Colegas
25 Capítulo 25
Notas iniciais
PSM: Alex
–Anda Sam! – gritei pela loira que não saia do banheiro de jeito nenhum.
–Já vou! – ela gritou já irritada.
–Cadê ela? – Miley entrou impaciente em seu quarto.
–No banheiro. Ela acha que vai pra uma festa. – expliquei.
–Sam, saia daí antes que eu arrombe a porta. – mas, Miley não precisaria, pois Sam abre a porta com força, mostrando visível raiva.
–Cinco minutos. Eu entrei nesse banheiro cinco minutos atrás. – disse ela andando nua pelo quarto enquanto penteia os cabelos.
–Foi mal! – Pedi desculpas enquanto Sam me fuzilava com os olhos. — a água estava quentinha.
–Vai, ficar resmungando não vai adiantar. Uma atrasou e a outra pagou. Estamos atrasadas. Nem Carly demorou tanto assim! – disse Miley jogando o sutiã à Sam.
Assim que Sam se vestiu descemos para a sala das Puckett’s, que por sinal estava com as meninas.
–Até que enfim. – disse Cat. – André esta agoniado lá fora.
Depois do Natal, numa tarde na casa dos Benson's, o pai de Freddie acabara comentando da casa de campo que eles tinham e que lá estava há muito tempo fechada. Na verdade, pai do Freddie queria que ele tivesse as mesmas aventuras que o próprio tivera em sua juventude, eu não sei se é isso, mas ele incentivou muito para que fossemos para lá. E então, numa manhã de sábado, cá está nós, nos preparando para uma viagem ao interior.
Quando saímos da casa para terminar de colocar nossas malas no micro-ônibus da família de Freddie, vi os meninos reunidos e tendo um debate sério.
–O que foi, amor? – disse Sam abraçando Freddie, ele sorri.
–Nada, só estamos rotulando quem vai ir dirigindo para não ficar cansativo e falando das rotas.
–Já falei! – disse Griffin. – Vamos pela rota 17, a 22 vai estar lotada de turistas devido as cataratas.
–Mas nesse frio? – questionou Beck.
–Ele tem razão. – disse Freddie pensativo. – Vamos pela 17. Não vamos ter problemas com a neve, lá o inverno acaba primeiro que aqui. – disse ele dando um tapinha no ônibus. – Vamos?
E todos concordaram entusiasmados. Quem começou a dirigir foi Beck, quando se aproximasse a noite Griffin (que já havia ido algumas vezes para lá com a família Benson) iria dirigir, Liam ia intercalar com ele de madrugada e pela manhã seria Freddie pois só ele lembrava o trajeto até a casa de campo. Ajeitei minhas malas numa das cadeiras no meio e utilizo os dois bancos já que tinha espaço para todos e iríamos dormir no ônibus. Justin não pôde vir, estava estudando para uma prova que faria para entrar numa empresa que queria muito e então era a hora certa para me re enturmar mais com as meninas.
–Carly como é lá? – Cat pergunta ansiosa, ela nunca fora devido sua avó, mas a mesma havia ido visitar o irmão e passaria a semana inteira lá.
–É simplesinho, mas dá para todos nós ficarmos. – ela deu de ombros. Sam arqueou uma das sobrancelhas.
–Freddie, como é a casa? –disse ela um pouco suspeita.
–É bacaninha! – ele também deu de ombros. – Acho que dá para todos!
Freddie, Liam e André ficaram num outro canto contando piadas que eu não entendia nada. Mas depois de um tempo Sam foi ficar com Freddie, Carly com Griffin, Tori com Liam e Miley foi fazer companhia para Beck. Eu me sentei com André e percebi que converso diretamente com ele pela primeira vez, só nós dois. E ele é incrível!
PSM: Tori
–Um adjetivo com G. – ele sussurra para mim.
–Grosso. – digo. – E eu?
–Gulosa. – ele diz e me faz cosquinhas.
Já se passou umas quatro horas de viagem e todos já diminuíram aquele ânimo inicial, estava anoitecendo e eu e Liam nos acolhemos num canto para conversar. Vi Sam e Freddie sentados uns bancos a nossa frente e eles pareciam tãi íntimos e felizes. O resto jogava conversa fora nos primeiros bancos falando das coisas que podem fazer quando chegar.
Estava muito frio e mesmo com o aquecedor, usar casacos e compartilhar calor humano era a melhor solução. As janelas estavam completamente negras e embaçadas. Logo Beck trocou de lugar com Griffin.
–Hey. — sussurro mais baixo ainda quando vejo Beck e Miley no canto lá no final do ônibus. Liam também olha e sorri tristonho.
–Ela sempre foi apaixonada por ele... – ele comenta.
–Acho que agora que estão se conhecendo, pode rolar algo.
