Cocaine

30 Os erros de Harley Adams


Notas iniciais
Hey gente! Eu sei que falei que iria postar na última sexta, mas eu simplesmente não pude. E você vai entender quando ler o capítulo pois ele tem 5875 palavras e eu quase morri escrevendo ele. Esse capítulo me deu muitas dores de cabeça e aviso já que tem hentai (EBA!). Se você não gosta de hentai... eu lamento, mas esse capítulo é importante. Ainda não respondi os reviews do último chapter, mas vou já responder! Obrigada por acompanharem e comentarem, meus viciados lindos! Ah! E a quem fez perguntas no tumblr, o meu muito obrigada também! Foi bem divertido! ATENÇÃO: Poderá sempre fazer as perguntas que quiser aos seus personagens no tumblr: cocaineagain.tumblr.com! Esse capítulo foi muito complicado para escrever, então espero ver muitos de vocês nos comentários (não me deixem desanimar e juntar Cocaine a lista das histórias que eu já excluí)! Bom, é isso. Enjoy! Ps: me deu muita vergonha escrever isso Ahah

— Essa é a sua intervenção. – esclareceu Chad, mostrando-me um sorriso adoravelmente diabólico. — Você estava parecendo uma coisa roxa infeliz e estava me deixando infeliz também. Estávamos precisando de uma festa!

Será que dói muito pular da janela e aterrar com a cara no asfalto?

[…]

Todos cometemos erros. Mas sério, eu exagero.

E pensar que se eu não tivesse matado aula, eu não estaria agora seminua. E Julian não estaria literalmente quase me comendo com os olhos.

Hey, como assim Harley?

Isso até poderia ser uma coisa boa! É, poderia... Mas a vaca da Flame estava bem ali do seu lado. Me olhando com desprezo. E bom… depois ela tinha que abrir a boca. E foi aí que eu percebi que matar aula é uma coisa ruim.

Ok. Vamos regressar um pouco atrás e contar todos os erros que eu fiz hoje.

Erro um: matar aula. Não estou sendo repetitiva nem nada, mas sério… nota mental: nunca fazer isso de novo.

Erro dois: seguir Jade. A garota parece inofensiva. É. Ela parece. Só parece.

Erro três: Estudar na presença de Chad e Jade. Porque diabos eu não me fechei no meu quarto como uma nerd antissocial? Hein? Ah claro, eu não queria pensar no… É.

Erro quatro: Eu fiquei fazendo o meu luto pelos materiais na altura errada. Adiciona também nesse ponto que eu deveria ter empurrado meu irmão pela janela. Isso pouparia os erros que aconteceram de seguida.

Erro cinco: Eu assisti essa festa sendo preparada e não fiz nada para impedir isso. Novamente o luto. Novamente Chad conhecendo a calçada. É. Falta genialidade ao meu eu que supostamente era um gênio.

Erro seis: Eu abri a maldita porta! Talvez esse seja o pior erro de todos. Porque esse erro desencadeou outros erros futuros e cara… porque eu não empurrei Chad na outra hora?! Sério. Era uma coisa necessária.

Erro sete: Assim que o cara me beijou, eu deveria ter saído correndo. Ou pelo menos me fechado no meu quarto. Eu fiz isso? Nem pensar.

E esses são só os erros iniciais. Porque tem mais! Claro que tem mais, estamos falando de Harley Rosemary Adams. E mesmo eu odiando esse meu segundo nome escroto, continua sendo meu. Acho que a culpa de tudo isso é do meu nome mesmo. Talvez se eu me chamasse Adriana Lima, as coisas correriam melhor. Afinal eu seria uma gostosa.

Ok. Parando de fantasiar.

Erro oito: Eu fiquei na festa. A partir do momento que Chad falou que tudo aquilo era uma festa, eu deveria ter saído. Porque festas e Harley não combina.

Mas em vez disso, eu fiquei. Contrariada, mas fiquei. Eu sentei no sofá e durante um momento fingi que ter um cara abanando a bunda perto da minha cara era uma coisa normal. E mesmo quando o garoto que me beijou mais cedo se sentou do meu lado, eu não saí correndo.

— Garota, você precisa de uma bebida. – falou estendendo-me um copo com um líquido negro. Sorri tentando não parecer desagradável. Cara, o negócio era negro. Parece o tipo de bebida que o demônio beberia. Não obrigada.

— Não, deixa para lá. – o cara não insistiu, mas ele também não se afastou. Aliás, ele se aproximou ainda mais. Alguém ensine para essa cria do satã que existe uma coisa chamada espaço pessoal!

O garoto pousou a mão na minha perna e acariciou-a lentamente. — Você precisa relaxar, Harley.

