Cold Hell (RKKT - Season 3)
7 Merry Christmas, Pt. 1
Notas iniciais
QUINTA-FEIRA
ELLIE
Ellie estava sentada em sua cama, observando a neve caindo em sua janela. Fazia três semanas desde que Demetria, sua amiga, morrera no chalé que elas compartilhavam.
Claro que todas as suspeitas recaíram sobre ela, pois Ellie não se encontrava no chalé durante o ataque.
Mas, depois de um tempo, conseguiu convencer Mr. Joseph de que ela não era uma assassina.
Já era dia 24 de dezembro.
Essa noite teria a ceia de natal no refeitório.
Ela e seus amigos vinham passando as últimas semanas decorando o refeitório para a ocasião. Penduraram pisca-piscas em todas as paredes e portas. Penduraram vários balões vermelhos e brancos no teto, além de jogar neve falsa no chão.
Estava tudo perfeito.
Ellie queria que tudo desse certo. Em uma hora, iria se arrumar para a ceia. Seria o primeiro natal dela fora de casa.
E ela não sentia saudade da família.
***
FINN
– Já está pronto? – gritou Finn, ajeitando sua jaqueta de couro nos ombros enquanto se olhava no espelho.
– Quase. – respondeu Max, saindo do banheiro. Ele tinha acabado de tomar banho e estava só de toalha.
Finn virou-se para ele.
– Você ainda está assim?
Max sorriu.
– Eu me arrumo em dois minutos.
Finn revirou os olhos.
– Anda logo.
E então, ele saiu do chalé, deixando Max se arrumar sozinho. Estava nervoso com seu melhor amigo só de toalha ao seu lado. Finn sorriu.
Entrou no chalé dois minutos depois, como o prometido pelo amigo, e o encontrou amarrando os cadarços do tênis.
– Você é rápido. – comentou surpreso.
Max sorriu.
– Eu sei.
E então os dois foram para o refeitório.
***
HESTER
Hester bateu à porta do chalé de Chanel. A loira demorou alguns segundo para atendê-la.
– Ah, é você. – disse decepcionada.
– Você está esperando alguém especial? – perguntou Hester, olhando para trás, para a neve que cobria o chão.
– Só o Max. Ele está atrasado.
– Eu acabei de vê-lo com Finn, indo em direção ao refeitório.
– O quê? – Chanel gritou. – ELE ME DEU UM BOLO? ESSE DESGRAÇADO ME PAGA!
Hester sorriu com aquele chilique de Chanel.
Depois do momento de raiva, Chanel finalmente percebeu que Hester estava á sua porta.
– O quê você veio fazer aqui?
– Antes de dizer, posso entrar no chalé? Estou congelando aqui fora.
– Claro.
Hester entrou e Chanel fechou a porta.
– Nossa! – disse Hester impressionada.
O chalé de Chanel era igual ao seu, tirando toda a mobília rosa e com fru-frus rosa.
– Redecorei semana passada. – disse Chanel.
Elas sentaram-se no sofá da pequena sala que todos os chalés possuíam.
– Agora fala. O quê houve?
Hester respirou fundo.
– Eu falei com Helena essa manhã.
O medo percorreu as veias de Chanel. Ela tentou não deixar transparecer.
– E?
Hester olhou bem nos olhos de Chanel.
– Ela me disse que você está apaixonada por mim.
Chanel se levantou rapidamente.
– Ela está mentindo.
– Não. Não está.
– Você acredita em uma bruxa, mas não acredita em mim?
– Sua atitude acabou de mostrar que é verdade.
Chanel sentou-se novamente no sofá.
– E então... É verdade?
A loira respirou fundo e disse:
– Sim.
Aquilo pareceu um peso tirado dos ombros de Chanel. Ela finalmente tinha admitido.
Hester ficou parada. Sem reação.
Ela se levantou.
– Me desculpa, Hester... – começou Chanel.
– Não, Chanel. Não tem problema. Eu é que estou atrasada para a ceia. Até daqui a pouco. Tchau.
Ela saiu pela porta,rapidamente.
Chanel estava delirando ou Hester parecia também gostar dela?
***
HELENA
Ela abriu as portas do refeitório, que estava, surpreendentemente, arrumado e aconchegante.
Helena só esteve uma vez lá dentro. Em uma madrugada, quando foi roubar comida. Mas, o refeitório estava vazio.
Agora, ele estava lotado, com todos os hóspedes que permaneciam no acampamento. Helena sabia que a maioria tinha saído, porque estavam com medo do serial killer à solta.
Sim, ela sabia disso tudo. As fofocas também corriam pelas florestas. Ajeitou seus cabelos nos ombros e começou a procurar Chanel. Encontrou a garota alguns minutos depois, sentada à mesa com Max, Finn, Nathan e Hester.
– Helena! – disse Chanel com entusiasmo. Ela sabia que a garota estava sendo falsa. Era mais que perceptível. – Que bom que veio! Guardei um lugar do meu lado para você.
– Obrigada. – agradeceu Helena, enquanto Chanel a guiava para o lugar indicado. Ela sentou-se no banco e olhou tímida para seus companheiros.
