Colecionista De Canções

38 CAPÍTulo XXXVIII - EL Amor Que Enciende EN Nosotros


Notas iniciais
Hoje não é segunda, mas vi postar hoje porque me esqueci de vir ontem, o capítulo anterior foi bem triste, mas esse veio para amenizar a tristeza e deixar um gosto de fofice. Espero que gostem

O céu estava cinza e as gotas da chuva se quebravam quando encontrava o chão, os céus pareciam chorar também juntamente com as poucas pessoas que estavam ali, o caixão de cor tabaco iam sendo levado por mim, meu irmão, e alguns amigos, Ino seguia atrás com Hana e Hiromi, eu via nos olhos da minha filha a tristeza e a falta de entendimento de tudo aquilo, eu sabia no fundo que mesmo não compreendendo direito as coisas ela entendia que Aimi havia partido e agora éramos apenas nós.

Eu ainda sentia como se ela estivesse nos meus braços ainda, com a cabeça encostada ao meu peito, parecia tudo um sonho ruim e passageiro, contudo ao ver o espanto nos olhos de Ino e as lágrimas descendo por seu rosto eu havia compreendido que Aimi havia nos deixado, podia finalmente estar em paz, sem dor e cuidando da filha mesmo longe.

Quando o caixão começou a abaixar as chuva deu um pouco de espaço cedendo por um tempo para que pudéssemos nos despedir, o reverendo pronunciava suas falas de consolo e algo sobre a salvação de sua alma, sentada no meu colo minha princesa chorava baixinho com a cabecinha encostada a mim e as mãozinhas agarradas a minha blusa, eu não sentia as lágrimas descerem só que meu peito estava apertado, as últimas semanas ao lado daquela mulher fizeram uma grande mudança em tudo, na maneira como eu a via, na forma como meus sentimentos de raiva e desprezo se transformaram em compaixão e compreensão, eu queria que ela tivesse tido mais tempo, tempo com a filha, tempo com a família dela, tempo para ter uma nova vida, simplesmente um tempo...

As rosas azuis que ela tanto gostava enfeitavam a madeira que cobria seu corpo, a terra começava a lhe cobrir e dizer adeus parecia algo difícil, eu sentia muito por ela não ter sofrido tanto, por não termos conseguido ajuda, já era tão tarde para se fazer algo, agora eu precisava lhe dizer adeus e cobrir essa camada dolorosa de sua perda para seus entes queridos, minha filha era um deles, eu enxergava no brilho dos seus olhos marejados que o caminho seria difícil, só que como disse a Aimi antes dela ir, tudo vai ficar bem mesmo que demore algum tempo.

— Aimi foi uma mulher forte nesses últimos tempos, enfrentou a doença com força e coragem e seus últimos momentos foram de serenidade e ao mesmo tempo medo porque não sabemos o que vamos encontrar do outro lado, como vai ser, para onde vamos e eu via nos seus olhos que isso a assustava, mas ela sabia que tudo ficaria bem, que será difícil aceitar sua ausência, enfrentar sua partida, mas tudo vai ficar bem. Ela me deu o melhor presente que um homem poderia querer na vida, ela me deu a Hiromi, uma filha linda que eu vou amar, cuidar e fazer que ela jamais se esqueça da mãe maravilhosa que teve. A Aimi não foi perfeita assim como todos ela cometeu erros, mas seu erros foram perdoados e dissolvidos com tudo o que aconteceu, eu não a culpo a mais, não sinto mais raiva de você, então Aimi pode ir tranquila, eu vou cuidar da nossa filha e eu sei que onde você estiver vai ter orgulho dela e sempre vai estar presente com ela. Adeus Aimi.

A última camada de terra foi posta em seu túmulo, a pedra com seu nome colocada em cima, as flores que ela tanto gostava agora enfeitavam sua lápide cinza, Ino segurou minha mão, Hiromi estava no meu colo e Hana no dela, a chuva agora havia se dissipado, porém o céu ainda não tinha cor, ele estava de luto também, demos as costas ao passado, seguimos em frente ao futuro incerto, mas juntos e unidos, beijei os lábios róseos e abracei com força o corpinho pequeno e frágil no meu colo.