–Espero, ela ia ficar tão feliz. — disse ele olhando a janela. Parecia triste.
–Liam, posso te fazer uma pergunta? — ele acentiu. — Você já gostou da Miley? — ele ficou quieto refletindo e depois sorriu olhando a janela.
–Sim, na verdade, quando fui adotado pela Sarah e troquei de escola a primeira pessoa que conheci foi ela. Ela usava um bótão do Mário Bross e foi assim que começamos a jogar e quando vimos, éramos os melhores amigos. Foi nesse período que vocês duas não se falavam. Ela era a garota para mim, um tipo de imperfeita perfeição. Eu tinha medo de falar com menina e ela me ensinava. Ela era a cobaia e depois de um tempo, toda vez que ela fazia uma voz provocante e perguntava qual era o meu nome eu comecei a sentir algo por ela. Já tive muita mulher para esquecê-la, ela foi para mim um tipo de deusa inalcançável.
–Ela ainda tem aquela lista?
–De sexo? Tem. E está quase chegando.
–Cinquenta é um número grande.
–Só falta um. — disse ele olhando para ela e Beck.
–Vocês já...
–Uma vez.
–Ah... — disse sem graça. Tentava imaginar eles dois dessa forma. Por mais que fôssemos sem vergonha um com o outro, era difícil imaginar eles desse jeito. — Ela nunca me contou porque tanto desejo nessa lista?
–A mãe dela. — disse ele com um pouco de raiva. — antes de ela abandonar Miley e o pai, disse que Miley era uma menininha sem sal e que nenhum homem iria querê-la como os homens queriam sua mãe. Ela só tinha doze anos na época, mas ficou com isso na cabeça. Nunca vou esquecer o primeiro dela. — ele riu. — eu que ia buscá-la. Ela estava determinada, mas nervosa e insegura. — ele olhava para o chão relembrando e não falei mais nada.
O ônibus esta um silencio, Cat dormia agarrada com Carly, já que Griffin dirigia. Sam acabou dormindo no colo de Freddie, que lia um livro tranquilamente só com a sua luzinha de leitura. André também dormiu com seus fones de ouvido e Beck ajeitava uma coberta em cima de Miley e contava coisas que aparentemente lhe deixava tranquila como um bebê, eu sorri com a cena.
Quando eu acordei o sol já havia nascido, sabia pois as janelas não estavam tão embaçadas quanto antes e a claridade inundava o ônibus timidamente. Liam não estava do meu lado, pois estava dirigindo, foi quando vi Griffin dormindo enquanto Carly lhe fazia caricias. Freddie e Sam dormiam, todos dormiam na verdade. Fui até Liam que estava concentrado na estrada.
–Estamos chegando. – diz ele. Percebo que o chão não está como ontem, cheio de neve atrapalhando a velocidade do veículo, mas sim com poucos flocos caindo na estrada. Quase não havia neve ali, e o que tinha voava nas laterais quando o pneu passava por cima. Dava para ficar sem vários casacos agora.
–Como está indo? – perguntou um Freddie sonolento. Ele usava calças de moletom e um casaco fino de listras pretas, estava fofinho assim.
–Ta tudo tranquilo. Assumi o lugar de Griffin as quatro horas da manhã. – disse ele como se falasse com um general. Freddie também reparou, pois riu.
–Tudo bem. Como previsto a neve ta passando, então estamos chegando. – Freddie ficou esperando ver alguma coisa a nossa frente e logo quando apareceu uma montanha ele sorriu satisfeito. – Daqui a meia hora vamos chegar num recanto para tomarmos café. – ele se espreguiçou de novo e chamou Carly, que ainda fazia carinho em Griffin.
–Oi? – disse ela falando baixinho.
–Acorde as meninas, vamos chegar no seu Zé Mario. – disse ele dando um tapa no André que levou um grande susto. – Se arruma, vamos fazer uma parada.
Logo as pessoas foram acordando. Sam foi a ultima, até Carly tinha medo de acordá-la. Mas Freddie com jeitinho conseguiu. Liam acordou Miley de uma forma bem engraçada. Ele fazia cócegas em seus pés.
–É a única forma de acordá-la sem ela ficar de mau- humor. – diz ele.
E Freddie tinha razão, em meia hora cravada surgiu uma parada no acostamento. O lugar era todo de madeira e parecia uma grande casa de bonecas. Assim que Liam estacionou foi bom esticar as pernas e sentir um ar não tão gelado.
–Freddie! – cumprimentou um senhor magrelo com o nariz pontudo.
–Zé Mario! Quanto tempo! – Freddie o abraçou como se visse um velho amigo. – Zé, esses são meus amigos e essa – disse ele pegando nas mãos de Sam, que pela primeira vez parecia sem jeito. – É minha namorada, Sam Puckett.