– Não seja tímida, Helena! Vamos conversar! – disse Hester, amigavelmente.
Eles conversaram a noite toda sobre diversos assuntos. Quando eram mais ou menos 22h50, Chanel levantou-se.
– Aonde você vai? – perguntou Max, que Helena supôs ser o namorado dela.
– Ao banheiro. – ela respondeu. – Não posso ser mais discreta não? – disse, alisando o vestido branco, cheio de penas. – Helena, vem comigo?
Helena, que estava comendo um pedaço de pudim olhou para Chanel.
– Claro. – ela disse, se levantando.
As duas foram até o banheiro, caminhando lentamente entre os convidados. Todos pareciam felizes, comendo sua ceia de natal.
Chanel tirou os pisca-piscas da frente da porta do banheiro e entrou, segurando-os para Helena.
A loira entrou em um box, enquanto a morena se olhava no espelho. Passou a mão pelo decote do vestido vermelho sangue que usava. Ela era linda. Puxou um batom da bolsa que carregava e começou a retocá-lo em sua boca.
– Essa cor não combina com você. – disse Chanel, surgindo atrás dela.
Helena revirou os olhos.
– Sabia que esse disfarce de menina boazinha não ia durar muito tempo. O quê você quer?
A loira estava lavando as mãos, depois as secou com papel toalha.
– Eu só estava tentando ser legal.
– Até parece.
Chanel revirou os olhos e foi procurar algo no armário do banheiro. Parecia que ela tinha escondido algo lá. Depois de alguns segundos, ela puxou uma pequena caixa, embrulhada em um papel de presente rosa.
– Eu escondi isso aqui para que ninguém visse. – ela disse. Entregou o pacote para Helena.
Ela estava muito surpresa.
– Para mim?
– Claro. Não poderia deixar de homenagear a mulher que me trouxe de volta à vida, não?
As duas riram.
– Falando assim parece até que eu sou uma boa pessoa. – disse Helena, abrindo o presente.
Chanel olhava-se no espelho.
– Espero que você goste.
Quando Helena acabou de retirar o papel de presente, abriu a pequena caixa de papelão. Ficou surpresa com o que viu.
– Um isqueiro?
Chanel se virou para ela e riu.
– Sim. Não gostou?
A bruxa olhou para ela.
– Com tantas coisas para você me dar, você acaba escolhendo um isqueiro? Eu sabia que você era tapada, mas não a ponto disso.
– O quê? Esse isqueiro tem um significado!
– Qual?
– Esse.
Chanel pegou Helena pela nuca e bateu com sua cabeça na pia. A mulher caiu no chão, com a testa sangrando. A garota rapidamente correu até um box e puxou um galão vermelho.
Helena, que estava meio tonta, disse, tentando se levantar:
– O quê é isso? – o sangue escorria por sua testa até os olhos. Ela não precisaria levar pontos, porque poderia se curar com um rápido feitiço de cura. E foi o que fez. Mas, antes de se levantar, Chanel despejou o líquido em cima de Helena. – Isso é... GASOLINA?
– Sim. Li na Internet que as bruxas morrem sempre que são queimadas. Agora descobriu o porquê do isqueiro?
O medo percorreu as veias de Helena. Chanel estava planejando matá-la. Ela precisava fugir e chamar ajuda.
Ainda tonta, levantou e correu até a porta. Tentou abri-la. Estava trancada. Helena não se lembrava de Chanel trancando a porta. Alguém deveria ter trancado por fora, já que a porta só tinha uma chave externa.
– Não, não. Nem pensar. Você não vai fugir. – disse Chanel, ensopando Helena de gasolina.
A morena empurrou Chanel, fazendo com que o galão caísse de suas mãos e escorregasse até o outro lado do banheiro, espalhando gasolina por todo o piso de madeira.
– Você está louca? – esbravejou Helena. – A estrutura desse prédio é de madeira! Se o incêndio se espalhar, o refeitório vai desabar!
Chanel a ignorou. Correu até a caixa de presente de Helena e pegou o isqueiro. Acendeu-o e jogou em cima da gasolina, que fazia um rastro até Helena.
– Adeus, vadia.
A loira observou enquanto o fogo se espalhava pelo corpo da rival. Quando o cheiro ficou insuportável, ela foi até a porta do banheiro e bateu três vezes. Max abriu a porta para ela.
– Rápido! – ele disse, fechando a porta e trancando-a.
Os dois foram até a mesa onde seus amigos estavam sentados.
– Nós vamos nos divertir lá fora. Querem vir? – perguntou Chanel.
– Chanel, o quê aconteceu naquele banheiro?
– Nada. Só Helena que está com uma pequena... Prisão de ventre. Vamos, Max?
Ouviram um barulho alto quando a porta do banheiro explodiu e o fogo se espalhou pelas mesas perto do banheiro.
– Mas o quê...? – perguntou Nathan.
Eles viram um vulto em chamas correndo até eles. Helena.
– Não pode ser! – gritou Chanel.
Mas, antes que pudessem fazer qualquer coisa, Helena parou no meio do refeitório e explodiu, espalhando fogo para todos os cantos do refeitório.
Em poucos minutos, o prédio estava completamente em chamas.
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