Colecionista De Canções
24 CAPÍTULO XXIV- Solo Uma Oportunidad
Notas iniciais
Anteriormente em Colecionista
— Eu sempre fui rodeado de gente interesseira, egoísta, arrogante, ambiciosa e por isso eu vim para cá, precisava me isolar disso, como você sabe eu nunca apareci em público, somente algumas pessoas sabem quem é o compositor pianista de todas as músicas que você conhece. Nenhuma mulher me amou de verdade e sim o meu dinheiro, por isso eu quis te conhecer como Yusuke, o cara desempregado que mora na casa de um amigo. Eu em encantei por você e eu não queria estragar tudo te dizendo quem eu sou, mas ao longo do tempo eu te conheci rosada e eu me apaixonei por você eu me apaixonei como nunca achei que fosse capaz. Eu me deixei levar e pensei que não teria problema te ocultar quem eu sou, era somente um nome sabe. Eu te dei a maior parte de mim, eu não menti sobre os meus pais, eu te mostrei meu irmão no hospital em coma profundo, eu te mostrei para a minha família ontem e te dei esse anel porque eu aprendi que você é incrível e especial e eu vi que não importa se eu for rico ou pobre que você vai me amar do mesmo jeito, ou melhor, eu espero que continue a me amar do mesmo jeito. Perdoa-me minha Sakura por duvidar da pessoa que você é, me perdoa por achar algo que você não é, me perdoa Sakura por ser fraco e não ter coragem de te contar antes que eu sou o seu Sasuke, aquele que você admira e ama as canções, aquele que te enviou as cópias de cada primeira composição, mesmo não te conhecendo. Eu te amo rosada e eu espero que você não desista de mim, de nós porque sinceramente eu não sei mais viver sem você.
Aquelas esmeraldas me fitavam com um misto de tristeza e não sei mais o que. Eu me sentia quebrado por aquele olhar e eu tentava imaginar o que se passa em sua mente. Sakura soltou minha mão e seguiu até a janela, ela ficou alguns segundos fitando a neve lá fora e o brilho do clarão do sol invadia seu olhar.
Ela virou-se para mim, caminhou até mim e ergueu sua mão em direção ao meu rosto.
Eu fechei meus olhos e esperei pelo tapa, e o que veio me surpreendeu.
Não era o que eu esperava dela.
Agora...
Sua mão segurou firme em meus cabelos os puxando, a outra acariciou meu rosto, seus olhos esmeraldinos me encaravam, fiquei a fitando, eu aguardava um tapa, um xingamento qualquer ato de raiva, mas seu olhar era terno.
Ela moveu os lábios parecendo pronunciar algo mais nenhum som saia deles, eu estou nervoso, minhas mãos soam e tudo parece parar a minha volta. Sakura ainda segurava meus cabelos, quando finalmente sua voz se fez presente em meio aquele silêncio.
— Sasuke, Uchiha Sasuke... Meu Deus ainda não consigo acreditar em tudo que ouvi, parece um sonho, eu seguro seus cabelos em meus dedos, toco sua pele tentando ter alguma prova de que estou sonhando, mas seus cabelos ainda continuam molhados e sua pele emana calor, então... Não estou sonhando, pelo contrário estou bem acordada.
Ela se afastou de mim e isso me fez murchar, seu corpo ali perto de mim me transmitia à sensação de que de certa forma estava tudo bem, só que parece que estou sozinho aqui e sinto medo de isso se realizar, não quero ficar sem ela...
Por impulso eu pulei do sofá e agarrei seu pulso, não posso vê-la partir.
— Sakura eu...
Ela colocou seu dedo entre meus lábios, me silenciando, eu estava perto de seu rosto, de seus olhos e eu conseguia ver a extrema decepção neles. Eu a magoei, e se eu a perder agora vai ser por minha e unicamente culpa.
— Eu vou falar agora, está bem?
Apenas assenti que sim.