–Grande honra senhorita! Grande honra! – disse ele lhes beijando a mão, Sam riu sem graça.
Não tinha mais de três ou quatro pessoas no lugar, vendo alguns biscoitos caseiros para levar na viagem ou na sessão de livros e revistas. Sentamos numa grande mesa e Freddie e Carly começaram a pedir por todos. O homem magrelo e velho trouxe vários pães e vários tipos de queijo, fora uns três sucos, dois doces com açúcar e um meio azedo, mas que era delicioso. Comemos tranquilos e animados, logo cada um levantou para conhecer o parador melhor. Carly e eu fomos para a sessão de livros. Ela pegou um romance e eu uma revista de fofoca. Sam ficou à mesa com Freddie e com o tal de Zé Mario, eles se entenderam bem pois os dois sabiam tudo de pães.
Liam ficou olhando a parte de tabacaria, mas só deixei ele comprar um cigarro, ele vem parando de fumar gradativamente e eu fico feliz. Miley, Cat e André ficaram vendo alguns discos de vinil e Beck e Griffin estavam comprando petiscos para o final da viagem.
Depois de uma hora e meia lá, tomamos coragem e voltamos para o micro-ônibus. Aquela energia inicial voltou.
Freddie tomou a frente do ônibus e ele foi conversando com Carly. Nós ficamos ao fundo enquanto contávamos piadas, o tempo parecia voar agora.
–Já vamos chegar! – anunciou Freddie.
Sem a neve nos atrapalhando a viagem foi bem mais curta agora, todos começaram a arrumar suas malas e a se ajeitarem.
–O que é isso? – disse Miley indo perto de Freddie e Carly.
Quando Freddie foi diminuindo a velocidade nos deparamos com um portão de ferro acobreado do século passado. E dentro desse portão que é mais caro que a minha vida víamos uma baita casa de três andarem pintada toda em branco.
–Amor, você disse que era um casebre! – comentou Sam com a mesma expressão de Miley.
–Pra mim é! – disse ele rindo.
Os portões se abriram sozinhos e o ônibus caminhava devagar entre as árvores já florescendo. Juro que vi um chafariz ao canto. Quando nos aproximamos mais da casa percebi que ela era bem colonial, devia ter pertencido aos avôs de Freddie. Quando paramos e descemos tinha três pessoas a nos recepcionar. Um senhor alto, com o físico muito bom para a idade e com um terno elegante e puído. Ao lado uma mulher na faixa dos quarenta que era rechonchuda e tinha as bochechas e nariz avermelhados e ao lado dela um menino com o rosto bem travesso.
–Alfred! – disse Carly com a voz mais elegante do que o comum.
–Senhorita Benson. – disse ele lhes beijando a mão com formalidade.
–Caro Alfred! – disse Freddie o abraçando. O homem fez uma cara engraçada como se fosse errado e Freddie ria porque sabia que para ele era.
–Senhor Benson. Seu pai nos avisou de sua visita e que traria amigos. Reservamos alguns dos melhores quartos. Seu pai deu permissão para que a madame. – ele inclinou um pouco as mãos com uma luva branca em direção a Sam, que estava ao seu lado. – Para que ela ficasse em seu aposento.
–Ah, claro! – Freddie parecia estar se divertindo com a situação. – Hey, Judy! – diz Freddie para a gorducha que o abraçou como uma mãe que vê o filho depois de anos.
–Meu pequeno Freddie! Como está um homem! Está lindo, lindo! – Sam riu e tentava esconder tossindo. – E essa menina? É sua namorada? – disse ela olhando para Sam como se ela fosse de comer com aqueles olhos azuis esbugalhados.
–É sim. Judy essa é minha namorada Sam. – Antes que Sam tente falar “prazer”, a gorda Judy a aperta em seus gordos braços.
–Que linda! Muito linda! Mas é claro que meu Freddie ia namorar uma menina linda assim!
–Judy! – repreendeu o mordomo sem nem mudar a expressão fácil.
–Oh! Desculpe. Minha Carly! – dessa vez ela se controlou ao abraçar Carly.
O menino se chamava Jess, e ele tinha somente 11 anos. Tinha as mesmas bochechas rosadas e eu me perguntava como uma mulher assim poderia ter transado uma vez na vida para ter o menino.
PSM: Cat
A casa era linda. Todas as paredes eram brancas, mas não aquele branco, era um branco um pouco sujo, não que estivesse sujo, mas era um branco amarelado ou um bege bem claro, enfim. Os móveis davam contrastes com as paredes claras e mortas. Tudo era de uma madeira escura com um cheiro de floresta, devia ser pinho, muito antiga também. A sala era imensa e tinha um sofá de couro com quase três metros em curvatura na sala. De frente para o sofá posicionava uma TV do século passado, era toda de madeira. Minha avó tem uma, mas era só de enfeite. Essa parece funcionar, uma belezura dessas à venda deve custar quase dez mil. Na mesma parede da TV tinha uma grande espingarda quase no teto da sala e duas cabeças de urso, uma de cada lado da espingarda. Do outro lado da sala tinha uma escada em espiral também em madeira e que levava ao andar superior.
