longo tempo, chamaram a polícia, e nada do trânsito fluir. No carro, Afrodite apenas aumentava o volume do rádio, pelo menos isso funcionava.

─ Mas e se aconteceu alguma coisa?

─ Nossa, você não é mãe dele, Shurinha querido. — Riu com deboche ─ Relaxa que notícia ruim chega rápido.

─ Que notícia ruim? — Afrodite surgiu na porta, carregando a maleta no braço direito.

─ Dite! Estávamos preocupados. Por onde andou? — Shura foi até o amigo, abraçando-o. Ajudou-o a guardar a maleta, e sentou-se no sofá com ele e Milo.

─ Bom, fiquei preso no elevador com o meu cliente. — Afirmou, fazendo os outros dois se entreolharem. ─ Mas acabou tudo bem. Jantamos e falamos sobre o caso, e voltei para casa..

─ Mas jantaram a essa hora? — Milo era curioso.

─ Não. Fiquei preso no engarrafamento. Já tava foda, aí os caras bateram... — Suspirou.

─ Ah sim, sempre dá pra piorar. — Milo riu. ─ Estávamos te esperando até agora.

─ Que meigos. — Debochou. ─ Que tal escolherem um filme e fazerem pipoca enquanto eu tomo um banho? — Levantou-se.

─ Sim! Eu faço a pipoca. — Disse Shura, correndo para a cozinha.

─ E eu escolho o filme! — Levantou-se Milo, indo até o quarto de empregada, onde ficava a "sala de cinema" do apartamento de Afrodite.

Nunca viu tantos filmes juntos, prateleiras cobertas de filmes originais, dos épicos aos mais insignificantes.

E a noite terminou boa, três amigos inseparáveis vendo um filme de terror pela quinta vez no mês — Milo só sabe escolher o mesmo filme.

Shura era todo abobalhado pensando na menina do supermercado, Milo só tinha pensamentos para o tal advogado do trem, e Afrodite só pensava no que Shion havia feito esses dias para ficar tão safadinho — Sim, Afrodite nem se quer pensava em Máscara da Morte.

Eram só negócios, afinal.

Notas finais
E aí? Mereço reviews!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.