Será que vai parecer muita falta de educação se eu simplesmente vomitar em cima do cara. Sério. A mão dele na minha coxa está me dando voltas no estômago. E então, o garoto sem mais nem menos se aproximou do meu cabelo e cheirou. Exatamente como um cachorro faria.

E foi aí que eu me toquei que iria ser estrupada se não saísse de perto dele o mais rápido possível.

— Sabe que mais?! Você tem razão! Eu preciso de uma bebida! – balbuciei, empurrando-o gentilmente. O sorriso dele aumentou e quando ele estava prestes a entregar-me o negócio negro, eu levantei e afastei-me dele. – Vou tomar água na cozinha. Volto já.

Dei-lhe as minhas costas e fiz um esforço para não correr. Ele é amigo do Chad. Não posso ser desagradável, certo? Fui até a geladeira e coloquei água gelada num copo. Bebi tudo em um fôlego e sentei-me numa das banquetas. Estava arquitetando um plano rápido e inteligente para conseguir sair sem ser vista quando um gemido fraco corta a minha concentração.

Virei-me na direção da alma penada. E não era uma, mas sim duas almas penadas… se agarrando e se esfregando contra a parede. Chad e Logan. Ok. Isso era uma coisa que eu definitivamente não queria ver!

— Oh por amor da santa! Têm mesmo que fazer isso na cozinha?! – ignoremos o fato de que eu já fiz coisa pior e continuemos com a bronca. – Sério. Eu sou uma alma inocente!

Logan afastou-se imediatamente do meu irmão, fazendo-o conter um rosnado de frustração. Sorri internamente com isso. Essa é por todas as vezes que fui interrompida quando estava com o… É.

O namoradinho do meu irmão inchou, ficou vermelho e saiu da cozinha como se o capeta em pessoa estivesse assaltando a geladeira.

Está perto disso.

— Obrigada por interromper a minha dose de pegação. – resmungou Chad pegando uma maçã e mordendo-a com força.

Revirei os olhos e coloquei mais água no copo. – Para que servem os irmãos?

— A minha serve para se intrometer e para constranger situações já de si constrangedoras. – ri, vendo Chad morder a sua maçã novamente. O seu olhar parou em mim por um momento. – Porque você não está curtindo a festa?

Como se explica para o nosso meio-irmão que um dos seus amigos quer invadir o meu espaço pessoal entre outras coisas?

— Essa festa… não faz o meu tipo.

Chad revirou os olhos e terminou de comer a maçã. – Desde quando você tem um tipo? Você está apenas sendo preconceituosa com os caras.

Uma chama pareceu queimar a minha garganta. O que é isso? Indignação? Incredibilidade? Talvez um pouco de raiva? – Eu não estou sendo preconceituosa! Só não estava esperando que o cover da Lady Gaga entrasse pela porta.

— Viu só? Você está sendo preconceituosa.

A música alta estava me deixando agoniada. Respirei fundo e encarei o meu irmão sentindo-me meio magoada com as suas acusações. – Não é isso! É só que tem esse cara que me cheirou e só falta ele fazer xixi em mim também!

— De quem você está falando? Do Henri? O cara é inofensivo. Todos eles são. Eles são apenas mais descontraídos que as restantes pessoas. Não se preocupa tanto, Har. Eles são legais. Só tenta aproveitar a festa. – Chad fez uma pausa, aproximou-se de mim e pegou minhas mãos nas suas. – Eu quis fazer essa festa para você porque eu sei que nem sempre estou presente quando você necessita. E quando você está triste eu nunca sei o motivo. É que você é tão cheia de segredos que eu…

Retirei minhas mãos das suas. – Segredos?! Eu que tenho segredos? Sério, você é engraçado Chad! Vai ver lá no meu quarto se eu esconde alguma arma debaixo da almofada, vai!

É. Eu deveria ter ficado calada. Mas cara, e se meu irmão é na verdade um psicopata? Já tem Jared. Não precisamos de Chad nessa equipe! Sério, essa coisa da arma me assusta.

— Como você… — o meu meio-irmão parou de falar e suspirou afastando-se alguns centímetros de mim. – Eu planejava te contar, mas me falaram que era melhor você não saber.

— Não saber o quê, Chad Lawrence Adams?!

Chad passou a mão nos seus cachos castanhos parecendo verdadeiramente nervoso. – Como você recusou a proteção da polícia quando Jared regressou, eles pensaram que seria seguro ter alguém que te conseguisse proteger caso fosse necessário. Eles me ensinaram a atirar e me encarregaram dessa arma.

Mordi o lábio inferior com força. Ficámos em silêncio durante algum tempo até que senti as lágrimas quentes descerem pelas minhas faces. Chad prontificou-se para limpá-las.

Suspirei e coloquei minhas mãos nos seus ombros. – Por favor. Me prometa que você não a vai utilizar. Nunca.

— Mas, Har… — começou Chad.

— Prometa!