— Eu sempre fui aquele tipo de garota que sonhava com um príncipe encantado, ou no caso um pianista encantado- ela riu pelo nariz- Sempre fiquei ouvindo as suas músicas e eu me perguntava como você seria. Se era alto ou baixo, gordo ou magro, bonito, feio eu dizia a mim mesma que quando te conhecesse eu iria te abraçar, beijar seu rosto e te pedir um autografo sei lá eu só precisava e desejava associar o rosto à voz e bem agora você está aqui, diante de mim se declarando e me contando tudo isso e eu sinceramente não sei o que fazer. Eu só sei uma coisa, eu posso parecer ser uma garota frágil e boba, talvez eu seja mesma, porém não sou burra. Sasuke, nossa como é estranho te chamar assim, eu não vou dizer que não me sinto ofendida, porque me sinto só que eu imagino como deve ser difícil para você se esconder de todo mundo, viver isolado porque as pessoas só se interessam pelo seu dinheiro e meu Deus como elas são idiotas porque você é o homem mais incrível que eu já conheci e por mais que eu queira não consigo sentir raiva de você, porque eu simplesmente estou perdidamente apaixonada por você, e eu não posso e nem quero ficar sem você. Como você mesmo disse, você me mostrou tudo de você, eu conheço um Sasuke que ninguém mais conhece e isso me faz sentir-me honrada sabe?! Eu te amo muito e eu seria uma imbecil se eu jogasse tudo para o alto e fosse embora por causa de um nome, não importa se você seja rico ou pobre, famoso ou anônimo, Sasuke ou Yusuke, pra mim você vai continuar sendo o homem que eu amo e nada vai mudar isso. Só espero que essa simples garçonete de restaurante esteja altura de um compositor tão famoso.
Eu ri ao mesmo tempo em que sentia as lágrimas descendo, eu não posso merecer essa mulher, ela é perfeita demais para mim, eu me aproximei e a puxei para perto de mim, meu corpo implorava pelo seu calor, eu ia beija-la quando senti uma ardência em meu rosto. Sakura me deu um tapa.
— Ai Sakura, isso doeu.
— Desculpe, você mereceu.
Ela riu como uma menina e eu não resisti aquele encanto, a beijei com fervor, senti todo meu corpo explodir em desejo. Minhas consciências soltavam fogos de artificio. Nunca achei que me sentiria tão leve, tão livre, finalmente eu sou eu, e Sakura sabe tudo de mim, de quem realmente sou.
“Eu disse para contar logo, se me ouvisse antes...”
“Não enche, o que importa é que ela nos ama e está com a gente, agora leve essa rosada para a cama e a faça chamar SEU nome”
“Sua safada....”
“Eu sei que você quer ouvir também”
Eu não ouvia nada que elas diziam somente o som da minha respiração e de Sakura. Peguei-a no colo e fui subindo para o meu quarto, eu preciso fazer amor com essa mulher, quero ouvi-la gemer meu nome, quero que ela suspire por mim Sasuke Uchiha e somente por mim.
Chega de fingir, Sakura merece o melhor de mim e a partir de hoje é o que ela sempre vai ter.
— Eu te amo rosada.
— Eu também te amo Yusu... Sasu-kun.
Pov’s Sasuke off
Acordei me sentindo renovado, acho que é a primeira noite de sono profundo que tenho desde essas ultimas semanas. Hana não saia de meus pensamentos, nem a ideia de jantar com ela, peguei meu celular e lhe mandei uma mensagem.
“Acordei pensando em você, estou ansioso pelo nosso encontro”.
Alguns minutos depois a resposta veio.
“Eu também, mas confesso que não tenho nada para vestir”
“Sua boba, você fica linda de qualquer jeito”
“Obrigada Nagato-kun”.
A conversa se encerrou e eu resolvi tomar um bom banho. Não demorei tanto quanto costumo, hoje não que precisava relaxar como de costume, eu estava quebrando aquela rotina, pela primeira vez desde as últimas semanas e isso me fez sorrir.
