Colecionadora de Universos
12 Um garoto
Os quatro sentados em um bancoCada um com seu cigarro3 ou 4 da manhãCorroendo os pulmõesE fugindo das desilusões.Pra quem olha de longe,São apenas cascasEnxergam apenas a futilidadeDepois de longas horas trabalhadasOs quatro sentam e esperam a famosa felicidadeMas ela nunca vem.Todo dia um punhado de diferentes rostosNo caminho pra casa, as vezes uns novos roxos.A fumaça aquecia os coraçõesNo meio do frioOu do calor que não aquece a alma.Aos poucos o sol nasceE eles seguem seus rumos. O garoto de vinte e poucos anosSe joga na cama em meio aos panosE não consegue dormirA insônia lhe persegueE o álcool lhe faz sorrir.
Dorme então umas poucas horasToma um banho geladoE um café apressadoE sai correndo pro trabalhoMais uma madrugada solitáriaMesmo vendo tanta gente,Sua alma permanece sem visitantes. Naquela noite, mais tardeEnquanto mijava escondido num cantoApareceram váriosE lhe chutaramE lhe bateram E lhe largaram. Seu corpo ficou jogado no chãoSeu sangue esparramadoDepois de um tempo o acharamLigaram pra policia e pro hospitalUns dias de recuperaçãoE não demorou chegar sua carta de demissão. Agora, machucado e desempregadoSem perspectiva e sem dinheiro pro cigarroO garoto foi posto pra fora"Eu nunca quis um filho viadoAinda mais desempregado" Ele saiu sem malasFoi pra rodovia em frente ao posto que trabalhavaSabia os horários dos ônibusE num ato desesperadoSe jogou na frente de um.
Fale com o autor