Code Geass: The New Chain
2 Parte II - O chocar entre estrelas:
Notas iniciais
"Todo o homem e toda a mulher é uma estrela", disse um mal-afamado homem, certa vez. Todo o homem, mulher e criança... todos são únicos, individuais e divinos. Todos são como o Universo, com todas as constelações e galáxias dentro de si mesmos. E também são como estrelas. Mas, às vezes, corpos celestes se chocam e se separam... e um dia se reencontram. Destino? Sorte? Azar? Não se sabe ao certo o motivo das pessoas se conhecerem e se despedirem. Talvez isso seja mais uma das ilusões da Existência.
Era uma manhã bela e ensolarada. Yori sempre se levantava cedo, por cerca das 6 da manhã, sendo que só tinha aulas às 8. Mesmo que ele estivesse perto de sua casa, o Japão, ali ainda era Britannia... uma nação que não deixava de lhe ser estranha. Depois que o antigo Imperador Demônio, Lelouch vi Britannia morreu, o Japão — antiga "Área 11" — continuou com sua independência e, consequentemente, tomou de volta os locais originalmente japoneses que antes faziam parte de Britannia.
Entretanto, a localização geográfica de ambos os lugares, Britannia e Japão, inevitavelmente mudaram. Alguns lugares continuaram pertencendo a Britannia e os outros países deram ajuda ao Japão para construir cidades em outros lugares de sua nação. Desse modo, o Japão não diminuiu por permitir que alguns lugares continuassem pertencendo a Britannia e a consequência disso era que agora os dois países faziam fronteira.
A Academia Ashford e também o apartamento em que Yori estavam eram parte do território britannian e estavam há poucos quilômetros longes da fronteira entre Britannia e Japão. E todos os dias dele, vivendo naquele local, eram iguais: acordava cedo, comia alguma coisa qualquer e ia caminhar em um bosque que havia não muito longe dali, isto até as 7:45, horário em que ele começava a ir para a escola e, consequentemente, chegava terrivelmente atrasado.
Aqueles momentos de reflexão pela a manhã eram importantes para Yori, embora nunca resultassem em nada concreto. Ele nunca desvendava o paradoxo da Criação. Ele jamais conseguiu isso e nem ele achava que viria a conseguir.
Outra coisa importante que ele fazia era visitar uma amiga. Não, não era necessariamente uma amiga, era apenas uma pessoa que sabia conversar sobre essas dúvidas do mesmo. E que, às vezes, lhe dizia coisas interessantes. A mesma vivia num casebre de madeira, bastante pequeno e humilde, mas parecia que a mesma não se importava com isso. A casa ficava no mesmo bosque.
– Você demorou dessa vez — diz ela, normalmente. Estava sentada numa grande rocha, na qual era Yori que geralmente se sentava e que ficava justamente em frente a casa já citada.
– Estava me esperando? — pergunta ele, com um sorriso sarcástico no rosto. Ela sorriu da mesma forma.
– Claro que não, afinal de contas, eu sou uma bruxa imortal — ela se vira para trás, para olhá-lo.
– Humpf, você não muda mesmo. C.C...
Ele ficou de pé, ao lado da mesma. Ambos olhavam o sol, que brilhava de maneira estranhamente intensa tão cedo. Talvez fosse por causa do que iria acontecer no dia.
– Está preparado para vê-la? — ela pergunta a Yori.
– Você sabe que sim. Mas não acho que nos falaremos, afinal de contas, ela é uma rainha — ele responde.
– Mas hoje não é o dia em que ela fará isso? — C.C o lembrou. Ele ficou quieto.
Há cerca de um ano, Yori, enquanto conhecia melhor aquele bosque, encontrou uma bela mulher tomando banho no lago. Na verdade, pensando bem, ela estava se banhando em um local bastante especial para ele, que ele reencontrou por alguma razão... mas aquilo não importava no momento. Ela era extremamente bela e estava... nua! Ele saiu apressado dali, se encostando numa árvore envergonhado. Minutos depois, uma voz feminina o perguntou o porquê dele tê-la espionado... ele se virou pra ver de quem se tratava e era a mesma mulher do lago, o encarando de maneira calma e vazia... os olhos de ambos, da mesma cor, se chocaram pela a primeira vez. Ela já estava vestida, mas apenas com uma longa camisa preta, que mais servia como um vestido para ela.
Desde então, eles se tornaram companheiros de conversas. Um garoto japonês e uma bruxa imortal... aquilo podia ser considerado um impacto entre duas estrelas, afinal de contas. Yori poderia a considerar uma louca se tivesse vontade, mas ele não se importava... afinal de contas, essa brincadeira cósmica chamada "Universo" não deveria ser levada a sério. Ela poderia ser uma bruxa imortal ou o que quisesse, não importava. Ela poderia se banhar em um lago e viver numa pequenina casa de madeira, isso também era irrelevante. Quase tudo era irrelevante.