Depois de vestir e dar uma arrumada no cabelo desci para a cozinha, quando pisei o último degrau da longa escadaria o vi sentado a mesa, segurando uma xícara de café bem quente e um livro se encontrava em sua mão livre. Eu não precisava ver o título para saber que era mais um livro sobre o sistema neurológico, meu sobrinho passou esses últimos 8 anos estudando o caso do irmão do seu melhor amigo, Naruto não entendia como alguém podia aguentar tanto tempo em coma, ele buscava respostas, mas as que encontrava não o satisfazia. 15 anos é muito tempo desperdiçado era o que ele dizia. Eu sei que se fosse outro já teria desistido e apenas esperaria o milagre acontecer, mas meu sobrinho é diferente ele quer ser o milagre.
Quando cheguei à cozinha o cheiro de café e bolo de laranja invadiu meu olfato, Nana sempre que podia faz um agrado para nós, e seus bolos são um desses agrados. Peguei uma caneca e servi-me de café, cortei uma grande fatia do bolo e sentei-me perto de Naruto, somente ai ele reparou minha presença no recinto.
— Concentrado você hein.
Ele riu e fechou o livro.
— Estava estudando, tendo achar algo que ajude o..
— Itachi, eu sei disso. – Naruto ficou me encarando surpreso, analisava meu rosto, eu ri de sua curiosidade. – Perdeu algo em meu rosto?
— Está arrumado, penteado, está vivo... Gosto de te ver assim.
— Eu também.
— Qual o nome dela?
Quase cuspi o café com aquela pergunta, meu Deus era tão visível assim minha mudança?
— Segredo, o nome dela é segredo.
Ele fez seu costumeiro biquinho de sempre quando fica chateado.
— Qual é tio, fala ai.
— Paciência pequeno gafanhoto, paciência.
Naruto não insistiu mais, terminou seu café e se levantou, mas antes de sair ele me deu um abraço e disse.
— Seja lá quem ela for já gosto dela.
— Por quê?
— Ela te faz feliz.
Sem mais, ele saiu da cozinha pegou suas coisas em cima do sofá e foi para o trabalho.
Realmente tenho um sobrinho de ouro.
Terminei meu café e subi para pegar minhas coisas, antes de certo jantar ainda tenho pacientes para atender.
Pov’s Nagato Off.
A cama estava vazia do outro lado, foi isso que senti quando passei a cama pelos lençóis, levantei me sentindo um pouco dolorida, Yusu... Ou melhor, Sasuke foi forte demais, se é que vocês me entendem.
Vesti um roupão dele, seu cheiro impregnava a peça e me senti acolhida. No andar de baixo eu escutava teclas de um piano sendo tocadas, e a música não me era estranha. Desci para o andar de onde o som vinha e assim que cheguei encontrei a sala de música aberta.
Aproximei-me da porta e me encostei à soleira fiquei o observando, Sasuke parecia distante, completamente fora de órbita, e acho que é assim que se sente toda vez que toca. Sua voz rouca invadia meus ouvidos e me deixa anuviada, leve, devagar e silenciosamente fui me aproximando dele, quando cheguei perto deitei minha cabeça em seu ombro e o abracei, seu cabelo já não está mais molhado, mas o cheiro de shampoo de hortelã ainda invade minhas narinas.
Sasuke parou de tocar o que me deixou brava, ele puxou –me para seu colo e me deu um beijo, quando nos separamos minhas mãos foram de encontro ao seu rosto e passei algum tempo indecifrável o admirando. Meus dedos traçavam cada pedacinho do seu rosto alvo, os contornos, os traços, uma verdadeira pintura feita por anjos, talvez seja pecado dizer isso, entretanto não podem me culpar por estar tão incondicionalmente apaixonada por um homem tão belo que a única definição que encontro para explicar tamanha beleza é por ele ser feito por anjos.
Sasuke me sorria e não se importava de ficar sendo observado, estudado, suas mãos se juntaram as minhas e seus olhos aos meus. Estávamos tão próximos que nossas respirações se misturavam. Eu passei tanto tempo ouvindo ele através de um aparelho e tentava dar um rosto ao dono daquela voz, aquela voz me inundava e me levava para o desconhecido e eu a admirava como não pude ver que Sasuke era ele? Eu sabia que o amor nos deixava cegos, mas surdos? Isso é uma grande novidade para mim.
Seus lábios se colaram nos meus e eu esperei por mais um beijo, mas ele não o fez, sussurrou por entre eles. O que me fez arquear e desejar por mais contato.
