Coisas Estranhas Acontecem
10 Capítulo 10
Danny parou de gritar e se descabelar, para se aproximar de Harry, e o encarou com cara de fodão (que é comum para o Judd apenas) e apontou o dedo na cara do amigo.
– Agora me diga que não está ouvindo alguma coisa? Hein? Como fica agora, senhor Judd? Quem é que tem problema agora?
– Fica que agora eu vou tirar o surdo do apelido macaco fedido. – Harry respondeu, se levantando e empurrando Danny para o lado, seguindo para a porta.
– JUDD, NÃO VÁ! SÃO OS ALIENS QUE TRAZEM A LUZ! – Tom berrou.
Harry mandou o dedo feio para ele.
Os vizinhos já não suportavam mais aquele cabaré no hall do sexto andar, assim como no apartamento da jornalista que ali morava.
Sabe aquelas vizinhas fofoqueiras? Então, Gabriela tinha várias dessas, rodeando-a.
Mas sabe aquelas que são umas vacas que não podem ouvir um único ruído? As desse tipo eram as únicas que a incomodava, mas hoje Gabriela não ficaria brava.
A mulher de quase quarenta anos correu para o telefone ao ver que aqueles berros não acabariam tão cedo. Sua voz fina e chata confirmava o fato de ser uma mulher chata. Muito chata.
– Desliga isso, filha, tá alto demais! – Disse para a Patrícia, sua filha, que estava assistindo TV. – Quem essa Gabriela acha que é? Está fazendo nosso condomínio de puteiro? Vou resolver isso rapidinho.
A mulher ligou para a polícia. Patrícia adorava um belo barraco e uma boa mídia, então pegou o celular e ligou para a imprensa. Ela assistiria tudo de camarote, é claro.
– Bom dia. Quem fala aqui é Patrícia da Silva, moro no Condomínio Solstício de Verão, no centro. – Falou com um sorriso malicioso nos lábios. – Isso, o mesmo condomínio que a jovem jornalista premiada, Gabriela Mello, mora. – Quase soltou uma risada, mas se controlou. – Está tendo um tumulto aqui no prédio. Gritaria em inglês. Ouvi a palavra McFLY. Aí tem coisa, não acham? Que tal vir pegar uma ótima matéria para a capa?
Desligou o telefone após a pessoa que lhe atendeu falar que enviaria alguém urgentemente. Fez uma dancinha da vitória bastante tosca. Nunca gostara de Gabriela. Tinham a mesma idade. Mas ao contrário da morena, Patrícia era uma Zé Ninguém. Não fizera uma faculdade e trabalhava como vendedora em uma loja em um dos vários shoppings de São Paulo. Uma frustrada da vida.
A pequena fagulha que dera para a imprensa era o suficiente para resultar em uma fogueira de dez metros. Traria mídia negativa para cima da jornalista. E isso era uma coisa boa; para Patrícia e ninguém mais.
Patrícia sorriu e voltou a ligar a TV, colocou no canal da imprensa para a qual ligara, esperando ver alguma coisa interessante.
Mal fizera dez minutos que desligara o telefone, e na televisão via-se a entrada de seu prédio e uma repórter sorrindo.
Por isso que falam: morem no centro, as coisas lá são rápidas!
O porteiro os deixou subir. Liberal, não acham? Tenho certeza. Mas era a imprensa, e para Francisco, o porteiro, a imprensa é sempre bem-vinda. Ainda mais quando se fala em recados anônimos sobre possíveis barracos envolvendo certos britânicos.
Francisco, como bom noveleiro que era, queria ver no que daria.
E só por isso deixou a imprensa subir ao sexto andar.
Porque alegria de palhaço é ver o circo pegar fogo.
No apartamento de Gabriela, as garotas estavam praticamente socando a porta. Elas derrubariam a mesma se fosse preciso para encontrar o McFLY. E ninguém dentro daquele apartamento duvidava de que elas fossem capazes de fazer isso.
– Dude, elas vão derrubar a minha porta! – Gabriela exclamou, quase chorando.
– Pior é se elas conseguirem fazer isso. Estamos mortos! – Harry disse.
Gabriela o fuzilou. Ele estava se achando mais importante que sua linda porta? Que cara-de-pau.