— Vai ficar tudo bem filha, papai está aqui com você.

Os bracinhos gordinhos abraçaram o meu pescoço e sua voz embargada pelo choro me cortava o coração, queria ser um super herói agora com o poder de acabar com a dor de quem amamos, se eu pudesse a colocaria em mim somente para poder ver em seu rosto inocente um sorriso radiante em vez de lágrimas, acho que esse anseio no meu peito de querer preserva-la é o que chamamos de instinto paterno, estou começando a entender melhor o que significa ser um pai.

***

Não conseguia ver o tempo passar quando estávamos juntos, podia ser apenas sentados na praça perto de sua casa tomando um sorvete, ou fazendo amor com ela, qualquer minuto ao seu lado para mim conta e é importante, comecei a me sentir completo de novo depois de tantos anos carregando um oco dentro de mim e uma sensação de solidão no meu coração.

Eu não sei dizer se é o sorriso encantador dela ou aquele olhar de menina inocente que me prende quando estamos conversando, se é a sua pele sedosa e macia junta a minha quando damos as mãos, ou se é o jeito que o cabelo dela balança com o vento que faz parecer pequenos raios de sol, ou se é o conjunto todo da obra que me faz ver Hana como a mulher perfeita, perfeita para mim.

Agora estando com ela percebo que o que sentia por Hinata não era amor de verdade, existiu sim um sentimento maior que o de amizade, contudo não era amor, isso eu sinto agora ao lado dessa mulher, eu quero apresenta-la logo a família, quero poder mostra-la ao mundo, planejo apresenta-la formalmente ao meu pai e ao meu irmão assim que Naruto voltar de férias com ele.

Enquanto divagava sobre o futuro ao lado de Hana, ia preenchendo os documentos e prontuários de alguns pacientes, as coisas pareciam estar bem no hospital, Itachi melhorava a cada sessão e isso fazia seu irmão se sentir bem com seu progresso, eu aprendi que quando encontramos o rumo que procurávamos para nossa vida tudo parece se encaixar, parece finalmente fazer sentido. Abri minha gaveta e olhei a caixinha de veludo vinho escondida nela, sorri ao imaginar a cara de surpresa de Hana. Ouvi batidas na porta e era minha secretária trazendo os prontuários dos pacientes de hoje.

Sentei-me a cadeira e olhando o sol claro entre as nuvens pensei nela, com certeza deve estar vendendo suas flores e sorri ao lembrar que tudo começou por causa de um buquê de rosas brancas destinadas a uma mulher que achei que amava e que no fim acabou me levando para a que hoje eu sei que é a pessoa que esperei a minha vida toda.

Meu coração estava fechado desde a morte de Konan, eu sofri muito com sua perda e mais ainda por não ter conseguido salva-la mesmo sendo um médico, a culpa me cobriu por tanto tempo que quando conheci Hinata eu achei que ela era a mulher que Konan queria para mim, mas eu estava errado porque mesmo longe ela soube me levar para o caminho certo, soube me levar até Hana e sei que onde ela está, está feliz por me ver longe do vício, longe do ressentimento e da culpa e mais perto da redenção e da felicidade e ao lado de alguém que realmente quer me entregar seu coração.

Meu telefone tocou e acabei saindo da minha linha de devaneio.

— Oi querido te atrapalho?

— Hana, estava pensando agora em você.

***

Quando a manhã chegou e os raios de sol invadiram o quarto pela fresta da cortina, despertei com uma sensação boa de renovação toquei o chão frio com as pontas dos dedos e senti um arrepio me percorrer pelo corpo, estralei os membros, dirigi-me ao banheiro do quarto e enquanto eu lavava o rosto e vislumbrava o meu reflexo a minha frente pela primeira vez eu sorri.

