Colegas
24 Capítulo 24
Notas iniciais
PSM: Tori
Pela manhã Cat acordou pisoteando em mim e eu acabei acordando todas com o meu grito de dor, tomamos café e esperamos o pai de Miley chegar para ajudá-la com as malas no carro.
–Voltarei em breve para perturbar vocês! – disse ela nos abraçando, tinha algo de errado naquele abraço, mas tentei ignorar.
–Não demora! –disse a ela. E Miley só sorriu e me abraçou com mais força.
–Bom, que tal a gente ir ver um filminho? –disse logo após que Miley se foi.
Não sabemos como, mas naquele dia ninguém falou muito.
PSM: Carly
–Freddie! Atende a porta, eu não to pronta! – gritei para o corredor.
Hoje era dia 24 e o Natal era muito tradicional aqui em casa, meu pai ia trazer alguns amigos militares para comemorar conosco, e minha mão ia trazer as senhoras Wilson, são senhoras nobres e antigas em Nashville que foram esquecidas pelos filhos e outros familiares, Sam ia vir para cá para passar com Freddie e comigo, e Griffin também viria para não passar só no trailer. Logo eu ouvi as risadas de tio Walter e me apressei ao máximo para descer.
–Tio Walter! – disse abraçando com força.
–Feliz natal, Carls!
Tio Walter era o melhor amigo de papai desde quando entraram juntos na academia da marinha, ele era meu padrinho. Então eu escuto barulho de salto atrás de nós e vejo mamãe com um lindo vestido longo vermelho acompanhada por duas senhoras mais enfeitadas que a nossa árvore de Natal.
–Por aqui senhoras Wilson. Fiquem à vontade! –disse ela como uma guia turística. – Walter! – disse mamãe feliz ao rever o grande amigo da família, tio Walter faz uma reverencia e beija delicadamente as mãos de mamãe que sorri, pois ele sempre faz isso. Acho que foi por alguma coisa que aconteceu na juventude dos três pois papai sempre ri muito com isso. Logo Sam chegou coberta de neve, mas ela não se importava muito com isso, pulou para dentro de casa e gritou um feliz Natal que somente ela saberia fazer. Freddie a ajudou tirar o casaco pesado de cima dela e deu um abraço apertado em Sam, logo em seguida a loira vem até mim e me deu um abraço igualmente apertado. Minha mãe só se limitou a um “Oi Sam” e saiu bufando, ela ainda não se acostumou com a ideia da Puckett namorando um Benson, mas ao contrario dela o meu pai amava Sam. Ela lembrava muito ele quando jovem e eles tinham muito em comum, ele adorava conversar com ela, deve ser porque eu, mamãe e Freddie não somos tão aventureiros quanto ele.
Griffin não tardou em chegar, ele já era de casa então não precisava de cerimônias, mas o meu pai as vezes o olhava de rabo de olho quando estava comigo, mesmo ele confiando em Griffin, meu pai sabe das aventuras dele com Freddie e com meninas do acampamento. Logo chegou mais dois amigos de papai e minha mãe anunciou a ceia que sempre era farta.
Depois de umas duas horas comendo, rindo, cantando, relembrando, eu, Sam, Freddie e Griffin nos retiramos, pois agora iríamos para a segunda parte do nosso Natal.
PSM: Cat
–Esta maravilhoso o pernil senhora Valentine. – elogiou Logan de forma tímida e fofinha.
–Muito obrigada, Logan, você é um amor.
Logan veio passar a ceia comigo e minha avó. Sempre passamos sozinhas. Ela fazia um pernil pequeno simples e guloseimas e após ela ouvia a missa as dez numa radio dela,e então, ela dormia. E eu geralmente ia para casa de Carly. Mas hoje eu estava feliz de Logan estar aqui, e ficava mais grata pois ele poderia estar com a família dele ou em um lugar com mais som.
–Tem certeza que estará tudo bem? – perguntei novamente enquanto ajudo minha avó a se deitar.
–Estará sim, meu anjo. Saia com seus amigos e com seu namorado. Aproveite que é nova ainda. Estarei aqui, ouvindo minha prece e logo irei dormir.
–Então esta bem. –disse terminando de ajeitar sua coberta e acendendo a outra luminária.
–Querida, deixei um presente para você em cima de sua cama. Abra-o antes de ir.
–Tudo bem, vovó. Feliz Natal.
–Feliz Natal, querida.
