Notas iniciais
Meu pai sempre me falou que o principal ingrediente em uma boa luta era o foco.
Naquele centro de treinamento, foco era a última das coisas que eu tinha.
O “quintal” da antiga torre dos Jovens Titãs tinha uma vista incrível para o rio. Quando o sol batia no mesmo, mais parecia que eram diamantes no lugar de água. Ao longe, a Golden Gate me fazia lembrar que eu estava longe de casa, mas que era ali, em São Francisco, que eu conseguiria fazer com que meus objetivos se tornassem realidade. Em meio a toda aquela beleza, as enormes lâminas flutuantes que vinham em minha direção com o interesse único de me destruir quebravam meus pensamentos.
Eu desviava de todas as ameaças enquanto voava graciosamente pelos céus. Algumas das lâminas eram derretidas pelos meus raios oculares enquanto outras eu simplesmente parava usando algum golpe certeiro na base sem me ferir. Ao cuidar das ameaças aéreas, eu já sabia que mais trabalho me aguardaria assim que eu tocasse meus pés no chão.
De repente, vários robôs de aparência humanóide saíram de um pequeno túnel ligado ao subterrâneo da torre, todos com armas potentes, apontadas em minha direção. Soltei um risinho antes de desviar das balas, sabendo que não conseguiria sucesso absoluto com aquilo. Sem que o sistema patético dos robôs percebesse, eu já estava quebrando tudo, dando vários socos de direita e chutes para o alto. Deixava fluir tudo o que eu aprendera de luta desde que nascera com talvez o melhor professor de todo o mundo. Em poucos minutos, todos estavam acabados, e tudo o que me rodeava era apenas areia e sucata.
As palmas de tio Victor me assustaram, fazendo com que eu desse um pequeno pulo antes de me virar e encontrá-lo em sua mini-nave/cadeira flutuante. Mesmo sem poder usar as pernas devido a um acidente o qual se negava a compartilhar comigo, era possível perceber que o grande Cyborg havia sido um guerreiro excepcional em sua época, sendo um dos integrantes mais inteligentes que a Liga da Justiça possuía até os dias atuais. Por mais que o metal recém polido lhe trouxesse um ar obscuro, sua metade humana transparecia o orgulho e a calma que aquele homem de bom coração possuía aos montes. Seu sorriso me fez sorrir também.
— Foi o seu menor tempo. – Ele proferiu.
Fingi encarar as unhas com certo desdém, rindo logo em seguida.
— Você deveria reprogramar esses seus robôs. Já não me dão mais trabalho nenhum.
Rapidamente, sua nave estava bem próxima ao meu corpo, e com certo esforço, esticou seu braço para tocar meu ombro esquerdo, me fazendo perceber que eu havia sofrido um pequeno corte, talvez provocado por algum tiro de raspão. Um pouco de sangue manchava minha roupa adaptada para treinamento, o que me fez bufar.
— Certeza? – Seu tom irônico me incomodou, mas tentei não deixar claro. Saí de perto dele e pus uma das mãos sobre o corte.
— Isso aqui não é nada demais. – Comentei, já caminhando até o túnel pelo qual os robôs haviam saído anteriormente.
— Lembra do que seu pai sempre diz?
Machucar-se é inadmissível, por menor que seja a dor. Repeti o sermão dentro de minha mente, tentando não dar muita atenção para os dizeres de tio Victor. Eu sabia que se meu pai tivesse visto meu treinamento, por menor tempo que eu tenha conseguido, teria me dado uma boa bronca. Poupei-me da análise que eu sempre fazia depois dos treinos e me encaminhei diretamente para meu quarto.
Já estava acostumada com o design meio apocalíptico que a torre possuía. Afinal, a mesma havia sido destruída há vários anos atrás, bem no início das Noites Mais Densas. A parte subterrânea e os poucos andares de cima eram tudo o que havia restado de útil e bom naquele lugar. Por mais que ele pudesse ser reformado ou coisa do tipo, ninguém quis mexer em nada, muito menos o tio Victor, o qual não deixou de morar ali mesmo com o passar do tempo.
