Notas iniciais
Meus capítulos são sempre em primeira pessoa variando de personagem, para não ficar confuso ^^

A primeira coisa que eu notei foi o frio, todos haviam caído na neve, quando levantei eu podia sentir a fúria crescendo dentro de mim, minha pele podia estar cheia de marcas da luta do Tristan e com os tentáculos, eu podia até estar cuspindo sangue, mas eu estava furioso, tão furioso que a neve envolta de mim começou a derreter.

Estava tão cansado que cai durante o banho, acabei dormindo lá mesmo, sempre encontro lugares diferentes para tirar uma soneca, e inusitados, abri meus olhos com um grito estridente lá fora, primeiramente eu não reconheci a voz, depois de um tempo percebi que era Agatha, e meu coração parou. Não era um grito comum, era um grito de ajuda.

Não pensei nem duas vezes, a dor que eu sentia não me impedia de levantar e correr até lá fora. Dei meia volta para buscar minhas coisas (não seria legal esquecer as roupas no banheiro, de novo) e sai correndo novamente. O acampamento estava vazio, eu na conseguia escutar nenhum som, apenas o grito de Agatha que vinha da floresta. Usei meu colar para chegar lá em menos de um segundo, fui parar em uma grande clareira no meio da floresta, depois que cheguei tudo ficou ainda mais silencioso.

No momento em que ouvi e senti uma movimentação nos arbustos eu me preparei para matar qualquer um que estivesse machucando ela, mas não foi qualquer um que saiu dali, foi Tristan, assim como eu todo machucado (sim, eu me orgulhava disso) e preocupado, mas ele vinha seguido daquele pequeno e desprezível porco-espinho.

–Joe? – ele parecia tão confuso quanto eu, e ainda mais cansado – o que você esta fazendo aqui?

Parei e percebi o quanto eu estava acabado, minhas pernas começaram a vacilar, olhei para Tristan e ele estava no mesmo estado.

–Eu ouvi – disse olhando para os lados, mais campistas estavam vindo, eu podia sentir – Agatha pedindo ajuda.

– Eu também – disse ele espantando – podia jurar que havia ouvido Payne me chamar...

Antes de Tristan terminar sua frase, vários campistas apareceram, todos estavam lá por algum motivo, terem escutado a voz de alguém importante pedindo ajuda ou até mesmo de terem seguido uma luz que os trouxera ali, e no meio deles apareceu Payne, ela veio correndo ao encontro de Tristan, a garota parecia tão preocupada quanto o resto. Olhei em volta procurando por ela, mas Agatha não estava ali.

– Onde vocês dois estavam? Agatha – fiquei instantaneamente animado ao ouvir o nome – e eu ficamos esperando horas vocês durante o jantar na fogueira – fiquei animado ao escutar a palavra “jantar”.

– Horas? – Tristan disse confuso – Mas não fiquei nem cinco minutos deitado, antes de te ouvir gritar.

– Como assim gritar? – ela parecia ainda mais confusa.

Eu podia sentir uma presença ruim no ar, ela se movia rápido como uma lamina, era algo grande e poderoso.

–A algo errado – eu disse, com uma expressão séria no rosto – alguém está brincando conosco.

Até o porco-espinho irritante do Tristan percebeu, ele era pequeno do tamanho de uma bola de golf e sempre ficava caminhando ao seu lado, ele levantou seu minúsculo focinho e começou a fazer um barulho que parecia ser um rosnado misturado com o choro de um filhote.

– Calma, Dodge – Tristan começou a acariciar o porco com a parte de baixo da foice, aquilo sempre o acalmava – calma.

Mas não foi o suficiente, o animal continuou a “rosnar” para o ar, Tristan lhe deu um pequeno empurrão com a perna, pois ele estava assustando os campistas mais novos, então o ar mudou, ficou ainda mais forte e frio, muito frio, tudo ficou escuro e a terra começou a tremer sobe meus pés. Quando percebi o que ia acontecer eu agarrei Tristan, Payne e Dodge (na verdade ele se agarrou no meu braço) e usei minha velocidade para nos afastar o máximo dali, e em menos de dois segundos o chão veio abaixo.

O chão se abriu sobre metade dos campistas e os engoliu, um buraco negro se formava lá embaixo. Senti meu coração parando e voltando ao normal, tínhamos escapado por pouco, mas estávamos bem na beira do buraco. Então um tentáculo gigante saiu do meio dele, todos os campistas ficaram desesperados, muitos tentaram fugir, mas o tentáculo se dividiu em várias pequenas partes e elas começaram a arrastar os campistas para o abismo de sombras que era como o buraco agora se encontrava.

Um tentáculo apareceu bem na nossa frente, eu rapidamente disparei uma flecha de fogo usando apenas meu dedão, ela atravessou o tentáculo e o desintegrou. Eu me levantei e ajudei Payne a se levantar, Tristan e seu porco não estavam aonde eu pudesse ver em meio ao caos que aquilo se transformara.

–Cuidado! – gritou Payne.

Eu me virei para traz e o tentáculo estava se reconstruindo, primeiro eu tentei atirar nele novamente, mas ele já havia memorizado meu golpe e desviou na hora, ele começou a se aproximas de nós, mas como uma sombra Tristan apareceu entre nós e a coisa, um só toque de sua foice o fez desaparecer por completo, sem nenhum resquício. Ele logo pareceu ser o alvo de todos os tentáculos por conseguir os matar, assim todos foram para cima dele.

– Payne – ele gritou para a garota – pegue Dodge e se esconda!

