Colecionista De Canções
23 Capítulo XXIII - Cartas Sobre La Mesa
Notas iniciais

Cheguei em casa e me belisquei, até agora acho que estou sonhando não consigo acreditar que tudo o que aconteceu a uma hora atrás foi real. Nagato é um homem muito diferente de todos que já conheci, ele tem algo de especial que se destaca desde seu simples jeito de falar ou olhar, até a maneira de ser ou agir, estou encantada.
Esse jantar me deixa ansiosa, nunca tive um encontro, nem sei o que vestir, na verdade nem sei se tenho o que vestir. Ainda parece algum tipo de pegadinha de mau gosto sabe, um sonho e que logo mais vou acordar e perceber que estou na minha realidade de novo.
Mamãe já estava dormindo, acho que hoje o dia foi duro, entrei no meu quarto e do meu irmão caçula e o mesmo também dormia profundamente, dei-lhe um beijo de boa noite e fui para o banheiro, nossa como precisava relaxar com um bom banho.
Para minha sorte a água ainda estava quente, geralmente sempre tenho que esquentar porque a água quente sempre acaba. Não demorei muito, preciso poupar água e luz, desci para a cozinha e vi que mamãe deixou meu jantar no forno.
Ela fez nhoque, estava um pouco frio então tive que esquentar de novo. Minha vida é bem simples, moro num apartamento de dois quartos, uma sala pequena e cozinha, mamãe trabalha como cozinheira numa pequena lanchonete, eu vendo flores à noite e meu irmão só estuda. Ele não tem idade para trabalhar e bem nós queremos que ele tenha um futuro. Meu pai foi embora quanto eu tinha 9 anos, já se passaram 16 anos e não o vimos mais, nos acostumamos com isso, e somos uma família do mesmo jeito e até melhor do que com ele.
Lavei meu prato e escovei os dentes, fui para meu quarto e deitei-me. Olhei para o pequeno aparelho celular, simples e com a telinha já arranhada, não havia mensagens, fiquei um pouco desapontada, mas não perdi a esperança. Resolvi ser ousada e mandar alguma coisa e logo adormeci, mas acho que ouvi o toque de uma mensagem chegando, não sei se foi o sono que me fez ouvir coisas só que sorri ao imaginar que ele me respondera. Talvez não seja só um sonho.
“Fui dormir pensando em você”
“Eu também Hana”
***
Cheguei a casa e tudo estava silencioso, o jantar já havia acabado, sobre a mesa estava um prato feito e coberto, um bilhete o acompanhava “Guardei para você, Madara”. Coloquei minha maleta sobre a poltrona da sala, junto com meu casaco, lavei as mãos e pus o prato no micro-ondas para esquentar.
Fiquei observando, as flores que mandei decoravam a mesa do jantar, sorri, gostaria de ter conhecido a namorada de meu sobrinho. O alarme soou, abri a porta do eletrodoméstico e a comida saia fumaça.
Puxei a cadeira da mesa da copa, sentei-me e comecei a comer, a comida estava deliciosa, Madara havia caprichado, com certeza para impressionar— pensei. Terminei de comer e lavei meu prato, estou cansado, o dia no hospital havia sido corrido e puxado.
Ao passar pela sala para ir aos quartos vi a porta da sala de música entre aberta, achei estranho e resolvi verificar se alguém estava lá. Abri o restante da porta e coloquei a cabeça para dentro do cômodo, vi que estava vazio. Fechei a porta e subi para meu quarto.
Escovei os dentes e joguei o corpo exausto sobre a cama. Meus pensamentos vagaram em busca do rosto de certa mulher de olhos azuis e cabelos rosados. Samy não sai de minha cabeça, entretanto logo minha mente projetou a imagem de uma mulher um pouco mais nova, de cabelos e olhos castanhos. Cris.
À tarde que passei conversando com ela, me fez relaxar, era muito bom conversar com a morena, ela possui uma coisa boa que me envolve e me faz querer ficar mais perto dela, sem me dar conta sorri ao pensar nela.
— Droga! Acho que estou me apaixonando por você Cris.
O coração de Izuna está divido e o que o mesmo irá fazer, ou melhor, quem ele irá escolher?
***
Pov’s Sakura on
Eu ainda olhava para o anel reluzindo em meu dedo tentando acreditar que tudo isso é mesmo real, que não é um sonho. Me pego sorrindo boba só de lembrar as palavras dele, Yusuke é o homem pela qual esperei a vida toda e ainda sim parece que estou presa em um sonho.
