Cold Sun

11 Capitulo 11


Notas iniciais
Oi Gente eu estou demorando para postar por que essa fic como as minhas outras vão passar por uma enorme transição então eu tenho que adaptar vcs e a historia.

–ooooooooooo-

A neve caia intransponível, onde quer que os olhos corressem, não havia um ponto no chão que fugisse ao branco. Diego caminhou com os pés pequenos e pouco úteis, rasgou o novelo de água sólida que estava no caminho aos risos, até que tropeçou em algo muito peculiar.

Cabelos loiros enterrados na branquidão.

Deu um passo assustado para trás e esbarrou num grito agoniado. Seu pai tinha os punhos fechados e os pulmões em chama enquanto abaixa, aparava algo do chão e proferia ameaças ao vento, jorrando ódio como ele nunca imaginara presenciar.

''Mãe!'' Chamou caindo de joelhos.

''Diego!'' Ouviu uma voz, distante, quase palpável, conhecida, mas que não pertencia a sua mãe. ''Querido acorde, acorde.''

Ele rolou para fora da cama, e caiu no chão de concreto com o queixo estalando no impacto. Foi amparado por braços firmes e apoiado na maca. Angie analisou seu lábio inchado e conferiu a integridade dos dentes.

''O que aconteceu?'' Perguntou no meio da alienação.

''Acho que você pode me responder essa pergunta.''

Angie não tinha calor na voz. Olhava com um quê de interrogação sufocante. Diego forçou a mente e todas as lembranças voltaram como um trovão cortando nuvens. Marco. O carro. Sangue escorrendo na rua.

''Ruffer? Está morto?'' Foi uma falta muito grande de tato perguntar isso, mas o desespero superou a cortesia.

''Não, mas está desacordado desde o acidente.'' Angie o segurou pelos ombros. ''Vocês estavam discutindo e de repente ele estava voando pelos ares, tem pessoas alegando que você o empurrou na frente do carro, Diego.'' A enfermeira tinha um pesar na voz. ''Diga que é mentira.''

''Eu não faria uma coisa dessas.''

''Nem mesmo em um ataque de fúria?''

Diego sentiu um martelo descendo na garganta.

''Acha que eu fiz aquilo?'' Mal conseguia acreditar nas próprias palavras, pareciam não fazer sentindo aos seus ouvidos. ''Se você não acredita em mim, quem irá?''

Angie não teve tempo de responder ou protestar, Diego juntou o que lhe restava de energia e saiu tropeçando porta a fora. O zelador German estava na entrada, ele acabou esbarrando nele antes de fugir para qualquer lugar em que o mundo voltasse a fazer sentido.

–oooooooooo-

Diego correu e achou surpreendente o fato de ainda não ter apagado. A respiração era o maior descontrole que carregava no corpo e mal conseguia visualizar a ponte sobre o rio Main quando passou voando por ela, apoiando-se nas árvores durante todo percurso até o casebre.

Francesca estava na varanda quando o avistou.

A judia saiu correndo ao seu encontro, deixando o cobertor que a protegia no meio do caminho. Diego caiu antes que ela chegasse e sentiu o suor envolver-lhe a consciência embaçando o restante do mundo.

''Diego! Diego!'' Fale comigo. ''O que aconteceu?''

''Não fui eu, você precisa acreditar em mim.''

''Para, não diga nada, apenas me ouça.''

Oh ain't she nice,
well look her over once or twice.
Yes I ask you very confidentially:
ain't she nice?

Batimentos apaziguados. Respiração voltando ao normal. Alma restaurada. Francesca Reys sabia que música era o melhor remédio quando se tratava de tempos difíceis, pois foi assim que sobreviveu e concomitantemente estava ajudando a pessoa com que passava mais tempo a aliviar as consequências de um estresse pós-traumático.

''Vamos para dentro, farei chá quente para nós dois. ''

Diego apoiou-se nela e assim foi feito.

Depois de meia hora de silêncio, interrompido pelo tilintar de xícaras lascadas ela finalmente sentou ao lado de Diego no sofá e perguntou se já podiam conversar. Demorou um longo tempo para o alemão conseguir colocar tudo para fora, mas ele fez, sem titubear.

''Como ele está?''

''Não sei dizer.''

''Acha que ele irá nos entregar?''

''Se já não acordou e o fez.'' Diego quase sufocou com a certeza. ''Este lugar não é mais seguro para você, precisa ir... embora. Não quero que a capturem. Se Jade descobrir, irá mandá-la para o Campo de concentração mais próximo.''

Francesca estremeceu.

Não podia voltar para um lugar daqueles.

Nunca mais.

''Tem algo que quero lhe mostrar.'' Francesca correu até a caixa de papelão descansando do chão e puxou um longo papel do seu interior, estava meio surrado e difícil de identificar, mas ela esticou o melhor que pode. ''Lembra-se do local o qual aquele judeu que salvamos na ponte falou?''

''Schwandorf?''

''Exato.'' Francesca apontou um ponto cego no mapa. ''Antes de me separar dos meus pais era para lá que estávamos indo. Era o nosso destino. Há um acampamento judeu modesto nessa área, mas que ninguém além de meu povo sabe.'' Explicou aproximando a vela do papel.'' Não lhe contei antes, porque não confiávamos um no outro, mas isso é passado. Estava esperando que a guerra tivesse fim para ir até lá.''

Diego segurou o mapa nas mãos e analisou com atenção. Seria um caminho tortuoso, à céu aberto em muitos momentos, devido a pouco quantidade de florestas que povoavam a estrada, rios congelados corriam por várias partes, e a distância estimada de 200 km descartou a possibilidade de irem andando.

''Teremos de apanhar um trem.'' Diego concluiu passando os dedos pelo caminho mais palpável.'' Pelo menos até chegarmos à Nürnberg, depois pegaremos outro até Kitzingen e andaremos o restante do percurso até Schwandorf.''

''Espera.'' Francesca ponderou assustada. ''Nós?''

''Claro.'' Ele ditou guardando o mapa ao pé da cama.'' Como você espera comprar passagens sem ser pega? Eu comprarei os tickets. Nosso problema será apenas na hora do embarque.''

''Diego.'' Estava sem fala, mas aquilo era loucura e ela estava ciente disso.'' Vai ser muito perigoso, se nos apanharem, não posso imaginar o que fariam com...''

Convencê-la talvez fosse um problema terrível, mas Diego já estava farto de falar, tomou o rosto de Francesca e a silenciou com a boca, deixou ser levada pelo calor que exalava deles, como se fosse ser eternamente consumida por todo aquele conforto.

''Pare de imaginar, Reys.'' Ditou na quebra. ''Nós vamos fazer isso. Vou te entregar aos seus pais