Cocaine

6 Não faz isso comigo


Notas iniciais
Eu acho que vos mimo demais! Eu ri bastante com os vossos comentários (quero mais!) Aproveitem o novo capítulo.

Em algum momento eu adormeci. Provavelmente fui carregada por Julian. Tal como aconteceria a uma princesa. O que seria extremamente gay dado que agora sou um homem.

E tenho de fazer coisas de homem, como cheirar as axilas e escovar os pelos do peito. Homens fazem esse tipo de coisa, certo? Será que Julian escova os pelos do peito? Imagem do inferno.

[…]

Eu estava pensando. Sim, algum dia isso iria acontecer… Eu devia me tornar uma pessoa melhor. Sei lá, jogar água benta em mim parecia uma boa opção.

Definitivamente, eu tenho pensamentos muito estranhos – principalmente quando estou nua. Tomando banho como é óbvio, pois seria um milagre de Hades, se minha nudez tivesse outro motivo mais obsceno. Imediatamente, a imagem de Julian apareceu na minha mente. Falando em coisas obscenas. Obsceno, é uma boa palavra para caracterizar Julian Grant. Aliás, obsceno deveria ser o seu segundo nome.

Julian Obsceno Grant. Gosto.

Bom, meu humor estava estranho. Começar o dia com esse tipo de pensamentos… Bem, tenho que me controlar um pouco.

Fiquei brincando com a espuma do banho e não ouvi quando a porta do banheiro foi aberta. E quando vi que não estava sozinha, era tarde demais. Jade olhava para mim como se eu fosse uma completa estranha. Ops.

– Quem diabos é você? – guinchou a garota, ameaçando-me com a sua escova de dentes. Alguém tire essa porra da mão dela ou ela vai vazar um olho a alguém. Provavelmente eu. Inacreditavelmente, os olhos dela incharam e ela saiu voando.

Tá bom. Jade apenas arregalou os olhos, mas no meu íntimo eu desejava que ela saísse voando. Uma névoa de reconhecimento passou pelo seu olhar. – Harley? Você… você é uma garota.

Mordi o lábio. Olha, descobriu agora.

– Sou? Oh meu Deus, como isso aconteceu?! – sussurrei enquanto coçava o queixo. Jade deu um tapa na minha cabeça molhada e fechou a porta do banheiro com a chave. Opa, tinha uma chave? Boa, Harley! Merece um prémio.

Aproximou-se novamente de mim e sentou-se no chão do banheiro. – Gosto do seu cabelo… É bem legal. E aposto que você tem uma razão completamente plausível para esconder esse tipo de coisa. – disse apontando para os meus seis. Tapei-os automaticamente. – A não ser que tudo isso seja algum tipo de fetiche seu…

– Não é! Essa foi a forma que eu encontrei para… — parei de falar. Eu não queria falar sobre Jared. Muito menos sobre Nolan. Eu não queria relembrar o medo nem a dor. Não queria relembrar nada. Vendo que eu não iria continuar, Jade suspirou.

– Não precisa contar. Já entendi. É pessoal. Vou deixar que você ganhe confiança em mim… E quando você quiser, pode desabafar. – acenei rapidamente. Estava surpreendida com Jade. Agradeci-lhe mentalmente por compreender. – Julian sabe de tudo isso?

Arrepiei-me ao ouvir o nome do garoto. – Não, ele não sabe. E não precisa saber. Quanto menos pessoas souberem, melhor.

– Entendo. Acho que você deveria correr. Está atrasada para a aula. – arregalei os olhos e sai do banho, escorregando meia dúzia de vezes. Resultado: a mão direita machucada. Que merda.

Mesmo machucada, sai para o meu quarto enrolada em uma toalha e vesti-me rapidamente. Isso que dá ficar amolecendo no banho! Sai de casa sem tomar o café da manhã e corri para a universidade. Felizmente cheguei bem a tempo da minha aula de Física Quântica Avançada.