Ino já adormeceu e okaa-san também, Hana ressona como um anjo; acho que somente eu estou acordada. Olho no relógio acabou de dar 00h00min penso se ele também se encontra nessa situação de insônia?! Ou talvez esteja no seu sétimo sono.
Pego meu celular e deslizo a tela para cima em busca dos teclados, disco seu número, mas falta a coragem de completar a ligação, e se ele estiver dormindo? Não quero acorda-lo.
Só que como uma adivinhação recebo uma mensagem dele. Abro ansiosa.
“Desculpe se te acordei, não consigo dormir! Você não sai da minha cabeça.”
Sorrio e resolvo ligar para ele, o mesmo atende no primeiro toque.
— Também não consigo dormir, estou com medo de acordar depois e ver que essa noite foi um sonho.
— Sua boba – Ele ri, consigo visualizar seu sorriso entre cortado, com aqueles olhos frios sorrindo junto. – Eu estou aqui do outro lado da linha, você ouve minha respiração não ouve?
— Sim.
— Você ouve minha voz, não ouve?
— Sim.
— Então isso não é um sonho, estou com você e não vou te deixar, nunca. Eu demorei muito tempo te procurando e agora que achei não vou te deixar ir.
— Então não deixe.
— Jamais. Eu te amo Sakura.
— Eu também Yusuke-kun.
De repente ficou tudo em silêncio e acho que esse silêncio duraram segundos, porém pareceram minutos, a voz dele voltou estranha.
— Sakura eu preciso te ver amanhã, preciso conversar algo com você.
— Está tudo bem?
— Sim, não se preocupe só te peço para confiar em mim, está bem?
— Eu confio.
A ligação se encerrou e depois consegui pegar no sono profundamente, apaguei e a única coisa de que me lembro é de sonhar com um casal de velhinhos, abraçados, sentados em um banco na praça e havia um jovem, ele pintava algo em uma tela. O casal sorria o tempo todo um para outro, eu me lembro das alianças já puídas pelo tempo. Tinha uma frase gravada.
Para sempre seu.
Desejei que fossemos nós aquele casal, talvez fosse mesmo, quem sabe.
Pov’s Sakura off
***
Pov’s Sasuke on.
Preciso contar a ela, não posso viver dentro dessa mentira por mais tempo. Sakura me ama e já tenho provas suficientes disso, não tenho mais a necessidade de alimentar essa mentira.
Amanhã contarei a ela tudo, só que sinto um medo, temo que ela fique decepcionada comigo, que me deixe.
“Sasu fique tranquilo, ela te ama e não vai ser por isso que irá te deixar”.
“Verdade garoto, mais uma vez preciso concordar com a outra ai, sua mentira pode se tornar pior se não contar tudo logo”.
“Tudo bem, vocês estão certas, amanhã seja o que Deus quiser”.
Voltei a repousar meu corpo sobre a cama, nos travesseiros ainda sinto o cheiro dela, adormeci logo.
Amanhã vai ser um longo dia.
Pov’s Sasuke off.
***
Já faz algum tempo que não vejo minha loirinha, estou com saudades dela e da minha sobrinha postiça.
É madrugada e estou aqui jogado a cama sozinho pensando nela.
Ino entrou em minha vida para mudar tudo, e para melhor é claro. Achei que depois de Aimi jamais me apaixonaria de novo, só que o destino me deu Ino e junto Hana, me sinto dentro de uma família.
Mandei uma mensagem para ela dizendo que quero passar esse domingo com ela e com a pequena Hana. Sei que ela deve estar dormindo então a resposta vai vir somente pela manhã, mas não me importo.
A insônia não me deixa dormir, resolvo ouvir um pouco de música talvez me ajude a relaxar.
Depois de meia hora desisto, desço para cozinha, talvez um leite morno me faça dormir. Quando cheguei ao cômodo, encontrei Temari, será que hoje a noite não está propicia para dormir?!
— Acordado essa hora?
— Não consigo dormir.
— Eu também. Leite?
— Como adivinhou?
— Sou sua irmã mais velha.
Nós dois rimos, peguei a caneca de leite, coloquei uma colherzinha de canela, prefiro o meu assim.
— Você e sua canela.
— Me ajuda a relaxar mais rápido.
— Talvez se tirasse a loira da cabeça um pouco conseguiria dormir.
A olho de canto, eu sou tão transparente assim, ou minha irmã me conhece tão bem?
— Ela invade minha mente, não consigo tira-la.