– Vou indo, C.C. Tenha um bom dia — diz Yori, calmamente, se afastando da mesma. Ele estava de costas para ela, seguindo seu caminho.
– Até mais, garoto. Caso volte aqui amanhã, tenho algo a lhe propor — ela falou. Yori continuou seus passos, apesar de ter ouvido o que ela disse.
– E que tipo de proposta é essa, C.C? — ele perguntou, ainda andando. Ela sorriu, embora ele não tenha visto. Ele realmente era semelhante ao seu último "cúmplice".
– Venha aqui amanhã, se quiser saber — C.C respondeu, com um tom maldoso e sarcástico. Típico de suas conversas. Yori sorriu da mesma forma, virando o seu rosto para sua estranha "amiga".
– Sua bruxa... — essas foram suas últimas palavras (seguidas de um olhar e um sorriso), até ele se virar e ir embora.
Não haviam riscos em voltar para a cidade, afinal de contas, ele conhecia bem aquele local. Também não haviam muitos animais perigosos por lá naquele horário, então ele estava bem. Aquele era um dia especial em sua escola, então ele não precisava se preocupar em se atrasar, visto que não teria aula. Além das duas únicas pessoas com quem ele conversava, Dante Laurence e a professora Kallen, havia algo a mais. Algo que destacava aquele dia em relação aos outros, algo que ele realmente estava esperando. O seu coração se apertou quando ele pensou nisso, enquanto ele andava admirando o belo céu.
...
Enquanto isso, uma jovem garota observava o mesmo espetáculo. Mesmo tão cedo, o sol brilhava daquela forma alegre e esplêndida. Ela possuía uma aparência gentil, com belos e sedosos cabelos louros. Vestia-se igualmente bela, com um traje semelhante a um vestido, com alguns detalhes na cor branca. Estava acompanhada de seus mais fiéis homens... um deles era Jeremiah Gottwald, um homem extremamente leal ao Império e à sua imperatriz. O outro era o lendário Zero, o famoso herói que protegia a justiça, aquele que trouxe fim ao reinado de terror de Lelouch vi Britannia.
Ou talvez as coisas não fossem bem assim. Não, não eram, ela sabia. Ela soube quando seu irmão morreu, exatamente naquele dia, ao ver diante de sua mente os planos do mesmo. Ele era um herói, ele sempre foi o herói que cuidou dela, mesmo estando longe ou perto, não importava. Ele sempre estaria cuidando dela. Em honra a ele, essa mesma jovem garota sempre cuidava de sua nação, sempre era gentil com todos.
Mas aquele não era o melhor dia para pensar, era? Era o dia certo para agir. Ela iria visitar finalmente a Academia Ashford, afinal de contas, ela era a imperatriz... Nunnally vi Britannia.
...
– Higurashi Yori! Você está atrasado! — disse uma voz.
Yori estava na entrada da Academia Ashford, onde estavam vários outros alunos. Vários alunos na entrada e no pátio da escola, conversando sobre qualquer coisa. Ele estava exatamente na entrada da Academia, a voz que chamou sua atenção pertencia e uma mulher. Ele se virou, pensando em como as pessoas andam o reparando e o chamando... primeiro a C.C, agora era a...
– Kallen-sensei. Não há aula hoje, você não precisa chamar a minha atenção — diz ele, sorrindo e se virando para ela. Ele logo notou que Dante estava ao lado dela. Os dois se aproximaram sorrindo de canto e deram um aperto de mão, dando olá um pro outro.
– Bem, eu estava vindo pra academia agora também — diz Kallen, um pouco envergonhada — e encontrei o Dante no caminho.
– Certo... — Yori diz somente isso.
Ambos os amigos, Yori e Dante, ficaram conversando durante o pouco tempo que restava, sentados num banco no pátio da escola. Eram conversas banais, os assuntos variavam entre video games, jogos de tabuleiro e cartas. Os dois adoravam jogar e já mataram algumas aulas para apostar dinheiro no submundo. O curioso era que os dois possuíam gostos praticamente idênticos, inclusive, os dois eram grandes fãs de literatura e compartilhavam os mesmos pensamentos a respeito do Universo.
Kallen Stadtfield observava tudo um pouco ao longe. A imperatriz de Britannia chegaria logo e ela, junto de alguns outros professores, deveria estar preparada. Sim, aquele era o dia que ocorria uma vez por ano desde que Nunnally vi Britannia assumiu o Império. Já era a segunda vez que ocorria, nesses dois anos do benéfico governo da mesma. Era uma obrigação da imperatriz, uma obrigação que ela mesma criou, de visitar cada escola do Império. Por último, ela visitaria a Academia Ashford.
Kallen olhava para Yori, que conversava com seu amigo. Ela nunca soube, de fato, a razão de sua preferência a ele como aluno. Não só como aluno, ela realmente gostava muito daquela pessoa. Como amigo ou irmão mais novo, talvez... ou fosse outra coisa, ela não poderia entender. A maioria das pessoas não sabiam, mas ela chegou a conhecê-lo antes da Ordem dos Cavaleiros Negros surgir, quando ela e seus companheiros se limitavam a um mero terrorismo sem sentido, na época em que o Japão era conhecido como a "Área 11".
