Coisas Estranhas Acontecem
9 Capítulo 9
– Queria que a Carla entrasse aqui agora! – Dougie disse, ouvindo o desapontamento na voz do guitarrista, que continuava histérico na sala.
– Ela voaria no Danny. – Gabriela comentou, com um sorriso e Dougie concordou.
– Você não come coisas descentes, não garota? – Dougie perguntara, virando-se e fingindo-se de assustado.
Caso você algum dia vá até o apartamento de Gabriela e abra seus armários, você pensaria que ali morava uma garota de dez anos que só come besteiras, sem se preocupar nem um pouco em ter alimentos saudáveis em casa, ao invés de uma jornalista competente de vinte e três anos, que tinha um belíssimo corpo.
Gabriela fingiu-se de ofendida, fazendo uma careta fofa, depois sorriu e disse:
– Eu como sim... e você?
Dougie contraiu os lábios, olhando (talvez sem perceber) a garota dos pés a cabeça e fixando seu olhar em seus olhos castanhos claros, da mesma cor que o mel. Ela tinha belíssimos olhos, ele percebeu.
– A gente tenta né!
Gabriela sentiu a cor sumir de seu rosto e voltar segundos depois; enrubescendo devido a concentração de seu sangue em suas bochechas. Imaginou que se ia ficar mais alguns momentos junto do McFLY tinha que parar de corar por tudo o que Dougie falava, ou iria pegar realmente mal para si.
Sua linha de raciocínio foi cortada em questão de segundos, logo não tinha certeza absoluta se conseguia pensar. Dougie estava se aproximando perigosamente. E esse era o efeito que ele causava em Gabriela.
Sentiu a respiração acelerada dele se misturar com a sua; perigosamente perto. E só então reparou que tinha prendido o ar em seus pulmões; estava ficando tonta, então o soltou. E como a respiração dele, a da morena também ficou acelerada.
Gabriela olhou para aqueles lindos olhos azuis, os quais nunca imaginara ver assim tão de perto (no máximo da distância da grade de um show), mas que tantas vezes sonhara. Eram sempre aqueles olhos.
Dougie aproximou-se mais alguns centímetros, eliminando praticamente a distância entre ele e a morena. Suas bocas a milímetros uma da outra, tão próximas. Tão tentadoras...
E então a porta da cozinha se abriu. Era como se um touro a tivesse empurrado com os chifres.
Dougie pulou para trás, afastando-se depressa. Gabriela fez o mesmo, esquecendo-se de que atrás de si havia uma parede, na qual bateu as costas com a maior força. Soltou um gemido de dor.
Danny saiu da cozinha rindo (não por vontade própria, mas sim porque enquanto ele ria dava passos pra trás, como se alguém o empurrasse). Só uma observação: cada vez mais sem noção o querido Ratleg. Mas Danny devia agradecer a esse acesso de loucura; se Gabriela e Dougie não estivessem tão envergonhados, teriam o empurrado até chegar a uma janela e então o jogariam dali para o asfalto metros abaixo.
Tom enrubesceu. Não sei dizer com precisão se pelas risadas que estava segurando firmemente, ou por ter se envergonhado de atrapalhar os amigos. As duas são ótimas opções.
E Harry, como se ter atrapalhado os dois não fosse nada demais, disse:
– A cerveja mencionada a pouco está exatamente aonde?
Gabriela teria estrangulado uma pessoa qualquer, se a mesma tivesse a atrapalhado em um momento como esse (ainda mais com o Poynter) e, ainda se ela falasse desse modo, displicentemente irritante, pensou que estrangular seria pouco. Mas ao ver Harry Judd erguer a sua famosa, linda, sexy e poderosa sobrancelha, apontou tremendo (efeito do susto ou do Dougie? Eis a difícil questão) para a geladeira. Tentou falar, mas saiu um som estranho de sua garganta, então simplesmente ficou de boca fechada.
– Obrigado... Podem voltar ao o que quer que estivessem fazendo antes. – Harry disse, saindo da cozinha com três latinhas em mãos.
Harry jogou uma latinha para Danny e Tom, e se sentou na poltrona.
Danny pegou a latinha, mas não conseguia a abrir, de tanto que ainda ria. Encostou-se à parede, como se fosse desabar no chão caso não tivesse nada para segurá-lo. Tom também ria, preferiu deixar a latinha na mesa de centro para evitar sujar a sala, e também a si mesmo.
Harry se espreguiçou, colocando os pés na mesinha e quase derrubando a latinha de Tom. Olhou de um amigo para o outro, abriu a cerveja e de um risinho.
– Eu não sei se ela gosta do McFLY, mas descobri que ela deseja o Dougie.
As risadas de Danny, sem dúvidas, puderam ser ouvidas no primeiro andar do prédio. Talvez, se ele tivesse rido mais baixo (se é que o senhor Jones consegue essa proeza), ele teria notado a presença de seis visitas inoportunas à porta do apartamento de Gabriela. Seis garotas, para ser exato.
– A gente bem que podia ter esperado um pouco mais pra entrar na cozinha, guys. – Tom disse decepcionado consigo mesmo, pegando (finalmente) sua latinha e abrindo-a.
– Com certeza. Teríamos pegado eles no flagra. No ato, sem dúvidas! – Harry olhou para Danny, estreitando os olhos. – Isso se a gente não tivesse um cara tão apressado e bêbado junto da gente!
Só depois que Danny abriu sua latinha e tomou um gole, foi que percebeu a quem Harry se referia. Abriu a boca, porém não falou nada, apenas olhou estranho para os amigos.