— Hoje vai ser um bom dia. – Disse a mim mesmo.

Não conseguia imaginar a mim mesmo numa situação tão patética, quem me conhece bem sabe que raramente eu desperto de tão bom humor, contudo minha noite foi tão boa que não tem como não acordar se sentindo tão bem. Tomei meu banho, vesti-me e desci na esperança de que meu irmão já tivesse levantado e para minha total felicidade lá estava ele, tentando segurar uma xícara do que acredito ser café, parei a soleira da porta e fiquei observando-o e quando achei que ele perderia para a peça de porcelana para seu e meu total orgulho ele conseguiu leva-la a boca e solver o líquido.

Aproximei-me sorrateiramente de suas costas e o abracei pelo pescoço, dei um beijo em sua bochecha e ele olhou-me nos olhos desconfiados, sorri para ele e peguei uma maçã dando-lhe uma mordida enquanto servia-me de café também. Meu irmão ficava atento a cada movimento meu e questionava com seus ônix o que tinha te erradamente certo comigo.

— Consegui compor ontem à noite. E também estou feliz que esteja ficando independente.

— Sua inspiração noturna se chama Sakura? E obrigada, também gosto de me ver progredindo.

— Por que acha que minha inspiração é a Sakura?

— Estou errado?

— Não, Itachi. Quero te mostrar a música. Vem comigo? – Fiz a mensura de ir empurrar sua cadeira, porém ele me lançou um olhar duro e pôs a mão no controle e saiu guiando a cadeira até a sala de música, eu via que ele gostava de ter o gosto de ser um pouco livre e não queria que ninguém tirasse dele essa sensação, eu o acompanhava respeitando seu espaço, mas tomando cuidado para que ele não se machucasse, Itachi guiava a cadeira com maestria, evitando que a mesma se esbarra-se em algo, parecia um piloto com seu marche e sua atitude me fazia rir e ao mesmo tempo sentir orgulho, algo natural da vida afinal os irmãos mais novos sentem algo assim pelos irmãos mais velhos, porém eu também me sinto feliz ao proporcionar sentimento semelhante a ele. Ao chegar a sala de música encostei-me a soleira da porta, meu irmão parou ao lado do banco e tentou sentar-se sozinho, contudo suas pernas não conseguiram sustenta-lo, corri em sua direção e o peguei em meus braços antes que caísse ao chão.

— Itachi eu sei que você quer ser independente e eu sinto muito orgulho de você por isso nii-san, mas essas coisas levam um tempo, por favor, deixe-me ser suas pernas até esse dia chegar. – Seu olhar para mim não era de reprovação e sim agradecimento, ele assentiu concordando com minhas palavras, o peguei no colo com cuidado e o sentei no banco pondo em frente ao órgão.

— Obrigado otouto. – Seus ônix encaravam as teclas pretas e brancas, seus dedos dedilhavam uma melodia qualquer vinda de sua cabeça, ele sorriu para mim e apontou para o instrumento a sua frente. – Mostre-me sua obra.

Sentei-me ao seu lado, estralei os dedos e como mágica os acordes iam pairando no ar, minha voz estava mais neutra, suave, observava meu irmão parecia viajar na música, os olhos fechados e a respiração longínqua indicavam que ele apreciava a canção. Quando terminei e dedilhei as últimas teclas, estava satisfeito com o resultado de uma madrugada de trabalho, eu sentia que a cada vez que tocava essa música ela me parecia melhor, mais refinada, Itachi abriu os olhos e olhou para mim, seus ônix brilhavam de emoção e nem precisava me dizer nada eu sabia que havia conseguido despertar no meu nii-san orgulho.

— O meu garotinho cresceu, está tão linda Sasuke eu sinto que você não vai ganhar apenas o coração de Sakura.

— Mas o dela é o único que me interessa.