O garoto acenou levemente e sorriu. – Só o farei se você sair daqui imediatamente e for se divertir.

Pulei da banqueta e depositei um leve beijo na sua testa. – Obrigada.

Eu nunca fui a garota que chorava com facilidade, mas parece que agora choro por tudo e por nada. Regressei a sala onde agora Jade dançava loucamente com uma das Lady Gagas. Aproximei-me do tal de Henri e roubei-lhe o copo com o líquido negro. Bebi rapidamente o conteúdo e o seu sabor enjoativo e adocicado fez o meu estômago revirar-se.

Henri puxou-me pela mão e juntos dançámos… Quer dizer, ele dançou. Eu fiquei abanando os braços como se algo estivesse me possuindo. Meia hora depois olhei na direção de Jade e ela continuava enérgica como sempre. Mas dessa vez, estava algo faltando. Algo precioso chamado roupa.

Arregalei os olhos e tentei chegar até ela, mas Henri segurou meus braços e rodopiou-me ao som da música. Olhei novamente na direção de Jade e ela estava cada vez mais descontrolada. Henri seguiu o meu olhar e riu com um incrível bom humor. O seu olhar regressou a mim e suas mãos aproximaram-se dos botões da minha camisa folgada.

Afastei-as com uma risada nervosa. Ai meu Hades, ele quer meu corpo nu! Henri não pareceu se importar e novamente ele fez-me rodopiar. E foi nessa hora que meu olhar cruzou com o olhar de um outro alguém. Alguém que não deveria estar ali.

Julian encarava-me paralisado e do seu lado. Flame ria como uma hiena. Quis dar-lhe o mesmo destino que os meus materiais tiveram. Sério.

Grant sorriu mostrando todos os seus dentes alinhados e brilhantes e isso maravilhou-me. Cativou-me. Fiquei de tal modo estarrecida que não percebi as mãos bobas de Henri regressarem aos botões da minha camisa.

O olhar de Julian prendeu-se no meu peito. Senti a minha pele ficar arrepiada e desci o olhar para o meu corpo. Eu estava bem ali no meio da sala, dançando como uma idiota e minha camisa estava aberta. E meu sutiã rendado não estava ajudando.

Ah verdade, os erros ainda não terminaram, certo?

Erro nove: Eu deveria ter socado o rostinho lindo de Henri no momento em que ele tocou minha perna. E eu não o fiz. Isso foi um terrível erro! Esse garoto precisa aprender a deixar as mãos paradas e longe de mim.

Erro dez: Eu fui na cozinha e encontrei meu irmão comendo o namorado. Isso é sempre agradável. Parece que ultimamente a cozinha é o lugar perfeito para liberar toda a tensão sexual.

Erro onze: Eu aceitei voltar para a sala e dar uma chance para essa festa. Sério, eu sou burra ou o quê?!

Erro doze: Eu aceitei a bebida do satã e dancei com ele. Ok, essa última parte foi bem divertida se ele não estragasse tudo no final. O que me relembra o erro nove em que eu devia seriamente socar o desgraçado.

E tudo isso leva-nos ao próximo erro.

Erro treze: Eu me distraí (compreensível) e Henri aproveitou-se da minha ingenuidade e me despiu. Novamente: soco nele.

O melhor de tudo isso é que o Julian viu demais. E agora ele deve estar pensando: Oh Deus, ela tem mesmo peitos!

É.

Soco no outro desgraçado!

Empurrei Henri para longe de mim e corri para desligar a música, tentando cobrir-me no processo. Quando a música parou, os corpos quentes e vibrantes pararam também. A sala pareceu diminuir de temperatura. Encarei Jade. Pelo menos ela ainda tinha a lingerie vestida.

A minha amiga vingadora cruzou os braços. – O que essa garota está fazendo aqui? – perguntou apontando explicitamente para Flame.

Flame liberou uma risada debochada e deu mais um passo na direção do centro da sala. – Estou assistindo o circo dos horrores. Não. Não é esse o termo correto. Isso aqui está mais parecendo uma verdadeira casa de putas.

Eu naturalmente sou uma pessoa bastante paciente. Mas cara, eu estou cansada. E meu estômago está cansado também. E além disso, eu estou sensível pra caralho. E provavelmente se eu for ler meu horóscopo nesse momento, eu choro. Ou se eu descobrir a quantidade de vezes que eu faltei uma aula nesse ano, eu choro. E vou acabar me afogando em lágrimas.

Ou seja, não há lugar nesse momento para a minha paciência habitual. Então eu simplesmente fechei a mão e acertei o rosto da vadia loira, gostosa e exuberante que estava ficando com o idiota do garoto que eu gosto e que diga-se de passagem, é um maldito pedaço de bom e mau caminho.

Só que acho que acabou não dando muito certo, porque uma dor aguda percorreu-me instantaneamente.