— Então vai precisar de mais do que uma caneca de leite. Talvez precise da vaca inteira.
Eu ri como não ria há muito tempo, Temari também riu, diminuímos o barulho quando ouvimos um resmungo do Kankuro. Conversamos mais um pouco e devo ter tomado mais uma caneca de leite, até que meu corpo começou a dar sinais de cansaço.
Minha irmã resolveu ver TV, dei um beijo em sua testa e subi para meu quarto.
Acho que agora minha mente me dá um descanso. Fechei os olhos e adormeci, sonhei que estava com Ino. Por que será?
***
O dia demorou um pouco para raiar, mas o sol deu o ar de sua graça. Madara já se encontrava acordado, preparava o café para todos. A noite havia sido muito agradável, a namorada de seu sobrinho era um amor e a mãe dela bem com certeza prendera sua atenção.
Estava distraído que nem percebeu a presença de seu irmão no ambiente.
— Está absorto Nii-san?
— Distraído... Talvez.
Os dois sorriram. Izuna o ajudou a terminar o café. Estaria de folga, agradeceu por poder descansar, precisava de um dia para isso.
Izuna sentiu o cheiro do café e por um instante lembrou-se de Cris. Não conseguia entender direito seus sentimentos em relação à moça, como poderia seu coração se apaixonar assim? Por duas mulheres totalmente diferentes?
Afastou os pensamentos e subiu, resolveu dormir mais um pouco, talvez o cansaço estivesse mexendo consigo.
Ou talvez não.
***
Algumas horas depois...
São 08h30min de uma manhã de domingo, assim que acordo percebo que recebi uma mensagem durante a noite, peguei o celular em mãos e vi que a mensagem é de Gaara, ele quer passar a tarde comigo e com a Hana. Respondo dizendo que antes do almoço estarei em seu apartamento e para minha surpresa ele já estava acordado, diz que vai cozinhar para gente, é a primeira vez que ele faz isso.
Devo confessar que minha vida deu um giro de 360º graus desde que o conheci, tudo mudou e claro para melhor, não pensei que poderia conhecer alguém tão especial quanto esse ruivo, que trata a mim, minha sobrinha e minhas amigas tão bem.
Já faz algum tempo que não ficamos juntos, conversamos, ou saímos para algum lugar, passar essa tarde com ele vai ser muito bom. Levantei-me da cama, segui para o banheiro para fazer minha higiene, separei uma roupa bonita e confortável.
Quando sai do meu banho, Sakura ainda estava dormindo, porém sua mãe não se encontrava mais na cama, Hana ressonava profundamente, não quis acorda-la tão cedo então deixei que ela dormisse mais um pouco, chegamos tarde do jantar de ontem, e que jantar.
Fico tão feliz que Sakura conheceu alguém como Yusuke, quem diria que nós duas acabaríamos com homens tão bacanas quanto eles, acho que depois de tudo que passamos é o mínimo que merecemos, para ficar melhor só precisamos de uma coisa. Um apartamento maior, não precisa ser luxuoso, somente maior, para nós isso já bastava. Quem sabe agora que estou com um emprego bom e Sakura tem algumas economias não conseguimos nos mudar?!
Ao chegar à cozinha um cheiro delicioso de café e torradas invade meu olfato, a senhora Samy estava em pé com uma frigideira na mão, acho que estava fazendo ovos mexidos pelo cheiro.
— Bom Dia senhora Samy, acordou cedo.
Ela me sorri calorosamente.
— Você também Ino.
— Sempre acordo, dormiu bem?
— Sim muito bem obrigada. Acho que as meninas desmaiaram de sono, não vão acordar agora.
— Não mesmo.
Nós rimos e conversamos mais um pouco, ela me contou o que fazia em Londres, disse também que quando mais nova era uma ótima dançarina, entretanto largou tudo depois que Sakura nasceu e dizia que não se arrependia. Ela me serviu café, ovos e torradas e meu Deus estava tudo maravilhoso, vai ser bom ter uma “mãe” aqui conosco.
Resolvemos arrumar o apartamento, como o mesmo é pequeno apenas dois cômodos, sendo que a cozinha e a sala são separados somente por uma parede íamos acabar antes das meninas acordarem.
E foi pensado certo.
10h00min, Sakura chega com Hana no colo ainda coçando os olhos, peguei a mesma e coloquei em sua cadeirinha, resolvi fazer um mingau para ela. Nosso café é muito pesado para uma criança de dois anos.