–Bom, que tal vocês se ajeitarem em seus quartos, tomam um banho porque em breve sairá o almoço.
Todos nós ficamos ansiosos para pegar o melhor quarto. Eu ia ficar com Carly porque estava com medo de dormir sozinha. Sam e Freddie pegaram o ultimo quarto e Alex e Miley do nosso lado, Liam, Griffin, André e Beck foram para os da porta a nossa frente.
O quarto de Carly era fofo, assim como o seu de Nashville, mas as paredes ainda são brancas amareladas, a cama era de solteiro e tinha um edredom amarelo com bordado e vários bichos de pelúcia em cima da mesma. Uma grande janela que tinha uma vista linda da entrada, Judy improvisou uma cama para mim e estava ótima também. Carly me mostrou seu banheiro e era pequeno e confortável. Fui tomar banho enquanto ela arrumava nossas coisas no seu guarda roupa.
–É tão estranho estar aqui... depois de tanto tempo! – disse ela passando a mão na sua cama. – A ultima vez que eu vim aqui eu tinha uns doze anos.
Quando Carly saiu do banheiro começamos ouvir os meninos fazendo algazarra no corredor e descemos. A cozinha ao contrário do resto da casa era muito moderna, tinha de piso branco e tudo do mais tecnológico. Judy terminava de mexer uma panela que estava com um cheiro delicioso.
–Vão para a mesa lá fora crianças! Já esta quase pronta! – disse ela concentrada. Caminhamos até a porta dos fundos e Tori e Miley já estavam a mesa. Era uma varanda muito bonita e bem espaçosa, não estava tão frio ali pois era fechada por portas de vidro. A mesa era grande e tinha uns dezoito lugares. Nos acomodamos a mesa enquanto Freddie falava das coisas que ele e Carly gostavam de fazer ali. Descobri que aqui tem uma campina para cavalgar e no final dos rochedos há um riacho que a água é bem quentinha devido a uma fabrica de carvão que jogava sempre água fervente no rio e que o riacho é uma maravilha para nadar.
–Que cheiro delicioso! – disse André quase descobrindo as coisas que já estavam em cima da mesa.
–Judy é uma cozinheira de mão cheia. Ela é bem exótica!
–Prontinho! – disse Judy aparecendo com uma bandeja de prata com um grande pote de frango com cauda de passas e ameixas.
Logo começamos a atacar. Tinha de tudo um pouco e coisas que eu não costumo comer junto. Os pasteis de forno de abacaxi estão deliciosos e nem preciso falar da sopa de feijão. O molho do frango de passas e ameixas está fantástico. Por fim, comi banana cozinha com canela. Nada mais entra em minha boca.
–Que delícia! – disse Sam ainda comendo mais do que aguenta.
–É melhor parar loirinha. Vai passar mal! – alertou Freddie. Por fim, ela parou.
–Eu quero cavalgar! – disse Tori empolgada.
–É melhor esperarmos um pouco! – disse Liam.
–Venham! Quero que conheçam o resto da casa. – disse Carly.
Quando eu ia me levantar para acompanhar os outros André me segurou pelo braço.
–Quem é ela? – disse ele sussurrando. Então me virei para a direção que ele olhava e vi uma linda menina. Tinha a pela acastanhada e aveludada, os cabelos negros presos numa trança. Ela veio de fininho e começou a pegar os pratos. André parecia uma criança a olhando escondido na parede.
–Vai falar com ela! – disse rindo da cara de horror dele.
–Esta louca? Não!
Então o puxei para nos juntar com os outros.
–Hey Freddie! – disse o puxando para perto de mim e André.
–Fala ruiva?
–Quem é a menina morena que pega os pratos?
–Acho que a True. – disse Freddie sorrindo para o amigo. – Ela é um encanto. Era a amiga de Carls quando ela vinha para cá.
–Mas, ela é filha de quem?
–Do leal jardineiro do vovô, só que ele já estava velho e ela era sua filha mais nova. Então, quando morreu, ela foi muito bem recebida aqui na casa, todos os empregados cuidam muito bem dela.
–Coitada... – comentei.
Começamos a caminhar na grama rala devido ao frio e vimos um lindo e grande vinhedo.
–Na verdade, a intenção dessa casa era o vinhedo. O sonho do vovô. – disse Carly. – Ele fazia os melhores vinhos que já conheci. Hoje em dia, usamos para vender as uvas e no máximo vendemos alguns vinhos de leilão para clientes antigos.
Continua...
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