— O que tanto analisa rosada?
— Você.
Ele sorriu e me fitou com aqueles olhos negros, eu não posso deixa-lo, eu não posso mais ficar sem ele, minha alma, meu corpo estão conectados a esse homem e se eles se separarem ficará um enorme vazio em mim na qual não sei se serei capaz de cobrir.
— Eu te amo Sasuke.
Ele ficou surpreso, seu nome de verdade e aquelas palavras soaram tão bem.
— Ainda acho que tudo isso é um sonho e que vou acordar e ver que você foi embora.
— Eu não vou te deixar, eu estou presa a você, mesmo que quisesse não posso ir.
— Eu também te amo Sakura.
Felicidade, Amor, Paz palavras que definem um pouco do que sinto e vivencio agora. Tempo, tempo, realmente só ele pode nos fazer entender que as coisas acontecem quando elas têm que acontecer.
Eu esperei por esse homem, por uma vida inteira e agora eu o achei e não vou deixa-lo ir.
— Toque e cante para mim.
— Claro. O que quer que eu toque?
— O que você estava tocando antes.
Eu iria sair de seu colo, mas Sasuke me impediu e negou com a cabeça então permaneci no mesmo lugar, ele estralou os dedos e começou a tocar, a música é uma das suas várias coletâneas. Eu já a ouvi milhares de vezes no meu ipod, eu gosto dela. A letra sempre me fez pensar no quão profundo alguém pode se entregar a alguém. E nesse momento aquela música mais do que em qualquer outro momento descrevia bem a história dela e do dono da canção.
Para teu amor eu tenho tudo
Desde meu sangue até a essência de meu ser
E para teu amor que é meu tesouro
Tenho a minha vida toda inteira a seus pés
E tenho também
Um coração que morre por dar amor
E que não conhece o fim
Um coração que bate por você
Para teu amor, não há despedidas
Para teu amor eu só tenho a eternidade
E para teu amor que me ilumina
Tenho uma lua, um arco-íris e um cravo
E tenho também
Um coração que morre por dar amor
E que não conhece o fim
Um coração que bate por você
Por isso eu te amo tanto que não sei como explicar
O que sinto
Eu te amo, porque sua dor, é a minha dor
E não ha dúvidas
Eu te amo com a alma e com o coração
Te venero
Hoje e sempre, eu te agradeço meu amor
Por existir
Para teu amor eu tenho tudo
Eu tenho tudo e o que não tenho também
Conseguirei
Para teu amor, que é meu tesouro
Tenho a minha vida toda inteira a seus pés
E tenho também
Um coração que morre por dar amor
E que não conhece o fim
Um coração que bate por você
Por isso eu te amo tanto que não sei como explicar
O que sinto
Eu te amo, porque sua dor, é a minha dor
E não ha dúvidas
Eu te amo com a alma e com o coração
Te venero
Hoje e sempre, eu te agradeço meu amor.
— Suas musicas contam nossa história antes mesmo dela acontecer.
— Verdade, eu nunca pensei nisso. Acho que eu estava tentando te trazer até mim.
— E conseguiu
Nós dois rimos, Sasuke tentou me ensinar a tocar algumas notas no piano, só que não tenho vocação para pianista, talvez para cantora, já que sempre cantei bem. Mas isso é outra história.
O moreno me pegou em seu colo e me levou para cima outra vez.
— Aonde vamos?
— Vou te dar um banho.
— Como se eu fosse um bebê?
Ele sorriu doce.
— Não, vou te banhar como minha mulher.
Afundei minha cabeça em seu peito e escondi as lágrimas.
— Obrigada Sasuke.
— Pelo o que? Pelo banho?
— Não seu bobo, por existir.
***
Dirigia até o hospital com meus pensamentos ainda voltados para meu tio. Ele está diferente, ele está vivo outra vez e não é Hinata a dona dessa mudança e não sei por que isso me deixou feliz. A verdade talvez eu saiba o porquê, só não quero admitir, que estou me apaixonando por aquela Hinata Hyuuga.