Sakura já estava arrumada, disse que iria para a casa de Yusuke, mas quase desistiu quando soube que eu e Hana iriamos sair, ela não quis deixar a mãe sozinha, porém Samy disse que ficaria bem, e que iria fazer um bolo de maçã e canela para quando voltássemos, adoramos a ideia.
Depois que dei o mingau a Hana dei um banho nela e coloquei um vestido azul com flocos de neve branco, penteei seu cabelinho ralo e mandei uma mensagem para Gaara que iriamos para lá, eu iria pegar o metrô, só que o mesmo insistiu que eu pegasse um táxi, ao chegar lá ele pagava. Liguei para a companhia e solicitei um, depois de uns 20 minutos ouvimos as buzinadas, me despedi de mãe e filha e peguei minhas coisas e de Hana, desci as escadas e entrei no táxi. Disse-lhe o endereço e seguimos viagem.
Hana olhava o caminho curiosa, sorri para ela e disse que iriamos ver o tio Gaara, ela bateu palminhas e ficou rindo com os dentes que ainda estavam nascendo. Sinto-me realizada, e feliz como nunca antes em minha vida.
Logo chegamos ao lustroso condomínio de Gaara o mesmo esperava-nos no hall, ele pagou o taxista e pegou nossas coisas. Deu-me um selinho e passou seu braço em volta da minha cintura deu um beijo em Hana também. Assim subimos para o apartamento onde seus irmãos nos aguardavam.
Uma sensação boa invadiu-me, acho que é assim que nos sentimos quando se têm uma família completa, e se for assim espero que dure muito tempo.
***
Pov’s Sakura On
Dormi tão profundamente essa noite que acabei acordando de certa forma tarde, okaa-san já havia limpado a casa juntamente com Ino e preparado o café, Ino iria passar à tarde com Gaara e sua família e ao ouvir isso fiquei com receio de ir até a casa de Yusuke, iria falar com ele para marcamos essa conversa para outro dia, porém okaa-san e Ino me disseram que já que era importante eu poderia ir, okaa-san falou que se sentia bem, que eu não me preocupasse com ela e fosse ver meu namorado. Com certo temor resolvi dar um crédito a ela e um pouco depois que Ino saiu, eu sai também. Não quis pegar um táxi, Ino disse que podíamos rachar a corrida, só que Gaara e Yusuke moram em lugares muito distante um do outro então preferi pegar um metrô, hoje não estaria tão lotado como de costume.
Despedi-me de okaa-san, antes de ir para a estação passei na padaria para comprar um bolo, não sei por que, só que senti vontade de comprar um. Paguei 10 ienes e assim segui para a estação.
Como havia dito o metrô estava vazio, apenas algumas pessoas o ocupavam nesse horário da manhã, depois de uns 20 minutos cheguei a estação do bairro de Yusuke.
Durante o caminho até sua casa fiquei pensando no seu tom de voz na ligação de ontem, havia mudado e ficado séria, e ao lembrar disso minha pele se arrepiou e um calafrio me subiu pelo corpo.
Sinto-me retraída e o motivo não sei qual é, algo me diz que vem coisa por aí. Será que devo me preocupar tanto? Ou é só exagero da minha parte? Sem dar-me conta cheguei em sua casa, abri o portão do hall e toquei a campainha, demoro uns 2 minutos e logo seu rosto se fez presente.
Mas ele estava sério, na verdade ele sempre foi, só que agora um pouco mais do que de costume e isso me fez pensar que realmente devo me preocupar.
Dei-lhe um beijo de bom dia e ele retribui, com muita paixão, cheguei a ficar tonta. Coloquei o bolo em cima do balcão da copa, ele não fez uma cara muito boa, mas me deu um sorriso.
— O que foi? Não gosta de bolo?
— Bom não sou muito fã de doces, mas eu como por você.
— Me desculpe não sabia que não gostava de doces, da próxima vez eu trago baguette.
Ele riu um riso tão doce que não resisti e o beijei, passei meus braços em volta de seu pescoço e senti suas mãos apertarem minha cintura.
Os nossos beijos sempre foram quentes, porém esse me acendeu mais. Seus cabelos estão molhados e sinto um leve cheiro de menta vindo deles, suas mãos me pressionam ainda mais contra seu corpo e sinto que ele está se animando.
Queria continuar isso, subir até seu quarto e começar nossa manhã fazendo amor, só que Yusuke me soltou e percebi pela primeira vez desde a hora que entrei que seu semblante estava carregado de um misto de tristeza e preocupação.