Meu coração só é feliz quando estou com ela, eu via nossa história em cada verso da composição, conseguia vislumbrar o sorriso meigo de Sakura ao me ouvir cantar, os olhos esmeraldinos cintilavam toda vez eu voltava de um show, seus beijos me recebiam com carinho. Suspirei ao lembrar-me dela, recostei a cabeça no colo dele suas mãos afagavam meus cabelos arrepiados, lembrava-me a nossa infância quando nossos pais saiam e deixavam Itachi cuidando de mim, por mais que tivéssemos babás meu irmão sempre gostou de cuidar de mim na ausência dos nossos pais e em momentos assim quando eu sentia saudades deles ele me confortava e dizia que quando eu menos esperasse eles estariam de volta e agora nesse momento eu pensava assim que quando menos eu esperar Sakura estará estar entrando de volta na minha vida.

***

Quando chegamos à casa de Aimi todos os cômodos pareciam mortos, é como se sua morte não tivesse levado apenas sua vida, mas também toda sua virtude, a casa silenciosa e inabitável não tinha mais raízes para se apegar, agora era uma simples trepadeira que não tinha onde se segurar. As caixas de papelão espalhadas por cada lugar aos poucos recebiam os objetos pessoais, suas roupas e os objetos de algum valor.

Depois de muito trabalho minha filha conseguiu dormir, os olhinhos cintilavam de tristeza, sua dor era tão grande para um ser tão pequeno, vê-la tão partida estilhaça em vários pedaços meu coração. Seguíamos as instruções de sua mãe em relação aos seus bens, os objetos de decoração, roupas e moveis deveriam ser doados alguma instituição para mulheres com câncer ou um orfanato, já suas poucas joias e outros objetos de valor deveriam ser vendidos e o dinheiro arrecadado ser posto em uma conta para nossa filha, à casa que elas residiam ficaria a disposição de Hiromi para que ela fizesse com ela o que quisesse quando crescesse, assim tratei de contratar um pessoal responsável para manter a casa em bom estado de conservação até que nossa filha tivesse idade suficiente para decidir o que queria fazer com ela.

Ino e meus irmãos resolveram acompanhar-me para ajudar com a retirada das coisas, enquanto embalávamos tudo eu tentava imaginar como seria a vida de todos agora, eu estava recomeçando minha vida ao lado de Ino e jamais pensei que reencontraria um dia Aimi novamente, é triste saber que só foi possível esse encontro por causa de um motivo tão fúnebre, eu sei que ela está em um bom lugar, pois se arrependeu de seus erros, nossa filha sempre a terá por perto e não vamos deixar que sua memória seja esquecida. Agora eu tento mentalizar como vai ser daqui para frente, eu não sei absolutamente nada de como é ser um pai, estou com um pouco de medo, Ino me apoia em todas as circunstâncias e vai ser uma ótima madrasta para minha pequena Hiromi, vejo como ela cuida e ama a sobrinha e sei que com o tempo esses sentimentos vão ser compartilhados para ela também.

Faltava agora somente o quarto de Aimi para empacotarmos tudo, foi estranho entrar naquele cômodo depois dela ter ido, sua cama agora arrumada e com os lençóis bem esticados não parecia mais o lugar onde ela havia passado seus últimos momentos, ainda conseguia vê-la ali sempre sedada, com os aparelhos em volta a ajudando se manter viva, seu corpo franzino já tomado pela doença, sem perceber uma lágrima desceu de meus olhos, a limpei rapidamente e comecei a guardar as coisas.

Não havia muito ali para se por nas caixas, quando terminava de fechar a última caixa encontrei um envelope dentro de uma das gavetas dela, estava escrito meu nome na frente e pelo que eu reconhecia a caligrafia pertencia a Aimi, peguei a carta com cuidado, sentei-me a cadeira onde fiquei nos últimos tempos e abri o envelope. A letra dela mesmo com sua fraqueza permanecia perfeita e elegante, acredito que ela a tenha escrito quando sua doença não havia avançado tanto. Comecei a ler.

