Cold Hell (RKKT - Season 3)
6 Playing with a chainsaw
Notas iniciais
QUARTA-FEIRA
HESTER
Uma semana havia se passado desde o assassinato de Chanel #2. Fora Ariane, nenhuma pessoa tinha sido morta desde então. O acampamento estava quase vazio. Famílias refugiadas com crianças fugiram, em busca de um lar seguro. Os hóspedes que permaneceram eram, em sua maioria, jovens.
O sol de duas horas da tarde queimava sobre Chanel e Hester.
Hester jogou uma pedra na água do lago.
– Você acha que isso vai acabar tão cedo? – perguntou Chanel, que estava ao seu lado, observando-a.
– Isso o quê? – ela se virou para a loira. – Esses assassinatos? Nosso azar?
Chanel, que estava analisando uma rosa vermelha, encarou os olhos da morena.
– É exatamente a isso que eu to me referindo, piranha.
– Você sabe que não gosto de quando fala assim comigo!
Chanel revirou os olhos.
– Ainda te vejo como minha Chanel #4. O que na época foi um erro porque a Chanel #4 já existia...
– É... Nós nos encontramos em um hotel. – ela revirou os olhos e se sentou ao lado de Chanel.
– Espera... O que?
– Nada. Continue.
Chanel ajeitou os cabelos loiros nos ombros.
– Na época, era melhor você ter se tornado a Chanel #6.
Hester revirou os olhos mais uma vez.
– É sério que você quer voltar nesse assunto agora? Depois de dois anos e meio?
Chanel sorriu ironicamente.
– Claro que não, idiota. Eu só estava lembrando a época em que éramos Kappas...
Hester se revoltou.
– Essa época ficou para trás! Chega de falar dela! – ela se levantou e ajeitou o cabelo e a camiseta regata que usava. Depois, voltou a sentar-se.
Chanel olhava para Hester, como se fosse bater nela a qualquer momento. Logo depois, sua expressão suavizou.
– Essa camiseta ficou linda em você.
Hester olhou para a própria camiseta regata azul.
– Obrigad... Quer dizer... O QUÊ?
Ela se levantou de novo.
– Eu só te elogiei. – Chanel deu de ombros. – Não precisa ficar assim. Você também fica sexy sem uma orelha. Pena que você esconde com esse cabelo...
Hester estava assustada. Afastou-se alguns passos da amiga, indo até uma árvore, na beira do lago, onde se desequilibrou e caiu na água.
Chanel, que ainda estava sentada, finalmente, começou a rir. Sua risada era um som estranho para Hester, porque nunca tinha ouvido a garota rir em toda a sua vida... Com a Chanel, obviamente.
A loira, logo foi ajudar a amiga, puxando-a para fora da água. Elas estavam muito próximas uma da outra.
– Eu poderia te beijar agora. – disse Chanel.
Hester piscou.
– Olha, Chanel... Eu sei que somos amigas e tudo mais... Mas, eu namoro o Nathan! E nós somos duas garotas!
Chanel olhou bem no fundo dos olhos de Hester.
– E isso importa?
As duas ficaram em silêncio por alguns minutos, até que Chanel teve uma crise de riso. Ela sentou-se na grama e começou a chorar de tanto rir.
– O que foi? – perguntou Hester.
Chanel demorou alguns segundos para responder, porque estava ocupada demais rindo.
– Você acha mesmo que eu gosto de você? – ela gargalhou. – Foi uma aposta que eu fiz com o Max. Nunca que eu gostaria de uma garota!
Hester sorriu, aliviada.
– Ainda bem.
A loira parou de rir, se levantou e passou as mãos pelo vestido rosa que usava.
– Foi divertido. Se me dá licença, tenho um jantar com meu namorado, Max. Beijos de luz.
E então, ela foi andando, deixando Hester sozinha no lago.
A garota refletiu diversas vezes sobre o que Chanel tinha dito, até que resolveu esquecer e ir tomar um banho.
Mas, mal ela sabia que não existia aposta nenhuma. Chanel realmente gostava dela.