Eu não sei o que pensar, ele me direciona até a sala e nos sentamos de frente para outro. Ele solta um suspiro pesado, como se estivesse o segurando há muito tempo. Involuntariamente uma de minhas mãos acaricia seu rosto, e meus dedos dedilham entre suas ruguinhas de tensão.
Ele a segura entre a sua e entrelaça nossos dedos. Yusuke me olha atentamente com suas pedras ônix, eu sempre me perco nesse olhar enigmático, sedutor. Só que hoje eles só parecem retraídos. Sua voz chega aos meus ouvidos cortada e grave. É a primeira vez que a ouço assim tão carregada. O que será que está acontecendo?
— Yusuke está tudo bem querido?
— Não Sakura.
— Estou ficando com medo, devo me preocupar?
— Não sei, de verdade eu não sei. Só por favor, não me odeie depois do que eu te contar.
— Do que está falando Yusuke-kun?
— Sakura é sobre isso que quero te contar, sobre o Yusuke.
Eu não entendi o que ele quis dizer com isso, só que pelo seu olhar e tensão, sinto que não é coisa boa.
— Te peço para me ouvir com atenção tudo bem?
— Tudo bem.
Eu o beijei antes que ele dissesse algo que fosse me machucar, eu precisava sentir que nosso amor estava bem e que ele não estragaria isso. Ele me beijou com carinho e calma dessa vez, quando nos separamos seu olhar ainda era pesado. Segurei sua mão, ele precisa saber que está tudo bem não importa o que venha agora.
— Querido, só quero que saiba que eu te amo, está tudo bem. Não fica assim, tenso, eu te amo.
— Esse é meu medo, de você não me amar depois de hoje.
— Bobo eu vou te amar, hoje, amanhã e pelo resto da minha vida.
— Assim espero. Sakura eu quero que você saiba que eu também te amo e espero que esse amor todo faça você me entender e perdoar.
— Perdoar o que Yusuke?
Ele me olhou sério e isso me assustou.
— Sakura eu não me chamo Yusuke Hamashi, meu nome de verdade é... Sasuke, Uchiha Sasuke.
Eu acho que ele está brincando e é por isso que dou uma risada abafada, contudo eu paro ao ver seu olhar sério e é ai que percebo que ele não está brincando, e talvez não fique tudo bem quanto eu pensava.
Pov’s Sakura off
Pov’s Sasuke on
Acordei apreensivo sem saber como diria para a ela a verdade. Eu acreditei durante esses meses que tudo ficaria bem, que era somente um nome e nada mudaria por causa disso, mas sabe quando você sente que estava enganado o tempo todo sobre algo e que por uma pequena coisa você pode perder tudo que ama? Pois é eu me sinto assim, sinto-me aquele garotinho perdido na estrada sabe, aquele mesmo garotinho que viu os pais morrerem e o irmão entrar em coma, eu estou perdido meu Deus e não sei o que fazer.
Tomei um banho morno para consegui relaxar, não consegui comer nada no café porque meu estomago está com um nó e o mesmo está na garganta também.
A campainha tocou e eu sabia que era ela atrás daquela porta, mas eu demorei a abrir, não muito acho que dois minutos, respirei fundo e abri a mesma e lá estava ela linda com o cabelo preso num rabo e somente alguns fios estavam soltos.
Ela me deu um beijo e passou por mim até o balcão da copa e ai percebo que ela trouxe um bolo, desses de padaria bem bonitos fiz uma careta sem querer, nunca fui muito fã de doces, ao contrário do Nii-san.
Minha rosada pediu desculpas e disse que não sabia, ainda brincando falou que da próxima traria uma baguette, mas o medo me correu por dentro de não haver uma próxima vez.
Eu percebi que Sakura não sabe somente sobre a verdade da minha identidade, alguns poucos detalhes como eu não gostar de doce foram ocultados, mas sabe o que é engraçado a maior parte da minha vida eu compartilhei com ela, a morte de meus pais, o coma de Itachi, minha família maluca e isso me fez sorrir, eu dei a ela a maior parte da minha vida então como pude sentir medo de lhe dar uma simples verdade. Eu sou Uchiha Sasuke o compositor de todas as músicas que ela ama, isso não e difícil de dizer não é?
Ela me deu um beijo inesperado, eu retribui é claro e enlacei minhas mãos em volta dela, sinto meu corpo pegar fogo e nossa como quero dar um foda-se a essa conversa e fazer amor com essa mulher, mas não posso então encerro nosso beijo e a trago para a sala, não posso mais adiar isso.
