Colecionadora de Universos
11 Vesúvio
Minha alma nua e meus pés descalços
Uma pesada bagagem
De incertezas e não prazeres
Uma incrivelmente curta viagem
Enquanto cresço e diminuo
E o tempo corre
E o "tique tique" da água pingando
Distrai-me e faz-me esquecer
Que essa é minha casa mas não meu lar.
Meus membros tremem
Meus olhos se enchem d'água
E transbordam em um dilúvio
Meus dedos correm escrevendo a fábula
Sobre os monstros distantes do sonolento Vesúvio
Escorre de minha boca um ácido
Com sabor de morte
De minha pele brota o vermelho
Uma raiz com forma de corte
Do buraco em minha existência cresce uma árvore
Seca, infértil
Quebram-lhe os galhos
Proíbem-lhe de receber as gotas dos orvalhos.
Seus galhos nus nunca servem de sombra
Suas raízes encontram-se podres
Só está de pé graças ao feitiço de uma bruxa.
Amaldiçoada com o vazio
Presa na existência
com cheiro de inexistência
Lá, no interior do vulcão
Há tortura e há medo
Mas ele não entra em erupção
É irreal, espiritual
Os maus até ele chegam
E são sangrados conscientes
O choro, as lágrimas de sangue
É esse meu destino?
Feliz ou infelizmente
Eu não existo
E ao apagar final das luzes
Só haverá escuridão.
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