– Olha, — Dougie viu a expressão dela – não vai acontecer nada com o seu apartamento, ok? Confie em mim.
Gabriela sorriu boba. Confie em mim dito por Dougie Lee Poynter para ela? Havia morrido e ido para o paraíso, é isso.
Tom estava olhando pela janela, pensando em como sairia daquele apartamento caso as garotas entrassem na sala. Pensava se preferiria morrer pelas mãos delas ou pela queda. Era difícil dizer, essas fãs estavam realmente o assustando.
Viu uma minivan estacionada na entrada do prédio. Estreitou os olhos, tentando focalizar o desenho que havia na minivan. Arregalou os olhos ao reconhecer ser de um canal de televisão. Sabia que estavam fritos, mas tudo piorou quando viu outra minivan chegar ao prédio. Essa, ele reconheceu de imediato de que canal era. Era de um canal internacional. Um canal que era assistido por todo o planeta. E Londres está dentro do planeta, é óbvio. Não! Desgraça internacional? O que a rainha falaria?
Tom se virou para os outros seres da sala, empalidecido. Gabriela percebeu que nada estava bem. Harry captou logo que estava tudo ferrado. Danny e Dougie estavam se abraçando para notarem qualquer coisa. Estavam tentando imitar algo para confundir as garotas. Eles queriam se disfarçar de árvore, um pinheiro grande e grosso, para ser especifico. Mas tudo o que eles conseguiam eram se parecer com um casal gay.
– O que houve Tom?
– O que algumas pessoas poderiam chamar de fama, outras de polêmica, e eu chamaria de “estamos fodidos”. Fletch vai ficar puto. O mundo inteiro vai ver esse barraco. E, Gabs, você vai virar uma celebridade mundialmente conhecida... ao menos por um tempo. – Tom olhou para a garota e sorriu fofo, como se pedisse desculpas. A morena aceitara, é claro. Aquela covinha solitária fora direcionada para si. Isso bastava.
Gabriela correu para a janela. Viu as duas minivans paradas lá embaixo e passou a andar de lá para cá dentro do apartamento, longe da janela. Ou acabaria se jogando.
– O que vão pensar do meu apartamento? – Perguntou mais para si que para os guys. – Pior, o que vão pensar que estávamos fazendo?!
– Que a gente estava fugindo de fãs, não se preocupe. – Harry disse calmo, ou tentando aparentar calma. – Não vamos deixar você com mídia negativa. Não depois de nos salvar dessas loucas.
– É, vai ficar feio para essas doidas!
Gabriela suspirou. Será que eles ainda não tinham aprendido nada sobre programas que só se interessam por fofoca negativa dos famosos? Não que ela fosse famosa, não tanto assim, mas seria taxada de tudo de pior no mundo. Assim como os guys seriam julgados. Era a certeza que tinha nesse momento.
Nem todos os jornalistas trabalham com a verdade. Alguns preferiam jogar sujo, assim fariam mais sucesso com a população.
Gabriela detestava esse tipo de mídia. Nunca faria uma coisa do tipo.
Poderia até trabalhar em uma revista de fofoca. Mas nunca inventaria algo só por prazer de perturbar os famosos. Isso além de ser errado era desprezível. Era praticamente como se os famosos não tivessem direitos como seres humanos, na opinião de Gabriela.
Precisava pensar em como ajudar os guys (e se ajudar) nessa situação. E tinha que ser rápido.
Gabriela caminhou até a porta, finalmente parando de andar. Estava ficando surda com aqueles gritos. E sua porta ficaria manchada pela mão nojenta daquelas idiotas. Suspirou e olhou pelo olho mágico. Só podia ver quatro das fãs e depois apenas três. E então viu não uma, mas duas câmeras filmando a porta.
– Os repórteres estão aqui! – Comentou aflita.
– Como eles chamam a mídia e não chamam a polícia? – Harry perguntou indignado. Ouvindo a corrida desesperada do lado de fora e mais gritos histéricos.
– Eles chamaram! – Tom disse, apontando para algum lugar lá embaixo. Os guys se aproximaram. Danny olhou para o céu, ao invés de para onde Tom apontava. Ninguém deu importância.