— Puta que pariu, eu quebrei a mão! – gritei, abanando a mão como se quisesse diminuir a dor. Olhei para Flame, caída no chão guinchando como um brinquedo de cachorro.

Uma sensação de dever cumprido atravessou-me e a dor na minha mão pareceu diminuir. Encarei Julian. Ele me encarou de volta num misto de surpresa e humor.

Sorri satisfeita comigo própria. Eu cometi muitos erros. Sim. Mas socar Flame não foi um deles. Mesmo se eu quebrei a mão. Mesmo se eu for presa por isso.

O último erro que eu fiz foi provavelmente não ter lançado Flame repetidamente pela janela. Sim, repetidamente. Assim Julian não teria se baixado e a ajudado a levantar. É. A ela. A dor na minha mão parecia não ter comparação com a dor no meu peito.

Respirei fundo e saí pela porta antes que eu socasse todo o mundo na sala. Desci as escadas com pressa, quase escorregando no último degrau. Saí do prédio, recebendo um olhar assustado do porteiro. Oh, temos aqui uma evolução! Normalmente é um olhar arrogante ou um revirar de olhos! Parece que a nossa relação está cada vez melhor.

Assim que pisei na calçada, a chuva esfriou o meu corpo imediatamente e eu pude finalmente respirar aliviada por estar longe de toda a bagunça que a minha festa de intervenção criara.

Mais na frente da calçada, reconheci os meus materiais e livros ensopados de água e completamente arruinados. Caminhei até eles e baixei-me recolhendo-os lentamente. Estava tão distraída na minha pequena tarefa que não dei conta da presença de Julian até que suas mãos começaram a me ajudar no salvamento dos meus bebês.

Deitei tudo no lixo e caminhei para longe de Grant. Ele não deveria estar cuidando do olho negro da amiguinha dele, não? Mesmo querendo me afastar, Julian seguiu-me. Caminhei mais depressa, mas ele me impediu segurando a minha mão. – Me deixa em paz, Grant.

E ele me ouviu? Não. Nunca ninguém ouve. Julian virou-me para ele e em completo silêncio, abotoou a minha camisa folgada e agora, extremamente molhada.

Encarei o seu rosto. Os olhos de um límpido azul claro, o cabelo negro e molhado colando na testa, o nariz aquilino e com a ponta vermelha, a barba por fazer e os lábios molhados e vermelhos esperando um toque meu. Ou de Flame. Ou das outras 110 malditas. Argh!

Balancei a cabeça e tentei novamente afastar-me dele. Mas ele não largou minha mão. – Vem. Vamos voltar. Você vai ficar doente desse jeito.

— Eu não quero voltar para lá.

Julian calou a boca por um momento. A chuva tornava-se cada vez mais forte e meus lábios já estavam tremendo por causa do frio.

— Então… você prefere ir para o meu carro enquanto essa chuva passa? – eu neguei com a cabeça e abracei meus braços tentando inutilmente esquentar-me. Um sorriso bonito demais para ser verdade apareceu na boca de Julian e ele falou a palavra mágica. – Tem lá salgadinhos.

É. Ele conseguiu me conquistar. Eu nem tinha percebido, mas estava esfomeada. E cara, salgadinhos é a melhor coisa do mundo!

Segui-o hesitante. A verdade é que eu estava me sentindo culpada. Cara, a última vez que eu falei algo para Julian foi para falar que tinha dormido com Daniel. E o cara me seguiu – mesmo depois de eu ter cravado meu punho no rosto da nova ficante dele – e agora estava me ajudando.

O que ele quer de mim afinal?!

Eu falo que fui para a cama com o seu pior inimigo e ele me oferece salgadinhos?

Esse cara definitivamente é masoquista.

Entrámos no seu carro e assim que fechei a porta, um monte de salgadinho materializou-se magicamente na minha frente. Coloquei alguns na boca evitando olhar para Julian. As nossas mãos tocaram-se. Respirei fundo e tentei não pensar na sensação formigante que a sua pele provocara na minha.

Fiquei sem fome.

Baixei a cabeça e encarei as minhas mãos trémulas. Algo macio caiu na minha cabeça. Olhei para cima e uma coberta macia acariciou a minha face. Em silêncio, rodeei o meu corpo com a coberta. – Obrigada.

Grant não disse nada. Ele apenas acenou e colocou a mão no bolso da calça procurando por algo. Fiquei observando-o pelo canto do olho enquanto ele retirava a mão do bolso. Nas suas mãos apareceu uma chave e ele ligou o carro.

Não me dei conta do que ele estava realmente fazendo até o carro ficar em movimento.

— Grant, o que você pensa que está fazendo? – perguntei, olhando em volta. Acho que eu estava esperando um salvamento do Batman ou coisa assim. É, não aconteceu. – Isso é rapto!