Payne até tentou falar alguma coisa, mas Tristan gritou novamente com ela e a garota agarrou o porco e saiu correndo entre as arvores, vendo os dois eu pensei em Agatha, queria poder fazer o mesmo com ela. Proteger a quem amo era a única coisa que me mantinha vivo, olhei ao meu redor e ela não estava lá, olhei para o buraco e engoli seco.

“Não, tudo menos isso” Pensei.

–Vai ficar ai parado ou vai me ajudar? – perguntou Tristan ironicamente enquanto cortava três tentáculos de uma só vez.

–Pronto para mais uma? – eu disse usando minhas mãos e dando um soco em um dos tentáculos.

–Tem que parar de ser tão idiota – ele riu enquanto matava mais quatro deles.

Fui para um combate corpo a corpo contra os tentáculos. Eles não eram afetados pelo meu fogo, mas não lidavam bem com minha velocidade, mesmo assim eu já estava cansado graças à luta amistosa com Tristan mais cedo, meu corpo não tinha a mesma grande força de sempre. Quando minha força diminuía, eles me acertavam. Comecei a tropeçar e a cuspir sangue, me sentia fraco e vi que Tristan estava fraco também, a única coisa que me motivava a seguir em frente era procurar Agatha e garantir sua segurança, já que era uma batalha perdida.

Ouvi então Payne gritando, do outro lado do buraco o maior dos tentáculos tinha a pegado, Dodge também estava lá, mordendo raivosamente a ponta do tentáculo tentando salvar Payne. Tristan gritou, mas o tentáculo foi mais rápido, ele atirou Payne e Dodge no buraco, eu senti a raiva de Tristan emanando de seu corpo e ele correu na direção do buraco. Eu sabia que ele iria fazer algo que drenaria sua energia toda, mas eu faria o mesmo por Agatha. Quando ele chegou na borda do buraco um tentáculo apareceu e lhe deu um empurrão para dentro das sombras.

Minha raiva aumento, mas eu estava tão fraco, eu não tinha conseguido salvar meu melhor amigo, estava tão destruído que não vi os tentáculos agarrarem meus pés, eles me arrastaram para o buraco e me jogaram lá dentro com facilidade, eu vi os últimos semideuses caírem lá também.

Meus olhos estavam vermelhos de raiva, eu estava confuso e cansado, todo meu corpo doía e a sensação de uma queda infinita me invadiu, todas as vezes que eu abria meus olhos as sombras se transformavam em imagens, a sua maioria era de Agatha, amarrada com os olhos roxos de sono, ela chorava e todo o seu corpo estava cheio de machucados, a voz de todos os outros campistas gritando ficava abafada enquanto a imagem me trazia a voz de Agatha, sempre repetindo a mesma frase “Me salve”.

Comecei a desejar que a pessoa que estivesse fazendo isso tivesse a coragem de me encarar. Eu acabaria com ela em um piscar de olhos se eu achasse minha namorada naquele estado, para aonde quer que aquele buraco nos leva-se. Eu sabia que não iria morrer, eu simplesmente sabia, isso foi confirmado quando eu senti o frio invadir meu corpo. Tudo ficou claro, até demais, meus olhos quase queimaram com a claridade da neve, eu senti meu corpo perto do chão e me preparei para o impacto, mas não senti nada, apenas a neve me envolvendo.

Agora eu estava de pé, olhando em volta nem metade dos campistas estavam lá, vi Payne e Dodge chorando encima de Tristan, ele havia amortecido sua queda mas não estava morto, estava apenas inconsciente. Lysa estava caminhando ainda tonta, ela veio na minha direção totalmente confusa, me fez varias perguntas e eu apenas fiquei quieto, não sabia nenhuma resposta, ela entendeu e continuou a ajudar os campistas, todos estavam com frio e com medo, se perguntando aonde o resto de nós estava. Eu caminhei por todo o perímetro em que caímos, mas Agatha não estava lá.

Sentei na neve, fiz a mesma derreter a minha volta e acabei achando um solo de pedra. Olhei em volta tenta observar tudo detalhadamente, estávamos em volta de um desfiladeiro de montanhas afiadas, cinzas e melancólicas. Uma nevasca começou a cair, havia algumas arvores de galhos secos que formavam uma grande floresta.

Tristan já havia acordado, Lysa estava tentando liderar um bando de semideuses para procurar abrigo e mantimentos. Antes que eles pudessem entrar o vento cortante voltou, algumas aves negras voaram para longe das arvores e desaparecerem em meio às nuvens. Uma voz masculina veio com esse vento, percorreu o solo em que sentávamos e sussurrou em cada um de nossos ouvidos.

–Aposto que todos vocês estão confusos – a voz parecia irônica, parecia sentir prazer a cada palavra que falava – pensando onde estão, porque estão, onde estão seus amigos mais queridos – senti uma pontada forte no peito – pois tenho uma noticia para vocês, eu simplesmente adoro ver isso! – ele riu – humanos e deuses não deveriam procriar, porque suas crias são fracas e inúteis, apenas servem para a diversão das divindades e demônios, por isso agora é minha vez de me divertir.

Não sabia quem esse cara era, mas já o odiava. Queria vê-lo aparecer na minha frente agora, queria poder quebrar todos os ossos de seu corpo, queria poder ter Agatha de volta, queria poder me sentir feliz novamente.

– Não a muitas maneiras de sair daqui – ele continuou – há apenas duas saídas, umas delas está aqui do meu lado, no meu castelo, aonde nenhum de vocês jamais chegaria, afinal são apenas seres inferiores – ele riu novamente – a outra saída é matar todos os seus rivais, ninguém será poupado – a imagem de Agatha toda machucada veio a minha mente – ai vocês serão livres e o jogo ira acabar, isso se sobreviverem – a voz se tornou alta, foi na direção do céu e anunciou – Que os jogos comessem!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.