Os quatro sentados em um banco

Cada um com seu cigarro

3 ou 4 da manhã

Corroendo os pulmões

E fugindo das desilusões.

Pra quem olha de longe,

São apenas cascas

Enxergam apenas a futilidade

Depois de longas horas trabalhadas

Os quatro sentam e esperam a famosa felicidade

Mas ela nunca vem.

Todo dia um punhado de diferentes rostos

No caminho pra casa, as vezes uns novos roxos.

A fumaça aquecia os corações

No meio do frio

Ou do calor que não aquece a alma.

Aos poucos o sol nasce

E eles seguem seus rumos.

O garoto de vinte e poucos anos

Se joga na cama em meio aos panos

E não consegue dormir

A insônia lhe persegue

E o álcool lhe faz sorrir.

Dorme então umas poucas horas

Toma um banho gelado

E um café apressado

E sai correndo pro trabalho

Mais uma madrugada solitária

Mesmo vendo tanta gente,

Sua alma permanece sem visitantes.

Naquela noite, mais tarde

Enquanto mijava escondido num canto

Apareceram vários

E lhe chutaram

E lhe bateram

E lhe largaram.

Seu corpo ficou jogado no chão

Seu sangue esparramado

Depois de um tempo o acharam

Ligaram pra policia e pro hospital

Uns dias de recuperação

E não demorou chegar sua carta de demissão.

Agora, machucado e desempregado

Sem perspectiva e sem dinheiro pro cigarro

O garoto foi posto pra fora

"Eu nunca quis um filho viado

Ainda mais desempregado"

Ele saiu sem malas

Foi pra rodovia em frente ao posto que trabalhava

Sabia os horários dos ônibus

E num ato desesperado

Se jogou na frente de um.