— Eu quero te mostrar um lugar.

Um ponto de interrogação materializou-se na minha testa. Esse cara vai me matar.

Eu só não pulei do carro porque:

Um: ele estava em movimento. Esse dia já foi um desastre… Imagina se eu decidisse beijar o asfalto!

Dois: Julian parecia meio feliz e inquieto. Estava me deixando curiosa. E mesmo se fosse colocar-me em problema… eu queria ficar um pouco mais junto dele. Porque eu me sentia bem. E porque foda-se… eu queria isso.

Só um pouco.

Julian ligou o rádio e aumentou o volume. “I Wanna be Yours” dos Arctic Monkeys começou fazendo-me corar instantaneamente. Minha banda preferida. Hora errada. Pessoa errada.

O garoto virou a cabeça para me olhar e eu fingi estar distraída. Mas na verdade, eu corei ainda mais.

Julian dirigiu por mais duas horas. E cara, eu só queria sair desse carro. Eu não estava aguentando mais. O cheiro de Julian estava impregnado em mim. Eu estava ficando maluca. Mais alguns minutos e eu iria começar a rasgar o banco com minhas unhas.

A chuva diminuíra um pouco e agora eu podia ver tudo com clareza através da janela do carro.

Julian me trouxera para a praia.

Essa é minha primeira vez na praia.

Saí apressada do carro levando a coberta atrás. O mar estava meio tempestuoso e as ondas grandes e assustadoras reviravam a areia branca e molhada. A chuva era demasiado fraca para ter importância. Tudo o que importava nesse momento era a beleza perigosa que eu tinha bem na minha frente. Abracei-me a mim própria.

Senti Julian aproximar-se e ficar bem do meu lado.

— Você me trouxe para a praia. – murmurei. A minha voz estava carregada de uma rouquidão estranha e asfixiante. O som das ondas embalou-me e uma lágrima desceu pela minha face fria. – Porquê?

Essa última pergunta não era dirigida a Julian. Mas sim a mim. Porque eu nunca vim na praia? Porque eu nunca conheci tudo isso?

A resposta floresceu na minha cabeça.

— Você estava muito ocupada obedecendo os caprichos de seu pai. – a vozinha irritante falou. Abanei a cabeça e fechei os olhos apreciando o cheiro a sal que pairava no ar.

— Eu vinha aqui muitas vezes com minha mãe quando era mais novo. Vínhamos sempre em dias de tempestade e ficávamos assistindo o rebentar das ondas. A fúria do mar me acalmava. Eu achei que você estava precisando de um pouco dessa calma. – disse Julian com uma voz igualmente rouca. Essa era a primeira vez que ele falava sobre a família. Ele estava finalmente se deixando conhecer. E eu não queria que ele parasse.

— Você deveria ter vindo com ela e não comigo. – falei, abrindo os olhos. Os de Julian refletiam uma coloração cinza e muito semelhante a do céu.

Ele cruzou os braços e me encarou. – Eu não poderia fazer isso.

— Porque não?

O garoto adotou uma postura desconfortável e não respondeu. Eu fiquei curiosa mas não insisti. Continuei apenas vendo a frieza do mar e do céu se tocando no horizonte.

— Eles me expulsaram. – o Grant aclarou a voz e deu alguns passos em frente ficando de costas para mim. – Meus pais me expulsaram de casa porque eu me recusei a cursar advocacia como eles. Era meio que a tradição de família e eu me recusei.

As costas de Julian tremeram levemente. Me perguntei se ele estava chorando. – Mas seu pai… e-ele me pareceu bacana. Ele até lhe ofereceu esse carro…

— Eu lhe pedi. Eu estava sem grana e precisava de um carro. Foi uma espécie de empréstimo. – engoli em seco. O que eu deveria fazer agora? Abraçar ele? Chorar? Cara, eu sei lá! Julian me olhou e sorriu. – Não faça essa cara. Não importa mais.

Acenei e encarei minhas mãos. A mão que acertara o rosto de Flame já não doía. Suspirei e aproximei-me de Julian. – Você deveria estar contando isso para a sua namorada e não para mim, Grant.

O rosto de Julian desfez-se numa expressão confusa. – Quem? Flame? Ela não é minha namorada.

— Cara, sério, não precisa mentir. Ambos sabemos que as garotas a sua volta nunca são só amigas. Se ela não é sua namorada é o quê? Ah certo, é uma ficante. Entendi o erro. – balbuciei sentindo uma pontada irônica magoar minha língua. Julian ergueu uma sobrancelha e sem mais nem menos, riu da minha cara. Ok, isso machuca.

O garoto ainda se aproximou de mim e colocou suas mãos nas minhas faces apertando-as com força. – Olha só para você se mordendo de ciúme. Tranquilo, Flame é só uma amiga mesmo. Não temos nada. Já você… Daniel, hein? Foi meio inesperado.