Gaara,

Se você estiver lendo essa carta é porque não estou mais aqui, não estarei mais presente na vida de Hiromi, sei que vai ser difícil no começo para você, afinal estou lhe impondo a responsabilidade de ser um pai, mas confio em você e eu tenho certeza que você desempenhara esse papel com maestria. Quero te dizer que sinto muito por tudo que te causei no passado, não consigo imaginar o tormento que você tenha passado, fico feliz que você tenha encontrado na sua vida uma pessoa boa como Ino, ela vai te ajudar a cuidar da nossa filha e vai ser uma boa mãe para ela eu sinto isso, você não sabe como me dói escrever essas palavras, pois sei que só estão sendo ditas a você porque estou morrendo Gaara, a verdade é que fui egoísta demais eu quis ter o mundo quando já tinha você, e eu sinto muito por não ter te dado o valor que você merecia, mas eu amei você com o meu jeito torto, errado e minguo, contudo eu amei e foi desse amor tão puro e tão escuro ao mesmo tempo que tive de você que nasceu a Hiromi que é o bem mais valioso que a vida podia ter me dado.

Eu espero nesse pouco tempo que tive poder ter sido uma mãe que ela merece, que eu tenha mostrado a ela o que verdadeiramente importa nessa vida, e não é o dinheiro, ou joias, roupas caras e uma casa enorme, não, porque no fim nada disso vem com a gente, mas o que deixamos nas pessoas que amamos, o que damos a elas sem querer nada em troca é o que vale, porque eu estou aprendendo da maneira mais dolorosa possível que na vida a gente não é nada se não tiver pessoas que se importam com a gente e que nos amam, nos cuidam e nos perdoam quando erramos. Sei que não sou merecedora disso advindo de você, mas obrigada Gaara por mesmo depois de tudo que te fiz você ter ficado do meu lado, cuidar de mim e não deixar que eu sofra tanto, obrigada por ser esse homem tão bom, tão digno e sei que você vai ser muito feliz e amado porque você merece, você vai ter do seu lado pessoas que dão valor a você e sabem te preservar. Não quero que sinta ódio de mim por ter escondido todo esse tempo a Hiromi, mas eu acreditava que você não confiaria em mim e que eu não merecia causar mais dor na sua vida, me perdoe Gaara por tudo que fiz a você, sinto muito por ter lhe causado tanto sofrimento e também quero te agradecer por ter nos recebido na sua vida e ter permitido que eu me redimisse com você, vou partir em paz sabendo que minha Hiromi ficará bem e segura porque ela não terá pai melhor que você.

Com carinho Aimi.

Não percebi que algumas lágrimas haviam caído sobre o papel, a dobrei e coloquei de volta no envelope, pus no meu bolso traseiro da calça e empilhando as caixas as carreguei para fora do quarto, puxei a maçaneta e sai sendo coberto pela pilha a minha frente, tomei cuidado para não esbarrar em nada, cheguei a sala onde o pessoal me aguardava, sorri para eles e depositei as caixas no chão juntamente com as demais, reunimos tudo que devíamos, separamos as doações e assim seguimos para os carros estacionados e colocamos as caixas neles, fechei a porta e me encarreguei de fazer uma cópia para deixar com quem fosse cuidar da casa. Senti certo vazio pelo ambiente inóspito a minha frente, Ino segurava minha mão e me olhava carinhosamente, beijei seus lábios e abracei forte, seu calor, sua presença ali fazia-me bem.

Lembrei-me das palavras de Aimi na carta em meu bolso, “Ela é o seu presente, por isso cuide bem”, ela tinha razão eu não poderia desejar melhor mulher para estar comigo agora, abracei-a pelos ombros e seguimos para o meu quarto, iria levar as caixas com os objetos que não iriam para doação, meus irmãos iriam levar o restante, depois pensaríamos em lugares com as descrições dela que deveriam recebe-las, dei a partida e assim curvando a esquina dei adeus ao meu passado e abracei com mais força o meu futuro.