Ele era mais jovem que ela, cerca de três anos de diferença, e vivia doente. A família Higurashi, outrora uma das mais ricas do Japão, passou a trabalhar duramente para sobreviver. Higurashi Yori era o filho único de Higurashi Naomi e Higurashi Hidetaka e foi abençoado com a inteligência do pai e a calma da mãe, mas não com boa saúde. Kallen, Ougi e os outros eram vistos como heróis que visavam lutar pelo o Japão, então houveram vezes que eles foram visitar o jovem enfermo.
Ele era tão frágil... pálido e com voz fraca. Era assim durante suas recaídas. E com os japoneses vivendo sob condições cada vez mais precárias, não haviam muitos meios de se conseguir os remédios necessários. Haviam poucas esperanças para aquele pobre rapaz, que devia ter cerca de quinze anos. Todo o vigor que alguém tão jovem deveria ter lhe foi levado pela a doença. Kallen jurou para si mesma que libertaria o Japão para que coisas assim não mais ocorressem.
Mas, de acordo com os boatos, o jovem que vivia doente começou a se erguer e melhorar. Os rumores diziam que ele também queria lutar, que ele não poderia se deixar vencer pela a doença enquanto vários japoneses arriscavam suas vidas diariamente. Realmente, ele foi uma enorme inspiração de superação e força de vontade para os japoneses. Tanto que ele ficou até bastante conhecido no Japão. Claro que a saúde dele continuava péssima, mas ele ainda mantinha a sua força de vontade de seguir em frente... aos poucos, ele conseguiu sair da cama e até ter um dia-a-dia mais normal.
"Higurashi Yori, o garoto da superação", pensou Kallen, agora observando o seu aluno. Ele devia estar com uns 17 anos, sendo que ela tinha apenas vinte e já estava lhe dando aulas. Mas, claro, os boatos dificilmente mentem. E, segundo os mesmos, não foi apenas por causa da força de vontade que Yori superou suas fraquezas.
...
A "radiante imperatriz"... esse era o apelido que a sua nação a havia dado. Ela estava dentro de seu carro especial, dirigido por um motorista. Ela aproveitava para acenar às pessoas, quando gritavam o seu nome. Não, ela não o fazia por orgulho ou para se mostrar bondosa... tudo que ela queria era ser gentil com todos, para que o mundo se torne cada vez mais gentil.
Dentre poucos minutos, ela chegaria na Academia Ashford, onde ela cresceu e estudou. Ouviu dizer que Milly Ashford compareceria ao evento e que Kallen se tornou professora, assim como que um amigo muito querido dela (Nunnally) estudava por lá.
O carro parou em frente ao portão de entrada. Zero, que estava ao lado da imperatriz Nunnally, saiu do carro para abrir a porta. Nisso, todos os alunos que estavam do lado de fora da escola se alegraram e, de certa forma, enlouqueceram de felicidade, gritando o seu nome.
...
Gritos podiam ser ouvidos do pátio da escola... Yori não podia negar a possibilidade dela ter chegado. Sim, o coração dele disparou... será que ele estaria preparado?
– Hey, Yori! Parece que a imperatriz chegou! — diz Dante, animadamente. O mesmo estranhou ao notar que Yori estava com os olhos arregalados e até um tanto pálido.
Higurashi Yori, o Garoto da Superação, começou a caminhar lentamente. Ele estava realmente apavorado. Não se poderia dizer que ele ignorou Dante, ele simplesmente não o ouviu... estava tão imerso em emoções, que não poderia ouvir. O mundo inteiro parecia ter parado. Naquele momento, só existia 'ela'. Ele notou que ela dava atenção demasiada aos alunos... isso era típico dela. Seus guardas pessoais, Zero e Jeremiah, não deixariam que ninguém se aproximasse demasiadamente dela, mas parecia que ela não se importava... dava atenção a todos, que se reuniam em bandos para vê-la.
Yori começou a correr o mais rápido que podia, empurrando uns e passando por outros, até parar bem diante dela, há poucos metros de distância. Dante, Kallen e nenhum dos alunos daquele lugar esperavam que o silencioso Yori, que apostava dinheiro no Submundo e que divagava em aulas, o mesmo Yori que era frio e indiferente com todos... fizesse algo assim.
No mesmo momento, o olhar admirado e surpreso de Yori se tornou vago novamente. Mas ele ainda guardava um sorriso de canto nos lábios. A jovem mulher à sua frente pareceu bem surpresa de início, mas logo sorriu de maneira alegre e afetuosa, assim como o brilho de seu olhar.
– Há quanto tempo, Vossa Majestade — ele disse. Mas pelo o sorriso em seu rosto, podia-se notar um certo sarcasmo no mesmo. Nunnally sorriu ainda mais.
– Há quanto tempo, Yori-kun! — ela respondeu.
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