Julian afastou suas mãos do meu rosto e enterrou-as nos bolsos. Ah, o que eu faço? Falo a verdade? Minto? Ele falou a verdade… E Jade falou que se eu falasse a verdade iria compensar. Ah meu Hades, me ajuda aqui.

Suspirei. Não tem outro jeito. Eu comecei essa mentira e vou ter que levar até ao fim.

— Eu não transei com Daniel.

— Eu sei.

Ah bom.

Espera, o quê?!

— Como assim você sabe?! Cara, você me ouviu? Eu e Daniel não fizemos nada. Eu menti. Eu só queria te enfurecer porque pensei que você estivesse me usando.

Julian passou uma mão no cabelo e lançou-me um sorriso torto e arrogante. – Eu sei, Harley.

— Quem contou para você?! Cara, eu vou matar a Jade e a boca enorme de-…

O garoto balançou a cabeça e chocou seu ombro com o meu. – Na verdade, foi Daniel que me contou.

Ok. Isso é impressionante. Daniel surtou? Desde quando ele falava a verdade e se importava? Meu Hades, isso é um sonho? O mundo vai acabar? Colei meus olhos nos de Julian. – Ah. Ele te contou. Estranho. Eu acho que não acredito nisso.

— Estou falando a verdade. Pela primeira vez, aquele maldito fez a coisa acertada.

Desviei os olhos do garoto e encarei novamente a fúria das ondas. O sol escondido pelas nuvens começava a pôr-se no horizonte. Fechei os olhos por um momento e quando os abri, vi Julian parado na minha frente. Engoli em seco quando ele se aproximou como um tigre que espera o momento certo para atacar sua presa. Seus lábios se aproximaram-se dos meus e nos últimos segundos, eu virei a cabeça para o lado.

Julian recuou e colocou aquele maldito sorriso torto novamente. Revirei os olhos e dei um passo para trás. – Para, Grant.

— Você gosta de legos?

Ok. Agora eu fiquei confusa. Encarei-o sem compreender. – Que diabo de pergunta é essa, Julian?

Grant colocou as mãos nos bolsos e baixou a cabeça. – Responda: você gosta ou não?

Passei a mão no cabelo e encolhi os ombros. – Gosto.

— Perfeito, é que eu acho que a gente poderia construir uma relação juntos. – um vento gelado passou por nós. Fiquei em silêncio decidindo se ria ou se afogava ele no mar. Mas que grande monte de cocô tem esse garoto na cabeça! – Era uma cantada.

— É. Eu entendi. E ainda estou decidindo se rio da sua cara ou te mato. – resmunguei, colocando a coberta em cima dos meus ombros.

Julian revirou os olhos e tirou um cigarro do bolso. — Caralho, você me rejeitou. Estou tentando te reconquistar então, facilita para mim.

O garoto colocou o cigarro entre os lábios e acendeu-o. O fumo bateu na minha cara e o cheiro a cigarro e menta invadiu minhas narinas. Imediatamente me senti inebriada. Que merda.

— Harley.

Pisquei os olhos várias vezes. – Hum?

— Eu iria falar para você todo o tipo de cantadas e coisas idiotas que as garotas adoram. Mas você não é esse tipo de garota. E eu te odeio por isso. – ergui uma sobrancelha. Eu realmente não entendo o que Julian tem na cabeça. – Mas acho que é isso que me faz te querer. Saiba que mesmo se você me afastar, eu voltarei correndo. Porque eu simplesmente não consigo ficar longe. Eu preciso de você.

Abri a boca para protestar. Mas para protestar o quê? Ele falou tudo o que eu queria ouvir sair pela boca dele. Mordi o lábio e baixei a cabeça. – Nós podemos ser apenas a-…

— Puta que pariu! Não podemos ser só amigos! Eu não aceito isso. Não é o suficiente. – suspirei e fiquei em silêncio. Julian apagou o cigarro no chão e aproximou-se de mim. Não me mexi um centímetro. Se ele me beijasse, eu aceitaria. Eu estava cansada e não iria resistir. Eu não queria sequer resistir.

Mas Julian Grant não me beijou. Ele me olhou com seus olhos de um azul translúcido e pousou seus lábios maravilhosamente quentes na minha testa fria. Depois seus lábios desapareceram da minha testa e reapareceram no meu cabelo. Na minha face. No meu pescoço. Nas minhas mãos. Nunca nos meus lábios.

Fiquei todo esse tempo sem reação. Grant suspirou e encarou meus lábios. Seus dedos seguiram a linha da minha boca e quando eu pensava que ele finalmente iria me beijar, ele simplesmente se afastou. – Eu lamento. Por tudo o que fiz. Por tudo o que deveria ter feito. Não há nada que eu possa fazer para mudar o passado. Eu só consigo lamentar.

