Notas iniciais
Eu gostava de ter pelo menos 1 cometário

A mulher morena corria desesperada por entre a escuridão da noite. A cada terceira passada o fôlego explodia-lhe no peito e saia-lhe boca fora. Uma passada para inspirar mais uma golfada de ar frio lhe ocupava os pulmões. E mais uma passada para o deixar sair. O eco de seus passos a denunciava, a adrenalina fazia seu corpo tremular, as batidas fortes de seu próprio coração soaram altas aos seus ouvidos. A escuridão não lhe dava clareza de onde estava. Apenas a lua cheia, iluminava o seu caminho. Sentia-se seguida, mas não se voltou para trás para ter a certeza disso.

Suas mãos estavam frias, os lábios e bochechas completamente entorpecidos, seus olhos estavam arregalados, enquanto lágrimas escorriam por aquelas duas esmeraldas. Passos lentos e pesados se escutaram no tenebroso silêncio da noite. Ousou olhar para trás, mas nada viu. Sua filha de apenas dias chorava baixo, junto do seu peito.

Novamente, olhou para trás, vendo a poeira se dissipando no ar, enquanto pequenos relâmpagos começavam a suar, afirmando a tempestade que se aproximava. Um galho se quebrou. Sua pele se arrepiou. Os pêlos claros de seus braços ficaram ouriçados, apertou ainda mais sua criança contra o peito. Deixou escapar um grito.

Um choramingo apavorado, temendo pela sua menina. O vento gélido soprava forte jogando fios negros de seu cabelo no rosto. A chuva começava a cair. Registrou um movimento imperceptível nas sombras da floresta. O corpo inteiro ficou paralisado um segundo depois. Sua menina começava a soluçar.

O eco da risada áspera daquele ser suou ao longe.

Apressou o passo, suas pernas fraquejavam conforme corria. Abriu a boca, aspirando a maior quantidade de ar que seus pulmões poderiam manter, como se lhe desse mais coragem.

Um clarão se viu ao longe. Uma mansão. Correu mais rápido. Seu coração se encheu de esperança. Subiu a escada da entrada, se agachando ali, com o coração aos pulos, suando frio.

Lágrimas escorriam por seus olhos ainda abraçada á sua filha.

A embrulhou na sua manta rosa. A mulher arrancou seu pingente do pescoço metendo no da sua protegida. Teve vontade de gritar alto mas apenas soltou o grande soluço que mantinha preso na garganta.

Estava encolhida com o corpo rente á porta, com sua filha adormecida nos braços. Beijou seu rosto, inspirou fundo o aroma de bebé, soluçando desconsoladamente.

A escondeu por trás dos vasos das plantas. Olhando uma ultima vez para sua menina chorando como nunca chorou. Virou costas, correndo para longe. Sua filha estaria em segurança agora.

E assim deixou Forks. Encarando seu destino, sozinha.