***

Neji massageava meus pés um pouco cansados, as coisas entre nós não podiam estar melhor e para ficar ainda mais perfeito eu consegui um estágio numa instituição que trata de casos como o meu, era tão bom sentir que eu podia ajudar outras pessoas com a minha experiência e Neji me apoiava muito nesse novo projeto da minha vida o que tornava tudo mais especial.

Sentados um de frente para outro no sofá da sua sala a gente escolhia algum filme para passar a tarde juntos, era bom nos nossos dias de folga usufruir da companhia um do outro, Neji e eu sempre revezávamos o dia na casa um do outro, comecei a pensar como seria bom se morássemos juntos. Neji recostava sua cabeça em meu colo, minhas mãos acariciavam suas mechas escuras.

— Neji estava pensando...

— No que meu amor?

— O que você acha se você se mudasse para cá?

Ele me olhou surpreso.

— Você quer dizer para gente morar junto?

— Sim, a gente se veria mais, conseguiria ficar mais tempo juntos.

— Você se enjoaria da minha presença todos os dias?

— Jamais, eu quero passar o resto dos meus dias com você. E então o que me diz?

— Tenten eu gosto muito do que a gente tem, de cada momento do seu lado e eu espero poder estar com você o resto da minha vida, mas eu quero fazer isso do modo mais tradicional que existe. – Neji levantou-se do meu colo e se ajoelhou no chão, pegou um fio de arame das minhas flores artificiais e o enrolou em forma de um ciriculo. – Eu esperava fazer isso de outra maneira, mais romântica só que você é tão independente Tenten e essa é uma das coisas que me atraem em você, eu queria poder colocar um anel no seu dedo, poder olhar nos seus olhos e te perguntar. Tenten você quer casar comigo?

Meus olhos marejaram, o coração acelerou, as mãos pareciam tremer eu estava sonhando só poderia ser isso, a minha proposta de morar junto estava se transformando em um pedido de casamento?!

— Tenten, eu estou começando a ficar com câimbra.

Joguei-me em seus braços e o beijei com fervor.

— Sim, é sim, nessa vida e em outra sempre será sim.

Ele colocou o anel improvisado em meu dedo e beijou o dorso de minha mão. Seus olhos também pareciam marejar, ele abraçou-me e levantou-me do chão me rodopiando no ar fazendo-me rir alto de êxtase.

— Eu te amo Neji! E eu quero um anel de verdade.

***

A ansiedade tomava conta de mim de um jeito indescritível, começava a deixar minhas malas e as de Itachi prontas para a viagem, faltava pouco tempo para irmos a Londres e eu começava a imaginar a reação de Sakura quando me visse, da comoção que espero causar nela. Tio Madara já havia feito as reservas no hotel para gente e as passagens estavam pagas, ele queria mesmo garantir minha presença no evento.

Deitado sobre minha cama eu escutava as músicas dela, parecia irônico a situação se inverter, Sakura me dizia que costumava ficar assim ouvindo minhas composições pensando em como eu seria, tentava associar a voz ao rosto no meu caso eu não precisava idealizar um rosto a doce voz que ecoava em meus ouvidos, pois esse eu conhecia bem, sabia como era beijar os lábios róseos, o toque da pele macia, o perfume de flores que emanava de sua pele quando estávamos juntos fazendo amor, de como suas esmeraldinas brilhavam de prazer quando eu a tocava em sua intimidade.

A saudade batia forte em momentos como esse, eu me via excitado só por lembrar dele e precisava esvaziar a mente e ao mesmo tempo ocupa-la com qualquer futilidade para dissipar aquela ereção dolorida. Suas músicas pareciam tão nossas, assim como as minhas é como se quiséssemos trocar mensagens subliminares por entre as letras e melodias, tocava fundo e atingia os pontos que queria.

Ouvi batidas na porta, levantei da cama e a abri, era meu irmão, dei passagem para entrar e assim ele o fez, estacionando a cadeira ao lado da minha cama, passou o olho pelo ipod e viu minha playlist sorriu curioso para mim.