Passando pelos vários corredores cheios de rachaduras e pedras soltas, lá estava a enorme porta que dava para a Sala dos Heróis. “Esta sala é um dos motivos pelo qual não mexemos neste lugar. Temos medo que qualquer modificação acabe com a Sala dos Heróis, e ela é extremamente importante para todos nós. Um dia, você poderá entrar nela e entender-nos” tio Victor sempre me falava aquilo desde que eu havia chegado para morar com ele. Eu não morria de curiosidade para saber o que tinha por detrás daquelas portas, queria somente saber por que diabos era tão especial. Levantei as sobrancelhas ao encarar a gigante entrada antes de seguir meu rumo.
Tratei de tomar um banho longo a fim de relaxar todos meus músculos. Apossei-me de outra roupa de treinamento, mesmo sabendo que não faria mais nada pelo resto do dia e da noite, por subseqüente. Meu dever em São Francisco era somente treinar e me dedicar aos estudos caso algum dia eu quisesse desistir da “louca idéia” – de acordo com meu pai – de me tornar super heroína.
Havia descoberto meus poderes por volta dos nove anos de idade, e desde antes disso já sabia que eu não era uma menina comum como as outras, – até porque, nenhuma criança nasce sem íris, tendo o globo ocular inteiramente verde – pois havia sangue alienígena em mim. Eu era filha da tão exaltada Koriand’r, codinome Estelar.
Apesar daquele fato, não me importava com isso, muito menos em ter uma mãe. Porque, na realidade, eu não tinha uma. Fora deixara na Terra sobre os cuidados de meu pai assim que nasci por motivos os quais nunca quiseram me contar, e após algum tempo, preferi por não descobrir. Nunca a tinha visto, nem ao menos me lembrava de algum traço seu. Excluía qualquer possibilidade de saber como ela era, suas figuras, seus feitos e coisas do tipo. Só sabia seu nome e codinome. Eram-me suficientes.
Após perceber que jamais me encaixaria ao mundo como deveria ser, ainda mais sabendo quem meu pai era e o que ele e seus amigos faziam pelas pessoas, decidi largar a fachada de “humanazinha pacata” para então começar a treinar a fim de me tornar a melhor: um dia, membro da Liga da Justiça.
O problema era a aceitação. Desde que as ligas que treinavam e comportavam adolescentes sobrenaturais, como os tão famosos Jovens Titãs, foram extintas, não se houve mais relatos de novos super heróis nascendo por ai, muito menos ingressando no principal grupo de bem feitores da humanidade. A faculdade de Direito até que foi uma boa máscara para meu pai até ele finalmente descobrir que eu estava trocando as aulas por boas sessões de pancadaria ao lado de tio Victor. Desde que minha decisão tornou-se aceitável, eu era avisada diariamente que as chances de realização do meu sonho eram quase nulas, mesmo assim eu não abria mão. Até o codinome e o uniforme já haviam sido pensados! Eu tinha talento e era incrivelmente poderosa, iriam me reconhecer qualquer dia. A fé era a última a morrer, mesmo que eu me fosse antes.
Atolada em vários livros de leis constitucionais, decidi preparar um café quente para mim e tio Victor. Eu sabia que ele amava café.
Apareci em sua porta com a xícara nas mãos e um sorriso nos lábios, o que o fez me olhar com olhos quase nostálgicos, não sabia diabos por que.
— É melhor tomar café se for trabalhar a noite toda. Como sempre. – Falei, colocando o recipiente quente ao lado dos vários teclados que a sua mesa possuía.
Seu local de trabalho era onde antes residia a sala de estar dos Jovens Titãs. Alguns pôsteres antigos de vídeo game e retratos do grupo estavam espalhados entre os escombros. Sofás rasgados, geladeiras velhas e tudo de ruim, nada adequado para uma “sala comum”, contudo, mesmo que nós pudéssemos limpar aquele lugar, tio Victor não permitia. Ele dizia que aquele lugar o fazia bem devido às várias lembranças que o cercavam. Parei de insistir por melhorias depois daquilo. Ele parecia ser o que fora afetado com o fim do grupo, o qual também me era desconhecido.