– Não esquenta Judd. No Brasil é assim: a polícia chega quando a pessoa já morreu ou quando não precisam mais ajudar. – Gabriela bufou, e colou o ouvido na porta, para prestar atenção ao que os repórteres falavam. – Uma mulher está perguntando o porquê da confusão.
– E aí? – Dougie não precisava ter perguntado.
Meio milésimo de segundo depois os gritos de McFLY reapareceram do lado de fora.
Ouviram passos pesados, e Gabriela viu um policial aparecer, pelo olho mágico. A morena via tudo de camarote. Dougie aproximou-se e brigaram silenciosamente para ver quem espiava. Até que desistiram da parte silenciosa e começaram a falar alto e rir. Então o policial bateu na porta.
– Saiam os que estão sofrendo o atentado.
– O que? – Os quatro perguntaram juntos.
Gabriela riu e repassou o que o policial falou, em inglês, para os garotos. Danny correu e abriu a porta com tudo.
As meninas começaram a berrar de novo, quatro policiais seguravam quatro das cinco fãs por trás. A outra estava se preparando para pular em cima de Danny, mas a Charlie-girl a segurou, igual os outros policiais. Isso fez com que ela merecesse o respeito de Gabriela, e do pensamento de “Duvido que a Carla me defenderia assim. Charlie pegue essa e não a Cah”, do Danny.
Mas todos nós estamos cansados de saber que quando Danny pensa (em noventa e nove por cento dos casos) só vêm coisas idiotas, certo? Certo!
Os outros três seguiram Danny, assim como Gabriela, ao ver que era seguro.
Os câmeras-man na mesma hora focaram suas lentes em Gabriela, de baixo para cima, parando em seu rostinho de princesa, que tinha uma expressão um pouco aterrorizada ainda; vendo aquelas garotas psicóticas seguras pelos policiais e pela Charlie-girl. E nesse momento sentiu dó de Charlie, caso aquela garota o pegasse. Olhou para as câmeras e enrubesceu, abaixando a cabeça. Como seu tênis não a atraíra muito voltou seu olhar para os policiais. O policial que segurava uma loira, esse sim, atraíra sua atenção. Gabriela poderia até mesmo tirar uma foto do mesmo. Carla iria babar, pois tinha uma enorme tara por policiais.
A repórter do canal internacional deu as costas para os cinco, virando-se para a câmera. O que quer que ela tenha falado Gabriela não entendeu e nem fez esforço para entender. Estava pensando no que sua chefa linda falaria ao ver aquilo. Fechou os olhos por um instante, fazendo uma prece rápida para que a mulher estivesse no Alaska, sem TV e que nem em sonhos pensasse naquela cena deprimente.
A outra repórter (baixinha, gordinha e morena, com óculos que a deixam com cara de abelha velha), a do canal brasileiro de fofocas mais conhecido, era menos espalhafatosa. Mas não menos maliciosa quando o assunto era fofoca. E Gabriela a conhecia. Estudaram juntas na faculdade. E Alice, esse era seu nome, era a pior pessoa do mundo. Mesquinha e fútil.
A loira peituda (lê-se: repórter do canal internacional) voltou-se rápido para os guys, quase arrancando o pescoço de Danny fora com o microfone. Sorriu de lado, maliciosa, empinou a bunda para o lado dos policiais e estufou o peito; bem próxima de Danny.
Gabriela estreitou os olhos. A puta era fã do McFLY e sabia que Danny tinha queda por mamilos ou era só impressão mesmo?
– Estou admirada em ver que o McFLY saíra para passear pela cidade... Não sabia que tinham conhecidos aqui em São Paulo. – Sorriu falsa. Sua voz era irritante. – Então respondam para as suas fãs o que vocês faziam na casa dessa jovem aí?
Vamos agradecer ao senhor Deus por Gabriela estar com os pensamentos todos voltados na chefa quando a repórter peituda perguntara isso, beleza? Por que se não, sangue e cabeças rolariam por aquele hall.
Dougie encarou a repórter.
Será que ela não sabia o nome de Gabriela? Dougie apostava que sim, só queria falar que a morena era qualquer uma.