Ficámos embrenhados num silêncio mortal até que a chuva recomeçou.

— Nós deveríamos voltar agora. Chad deve estar preocupado com você. Ele sempre está. – sem me olhar, o garoto entrou dentro do carro. Segui-o sentindo o meu peito pesar e a minha respiração falhar. Assim que fechei a porta, Julian rodou a chave na ignição mas o carro não ligou. Em vez disso, ele fez um ruído estranho e morreu novamente.

— Não. Não. Não. Não. Não. Não! Liga porra! – resmungou Julian, batendo a cabeça no guiador. – Isso não está acontecendo…

A chuva ficou um pouco mais forte e a pequena réstia de sol no horizonte já desaparecera. A noite começava a cair e eu só queria ir para casa. Julian vasculhou os bolsos e encontrou o celular digitando alguns números nele.

Ele trocou algumas palavras com a pessoa do outro lado e pouco tempo depois, desligou resmungando xingamentos nada amigáveis. Desde quando um xingamento é amigável mesmo? – Eles falaram que só vêm buscar meu carro quando amanhecer. Essa tempestade está provocando muitos acidentes e como o nosso caso não é grave, pode esperar.

E é assim que funciona a América, gente.

Suspirei. – Deixa-me tentar. – não esperei uma resposta do garoto. Eu apenas me levantei e sentei no seu colo. Rodei a chave e nada. Sem resposta.

Quando é que eu me dei conta do que estava fazendo? Ham… quando Julian colocou a cabeça no meu ombro e suspirou fazendo a pele exposta do meu pescoço arrepiar. – Adams, você realmente não está facilitando.

— E se eu não quiser facilitar? – murmurei, girando o meu corpo na sua direção.

— Você adora brincar comigo.

Acariciei o seu queixo sentindo a barba por fazer brincar com os meus dedos. Aproximei-me um pouco mais e deslizei a língua pelo seu lábio inferior, mordendo o meu de seguida.

Olhei para o fundo de seus olhos agora mais escuros que antes. – Só porque você me deixa brincar.

Imitei o sorriso torto que muitas vezes Julian usava para me provocar. Quando estava prestes a acabar com a brincadeira e voltar para o meu lugar, as mãos do Grant agarraram minha cintura e sua boca aproximou-se da minha.

— Você quem provocou, agora aguenta as consequências. – sussurrou antes de colar seus lábios nos meus. A sua língua passou entre os meus lábios, implorando por espaço e mesmo que meu rosto estivesse queimando como o inferno, eu cedi. Eu esqueci toda a preocupação que tinha sobre Julian no momento em que os seus lábios se moveram ferozmente sobre os meus, mordendo e provando todo o meu sabor.

Minhas mãos foram parar no seu cabelo meio úmido e eu o puxei para mim, tentando trazê-lo para mais perto. Enquanto a sua boca provocava a minha, as suas mãos desceram até ao meu quadril e ele o puxou contra o seu, fazendo nossas intimidades chocarem.

Um gemido quase saiu pelos meus lábios, mas consegui impedi-lo mordendo com força o canto da boca de Julian. Como vingança, o garoto puxou meu cabelo com força, expondo o meu pescoço. Senti a sua língua acompanhar o batimento do meu sangue. Estremeci e espetei as minhas unhas no ombro de Grant. Uma risada rouca e irónica saiu por sua boca.

— Se você pudesse se ver através dos meus olhos… você está completamente rendida, Harley. – sussurrou, mordendo o meu queixo levemente. Choquei novamente nossas intimidades.

— Você poderia voltar a dar utilidade a essa sua boca maravilhosa e parar de falar. – falei e rocei meus lábios nos dele. Saí de seus braços e pulei para o banco de trás. Julian seguiu-me e sem esperar uma permissão, atacou meus lábios novamente. Senti suas mãos abrirem a minha camisa sem pressa. Me torturavam. Contorci-me e arranquei-a logo.

Julian riu novamente e mordeu meu ombro com força. Ia deixar marca. Ah, cara. Minha pele não! Ignorei minha vontade de o assassinar, e arranquei seu casaco de couro atirando-o para longe. Encarei sua camiseta, combatendo uma guerra comigo mesma.

Faço? Não faço?

Ah foda-se!

Rasguei a camiseta de Julian atirando os pedaços dela para o mesmo lugar do casaco. Com um braço Julian rodeou a minha cintura e com a mão do outro braço agarrou meu queixo me fazendo olhar para ele. – Sério, pode parar de fazer isso?! Desse jeito vou ficar sem camisetas!

Ri e rebolei sobre a excitação visível na sua calça. Julian atacou novamente a minha boca. Minha mão desceu para o botão da sua calça. Abri-o e subi novamente as minhas mãos, passeando-as ao longo do seu abdómen definido. Suspirei quando senti cada gomo perfeito da sua barriga retesar-se sob a minha mão.

