Minha alma nua e meus pés descalços

Uma pesada bagagem

De incertezas e não prazeres

Uma incrivelmente curta viagem

Enquanto cresço e diminuo

E o tempo corre

E o "tique tique" da água pingando

Distrai-me e faz-me esquecer

Que essa é minha casa mas não meu lar.

Meus membros tremem

Meus olhos se enchem d'água

E transbordam em um dilúvio

Meus dedos correm escrevendo a fábula

Sobre os monstros distantes do sonolento Vesúvio

Escorre de minha boca um ácido

Com sabor de morte

De minha pele brota o vermelho

Uma raiz com forma de corte

Do buraco em minha existência cresce uma árvore

Seca, infértil

Quebram-lhe os galhos

Proíbem-lhe de receber as gotas dos orvalhos.

Seus galhos nus nunca servem de sombra

Suas raízes encontram-se podres

Só está de pé graças ao feitiço de uma bruxa.

Amaldiçoada com o vazio

Presa na existência

com cheiro de inexistência

Lá, no interior do vulcão

Há tortura e há medo

Mas ele não entra em erupção

É irreal, espiritual

Os maus até ele chegam

E são sangrados conscientes

O choro, as lágrimas de sangue

É esse meu destino?

Feliz ou infelizmente

Eu não existo

E ao apagar final das luzes

Só haverá escuridão.

Notas finais
Escrita em alguma data entre 2016 e 2017