Harry e Tom se entreolharam. Danny podia ferrar a situação (mais ainda) com uma rapidez indigna de seu cérebro de macaco fedido.
– A Gabriela é nossa nova amiga... – Danny começou frisando o nome da morena, dando um sorriso de lado. – Ela é também amiga da Carla, nossa irmãzinha. E a Gabs aqui nos salvou de fãs ensandecidas essa manhã e viemos parar aqui. Mas encontramos coisas piores no elevador, menos uma que se a Carla visse, iria amarrá-la e rolar uma cena que pessoas menores de oitenta anos não poderão assistir. Principalmente o Tom, porque ele é medroso e o Dougie porque não tem tamanho. – Suspirou. – Então a gente meio que ficou preso dentro do apartamento!
Certo, se ferrar as coisas com rapidez é indigna dele; falar tantas coisas em tão pouco tempo só para livrar a Gabriela era o que? Falta de caráter? Não fode!
– Gabriela Mello, certo? – A repórter morena perguntou com um sorriso presunçoso ao qual Gabriela apenas respondeu com um aceno rápido de cabeça, assim como todos os guys. – Como vocês a conheceram?
– No nosso último show aqui em São Paulo, há dois dias. – Danny respondeu puxando Gabriela e a prendendo pelo ombro, contra seu corpo, em um abraço de lado. – Ela, naquele dia, salvou o Poynter de uma fã que pensava que ele era o Tom. – Sorriu abertamente. – Acho que ela é algum tipo de heroína, vive nos salvando.
A morena teria amado se não tivesse acontecido em um momento inoportuno.
Gabriela corou e os outros guys balançaram a cabeça. Será que Danny não pararia de falar bobagens? Certo, eles concordavam que Gabriela já os salvara mais de duas vezes (se você contar as garotas do elevador), mas a mídia não precisava saber de tanto assim.
Ambas as repórteres olharam estranho para Danny. Mas estavam contentes, em poucos minutos já tinham ótimos materiais. Certamente ganhariam aumentos por essa matéria bombástica e ao vivo.
Gabriela se perguntava se Danny era assim mesmo ou se fingia ser idiota. Era uma grande dúvida. A morena teria o prazer de esganar o guitarrista lentamente.
A abelha velha (lê-se: antiga rival de faculdade de Gabriela) revirou os olhos, achando que ninguém via, e voltou a ser chata, e a fazer perguntas. E agora ela parecia agir em conjunto com a loira peituda.
Gabriela pensou se isso era um complô contra ela ou contra os guys.
Todos estavam ferrados de qualquer maneira.
– Ouvi falar em fugir de fãs ensandecidas...
– Então, – Gabriela se soltou de Danny – estou vendo que meus queridos salvadores – mostrou os policiais em um gesto – já estão cansados de segurar essas fãs. E eu realmente agradeço se levarem-nas daqui. Estou querendo um pouco de sossego que não tive hoje. E isso aqui é uma balburdia sem fim, que não encontro um sinônimo agora, então... Por favor, saiam!
Gabriela estava realmente cansada. Sua cabeça latejava e queria ficar um tempo só; tomando uma boa xícara de café e remoendo os acontecimentos do dia.
Depois de um olhar insistente de Gabriela, todas aquelas pessoas foram saindo; um a um, lentamente. A morena ainda pensou em pegar o celular e tirar uma foto do policial, mas desistiu. Seria idiota demais. As câmeras, uma última vez, focaram apenas as coisas ruins nos guys e no que podia ser visto da sala do apartamento de Gabriela. Como, por exemplo, a cerveja na mão de Harry, e a latinha de Danny caída sobre o tapete, com o conteúdo todo vazado. E batatinhas por tudo que é lugar. Assim como todas as outras latinhas em cima da mesinha de centro.
Bem, Gabriela estava ferrada.
E sabia bem disso.
Os guys ficaram imóveis, vendo todos saírem do corredor. Gabriela viu que a última a pessoa a sumir realmente dali fora Patrícia, sua vizinha, filha de uma das mulheres mais fofoqueiras do prédio. Ótimo, já sabia de quem havia sido a culpa. A morena não deixaria isso barato.
Gabriela se encostou à parede, respirou fundo, aliviada. Os guys se entreolharam.