Então caminhei até meu quarto e Logan estava lá, ele sempre para e vê as fotos do meu mural.
–Ela esta bem? – ele me perguntou.
–Esta sim, ela não aguenta mais ficar acordada até tarde. – digo dando um sorriso para o embrulho rosa em cima da cama.
–Estava aqui quando chegou. Vai abrir?
–Ela pediu. – expliquei já tirando com carinho a fita amarelada que prendia o presente. E lá estava um colar. E dentro do pingente em forma de coração havia uma foto de uma mulher de traços lindos e os cabelos longos e castanhos. Eu deixei escapar uma lágrima ao vê-la. E Logan se aproximou vendo minha reação.
–É a minha mãe. – expliquei. Mais outra lagrima saia, e mais outra. Mas eu não estava triste, só... emocionada. Nunca tinha visto uma foto dela, todas foram queimadas no incêndio. Só tinha um desenho, o melhor que minha vó conseguiu fazer para mostrar como éramos parecidas e eu a reconheci porque me vi nela. Apertei com força o pingente e Logan sorriu estendendo as mãos e me fazendo virar para que ele prendesse o colar em mim.
–Ela é tão bonita quanto você. – disse ele beijando meus cabelos. Sorri, como se um ânimo brotasse do nada em mim. Virei e lhe dei um selinho.
–Vamos? Quero aproveitar o melhor Natal da minha vida!
PSM: Tori
–Você precisa ir? – disse minha mãe.
–Mãe! Eu quero ir!
–Maria, pare de pegar no pé da menina! Ela mal sai de casa, e agora que esta saindo quer impedi-la? Logan nem na ceia em casa passou!
–Mas ele é homem! – Maria contrapôs.
–Deixe de ser machista! Logan estará lá e todos os amigos dela também! É momento de comemorar com quem amamos... Querida, vá e aproveite, ok? – disse meu pai sorridente.
O abracei com força, como agradecimento. Minha mãe voltou a comer sem falar nada, mas mesmo assim a agradeci. Peguei meu casaco e meu embrulho de presente e fui em direção a neve. Liam estava em frente a casa e ao ver sua picape um grande calor percorreu meu corpo. Assim que entrei ele me abraçou com força.
–Feliz Natal, magrela!
–Feliz Natal!
–Vamos?
–Vamos! Estou super ansiosa para o melhor natal da minha vida! –disse quase gritando de excitação.
PSM: Geral
Se você fosse um morador perdido de Nashville e passasse em frente a rua do Dr. Bartolomeu, veria uma cafeteria estranhamente aberta na véspera de Natal e não só isso, mas também alegre e todo enfeitada para o evento. E se você se aproximasse iria ver que estava cheio de jovens sorridentes e felizes.
A última pessoa a chegar foi Miley, cheia de malas e casacos. No momento Freddie estava engolindo Sam e Griffin fazia o mesmo com Carly. André, Alex e Cat cantavam juntos uma música e o resto conversava paralelamente. A primeira a abraçar Miley foi Tori. Sam que ao longe tem reparado muito em Miley viu que sua expressão não foi feliz e sim de dor. Depois todos foram lhe desejar feliz natal e perguntar como foi a visita a sua mãe.
–Hey! Ela acabou de chegar! Deem um tempo para ela respirar! – Miley sorriu grata para Beck e levantou um embrulho.
–Vamos começar o amigo oculto! Quero entregar o meu logo.
Agora, se eu fosse detalhar exatamente o que aconteceu, demoraria muito, então, prometo ser breve.
Beck começou e ele deu a Freddie um telescópio que tanto queria, Freddie deu a Cat um unicórnio roxo, Cat deu a Griffin uma jaqueta de couro nova, Griffin deu a Sam um vale presente de cem pratas no restaurante Zapps, Sam deu a André uma flauta doce para a sua coleção, André deu a Miley um CD do Pink Floyd, Miley deu a Liam um maço de cigarro importado (cujo a caixa é de madeira), Liam deu a Alex um gorro com o rosto de um panda, Alex deu a Tori uma saia xadrez, Tori deu a Carly um livro das cem mulheres mais influentes do mundo e por fim, Carly deu a Logan uma bola de basquete.
Após a troca de presentes todos sentaram em círculo e pareciam que eram jovens eternamente. Beck cantando e tocando musicas natalinas e os outros comendo biscoitos de gengibre e bebendo bebidas quentes. Todos estavam contentes, exceto um.
