Cold Hell (RKKT - Season 3)

8 Merry Christmas, Pt. 2


ANNE

A fumaça tinha bloqueado totalmente a sua visão.

Ela sentia sua pele arder por conta do calor do fogo. Anne gritava por socorro. Um pedaço do teto de madeira tinha caído em cima de suas pernas. Ela achava que as tinha quebrado.

Tentava sair, mas o desespero bloqueava seus pensamentos.

Como aquilo tudo tinha acontecido?

Anne só se lembrava de uma mulher em chamas correndo até o centro do salão, e depois... Fogo.

A mulher tinha explodido.

Ela ouvia os gritos das pessoas. Estavam todos saindo do refeitório. Anne ficaria sozinha lá dentro.

– SOCORRO! SOCORRO! SOCORRO! SOCORRO!

Cinco segundos se passaram, quando ela ouviu a voz de seu salvador.

– ANNE?

A esperança cresceu dentro dela.

– AQUI! SOCORRO!

Através da fumaça, Jake, seu irmão, estava vindo salvá-la.

Chegou até ela e viu sua situação.

– Temos que ser rápidos! Eu vou empurrar a madeira para o lado e você sai, ok?

– Tá! Anda logo!

Jake puxou a madeira. Nada aconteceu. Era muito pesada.

Ele bufou.

Tentou novamente. Nada.

Apenas na terceira vez, que a madeira deslizou um pouco para o lado, então Anne tentou se levantar e Jake empurrou. Então Anne estava livre.

– De nada, irmãzinha.

Anne revirou os olhos.

– Vamos logo!

Então eles foram procurar a saída. A visão deles estava embaçada por causa do fogo e da fumaça.

– É por ali! – gritou Jake.

Os dois foram para a esquerda, desorientados. Estavam próximos à porta, quando outra parte do telhado em chamas caiu, espalhando o fogo para mais perto deles. Anne parou de correr. Ela se virou para Jake.

Jake pareceu surpreso.

– O que foi?

– Você é um idiota!

– Por quê?

– Você não percebe que você não está mais no plano?

– Anne, não é hora de discutirmos isso.

– Você achou que seria engraçado correr com uma serra elétrica pelo chalé das garotas? Isso não é trabalho seu! Você sabe muito bem quem está encarregado disso!

– Anne, eu...

– Sem mais desculpas!

Ela empurrou o irmão para trás e ele tropeçou e caiu no chão.

– Não quero mais saber, Jake. Você está fora.

Ela pegou um pedaço do que fora uma mesa em chamas e fincou no coração do irmão.

Ele gritou.

Anne virou-se e correu até a saída, onde um carro de bombeiros estava estacionando.

***

SEXTA-FEIRA
ALEC

Alec observava os bombeiros apagando as chamas do refeitório.

Já passava da meia noite, então já era natal.

Ótima maneira de comemorar.

Os hóspedes do acampamento estavam sentados na neve, se recuperando do susto.

Uma ambulância estava parada, cuidando dos feridos. Ellie tinha queimaduras feias em seus braços. Max tinha um corte feio na têmpora direita.

Chanel e Hester estavam sentadas no chão, dividindo um cobertor para aquecê-las. A loira consolava a amiga, que, aparentemente, tinha perdido o namorado no incêndio. Alec não conseguia lembrar o nome dele. Era Jeff? Oliver? Alec se lembrou. Nathan. Era esse o nome dele.

Anne, que tinha acabado de sair do refeitório, estava chorando sozinha em um canto. Alec olhou em volta e não localizou o irmão da garota. Então ele supôs que Jake tinha morrido no incêndio. Finn apareceu atrás da garota e começou a consolá-la.

Aquilo tudo tinha sido uma experiência horrível para todos eles. A noite de natal estava arruinada.

Alec olhou em volta, procurando as duas famílias que estavam hospedadas no acampamento. Não os encontrou.

Seu pai, Mr. Joseph, conversava com alguns bombeiros.

Foi até um bombeiro perguntar, afinal ele era o segundo dono do acampamento.

Ele respondeu que além dos dois garotos mortos e da mulher que “explodiu”, mais sete corpos tinham sido encontrados.

Alec perdeu o ar. Eram as duas famílias, com certeza.

O acampamento estava ruindo aos poucos.

Ele agradeceu ao bombeiro e saiu andando para a floresta, para pegar um pouco de ar.

***

MAX

Depois do susto no refeitório, todos os hóspedes haviam se isolado, apesar de ainda ser natal. Eles culpavam uns aos outros por ser o famoso Red Devil e ter colocado fogo no refeitório.

Max sabia que não tinha sido o assassino.

Tinha sido ele e Chanel.

Ela tinha bolado o plano de matar a tal bruxa queimada. Ele só tinha concordado em ajudar.

A culpa dominava-o por dentro.

Ele era um assassino.

Ele era um assassino.

Ele era um assassino.

Max se jogou em sua cama, tampando a cabeça com o travesseiro.

Ele iria fugir do acampamento. Faria as malas e sairia no dia seguinte.

Logo desistiu da ideia. Aquilo só serviria para deixá-lo ainda mais suspeito.

Mr. Joseph tinha dito que não era para ninguém sair de seus chalés, pois as todas as atividades do acampamento tinham sido suspensas indeterminadamente.

Max não podia dar mais razão a ele. No início do ano, eles eram cinquenta hóspedes. Sem contar as crianças.

Agora, eles eram apenas sete. Com Mr. Joseph, oito.

Esse pensamento assustou com esse fato. Um dos oito era o assassino.

Ninguém sabia quem seria a próxima vítima.

Max rezou para que não fosse ele.

***

RED DEVIL

Red Devil estava impaciente. Tinha marcado um encontro com sua parceira, às 23h. Ela estava dez minutos atrasada.

Estava quase indo embora quando ela chegou, ajeitando seus cabelos castanhos.

– Você é maluca! – gritou o assassino, explodindo de raiva. – Eu sei que você matou o Jake! Ele era parte do plano! Nós precisamos dele!

Ela pareceu impaciente.

– Não. Nós não precisamos dele. Você continua fazendo o seu trabalho matando essa gente insuportável, que eu continuo administrando esse plano, para que nada dê errado.

Anne virou de costas.

– ANNE! – gritou o assassino.

– Não estou te ouvindo. – ela disse. – Você fala muitas merdas para o meu ouvido. Já chega.

Então, ela saiu andando.

Red Devil estava explodindo de raiva. Por baixo da fantasia, estava tão vermelho quanto à máscara.

Ele nunca tinha sentido tanta vontade de matá-la em toda a sua vida.

E ele faria.

Notas finais
SOBREVIVENTES/POSSÍVEIS ASSASSINOS: - Hester - Chanel - Ellie - Alec - Anne - Max - Finn - Mr. Joseph