Solto um suspiro pesado que nem me dei conta que segurava, Sakura acaricia meu rosto, eu seguro sua mão sentindo o calor que dela emana. Essa mulher é incrível como pude duvidar de sua integridade? Se ela me deixar vou entender, não vou poder culpa-la, só que não estou preparado e tenho medo, não quero perde-la.
“Querido, relaxe olhe nos olhos dela. Vê? Ela te ama e não é um nome que vai mudar esse sentimento. Ela ama você pelo que você deu a ela, lembre-se disso”.
Minha consciência me da força para começar e a declaração de Sakura também.
Eu começo.
— Sakura eu não me chamo Yusuke Hamashi, meu nome de verdade é... Sasuke, Uchiha Sasuke.
Ela riu abafado, acho que pensa que estou brincando, mas ela olha para mim e meu semblante sério revela que não estou gozando de sua cara. Sua expressão séria que me desmonta, todavia não posso perder o foco e a coragem, se quero estar e ficar com essa mulher preciso me entregar por inteiro, retribuir tudo o que ela me deu e ainda dá. Preciso ser digno dela e não posso falhar.
— Sakura... Eu menti, a primeira vez que te vi eu menti. Eu sempre fui o tipo de pessoa que odeia mentiras, porém pela primeira vez na vida senti a necessidade de usa-la e eu me arrependo disso. Quando te conheci eu fiquei deslumbrado com a mulher linda que estava na minha frente, simples, uma atendente de restaurante, mas ainda sim linda e interessante, quando eu te salvei eu fiquei perdido não sabia para onde te levar e te trouxe aqui, para essa casa onde tudo começou e eu fiquei com medo, medo Sakura de que se você soubesse quem eu era de cara você se interessasse pelo Sasuke famoso não pelo meu eu de verdade.
Ela me olhou séria, no entanto me consentiu a continuar. Prossegui.
— Eu sempre fui rodeado de gente interesseira, egoísta, arrogante, ambiciosa e por isso eu vim para cá, precisava me isolar disso, como você sabe eu nunca apareci em público, somente algumas pessoas sabem quem é o compositor pianista de todas as músicas que você conhece. Nenhuma mulher me amou de verdade e sim o meu dinheiro, por isso eu quis te conhecer como Yusuke, o cara desempregado que mora na casa de um amigo. Eu em encantei por você e eu não queria estragar tudo te dizendo quem eu sou, mas ao longo do tempo eu te conheci rosada e eu me apaixonei por você eu me apaixonei como nunca achei que fosse capaz. Eu me deixei levar e pensei que não teria problema te ocultar quem eu sou, era somente um nome sabe. Eu te dei a maior parte de mim, eu não menti sobre os meus pais, eu te mostrei meu irmão no hospital em coma profundo, eu te mostrei para a minha família ontem e te dei esse anel porque eu aprendi que você é incrível e especial e eu vi que não importa se eu for rico ou pobre que você vai me amar do mesmo jeito, ou melhor, eu espero que continue a me amar do mesmo jeito. Perdoa-me minha Sakura por duvidar da pessoa que você é, me perdoa por achar algo que você não é, me perdoa Sakura por ser fraco e não ter coragem de te contar antes que eu sou o seu Sasuke, aquele que você admira e ama as canções, aquele que te enviou as cópias de cada primeira composição, mesmo não te conhecendo. Eu te amo rosada e eu espero que você não desista de mim, de nós porque sinceramente eu não sei mais viver sem você.
Aquelas esmeraldas me fitavam com um misto de tristeza e não sei mais o que. Eu me sentia quebrado por aquele olhar e eu tentava imaginar o que se passa em sua mente. Sakura soltou minha mão e seguiu até a janela, ela ficou alguns segundos fitando a neve lá fora e o brilho do clarão do sol invadia seu olhar.
Ela virou-se para mim, caminhou até mim e ergueu sua mão em direção ao meu rosto.
Eu fechei meus olhos e esperei pelo tapa, e o que veio me surpreendeu.
Não era o que eu esperava dela.
Eu caminho ao seu lado, te seguindo sem medo, você é o estranho diante dos meus olhos pela qual eu me apaixonei. Caminhei muito tempo sozinha até te encontrar e agora sinceramente eu sinto receio de que tudo se estrague, eu tenho receio de um dia acordar e perceber que estou sem você. Mas tudo bem, se um dia a gente se separar eu sei que se voltar para a estrada você estará lá me esperando no fim dela. (Black Swan- CDC)
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