PSM: Miley
Em um determinado momento da festa, onde as pessoas estavam cantantes e tagarelas. Onde não havia resquícios de tristeza, e nesse momento, onde ninguém notaria minha presença, eu sai.
Não que eu estivesse fraquejando, na verdade, bem, acho que eu estava. Fiquei feliz quando sai pelos fundos e me deparei com um lugar vazio, escuro e extremamente frio, era assim que eu estava, era como se eu estivesse entrado nos meus próprios sentimentos. Não queria que ninguém soubesse, muito menos Tori. Só de lembrar nela eu comecei a chorar, um choro de fracasso. Eu fracassei com ela, e espero que ela me perdoe mais um vez. Quando reparei, eu já estava sentada ao chão frio. Os carros dos meninos tampavam a visão de qualquer pessoa que passasse na rua, mesmo porque, não tem ninguém na rua uma hora dessas. Meu rosto estava todo manchado de lágrimas e elas não cessavam, quanto mais eu tinha certeza de que ninguém podia me ouvir, mais eu chorava alto, mais eu olhava para o céu e via os flocos caindo e pedia, pedia proteção Àquele.
Mais lágrimas, mais soluços, eu tinha medo de escuro, e chorava mais ainda por isso.
–Miley? – ouvi uma voz preocupada. E não me importei de esconder as lágrimas. Eu confiava nele. – Miley, o que foi? – Freddie literalmente se jogou no chão e olhou meu rosto manchado e com expressão de dor, aquela cara de uma pessoa quando sai de um enterro, provavelmente. Ele tinha um casaco em mãos, e acho que é isso que veio fazer aqui fora, pegar um casaco, e agora ele jogava o casaco sobre mim e deitava minha cabeça em seu ombro.
Uma das coisas que mais adoro em Freddie era como ele sabia exatamente o que cada pessoa precisava. Qualquer um ia me encher de perguntas, ia me fazer entrar para sair do frio, mas ele sabia que se eu estava aqui, era porque eu queria. Então eu chorava, chorava de urrar, e quando eu fazia isso ele me apertava mais em seu peito. Ouvia seu coração bater e estava um pouco acelerado, talvez por ter me visto desse estado, ou talvez porque Freddie é muito esperto.
Não sei quanto tempo se passou, talvez cinco minutos, talvez meia hora. Quem sabe? Mas ele permaneceu ali, afagando meus cabelos, me cobrindo o máximo que pode com seu casaco e me acalmando, e aos poucos eu parei de chorar, e finalmente a realidade voltou aceita para mim. Eu só tinha uma única coisa que eu precisava fazer, e que prolonguei esse tempo criando coragem, e a minha oportunidade estava ao meu lado, me aquecendo.
–Freddie? – minha voz parecia de criança chamando o pai num dia de chuva com trovões.
–Sim? – sua voz era meiga e reconfortante. Então me ajeitei e levantei de seu ombro o fitando nos olhos. Sua feição era tranquila.
–Quero que você me faça um favor. Dê-me esse presente de Natal, por favor. – disse suplicante. Ele sorriu compreensivo, então prossegui. – Quero que fique com essa carta. – mexi no bolso dentro de meu próprio casaco e achei uma carta amassada e o entreguei, tinha prendido a respiração sem perceber e minhas mãos estavam duram de tanto frio.
–O que é isso? –ele me perguntou olhando a carta entre os dedos.
–Você não poderá lê-la, não agora. Prometa que ficará com isso bem guardado e não contará a ninguém, nem a Carly ou Sam. Promete? – disse com urgência.
–Eu prometo. – então sorri, depois de todo aquele choro, sorrir pode doer.
–Quando chegar ao momento certo eu quero que entregue essa carta a Tori, porque não estarei aqui para fazê-lo. – disse com a voz firme e forte, o que me surpreendeu. Ele olhou para carta pensativo e me encarou, ficou olhando em meus olhos um certo tempo e eu me perguntei porque ele estava fazendo isso.
–E qual seria o momento certo? – ele disse hesitante.
–Você vai saber.
E então ficamos em silêncio. Um silencio tranquilo, tudo o que eu podia fazer, o fiz, e estava com a consciência melhor.
–Miley. – ele disse depois que guardou a carta. – Conte comigo sempre, ok? Até o fim. – e então me abraçou.
Naquela noite de Natal eu percebi o quanto o Freddie era esperto, e o quanto eu gostava e confiava nele e nunca havia percebido.
Continua...
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