— Obrigado, Mar’i. – Ele agradeceu sem me olhar. Estava totalmente fixo na gigante tela em alta definição que se encontrava na sua frente.
Tio Victor era o monitorador de toda a região americana, além de também cuidar de assuntos extraterrestres. A grande maioria das pesquisas e invenções de armas começava a partir de sua brilhante mente. Enquanto não estava me treinando, sua vida era ficar enfurnado naquela sala, contatando heróis entre outras coisas. Encarei o forte brilho eletrônico, deixando minha mente atenta ao mapa dos Estados Unidos todo em azul, cercado com poucos pontos vermelhos. Não precisava questioná-lo para saber o que aquilo significava.
— Zonas de perigo? – Perguntei, encarando todos os pontos vermelhos como se os mesmos fossem doenças as quais eu quisesse expulsar do meu corpo.
Meu tio somente confirmou com a cabeça e começou a digitar, mandando recados para as zonas afetadas, convocando os heróis responsáveis por cada área. Meus olhos passearam pela costa até se focarem no nome que, sabia que em somente em minha mente ele estava brilhando forte: Gotham. Não haviam muitos pontos vermelhos, mas já era o bastante para me deixar inquieta ao nível de me fazer cerrar os punhos.
Só depois de alguns segundos percebi que agora o olhar único de tio Victor estava fixo em mim.
— Não se preocupe, querida. Você sabe melhor do que eu que seu pai pode muito bem cuidar disso...
Com um piscar de olhos, a tela ficou negra e em seguida vermelha, piscando várias vezes e transmitindo a seguinte mensagem: alerta confidencial.
Sem que meu tio pudesse me tirar daquela sala, – porque obviamente ele não conseguiria – ele instantaneamente apertou o botão que liberava a conferência, e logo a imagem foi trocada para o rosto tia Donna, a então Mulher Maravilha.
— Victor, esta mensagem é uma convocação de extrema importância. Precisamos de você na base de comando da Liga da Justiça o mais rápido possível.
Não era preciso que mais palavras fossem ditas, porque até eu que, naquele momento, parecia ser a única que não sabia do que estava realmente acontecendo, senti o peso do chamado. Antes que eu pudesse virar o resto, a mini-nave de tio Victor já estava perto da porta.
— Mar’i, permaneça na torre. Não faça nenhuma besteira. – Foi tudo o que ele disse antes de partir.
Aquilo era irado ao passo que extremamente assustador.
Não sabia que tio Victor já havia recebido mensagens como aquelas. Os assuntos da Liga da Justiça eram extremamente confidenciais, e sem outras ligas para poder atender ao comunicado ou se informar das coisas, era como se todos fossem deuses e eu, mesmo sendo poderosa, não estava mais acima que os patéticos humanos.
Engoli a seco, tentando me recompor. Quando eu estava prestes a sair da sala para procurar algo para fazer a fim de me acalmar, a tela gigante voltou a ficar azul e o mapa retornou para sua cor azul cheia de pontos vermelhos. Gotham agora transbordava em escarlate, o que não me fez agir com razão.
Meu pai com certeza havia sido convocado para aquela reunião. Afinal, ele era o Batman. Quem estaria a vigiar a cidade então?
No meu aniversário de 18 anos, tia Donna me fora fazer uma visita, trazendo para mim um de seus antigos uniformes para que eu pudesse me espelhar na criação do meu próprio. Ela era uma das únicas que acreditavam no meu sonho tanto quanto eu. Eu já estava um pouco maior, o que fazia o tecido preto brilhante ficar ainda mais colado que o normal, mas não me importei. Se a guarda de Gotham era do meu pai, eu a herdaria futuramente. Eu estava pronta para combater o crime, todos acreditando ou não. Prendi meus longos cabelos negros em um rabo de cavalo e do alto da destroçada torre Titã, parti rumo ao lugar que havia abandonado.
O batsinal brilhava forte no céu já noturno da cidade. Não foi difícil achar as incidências de crime, todas envolvendo roubos, bandidos idiotas. Para cuidar deles, bastavam alguns socos como lição e raios para assustá-los até que a polícia chegasse. Não queria ser notada, pelo menos não no momento. Caso meu pai ou mais alguém soubesse daquele meu ato de loucura, eu estaria frita. Bem frita.