Será que eu quebraria meu tio se admitisse isso, ou agora ele não ligaria e me incentivaria a ir atrás dela? Meus pensamentos confusos fazem com que minha cabeça lateje. Eu posso negar e tentar esconder de todos, mas não posso fazer isso de mim mesmo, a verdade é que gosto de Hinata mais do que devia e acho que estou traindo meu tio.
Só que hoje ao vê-lo tão bem e saber que tem outra mulher em seu caminho acendeu uma luz de esperança de que talvez ele aceite. Ele me disse coisas que eu tentei ignorar, talvez ele já sabia que isso ia acontecer, mas ainda sim não muda o fato de que ele ainda a ame, ninguém esquece um sentimento tanto tempo cultivado em poucas semanas. Mas ele está tentando seguir em frente, ele está tentando esquecer e viver de novo então eu posso tentar viver também não posso?
As dúvidas me assombram e minha mente anseia pelas respostas. Preciso conversar com meu tio. Eu retornei o carro para voltar para a Mansão, só que não precisei dirigir muito porque meu tio estava indo para o hospital assim como eu a poucos segundos atrás. Ele parou o carro a direção oposta do meu. Ele viu meu olhar.
Desceu do carro e eu desci do meu, dei a volta e encostei-me ao capo, meu tio também.
Encaramo-nos. Nunca precisamos de muitas palavras, nosso entendimento sempre foi através de olhares. Eu soltei o ar que estava preso e comecei a falar.
— Tio Nagato, eu estou morrendo com uma dúvida e um sentimento que me consomem e somente você pode me ajudar a dissolvê-los. Eu estou...
— Apaixonado pela Hinata, mas tem medo de me magoar.
Eu o olhei surpreso e perplexo, ele sempre soube o tempo todo.
— O senhor sabia o tempo todo.
— Não, não o tempo todo. Naruto eu não quero que você passe a vida toda na sombra dos sentimentos dos outros, você tem que viver os seus apesar de tudo. Eu amei a Hinata, na verdade ainda amo, mas eu estou superando, eu quero superar e quero amar alguém que me ame também. Você tem essa chance e não pode desperdiça-la. O amor de verdade ele só bate uma vez e se você demorar a abrir a porta ele vai embora. Eu te amo mais que tudo, mais do que a Hinata e eu quero ver você feliz, Hinata é alguém especial e merece você, e você a merece.
— Tio eu... Eu não sei o que falar, eu nunca amei alguém tio, não esse tipo de amor, eu tenho medo de me machucar, mas principalmente de te machucar, eu não suportaria isso.
— Esta tudo bem Naru, você não pode me machucar, e sabe por que? Porque eu não ligo se você ficar com a Hinata, ela nunca foi para ser minha, nunca foi para ser algo além de amiga. E eu me sentiria muito bem em saber que ela está em suas mãos. Vem cá da um abraço no seu velho tio.
— Você não é velho seu baka.
Nós dois rimos e eu chorei, chorei de alivio, de felicidade, de alegria. Eu posso viver, eu posso amar, eu posso tentar, porque a pessoa que eu achava que não iria me apoiar está me dizendo siga em frente e eu vou fazer. Você precisa dizer a ela. Minha mente gritava isso e é o que eu preciso fazer. Nós dois nos soltamos e meu tio deu um beijo na minha testa, voltamos para nossos carros e mais uma vez eu fiz o retorno, mas dessa vez não para retornar e sim para seguir em frente.
Hinata
***
Mais uma vez eu me sinto pesado, preso ao chão e minha voz chega a arranhar a garganta, mas assim como meu corpo está presa e não sai. É horrível se sentir assim, e até mesmo doloroso, fico me perguntando o tempo todo “o que está acontecendo”? Eu ouço as vozes das pessoas, contudo elas não ouvem a minha.
Tudo parece neutro daqui, porém sinto que não estão. Sasuke, oh meu pequeno otouto deve estar assustado sem mim, eu quero poder gritar para ele que eu estou aqui, que eu o escuto, que quero abraça-lo e ouvir suas estórias, de como foi seu dia na escolinha, quero ouvir seus pedidos de atenção, para nós brincarmos no jardim da okaa-san. A okaa-san como deve estar? E o otou-san? Eu não escuto as vozes deles, diferente dos outros, sinto algo doer no meu peito e não entendo o porquê. Só sei uma coisa, eu quero voltar para casa.
