Coisas do Acaso

29 Só o Autor Pode Alterar a História


Notas iniciais
Oiiiie gente... Sei que demorei, mas a culpa é inteiramente de vocês! Seria muito pedir que comentem?? Estamos na reta final e ainda por cima, rumo aos 400 reviews ^^^ Sem contar que esse pode ser o penúltimo capítulo então... que tal nos presentearem com recomendações lindas? Eu agradeceria. Esse capítulo tá legal. Boa leitura.

"[...] Eu lembro, amor. De tudo, cada passo que a gente deu para as diversas direções que já fomos. Lembro das brigas também. Lembro de pensar que o amor é perfeito, que bobeira, o amor é pura imperfeição. Perfeitos só os casais do comercial da Becel (sem sal)... Lembro de já ter ficado triste por te deixar triste. Lembro de me sentir mal com isso. Lembro dos momentos em que a gente foi bobo e feliz. Lembro que sou feliz a maior parte do tempo, pelo simples fato de você existir em mim. Lembro de descobrir que um sentimento não serve para ser dito, como coisa que fica bem em filme ou texto, ele tem que ser vivido de forma plena. Lembro de não conseguir me permitir sentir tanta felicidade assim. Lembro da tua mão, que sempre acha a minha. Lembro dos teus dedos, que sempre me fazem carinho. Lembro da tua boca, que sempre me acalma. Lembro do teu rosto de menino, que me olha como se ainda fosse aquela primeira vez. Lembro de cada coisa que descubro, manias, gestos, pensamentos."

Filipe

Oi Dona Walkíria. — Cumprimentei esperando suavizar a feição de espanto que ela carregava no rosto.

– Filipe! — Ouvi a voz da Bia e logo a vi. Ela parecia não acreditar que eu estava ali.

– Entre! — Walkíria convidou, ainda um pouco incomodada, pude notar. Bia correu ao meu encontro e me abraçou.

– Pi! O que você tá fazendo aq... Eca Pi! Tá precisando de um banho. — Eu ri. Ela fazia uma careta estranha enquanto tampava o nariz. — Vou te conduzir ao banheiro. Tem roupa nessa malinha, aí? — Ela perguntou subindo as escadas.

– Tem sim. — Confirmei seguindo-a. De repente paramos e ela virou para me olhar.

– Aqui é o banheiro e ali — Ela apontou uma porta entreaberta — é o meu quarto. Você pode se trocar lá. Quando terminar me chama. — Eu fiquei encarando ela. — Tá bom?

– Tá ok, Bia. — Ela pareceu por uns instantes que ia sair, mas deu meia volta e entrou no banheiro abrindo um armarinho.

– Olha, isso se chama barbeador. — Ela falou pausadamente. Pô, eu sei que sou caipira, mas sei perfeitamente o que é uma navalha. — E tá fechado. Você pode usá-lo a vontade. Elimine os pelos. Inclusive os do rosto, por favor. — Ela sorriu constrangida e eu abaixei a cabeça num sinal de "entendido" e então ela saiu.

Escorei na porta um pouco mexido. O que mesmo eu estava fazendo aqui? Aé, fugindo. Caramba. Logo eu que sempre julguei tantos as pessoas fracas por fugirem, me encontrava evasivo nesse momento.

Como as coisas mudam não? Quem antes aponta, é apontado. Tão vida isso.

Simon

Olhei inquieto para o relógio. Onze e meia e nada do meu sono vir. Saí da cama. Aquela carta estava me atormentando. Desci as escadas devagar e vi uma silhueta sentada no sofá. Me surpreendi ao perceber que era a Meg.

– Oi Megs — Vi ela dar um saltinho e depois soltar um riso frouxo.

– Oi Sai sai... Ainda acordado?

– Pois é... Meg?

– Sim? — Ela perguntou se afastando um pouco para que eu me sentasse ao lado dela.

– Recebi uma carta da Bia. – Ela me olhou, mas não entendi se ela expressava surpresa ou confusão.

– E o que dizia?

– Que não era para eu sofrer com a ausência dela.

– Ela está certa. – Meg comentou.

– Estou pensando em escrever de volta. – Ela virou rápida para mim.

– Não! Q-quer dizer... Você não pode. – Bufou se pondo em pé e colocando a mão na cintura.

– E por que não? – Indaguei colocando-me em pé também.

– Porque você nem sabe onde ela está, o endereço e tal...

– Eu sempre vou lá. Como poderia não saber o endereço? – Rebati curioso com a reação dela.

– Simon, acredite... É melhor assim. Vocês dois... Sabe... Não dariam certo. – Arqueei uma sobrancelha. – Vocês têm um gênio muito forte, são orgulhosos, firmes, decididos, centrados... Juntos porém... Tudo vai ao pó.

– Parece que você não me quer com ela. – Ela tentou falar algo mas eu a impedi. – Ou não quer que eu a veja. – Ela arregalou os olhos. – Ou então quer a mim. – Então ela riu.

– Jamais. Eu amo o Jake.

– Então qual o problema? – Perguntei. Ela se aproximo ude mim e colocou a mão no meu peito.