Porém, já perto do próximo foco de crime, eu estava a me sentir incrivelmente confiante e feliz, confirmando para mim mesma aquilo o que eu já sabia: era isso o que eu queria fazer para o resto da vida. Não entendia porque meu pai não me deixava tomar conta de Gotham caso ele precisasse resolver algo para a Liga da Justiça. Não era difícil. Na verdade, não chegava nem a cansar.
Mas foi preparada para dar um chute no pescoço de um dos assaltantes armados que pude enxergar a então verdade. Alguém já havia chegado na minha frente, combatendo os dois bandidos com tanta maestria nos movimentos que chegava a impressionar. Só consegui enxergar seus movimentos graças a pouca luz que um poste próximo me proporcionou. Ele atuava nas sombras, tão bem quanto meu pai. Só tive certeza de que não era o Batman quando o mesmo orientou a então vítima a fugir para algum local seguro enquanto esperava pela polícia. Sua voz era mais calma, e seus atos, por mais que tentasse, não eram tão perfeitos. Quando nossos olhares se encontraram, pude perceber certo desdém.
— Quem é você? – Sua pergunta acordou-me da minha confusão mental.
— Eu que pergunto. – Revidei, afastando-me mais um pouco, a fim de trazê-lo para o claro.
Quando a luz tocou sua máscara verde e suas roupas típicas, tão bem conhecidas por mim, tive vontade de vomitar.
— Damian... – Deixei escapar.
Fazia mais de anos que nós não nos víamos. Desde a morte de Bruce Wayne, meu pai forçou a si mesmo a criar o único filho legítimo do verdadeiro homem morcego em uma espécie de quitação de dívida. O menino crescia por si só, treinando como um louco por conta própria. Não via ele e meu pai trocando muitas palavras, parecia apenas se sentir confortável ao lado de Alfred, este já falecido. Nunca nos demos bem quando crianças, e após perceber isso, acabamos por ser criados de maneiras bem distintas e distantes, de tal maneira que eu não o enxergava em casa quase nunca, e desde minha mudança para São Francisco, achei que Damian tivesse saído da mansão, talvez finalmente em busca do seu real lugar no mundo. Mas não, lá estava ele, e por mais que eu achasse que não fosse o reconhecer, era como se por algum momento em minha infância eu tivesse compartilhado algum sentimento com ele.
— Esper... – Seu dito foi interrompido pela sirene da polícia, a qual nos fez encarar a rua vazia e voltar a manter os olhares em nós mesmos, como se tivéssemos pensado a mesma coisa.
Saímos dali da maneira que nos cabia, eu pelo ar e ele através de seus pulos e acrobacias até uma cobertura de prédio próximo. Ele foi o primeiro a se pronunciar após um longo silêncio.
— Mar’i? – O tom de pergunta era inútil. Eu sabia que ele também havia me reconhecido.
— Então quer dizer que todo aquele seu treino deu nisso? – Apontei para suas roupas. – Para se tornar o novo Robin?
— E você? No que deu toda sua longa temporada em São Francisco? – Seu sorriso debochado me causou repulsa. – Uma segunda Donna Troy nos tempos de Jovem Titã?
Encarei o uniforme e depois a ele novamente.
— Esta roupa é temporária enquanto meu uniforme está sendo feito.
— Oh, então conseguiu virar uma heroína? Engraçado... Dick não me contou nada disso, tanto que o parceiro dele e protetor de Gotham sou eu e não você.
Aquilo era mesmo verdade? Tive de apertar minhas mãos em formato de punho para não quebrar o prédio ou aquela sua cara convencida.
— Ahn, é mesmo? Parceiro do meu pai? É isso o que você, somente você considera, não é? – Queria devolver suas provocações na mesma moeda. – Cyborg tem o registro de todos super heróis e suas respectivas cidades. Gotham está somente sobre os cuidados do Batman. Se estiver tentando me enganar ou enganar a si mesmo, é perca de tempo.