***
Estou nervosa e ansiosa. Conto os minutos desejando que a noite chegue logo, sinto-me como uma garotinha boba e apaixonada que vai ter seu primeiro encontro, só que eu não sou mais uma garotinha.
Levantei mais cedo hoje, fiz o café para a minha mãe e meu irmão e sai para vender as flores, vou passar ainda na lojinha de roupas para ver se encontro algum vestido bonito e barato, afinal não posso me dar ao luxo de ir a essas lojas chiques e gastar milhares de yene.
O tempo hoje está agradável e penso que tudo está colaborando a meu favor, também penso no ruivo de olhos diferentes e me pergunto se ele também está se sentindo assim como eu. É tão estranha a maneira como nos aproximamos. Chega a ser engraçado, eu vendi flores a ele para conquistar uma garota, e bem acabou sendo eu a conquistada, porém sem as flores.
Algumas horas depois.
Terminei de vender meu ultimo buque de rosas, finalmente a tarde havia ido e a noite estava chegando, olhei no visor do celular 18h30min, Nagato combinou de me pegar as 20h00, preciso correr. Com as vendas de hoje consegui um bom dinheiro, suficiente para comprar um vestido novo e ainda passar no mercado. Corri imediatamente até a butique da senhora Louis, cheguei a loja e procurei pelo vestido mais lindo que tivesse, acabei escolhendo um vestido de cetim turquesa, com alças em renda da mesma cor caídas nos ombros, o decote é discreto, porém bonito e realça meu colo. Combinou bem com os meus olhos verdes e cabelos louros, não fiquei pálida como de costume, pelo contrário ganhei uma cor.
Paguei o vestido e passei no mercado para comprar algumas coisas que estão em falta. Assim que cheguei em casa corri para o chuveiro, minha mãe perguntou o porquê da pressa, eu respondi com um longo sorriso que tenho um encontro, a cara de surpresa dela foi hilária, meu irmão estava assistindo TV.
Tomei um banho rápido, passei um hidratante e me vesti, prendi o cabelo com uma trança deixando algumas mechas soltas, passei um batom claro e borrifei meu único perfume que só uso em ocasiões especiais, são raras, e bem essa é uma delas. Peguei minha bolsinha e desci as escadas para esperar Nagato.
Mamãe disse que estava linda, me perguntou quem era o moço eu contei a ela como nos conhecemos e ela achou tudo muito engraçado. Sentei no único sofá ao lado do meu irmão, ele me olhou e disse que estava muito bonita, dei um beijo em sua bochecha. Olhei o relógio na parede 19hs30min, é só esperar Hana ele vai vir. Só espero que não demore.
Do outro lado da cidade...
Droga! Estou quase sem tempo para me arrumar, hoje parece que tudo está contra mim, apareceram várias emergências, fiquei preso num transito que nunca vi em toda minha vida. Cheguei em casa e tomei um banho as presas, escolhi uma calça caqui preta e uma blusa polo branca, penteei meus cabelos e os prendi em pequeno rabo de cavalo baixo, deixei somente a franja solta, passei um perfume e peguei uma jaqueta para caso esfrie. Avisei ao meu pai que com um milagre estava em casa que iria sair, ele não se importou muito. Peguei as chaves do carro e sai em disparada, eu estava atrasado, geralmente sempre são as mulheres que se atrasam bem dessa vez a situação se inverteu. Só espero que ela me espere.
***
Oh meu Deus ele não vem, são 20hs10, eu sei que só faz 10 minutos, mas vejam bem homens não se atrasam, e muito menos no primeiro encontro. Tento manter a calma, mas não consigo parar de tremer, ele não atendeu ao telefone, fiquei dizendo a mim mesma que é por que ele está dirigindo, mas aquela voz da implantação da discórdia me diz que ele não vem e eu me desespero.