– Gabs, desculpa por isso. A gente não queria e... – Tom tomou o poder da palavra. Mas Gabriela não queria ouvir, não naquele momento.
A morena abanou a mão e sorriu de leve.
– Acho que quando a gente é fã tem que correr alguns riscos. Acaba fazendo parte. Embora nunca aconteça como imaginamos. – Disse a última frase sem querer. E também, sem querer, olhou significativamente para Dougie, que abaixou a cabeça. Mesmo sem saber o porquê, só sabia que não ia conseguir encarar a morena naquele momento. Fizera, indiretamente, ela passar por um momento constrangedor.
Harry tossiu e falou:
– Que bom que pensa assim e, obrigada sabe, teríamos sido escapelados àquela hora. – Rolou os olhos. – Temos de ir, desculpa mesmo. Não vamos poder tomar o resto da cerveja, já está tarde.
– Tarde? Harry mal deu a hora do almoço! – Danny disse indignado depois de olhar para o relógio.
– Saímos sem avisar ao Fletch. Ele já deve estar sabendo de tudo isso, assim como o resto do mundo, e rolou de você falar que fugimos de fãs e você acha que estamos o quê? Certos, por algum acaso? Na hora? – Harry já estava irritado com Danny e suas burrices.
Ninguém respondeu. Sabe quando dizem que Harry Judd é o tigrão? Então, não duvide. Afinal, quem gostaria de encontrar um tigre feroz e lhe atormentar mais? Ninguém!
– Então... – Gabriela falou hesitante.
– É isso. – Dougie completou envergonhado. – A gente vai indo. – Ele não sabia como se despedir, nem os outros.
– Tchau, McFLY! Até uma próxima – Gabriela sorriu de lado, deu um beijo na bochecha de cada um, bem rápido e, com um último aceno, a morena sumiu dentro do apartamento.
A última coisa que os guys escutaram (depois que a porta foi batida fortemente) foi o telefone da casa da garota tocar. Ligaram rapidamente para Fletch mandar alguém buscá-los. Sabiam que a bronca que os esperavam iria ser enorme.
Gabriela atendeu ao telefone, mas logo afastou o mesmo de seu ouvido. Será que alguém poderia avisar a certas pessoas que gritar no telefone sem aviso prévio é falta de educação e é muito feio?
– SUA VACA DO INFERNO! COMO VOCÊ LEVOU OS McGATOS PARA SUA CASA? QUEM DIABOS DEIXOU? COMO ELES FORAM PARAR AÍ? – Carla gritava alto, e rápido. Gabriela mal conseguia entender o que a amiga falava. – NA VERDADE, COMO VOCÊ OS CONHECEU? COMO QUE É ISSO? FALA LOGO PRA MIM, SUA VACA DO BRÉJO PRENHA!
Gabriela revirou os olhos e, antes que a amiga pudesse continuar com os berros, respondeu:
– Não tenho como falar com você gritando feito uma cadela no cio. Agora cala a boca e me deixa falar, sua traíra!
– Traíra? – Carla mudou o tom de voz, falando de um jeito meigo, como se o Shrek se transformasse no gato de botas.
– É isso mesmo, sua bitch. Como assim você é amiga deles e não me contou nada? Você não tem medo da morte? Ou melhor, você não tem medo de mim? Guria, você pediu pra morrer e nem se tocou! Ah se eu te pego nesse exato momento, na boa, eu arranco seu cabelo, te deixo pelada e bato em você com uma toalha molhada! – Gabriela tomou fôlego no fim. Não falara tão rápido, mas estava estressada.
Agora quem achou que a Gabriela era uma boa menina?
Quem achou que o Shrek era a Carla e agora teve a comprovação do contrário levantem a mão. Quem? Nah, só umas três bilhões de pessoas.
– Ah, pois é. Então! – Gabriela imaginava que Carla estivesse vermelha e que enrolava uma mecha do cabelo ente os dedos, olhando para os lados. – Você sabe que eu te amo, sua vaca do brejo. E sabe que, para pagar isso, minha casa está liberada para você. – Comentou com um sorriso na voz. – Você vai ficar bem próxima deles. E eu não contei porque não tive tempo. Sou ocupada demais!