***
JAKE
Com o natal se aproximando, o acampamento inteiro estava sendo decorado aos poucos. Todos os hóspedes que estavam no acampamento ajudavam na decoração. Jake estava em cima de uma escada, que se apoiava sobre a árvore de natal gigante. Anne, sua irmã, carregava duas caixas cheias de bolas natalinas vermelhas e douradas, para que fossem colocadas na árvore. Nathan passava vários pisca-piscas em volta da árvore.
Ele não entendia o porquê de fazer essa decoração tão no início de Dezembro. E logo iria nevar então a decoração estaria arruinada. Jake não queria ser pessimista, mas era essa a realidade. Ele não podia fazer nada.
– Me passe a estrela, Anne! – gritou Jake, de cima da árvore, de quase cinco metros.
Anne largou as caixas na terra e olhou para o irmão.
– Onde ela está? – ela gritou em resposta.
– Dentro da caixa da esquerda. – respondeu Nathan, no lugar de Jake. Ele sorriu tímido. Nathan não era muito sociável no acampamento. Ele era namorado de Hester, Jake sabia. Mas, nunca o vira conversando com mais ninguém.
Anne pegou a estrela dourada e a jogou para seu irmão. Jake quase caiu da escada ao tentar pegar a estrela.
– Se ela caísse você ia ter que dirigir cinco quilômetros para comprar uma nova, vadia. – disse Chanel, se aproximando, puxando Max consigo.
Finn vinha logo atrás.
Todos os três carregavam enfeites de natal para a árvore. Em pouco tempo, ela estaria pronta.
Chanel pegou uma pistola de água e a encheu de glitter, para jogar na árvore. E foi o que fez. Em pouco tempo, a árvore estava toda brilhante, em diferentes tons de rosa.
– Bem melhor. – ela comentou.
***
Quando terminaram, já era hora da fogueira. Era uma das últimas noites quentes antes da neve finalmente chegar.
Hester sentava-se ao lado de Nathan. Os dois conversavam com Demetria e Anne.
Jake estava sentado ao lado de Finn e Max, que estava de mãos dadas com Chanel.
Alec e Ellie estavam sentados juntos. Ele segurava um violão e cantava para alegrar a noite.
Meia hora antes do toque de recolher, estavam se divertindo com competições de Karaokê.
Mal eles sabiam que aquela amizade duraria pouco.
***
RED DEVIL
O toque de recolher já tinha tocado. Os hóspedes já estavam em seus quartos. Red Devil foi até o chalé que servia de armário de materiais de jardinagem. Pegou uma serra elétrica.
Saiu do chalé, ainda com a arma desligada. Não queria acordar ninguém. Andou até um chalé, o que ele tinha analisado a semana inteira. O lugar em que sua próxima vítima estava dormindo nesse exato momento.
Essa noite, ele iria brincar com uma serra elétrica.
***
DEMETRIA
No início, Demetria achou que fosse um mosquito.
Não deu muita importância ao zumbido.
Quando o barulho se tornou insuportavelmente alto e chato, ela decidiu ver o que era. E não era um mosquito.
Uma pessoa fantasiada de Red Devil estava à sua frente, segurando uma serra elétrica.
Olhou para o lado, para a cama de Ellie. A garota não estava lá. Demetria juntou os pontos.
– Ellie? É você?
O assassino respondeu investindo com a serra elétrica para cima de Demetria, que desviou. O assassino acabou cortando metade de seu colchão fora.
A garota correu até a porta, tentando abri-la. Estava trancada.
– Droga! – ela gritou. – Por que eu tenho que trancar essa merda todo dia à noite?
Virou-se para pegar as chaves e deu de cara com o assassino atrás dela. Ela gritou. Só entendeu o que tinha acontecido quando sentiu a serra partir seu pescoço.
E tudo ficou preto.
Red Devil tinha decapitado Demetria.
O assassino desligou a serra elétrica.
Dirigiu-se até a janela, por onde tinha entrado. Mas, antes de sair, deu uma última olhada para o corpo de sua vítima.
A cabeça tinha rolado até o meio do quarto e o pescoço vazio se apoiava na porta. Sangue manchava as paredes e o piso de madeira.
– Idiota. – murmurou, saindo pela janela. Como se nada tivesse acontecido.
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