Coletânea
7 Young Phantom Liar
Existia uma jovem menina, quieta e solitária, deixada de lado pelos colegas, vista somente como um simples fantasma vagante. Lembrada somente para ser atormentada ou para que pedissem algo emprestado...Algo que nunca devolveriam.
Pobre menina...Tão gentil, mas tão triste e sozinha. Pobre daquela cuja presença é tão insignificante quando a de uma mosca no meio da multidão.
Mesmo assim, não ligava para isso...Não mais, pelo menos. Se deveria sofrer, seria por dentro para que nunca tivessem o gostinho de vê-la chorar e gritar. Quebrar...
Sorria para tudo...Sempre sorria gentilmente ao ser usada pelos outros.
Ria da desgraça...Sempre ria com diversão quando lhe ofendiam.
Chorava por ajuda...Sua alma sempre chorava alto, implorando por descanso e salvação.
Era uma perfeita atriz. Uma ilusionista de primeira categoria. Ninguém poderia ver seu sofrimento por trás da máscara alegre. Mesmo quando ela rachara ao sentir amor por alguém que lhe humilhou depois. Ninguém veria por trás de seus sorrisos mentirosos...
Ninguém veria por trás de suas palavras enganosas...
Sofria sozinha, sentia sozinha toda dor, culpas e tristezas. Carregava um mundo de sofrimento nas costas. O stress lhe corroía a cada dia. Seu mundo queria desabar, mas sua racionalidade ainda lhe mantinha. Ainda estava lá para lhe salvar de um futuro assustador e incerto. Mas...
Por quanto tempo mais ela aguentaria?
A jovem fantasma não desejava amigos falsos, estava bem sozinha em seu mundo de mentiras. Antes soubesse que isso lhe enlouqueceria...
Antes soubesse...!
Sua mente criativa lhe presenteou com os mais variados amigos "imaginários". Amigos que lhe confortavam quando estava longe da preciosa família que tinha.
Famílias chorarão e sofrerão pelos erros dela...
O ano foi passando e, logo, já estava acabando. O stress nas costas da garota foi se acumulando junto ao acréscimo do tempo em que passava sozinha, somente com seus pensamentos, e isso estava lhe enlouquecendo. Destruindo sua mente de forma lenta. Recriando seu temperamento para pior. E...
Estava lhe deixando apática.
Ela estava ficando cada dia mais agressiva e agia de modo estranho em boa parte das vezes. Não sentia mais empatia pelas pessoas, estava mais distante.
E todos, finalmente notaram isso
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Tarde demais para impedir!
— Filha...- certo dia, sua mãe lhe chamara no tom calmo e sereno que possuía na maior parte das vezes.- O que está acontecendo? Você anda tão estranha...
— Eu estou bem, mamãe...- sorriu, aquele sorriso falsamente alegre. Uma alegria vazia para um coração que estava deixando de sentir.- Só ando meio cansada mesmo...- um clamor de uma alma por socorro que jamais seria percebido em meio às palavras ilusoriamente positivas.- As aulas estão muito puxadas, sabe?- outra mentira não notada.
— Tem certeza, querida?- mesmo com suas palavras, a mãe daquela menina ainda se preocupava com a filha e isso deixava-a verdadeiramente feliz...Mesmo que só por um mísero segundo.
— Tenho, mamãe.- sorriu novamente, beijando-lhe a bochecha e saindo, com a mentira de que tinha muita lição de casa para fazer.
E mais tempo passou...Um novo ano se iniciou. E tudo piorava gradativamente até que...
Parou.
Os pesadelos com as mortes de várias pessoas continuaram, mas, seus momentos homicidas pararam.
As provocações, por outro lado, intensificaram-se após descobrirem que ela falava sozinha.
Mesmo assim, sorria, pensando que as coisas não poderiam piorar mais ainda...
Oh! Pobre menina ingênua! As coisas não são como você planejou...! A roda do Destino já está girando e a sua teia acabando.
E seus sonhos...Suas esperanças...Seu futuro. Planejado tão meticulosamente. Tudo ruiu e desmoronou bem diante de seus olhos sem que ela tivesse a chance de impedir.
No dia de seu aniversário, 19 de Novembro, a menina precisara ir para a escola para resolver alguns assuntos pedentes com a diretoria.
Mal sabia ela, que eles estavam lá...
— Hey, cadelinha!- um garoto, aquele que uma vez ela amou, chamou quando ela subiu para o primeiro andar do colégio, jogando algum líquido gosmento em seu cabelo.- Já conversou com seus "amiguinhos imaginários" hoje?- zombou, fazendo com que todos os outros rissem.
— ...- seu silêncio fora a única coisa que recebera e, pensando que não valia a pena, ela virara para sair de lá o quanto antes. Fora uma tentativa frustrada, pois, logo, todos formaram um círculo e em volta de si.
— A aberração já vai embora?- outro garoto falou, rindo ainda mais com seus amigos.
— Saiam da minha frente...- sua voz saiu fria, afiada como uma navalha. Seu olhar era macabro por baixo da franja.
Enquanto ouvia-os rir novamente, um sentimento quente e borbulhante surgiu na boca de seu estômago, crescendo de forma desenfreada. A vontade de matar voltara...Seu ódio estava borbulhando e quase nublando sua racionalidade.
Estava por um triz...
Sua sanidade estava sumindo.
— Nada de sair agora, cadelinha louca...- outro garoto da roda sorrira, segurando seu pescoço e apertando-o.- Nós ainda queremos nos divertir...
Com tal resposta, ela explodira em uma gargalhada macabra, arregalando seus olhos enquanto olhava para todos que pareciam surpresos e confusos agora.
— Creio que serei eu...- começou, após se recuperar, olhando bem no fundo dos olhos daquele que um dia amou.- Que irei me divertir.- finalizou, sorrindo torto até que...Ela avançara no pescoço do garoto que lhe segurava, esmagando sua traqueia com os dentes. O corpo caíra com um estampido, sangue jorrando de sua traqueia mutilada.- Quem é o próximo?- perguntara, sorrindo enquanto lambia o sangue escorrendo de seus lábios e observava os garotos, paralisados pelo medo do que presenciavam.
E, em questão de minutos, os corredores brancos do colégio se tingiram de vermelho. Quem pensava que ela somente matou o grupo estava enganado...
Ela matou todos que viu pelo caminho...
Uma chacina...Feita por alguém que ria quando os corpos caíam no chão e sorria enquanto matava.
E o silêncio esmagador que o local ficara, fora interrompido pela gargalhada da garota que, logo, fora substituída por um choro agonizante.
O choro de uma alma destruída...
Quando a polícia chegou ao local, a primeira coisa que viram fora ela. Toda ensanguentada, sangue pingando de sua boca, a cabeça baixa, escorada à parede, sorrindo enquanto conversava baixo com ninguém...
Ela não lutara...Deixara-se ser levada para onde quer que fosse.
Um futuro tão promissor...Destruído pela dor. Uma família tão feliz...Arrasada pela inconsequência e injustiça. Vidas perdidas por jamais terem escutado o clamor de um coração destruído.
Jovem Fantasma Mentiroso, onde se encontra agora? Presa à uma camisa de força e acorrentada à uma cama, num quarto vazio e escuro pela eternidade? Rindo pelas mortes que provocou e chorando pela dor que causou aos outros?
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Ria mais um pouco. Chore mais um pouco...Logo estarão livres para sempre, Fantasma Mentiroso.
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