Eu estava indo para o meu quarto tirar o vestido e colocar meu velho pijama e tentar esquecer isso tudo, foi quando a campainha tocou e meu coração se exaltou de esperança. Corri para atender a porta e quando a abri lá estava nele. Lindo vestido de um jeito casual, mas elegante, nas mãos um buque de lírios, ele acertou em cheio porque amo lírios, gosto de rosas também só que elas são tão populares, gosto do diferente. Eu peguei as flores e pedi para mamãe por em algum vaso que ela achasse.
Nagato super educado a cumprimentou e ao meu irmão, ele prometeu me deixar cedo em casa, mamãe sussurrou que ele era um amor. Despedimo-nos e logo saímos, meu braço estava entrelaçado no seu, eu sentia seu calor. Estou nervosa.
Estou realmente tendo meu primeiro encontro.
— Hana desculpe o atraso, eu tive algumas emergências hoje.
— Confesso que achei que tinha desistido.
— Jamais. É só que parece que tudo conspirou contra mim hoje.
Eu ri e ele perguntou o motivo.
— É que comigo foi o contrário, o dia foi perfeito.
— Trocamos os papeis então.
Nós dois rimos, chegamos em seu carro e ele abriu a porta para mim. Nagato entrou logo depois, mas antes de dar a partida ele se aproximou do meu ouvido e sussurrou.
— A propósito você está linda.
— Obrigada, você também, está lindo.
Ele me deu um sorriso e deu a partida. Essa noite definitivamente vai a ser a melhor de toda a minha vida.
***
Pov’s Naruto On
Fiquei pensando o dia todo na conversa que tive com tio Nagato, mas não consegui ter coragem para dizer a Hinata o que sinto. As horas voaram e já é tão tarde, meu tio deve estar em seu encontro agora. Eu o admiro ter coragem de se arriscar assim com alguém depois de tudo, ele é mesmo um homem incrível.
Sai do meu consultório, tranquei a porta e fui seguindo o corredor até o elevador, Hinata não saí da minha cabeça, eu preciso dizer a ela o que sinto, só não sei como. Fico pensando e se não for reciproco? Ela acha que sou mimado, que não tenho mérito. Eu gritei com ela, fui rude como posso agora chegar nela e dizer que estou apaixonado?
Entrei no elevador e não sei se foi por ironia do destino, mas ela estava lá.
Congelei diante dela, esse é o momento Naruto, coragem.
— Boa Noite Hinata
— Boa Noite Naruto
Eu a encarei e ela ficou me observando. Inspirei fundo e me aproximei dela. Eu tinha 5 andares como tempo, estamos sozinhos, dentro de um elevador, preciso aproveitar essa chance.
— Por que está me olhando assim? Algum problema?
— Sim tem.
— Qual?
— Não consigo te tirar da cabeça. – Ela ficou me encarando surpresa. – Hinata eu sei que começamos de maneira errada, eu fui rude, grosso, te tratei e julguei mal, mas eu só queria proteger meu tio, não queria que ele sofresse por amar uma mulher que não podia ter, e eu me perguntava todos os dias como ele podia sentir isso, agora sei o porquê. Hinata eu estou apaixonado por você, não sei se você sente o mesmo, mas se sim eu quero uma chance com você. E espero profundamente que você a me dê.
A morena estava inerte diante de mim, seus lábios abriam e fechavam, porém nenhum som saia. Eu estava preocupado, acho que eu e meu tio vamos ter mais um algo em comum, os dois apaixonados e dispensados pela mesma mulher, que ironia.
— O que você quer dizer com isso tudo?
Passei as mãos no cabelo nervoso, falta 1andar e nós chegamos.
Prensei-a contra a parede do elevador e sussurrei entre seus lábios.
— Não está claro? Quero namorar você. Só preciso saber se você quer namorar comigo.
É preciso ter coragem algumas vezes, não deixar o medo te impedir de arriscar, eu deixei que ele me dominasse por muito tempo e quase perdi você, mas agora eu sei o quão bobo eu fui, só que tudo bem você ainda continua aqui e espero que ainda seja assim, que você possa me dar forças para tentar, porque somente você é capaz disso. (Black Swan – CDC)
Fale com o autor