– O que foi, pequeno macaco fedido? – Harry perguntou, fazendo Tom engasgar e repetir macaco fedido rindo alto. Harry sorriu para o amigo e fez joinha.
– Vocês não estão ouvindo? – Perguntou como se seus amigos fossem loucos. – Acho que essa casa tem espíritos, ou sei lá o que mais... – Mas o louco mesmo era ele.
– ‘Tá falando de que? – Tom perguntou sério, parando de rir abruptamente. Espíritos? Coisas estranhas? Danny não ousaria mentir ou brincar com isso.
– Escute! – Daniel disse sério. Por que essas coisas o lembrava de filmes e espíritos, mesmo sem querer, lhe davam medo?
Enquanto isso do lado de fora do apartamento, seis garotas tentavam (sem sucesso algum, diga-se de passagem) conseguir ver e ouvir os guys lá dentro, pela fechadura e pelas frechas da porta. Brigavam entre si, e tudo mais.
– Ain guria, desse jeito não! – Uma loira falsificada falou, tentando sussurrar, mascando chiclete de um jeito que uma vaca mascaria.
A morena, com a qual ela falava, a encarou e lhe deu um tapinha na perna. Estavam todas agachadas no chão, em frente a porta do apartamento de Gabriela.
– Ain amiga, não abusa!
– Calem-se vocês duas! – A garota que vestia a camisa em homenagem ao Charlie falou, se irritando. Por que a porcaria do McFLY estava ali e seu Charlie não? Custava muito ele vir junto? Aproveitar as gatinhas? Talvez lhe custasse alguns mil euros, mas e daí? Isso era nada para ele, e era isso que a garota queria possuir um dia. Dinheiro. A camisa, palavras bonitas e então o enganaria para pegar todo seu dinheiro. Por que ela não passava disso. Uma golpista; da pior espécie.
As garotas fizeram silêncio no momento em que Tom e Harry também ficaram quietos, apurando os ouvidos. Escutaram Harry xingar e falar para Danny não falar porcarias, pois Tom era besta e acreditaria que existiam realmente espíritos na casa de Gabriela.
Outra loira sorriu e disse:
– Ele bem que podia acreditar mesmo e sair correndo. A gente pulava em cima dele e...
– Íamos parecer um monte de urubu voando na carniça, sua idiota. Temos que pensar em alguma outra coisa. – Reprimiu a Charlie-girl.
A quarta garota se levantou.
– Vamos fazer o seguinte; bater na porta e então eles vão ter que sair e a gente pede autógrafos, fotos e beijos. E a senhorita jornalista de bosta fica só babando de inveja!
A Charlie-girl pulou em cima da outra garota, a derrubando no chão.
– Idiota! Isso é ainda pior que a ideia da Nathy! Quando mesmo você disse que pintou o cabelo?
Dentro do apartamento, Danny, Tom e Harry ainda discutiam sobre os possíveis espíritos na casa de Gabriela.
– É impossível vocês não terem escutado isso! – Danny bateu o pé e cruzou os braços.
Harry o olhou estranho.
– Eu escutei! Sério, acho que um piano caiu do lado de fora. – Assentiu Tom, sem parar.
Na cozinha, Dougie abriu mais um pacote de ruffles. Despejou o conteúdo na tigela em cima da mesa. Gabriela abriu outro. Isso seria o acompanhamento perfeito para a cerveja. Não tinha outra coisa e sabia que os guys iriam adorar.
Abriu a geladeira e pegou mais cervejas. Entregou-as para Poynter, pegou a tigela e foram para a sala.
Assim mesmo; sem troca de palavras, sem nem mesmo se olharem. Apenas trabalho.
– Nossa, onde que aperta para o Tom parar de balançar a cabeça? – Gabriela perguntou indecisa entre estar assusta e a vontade de rir.
– No mesmo que aperta para o Danny não falar besteiras! – Harry sorriu.
– Então é fácil! – Dougie deixou as latinhas na mesa de centro e foi até Danny, meteu-lhe um belo tapa na nuca.
Danny ergueu o punho para revidar, quando ouviram som de batidas na porta. Batidas fortes na porta.
– Que é isso? – Harry perguntou, se virando assustado. A poltrona ficava de costas para a porta e de frente para a TV.
– Aliens, monstros... ou pior, um demônio! – Danny dizia, enumerando. Jogou a latinha de cerveja pros ares.
Gabriela arregalou os olhos, vendo a bagunça que sua sala se transformava. Tom olhava a porta de boca aberta e Dougie olhou assustado para Danny, depois começou a bater uma mão na outra.
Harry olhou intrigado para o amigo, que encolheu os ombros e disse envergonhado:
– Meu tapa era pra ter resolvido, mas acho que piorei os neurônios do Danny!
Daniel colocou as mãos nos cabelos e foi descendo, apertando o rosto até parar com ambas as mãos em sua garganta.
– AHHH!
E do lado de fora se ouvia mais berros. Em inglês.
– MESMO VOCÊ NÃO QUERENDO, EU NÃO SOU NORMAL. E FODA-SE, EU VOU VÊ-LOS E ABRAÇÁ-LOS E BEIJAR NEM QUE VOCÊ ME MATE DEPOIS. McFLY, EU AMO VOCÊS!
– Não achei que fossem nos incomodar na minha casa! – Gabriela sussurrou um tanto tristonha. Tinha certeza que isso lhe traria muita dor de cabeça.
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