Colder Than Ice

1 Capítulo 1- Agatha -


Notas iniciais
Os primeiros capitulos terão poucas palavras, mas com o tempo eu poderei escrever mais (to na 3g da praia z.z)

A única coisa pior que pesadelos são visões, especialmente para uma filha de Apolo.

Meus pesadelos sempre foram os piores, desde que deixei minha casa até aqui eles me atormentam, nunca tinha odiado tanto dormir nem fechar os olhos, mas agora os sonhos tinham mudado graças às noites em que eu dormia deitada no peito quente de Joe, ele espantava meus medos e pesadelos, pelo menos era o que eu achava até aquela noite.

Como sempre Joe e Tristan tinham destruído metade do acampamento com mais umas de suas brigas, eles brigavam por coisas importantes, como a proteção de pessoas que eles amavam, até comida, essa ultima era a mais idiota, tirando os momentos em que eles brigavam apenas porque um tinha olhado feio para o outro, mas o mais estranho era no final, os dois quase morrendo, com os corpos todos quebrados e roxos, rindo, eles riam deles mesmo e saiam caminhando como dois bons amigos.

Eu tive que ajudar Joe a caminhar até o chalé de Apolo, depois briguei com ele por ter destruído o acampamento, depois briguei com ele novamente por dormir durante a brigaanterior, por ultimo ele me pedia ajuda para chegar no banheiro e ligar o chuveiro, no instante que eu o liguei e fechei a porta para que ele se vestisse escutei o barulho de seu corpo caindo no chão, por um momento eu fiquei preocupada, mas depois de ouvir os barulhos de alguém roncando eu apenas bati com a palma da mão na testa e sai caminhando, acho que era isso que eu ganhava por namorar meu irmão.

Caminhei até a fogueira para o jantar, Payne e Lysa me esperaram sentadas em uma pequena mesa de madeira, pela cara de Payne ela havia passado pela mesma coisa que eu, nós duas trocamos irritantes informações dos nossos namorados incestuosos, rimos dos dois e de sua estúpida rivalidade como sempre, e depois voltamos a ficar preocupadas, Joe e Tristan já deveriam ter voltado àquela hora, o jantar já havia acabado e nenhum deles apareceu, nós três ficamos lá esperando, até que Lysa se cansou e decidiu ir para a cama, Payne e eu continuamos, sem falar uma palavra, apenas esperando na escuridão da noite que nos engolia.

–Tristan – sussurrou Payne ao vento, eu sempre admirei a cor quase prata de seu cabelo e seus olhos lilás, naquele momento era parecia ainda mais sombria – tem alguma coisa errada.

– Eu sei – disse tremendo, a noite estava fria e eu não estava acostumada a ficar tão longe de Joe, minha fonte própria de calor, tentei ajeitar um pouco da minha franja mas os maços pretos nunca colaboram comigo, fechei meus olhos cansados e tentei soar menos preocupada – Joe nunca recusa comida.

Tentei arrancar uma risada dela com o comentário, mas ela ainda estava preocupada, o frio ficou mais forte e ela começou a sentir também, não era um frio normal, era um frio sombrio que arrepiava cada parte do meu corpo, o vento roçava no meu corpo me deixando nervosa e assustada, o barulho que ele vazia parecia um sussurro, fechei os olhos e pensei em ir dormir, ir até o chalé e procurar Joe, mas eu não queria sair de perto dos restos da fogueira, aonde havia um pouco de luz em meio as trevas.

–É melhor irmos atrás deles – disse Payne se levantando – não estou gostando desse clima.

Eu também não.

–Não deve ser nada – disse, tentando me auto-consolar – devem estar brigando de novo.

–Não Agatha – ela disse em uma voz tão séria que me fez levantar – tem algo muito errado, não posso ignorar isso.

Payne saiu caminhando e desapareceu em meio as sombras, filhos de Hades, eu invejava seu despeito pelo escuro e pelas trevas. Levantei também, bem no momento em que uma ultima brasa queimava no que antigamente era uma fogueira, uma forte rajada de vento passou por lá e apagou a minha única luz guia, fechei os olhos e continuei em frente, tentei concentrar o calor do sol dentro de mim, mas algo não me deixava concentrar minhas forças, me senti fraca e observada, mas continuei.