— O que diabos está fazendo aqui, hein? Por que aparecer somente agora? – Percebi que ele se aproximava aos poucos. – Os registros de Cyborg devem estar mais do que errados, pois todas as vezes em que seu querido pai vai resolver coisas na Liga da Justiça, eu é quem limpo a bagunça para ele.
— Vi que os índices de crime nesta noite estão bastante altos. Sei que o Batman precisou ir para uma reunião de urgência. Não podia deixar Gotham atolada na merda.
— Está tudo sobre controle, Mar’i. Eu estou aqui para cuidar de tudo como sempre estive durante esses anos. Quando seu pai voltar, pode perguntar a ele porque ele me preferiu. – Só depois de um tempo percebi que nossos ombros estavam lado a lado, quase se encostando. Fiz com que nos batêssemos e me dirigi até a outra ponta da cobertura, já reparando no outro batsinal que se formara no céu.
— Foi bom revê-lo, Damian, mas eu tenho uma cidade para proteger...
Antes que eu pudesse completar minha frase, uma estranha chama verde cortou o céu, me fazendo cambalear dois passos para trás, totalmente espantada. Mais parecia um asteróide super esquisito fazendo sua trajetória muito, mais muito baixo. Pelo nível, logo logo haveria colisão.
Não foram preciso palavras, apenas a troca de olhares entre mim e Damian fez com que todas as indiferenças ficassem de lado rapidamente, de tal maneira que me fizesse carregá-lo pelos braços, fazendo o mesmo trajeto que o asteróide. Reduzi um pouco a velocidade ao perceber que a enorme pedra se chocaria com um milharal próximo e tratei de nos proteger do barulho e impacto que o mesmo fez ao finalmente tocar o solo. Vários pedaços de milho, plantas e vento voaram para todos os lados, além do barulho quase que ensurdecedor. Suspirei aliviada ao perceber, após sair detrás de uma caixa d’água, que a cidade não havia sido afetada em nada.
Por trás daquela pequena máscara verde, pude deduzir o olhar curioso de Damian para com o gigantesco buraco que agora redizia no lugar das várias plantações de milho. Aterrissei devagar, fazendo Robin encostar-se ao chão primeiro.
— Vá para aquela fazenda e avise os moradores do perigo. Não os deixem sair de casa. – Antes que eu pudesse voar em direção ao buraco, a mão de Damian me impediu.
— Não vá até lá sozinha. Não sabemos o que aquilo pode ser.
Revirei os olhos e concentrei meu vôo para cima, fazendo com que ele me largasse. Não me arriscaria chegando perto da cratera, a qual brilhava em um verde estranho e muito vívido. De cima, pude sentir a forte radiação que não me atingiu totalmente pela grande resistência e sangue alienígena, supus. Ao chegar à beira do buraco, pousei, dando alguns passos para trás a fim de conter o suspiro de total surpresa.
Aquele pedaço de rocha era extremamente grande, o que me fez pensar no quanto ele seria ainda maior ao ponto de degradar-se na queda e ainda continuar daquele estrondoso tamanho. A irradiação verde não parava de brilhar, como se fosse uma espécie de fogo inapagável. Aquilo não tinha cara de lixo espacial, muito menos algum tipo de asteróide ou coisa do tipo.
Ao perceber que Damian estava vindo ao longe, gritei para ele: — Não se aproxime ao menos que queira morrer!
Pelo meu tom de voz, supus que ele havia entendido o recado e recuado, mas não fora minha ordem que fizera ficar no lugar, e sim a imensa nave que agora cobria praticamente o céu inteiro.
Não pude deixar de esconder meu espanto com uma boca totalmente escancarada. Um forte vento soprou quando a plataforma de metal que vinha da nave tocou o chão. De dentro, consagrado por uma forte luz branca que chegava a deixar a cor verde do asteróide meio apagada, o aparente S vermelho deu-se por destaque. O olhar do Superman cruzou o meu. Achei que fosse desmaiar.
Antes de conseguir piscar, várias lendas estavam a rodear a cratera, a mim e ao Damian lá trás. Já prestes a apagar, tudo o que consegui enxergar foi o morcego no peito de Dick Grayson.
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