Code of destiny

3 Primeiras Rachaduras



PV Oliver Queen

Felicity Smoak era uma distração.

No começo, eu achei que fosse só o jeito dela — aquele turbilhão de energia que fazia barulho até em silêncio. Mas com o tempo, percebi que era mais profundo. Ela não apenas entrava nas salas; ela invadia, ocupava, iluminava. E pior: deixava rastros.

No terceiro dia, ela entrou no meu escritório sem bater. Outra regra ignorada.

— Oliver, preciso de autorização pra mexer no firewall interno. O sistema da Queen Consolidated é bom, mas também é velho. Tipo, disquete velho. Eu preciso atualizar isso antes que vire museu digital. E eu sei que você odeia interrupções, mas se eu não viesse falar pessoalmente, provavelmente você nunca leria meu e-mail.

— Você entrou... só pra garantir que eu te escutasse?

— Sim. E funcionou, né?

Revirei os olhos. Mas assinei a autorização.

Ela sorriu como se tivesse ganhado um prêmio. O que era estranho… porque aquele sorriso mexia comigo de um jeito desconfortável. Quase... pessoal.

Tommy entrou pouco tempo depois e, como sempre, notou tudo.

— Você tá perdido, cara. Já caiu e nem percebeu.

— Cale a boca, Tommy.

— Tá bom. Mas vou providenciar um terno branco pro dia do casamento.

Ignorei. De novo.

Mas naquela noite, sozinho no meu apartamento, com um copo de uísque na mão e a cidade brilhando lá fora, eu me peguei pensando nela.

No jeito como falava. Como gesticulava. No modo como conseguia irritar e fazer rir no mesmo segundo. Como ocupava espaço — até o meu espaço — sem pedir permissão. Como fazia eu me sentir menos… vazio.

E então percebi: o problema não era ela.

Era eu.

Eu não sabia o que fazer com tudo aquilo que ela despertava em mim. Não sabia como lidar com alguém que via por trás da fachada, que enxergava além do CEO carrancudo. Que não tinha medo de mim.

Felicity Smoak não era só uma distração.

Era uma ameaça.

Aos muros que eu levei anos pra erguer.

Mas talvez… talvez estivesse na hora de deixá-los cair.