— Curtindo uma, como vocês chamam mesmo? Ah sim, uma bad?

— Para Itachi, as gírias jovens não combinam muito com você.

— E nem com você. Me ajuda aqui. – Peguei meu irmão no colo e o coloquei deitado ao meu lado na cama. – Obrigado. Não estava conseguindo dormir e resolvi vir ficar um pouco com você.

Deitei minha cabeça no colo do meu irmão e o mesmo começou a acariciar minhas mechas rebeldes.

— Seu cabelo é tão rebelde, mamãe sempre dizia que nem precisava por gel nele, arrepiado por natureza.

— Diferentemente do seu, igualzinho da Okaa-san. Você precisa cortar esse cabelo sabia.

— Eu sei, amanhã você corta para mim?

— Vai confiar seu precioso cabelo as minhas mãos nii-san.

— É acho melhor pedir para Cris.

— Concordo totalmente.

Rimos e depois começamos a conversar sobre os nossos pais, eu contei a Itachi da visão que tive com okaa-san, dela cantando para mim dizendo que tudo ficaria bem.

— Ela estava certa, tudo está ficando bem, você voltou para gente, eu perdoei o tio Izuna e hoje nos damos bem, a Sakura apareceu na minha vida e parece que depois dela tudo realmente ficou maravilhoso as coisas começaram a se acertar é como se ela fosse predestinada a entrar na minha vida e concertar o que estava quebrado.

— Eu quero muito conhece-la pessoalmente, agradece-la por ter tirado você de tanta escuridão Suke, o que você tinha antes não era viver, você se culpava por algo que não foi sua culpa, foi um acidente e os nossos pais nos amava, o tou-san mesmo com aquele jeito duro e rígido amava a gente e tenho certeza que hoje ele tem só orgulho do homem incrível que você é.

Abracei meu irmão e suspirei aliviado, eu sentia como se todo o peso da culpa que carreguei por anos tivesse se dissipado, simplesmente saído de mim, uma leveza muito grande fluía no meu coração, eu acho que isso é o que significa superar o passado e se perdoar, para me sentir mais completo dessa sensação eu só preciso do perdão dela e se consequentemente ganhar ela de volta na minha vida sinto que vou precisar que me amarrem para eu não voar.

Ri sozinho do meu pensamento e meu irmão me olhou questionando.

— Nada demais, sabe me deu fome, vou fazer pipoca você quer?

— Com muito leite condensado, por favor.

— Seus gostos por doce me enjoam.

— Mas você ama seu nii-san e não vai deixar o pobre cadeirante com vontade.

— Agora você é um pobre cadeirante né.

— Só em situações que me convém.

Desci para a cozinha rindo do meu irmão, cheguei à cozinha e liguei a pipoqueira, enquanto aguardava os grãos estourarem eu admirava a noite lá fora, a lua estava cheia e brilhante o céu azul escuro com poucas estrelas, fechei os olhos e mentalmente agradeci por tudo que estava acontecendo de bom na minha vida, pelo retorno do meu irmão, pela sua recuperação, pedi pelo tia Madara e em especial por ela que onde esteja, que esteja bem e feliz porque eu aprendi que amar de verdade não querer prender o outro a si, não, é saber deixar ir quando tem que ir porque se é seu de verdade volta e acima da nossa felicidade vem a do outro, pois somente assim podemos usufruir e perceber o que nos é importante de verdade.

“Você me deu e ensinou muitas coisas nas quais sei que sozinho não seria capaz de aprender, você apareceu no momento em que minha vida precisava de cor porque ela estava cinza, eu não soube dar valor quando tive e hoje sei o quão grande foi o que perdi, mas espero ainda estar em tempo de resgatar-te, de trazer de volta o que não deveria ter deixado ir.” (Black Swan – CDC).

Notas finais
A fic está acabando, então não deixem de acompanhar a reta final. Estou caprichando nesses momentos finais para vocês. Um beijo até a próxima semana