Chegando ao chalé eu dei de cara com a porta aberta, me assustei por ver que não havia mais ninguém lá dentro, entrei no banheiro e Joe não estava lá, mas o chuveiro estava ligado, eu o desliguei e presumi que Joe estiva na cozinha atrás de comida como na maior parte do tempo, mas eu estava me enganando, tudo era muito estranho, tudo estava estranho.

Logo percebi que não havia ninguém nem nenhum som perto ou longe de mim, o acampamento todo estava vazio, me senti perturbada, meu medo atingiu o nível maximo e meu coração começou bater, não sabia o que fazer, aonde estavam todos, aonde estava Joe? Pensei que estava em um pesadelo, pensei que aquilo era outra ilusão de um filho de Eris.

De repente comecei a suar frio, uma forte dor de cabeça começou e o chalé começou a girar a minha volta, eu sabia o que estava acontecendo, uma visão, elas eram cada vez mais constantes e gastava toda minha energia, eu já estava totalmente desgastada e não sabia se poderia aguentar mais uma, especialmente daquele tamanho, elas nunca tinham ficado tão fortes, mas eu não parei, tentei deixar ela me levar como meu pai havia me dito, e ela me mostrou tudo que eu não queria.

Joe estava na floresta, com o corpo pior do que o deixei, quase desmaiando e cuspindo sangue ele lutava em meio a sombras que formavam tentáculos assustadores, eu podia ver os outros campistas sendo arrastados e arremessados em um grande buraco negro que se formava no chão, pensei que era Tristan no começo até ver Payne sendo jogada lá dentro, Tristan veio atrás dela, mas aquilo era mais forte, em segundos ele foi jogado também e Joe perdeu a concentração, ele gritou para Tristan e os tentáculos agarraram seus pés e começaram a arrastá-lo até lá, eu gritei e a visão se dês fez, não pensei duas vezes antes de sair correndo do chalé ainda de pijamas.

Corri tão rápido atravessando o acampamento que acabei lembrando de quando Joe me carregava em suas costas até a praia, usando seu colar para chegar lá em segundos, senti as lagrimas que isso me trazia escorrendo pela minha bochecha, antes de chegar no inicio da floresta eu pensei em recuar, mas nem o medo me impediu de tentar salvar as pessoas que eu amava, continuei ainda mais rápido, quando já estava ficando ofegante eu escutei os gritos dos campistas e os segui até uma grande clareira, mas quando cheguei lá não havia nada nem ninguém, só o silencio.

Cai de joelhos no chão, não entendia o que estava acontecendo, a visão tinha sido falsa? Alguém devia estar me manipulando, isso me deixava tão frustrada de com a sensação de inutilidade de sempre, só que bem maior, eu fechei os olhos com força e deixei as lagrimas secarem e procurei por uma voz, me surpreendi com a resposta imediata.

O vento foi rápido e cortante como uma espada pelo meio das arvores, as serpenteando e chegando ao pé do meu ouvido aonde uma voz masculina, suave e intensa sussurrou pra mim.

–Porque demorou tanto querida?

Senti todo meu sangue baixar, não conseguir falar nem me mexer, meus olhos estavam arregalados e eu tremia todo e qualquer lugar do meu corpo. Então senti mãos firmes e fortes agarrarem minha cintura, não consegui gritar nem me debater, as mãos me puxaram e me apertaram contra o que parecia ser o peito de um homem forte, senti uma respiração forte na minha nuca enquanto um buraco negro abria embaixo dos meus pés, eu podia sentir a gravidade me puxando para baixo.

–Finalmente – ele sussurrou novamente, senti suas mãos me soltando em câmera lenta – que os jogos comessem.

Um riso pequeno e diabólico ficou para traz, ou melhor, para cima, em segundos eu estava caindo em direção ao buraco no chão, fechei os olhos e deixei as sombras me engolirem.