Sem me parar de beijar, Julian tirou a sua calça e tirou a minha sem se perder em jogos de tortura. Gemi quando as suas mãos regressaram ao meu corpo e alcançaram os meus seios apertando-os com cuidado. Poucos segundos depois, o meu sutiã também já desaparecera do meu corpo. Os dedos de Grant puxaram-me para ele, colando os meus seios no seu peito quente. Suas mãos arranharam minhas costas quando eu novamente choquei meu centro contra o seu.

Mas de repente aquelas mãos tortuosas pararam. Bem ali na cicatriz que Jared me fizera quando me tentara matar. Afastei-me dele cobrindo meus seios com um braço.

Eu seria agora rejeitada.

Baixei a cabeça sentindo-me envergonhada e humilhada. Mas as palavras duras de rejeição não foram faladas. Julian levantou a minha cabeça e sorriu beijando de seguida a minha testa. Ele não fez perguntas. Ele apenas colou seus lábios nos meus novamente e afastou meu braço expondo novamente os meus seios. Julian abocanhou um, deliciando-me numa nova tortura. Contorci-me em cima dele, sentindo o meu centro aquecer ainda mais e minha calcinha ficar molhada.

Seus dedos encontraram o caminho para lá e livraram-se da minha calcinha de renda. Eu estava completamente nua e á mercê de Julian. E ele continuou a sua maravilhosa tortura. Um dedo percorreu toda a minha extensão provocando-me espasmos asfixiantes. Cravei minhas unhas no seu ombro quando dois dedos acariciaram o meu clitóris. Eu sentia o meu baixo-ventre pulsar querendo algo mais. Algo mais profundo e cheio. Eu o queria. Como nunca quis ninguém.

Sem aviso, Julian deslizou um dedo para dentro de mim e começou a fazer movimentos de vai e vem. Mordi a língua com desespero e abri mais as pernas para que ele me deliciasse. Julian colocou mais um dedo e aumentou a velocidade. Comecei a cavalgar sobre os seus dedos, gemendo cada vez mais alto há medida que sentia uma pressão gostosa querendo libertar-se de dentro de mim.

Dessa vez Julian não parou. Ele me deu prazer até os meus gritos de êxtase acompanharem a melodia da chuva. Beijei os seus lábios, tremendo ainda por causa do orgasmo. Julian devolveu-me o beijo parecendo sedento. Querendo-me como eu o queria. Afastei-me dele só para lhe tirar a boxe preta e no processo reparei na tatuagem que eu já vira antes mas que nunca percebera o que era.

Passei os dedos sobre o ideograma japonês. Julian estremeceu e retirou a minha mão beijando-a de seguida. – Significa liberdade. Eu fiz quando fui expulso de casa. É meio escroto, eu sei.

Neguei e beijei-o carinhosamente e sem pressas. Eu queria arrancar cada dor que Julian tivesse e fazê-la desaparecer. O garoto correspondeu-me com intensidade. Não vi quando o fez, mas em algum momento Julian tirou a boxe e colocou a camisinha. A sua ereção roçou a minha entrada. Fechei os olhos e sentei-me sobre ela, colocando-o por inteiro dentro de mim.

O garoto colocou suas mãos no meu quadril incentivando-me a continuar. Mordi o lábio, começando lentamente a cavalgar nele. Os vidros dos carros embaciaram-se com as nossas respirações afoitas. Gemi alto principalmente quando Julian deitou-me no banco e começou a estocar com mais velocidade. A pressão dentro de mim aumentava gradualmente. E eu queria arrancar os cabelos, mas em vez disso arranquei a pele das costas de Julian. Grant acompanhava os meus gemidos sussurrando-me palavras luxuriosas no ouvido há medida que eu sentia um orgasmo avassalador apoderar-se dos nossos corpos quentes. E sem aviso a pressão derramou-se e espalhou-se sobre mim, fazendo-me arquear as costas em êxtase. Julian deu mais algumas estocadas e finalmente também ele atingiu o orgasmo. Tentando regular a respiração, ele saiu de cima de mim e afastou-se, deitando-se e puxando-me para os seus braços.

A chuva continuava forte e parecia a cúmplice da nossa luxúria. Deitei a minha cabeça no seu peito, sentindo-o descer e subir rapidamente por causa da respiração acelerada. E foi ouvindo esse som inebriante mesclado com a chuva raivosa que adormeci.

Notas finais
Comentem, favoritem, RECOMENDEM (OMG, QUERO!) e façam perguntas aos vossos personagens favoritos no tumblr! Amaram, ficou ruim, preciso me dedicar a agricultura? Me falem e me ajudem a melhorar! Até! xx