– Isso Simon. Isso é o problema. Seu coração, — ela olhou para a mão dela sobre meu peito e depois me encarou — o seu coração batendo de amores por ela. Isso não está certo. Se ela te amasse não teria desistido diante do primeiro problema.

– Mas Meg... Ela não precisa me amar para que eu a ame. Eu preciso dela. – Ela tirou a mão do meu peito. – Você. Você amou o Jake quando ele não te amava. E mesmo ele não te amando, você o amava. Não pode me julgar.

– E você vai fazer o que? Ainda que a ame, ela está longe.

– Nenhuma distância é grande o suficiente quando se tem amor. – Sibilei.

– Então vai atrás dela. Vá. Boa sorte nessa sua aventura. – Eu segurei-a pelos braços.

– Me diz qual é o problema.

– O problema é que ela não ta nem aí pra você e pro que você ta sentindo... e eu tô. – Eu olhava-a aturdido. Não entendi.

– Por que?

– Porque você é meu irmão. Não de sangue, mas é. E eu amo você e quero cuidar de você. E mesmo tendo um lado cruelmente megera, eu me importo com você. Assim como me importo com o Lipe.

– Se importa com ele? Ele falou que ia embora e você não avisou ninguém.

– Eu achei que fosse da boca pra fora. – Ela falou baixo deixando o corpo cair no sofá. – Mas você... Você tem chorado todas as noites desde que ela se foi. Você tem sorriso falso e passado a maior parte do tempo sozinho. Na faculdade se isola e não fala com ninguém. Ninguém! Quer que eu pense o que? Que eu faça o que? – Ela desabafou. Sentei-me ao lado dela e deitei a cabeça dela no meu ombro enquanto acariciava a mão dela.

– Meg, entenda ta. Eu amo a Bia como nunca amei ninguém e eu sinto que vou viver para sempre a amando. E sabe que eu nem sei quanto tempo vai ter esse meu para sempre, mas to arriscando. Estou querendo ela com todas as minhas forças e ela se foi. Sei que ela não acreditou em mim, mas eu já a magoei tanto que posso compreender o porquê do medo dela. Eu sei também que me acabo nas noites e que a dor às vezes parece que não vai caber no peito. Sei que me torturo com as lembranças, mas fazer o que se eu lembro? Eu lembro tudo. Tá tudo em mim. Eu e a Bia não tivemos uma simples história de amor. As coisas... Bom... As coisas não começaram aqui nessa fazenda. E não irão morrer aqui. – Ela apertou um pouco minha mão. Eu chorava um pouco. – Você não pode mudar as coisas... Ninguém pode. Se a história é minha e dela, nós dois temos efeito nela.

– Eu sei... Eu... Bom... A carta foi...

– Não Meg. Não precisa mais falar disso. Vamos falar de outra coisa. Não quero...

– Mais você precisa saber que eu...

– Meg, por favor... Não adianta... Eu já falei tudo a esse respeite. Só peço que apóie meu sentimento por ela. – Ela colocou a cabeça de volta no meu ombro e depois de um momento começou a contar sobre sua relação amorosa.

***

Quatro dias depois...

***

Beatriz

– Estão prontos? – Perguntei ao ver minha mãe e Pi sentados amigavelmente no sofá da sala.

– Filha, me diz por que eu tenho que ir numa balada com vocês? Jovens! – Ela falou com uma empolgação os “jovens”

– Porque o seu espírito também é jovem mamãe e a senhora precisa arranjar um coroa pra nos sustentar! Até porque a senhora já está na casa dos quarenta e precisa se aposentar!

– Mais já? Tenho uma vida toda pela frente, filha!

– Dona Walkíria... – Pi se intrometeu. – Se anima vai! Sua filha já conseguiu me dar um banho de 220 watts... Tenho certeza que ela consegue o mesmo com a senhora.

– Chega! Sem mais blá blá blá... Ficar curtindo depressão em casa com chocolate e filminho água com açúcar não é muito a minha praia. Quero que vocês se divirtam! – Falei empurrando-os porta afora e passando a chave na porta. – A noite é uma criança. – Falei e segundos após, Katy estacionou o carro com Oliver do lado. Surpreendi-me. Lembra do Oliver? Não? Primeiro capítulo, eu e ele, festa... Lembrou?

– Oi Bia, oi Pi, oi tia. – Katy cumprimentou. Oliver apenas sorriu e depois passou a mão na cintura da Katy. Oi?? Como assim produção?

– Desde quando? – Inquiri curiosa.

– Depois te conto. – Katy falou. – Partiu balada?

– Partiu... – Minha mãe murmurou. – Cada jargão que me aparece que só Jesus...

– Dona Walkíria... Nem eu que vim da roça uso o termo jargão. – Filipe a repreendeu rindo.

– Vai acostumando Pi. – Falei enquanto entrava no carro da minha amiga.

A noite estava só começando... Filipe ainda? ...

(...)

Notas finais
Que tal comentarem? Hein? Eu ficaria feliz e a Thay também ^^ Já sinto falta de vocês... ~Keel