– Casa aberta é? Olha que eu vou acampar aí o resto da minha vida, guria! – Gabriela riu. Não estava brava com Carla, não mais. – Só preciso que minha chefa me fale que serei correspondente da revista aí de Londres e... – Mais risos.
– Espero que ela realmente fale, afinal, aqui é assim: Se a minha casa está aberta, à dos guys lindos e maravilhosos que há pouco estavam na sua casa, também estará aberta.
– É tão bom sonhar e falar bobagens! – Gabriela disse incerta. Carla falara com tanta convicção que era impossível não se imaginar em Londres, na casa dos guys e com a amiga junto. Até que foi tirada de seus pensamentos pelo barulho que seu telefone fazia quando outra pessoa a ligava. – Um momentinho, Cah. Tem alguém me ligando, já retorno a falar contigo! – Gabriela colocou a amiga em espera, sem esperar resposta e atendeu a outra ligação sem olhar quem era. – Alô?!
– Senhorita Mello – Gabriela gelou, conhecia muito bem àquela voz – estava tendo uma festinha em seu apartamento agora pouco ou foi só uma montagem da mídia?
– Chefa – a morena engoliu em seco. – E-eu v-vou...
– Gaguejar! – A mulher interrompeu, rindo. Gabriela arregalou os olhos e sentiu uma vontade súbita de mandar a chefa ir sentar no colo do capeta, que sempre tinha quando a mulher lhe assustava assim. – Aquela pequena reportagem fez sua caveira, não só com as gurias do seu prédio, hein?!
– Demais! Estou com medo de sair de casa... – Gabriela confessou, com voz de criança, pretendia não ir ao trabalho no dia seguinte. Poderia ser linchada no meio da rua. E era nova demais para morrer.
– Que tal aguentar mais um tempo, um curto tempo eu prometo, para então se livrar delas e ir trabalhar em Londres? – A chefa perguntou já sabendo qual seria a resposta de sua jornalista mais maluca e competente com a qual já trabalhara.
– Nah, de boa, chefa! – Gabriela respondeu com os olhos brilhando.
– Só falta eu achar um bom lugar para você ficar e... – Gabriela a interrompeu.
– Só falta um lugar?
Gabriela estava segurando o berro. Não queria criar mais atritos ainda com suas vizinhas fofoqueiras, chatas e velhas.
– Sim, só isso! – Respondeu rindo. – Mas está difícil de achar algo por agora, não me pergunte como, mas não existe um único lugar no qual eu possa te colocar por lá.
– Eu tenho um lugar já! – Gabriela exclamou, com um sorriso bobo. – Bem, provisório, até você encontrar um pra mim, mas vai adiantar meu lado, não vou precisar morrer de medo sempre que sair de casa.
A mais velha riu. Era ótimo ter Gabriela como funcionária. Ela alegrava aquela revista. Quando ela se mudasse todos iriam sentir muita falta da maluquinha. Ninguém a substituiria ali. Qualquer um que ficasse em seu lugar, não conseguiria ser a metade do que a morena era. Isso Lily tinha certeza.
– Pois bem, então em poucos meses você estará viajando para Londres, minha querida. – Lily disse sorrindo.
– Chefinha, eu preciso desligar, antes que eu dê um ataque na sua frente... de novo! – Gabriela disse rindo. Tinha que ser sincera com a mulher que a fizera feliz duas vezes em menos de uma semana!
– Tudo bem, Gabriela. Até amanhã, na editora! – E desligou o telefone.
Gabriela, ainda sorrindo abertamente (o maior sorriso que já dera em sua vida), tirou a amiga da chamada em espera. Tinha que contar a novidade.
– Quem era, bitch?!
– Minha chefa! – Gabriela respondeu fingindo-se de triste. – Sabe a novidade? – Quando Carla negou, a morena sorriu de novo. – EU ESTOU INDO PARA LONDRES DENTRO DE ALGUNS MESES! – Gritou, sem se aguentar. – E ficarei na tua casa por um tempo. – Concluiu baixando o tom de voz. Realmente não queria mais brigas.
Com essa notícia, até mesmo Charlie Simpson saíra da cabeça de Carla.
Depois disso, Gabriela provavelmente ficara surda.
Fim!?
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