Passei a manhã envolvida em equações matemáticas. Eram fáceis para mim. Já as tinha resolvido antes. Não há nada que o génio Harley Rosemary (nome ridículo) Adams consiga resolver! Sou poderosa, eu sei.

Quando o sinal tocou para a hora de almoço, sai primeiro que todos. Combinei com Miriam encontrar-me na cafetaria. E como sempre, não sabia a porra do caminho! Eu preciso comprar um mapa. Definitivamente. Vagueei pelo recinto de East River e quinze minutos depois, encontrei aquele lugar maldito. Recorde! Normalmente, eu demorava meia hora.

Miriam estava sentada num dos sofás azuis da cafetaria, bebericando uma xícara de chocolate quente e lendo um livro de pintura. Aproximei-me dela, sentido o cheiro do chocolate. Delícia. Lembra-me o Julian. O que infernos está pensando, Harley? Acalma as hormonas, querida.

– Está atrasada. – disse Miriam sem levantar os olhos do livro.

Sentei-me com tudo no sofá que estava na sua frente. – Nem me fale. O importante é que cheguei gostosa e perfeita como sempre. Temos que conversar, vagabunda. Que reação foi aquela, Miriam?! Jackson Morgan falou com você de livre e espontânea vontade e você foge? Não te entendo.

– Jane. – disse apenas. Revirei os olhos.

– Jane não deveria ser um problema. Eu mando ela para o inferno se for necessário! Não viva com medo do que Jane possa ou não fazer. – a garota na minha frente esfregou os olhos e deu-me um chute na perna. Puta que pariu! Ficou louca!

– Não é isso, sua idiota! Jane, ela está vindo para cá. Mantenha-se séria, por favor. – estreitei os olhos para Miriam e segui o seu olhar. Mordi o lábio. Oh. Fodeu. Juro que fiz uma força abominável para não rir, mas não deu.

Jane tinha a face toda verde. Toda mesmo. E estava enfurecida. Cuidado com ela!

– Você! Você fez isso! – gritou Jane apontando para mim. Não deu para segurar mais. Eu gargalhei como nunca antes tinha gargalhado na vida.

– Nã-não fui e-eu. Juro! – disse, não conseguindo abafar a minha risada maléfica. Jane parecia cada vez mais raivosa. Só não me morda, querida. Não quero que me passe essa raiva.

– Então, porque está rindo? – limpei as lágrimas que encheram meus olhos e aproximei-me um pouco da face verde da garota.

– Porque quem fez isso é um génio! – novas gargalhadas romperam pela minha garganta. Jane resmungou algo e virou-nos as costas. Senti um sorriso sarcástico apoderar-se da minha boca.

– Não vai já, Jane! Fica um pouco. Aceita uma xícara de ácido sulfúrico, vadia? – gritei para as suas costas. A garota, mais que enfurecida soltou um guincho e saiu pela porta.

Minha missão está completa. Já posso morrer feliz. Encarei Miriam. Seu rosto estava vermelho, sua respiração irregular e mexia descontroladamente as mãos. Ora tocava no cabelo, ora na roupa. Hum… interessante.

– Foi você, não foi? – perguntei, cruzando os braços e segurando o riso.

– E-eu? Eu nã-não! Porque vo-você pen-pensa isso? – gaguejou, imitando os meus braços cruzados. Sim, pois. Tente enganar-me, Miriam.

– Está na cara que foi você. Muito bem, minha querida. Você tem o meu respeito! Agora, vai falar com o Jackson! – ordenei, mas a garota não obedeceu.

– Não quero!

Parece que convencer essa vagabunda vai ser difícil. Sai da cafetaria revigorada. Rir é tão agradável. Liberta imensas endorfinas que a deixam feliz.

Fui saltitando para casa. Minha casa. Eu tenho uma casa. Um apartamento. Onde vive um demónio com que tenho que lidar. Esse demónio é bem pior que Jane. Julian é o problema sexy.

Na verdade, Jane é bem fácil de lidar. Nem me vou irritar. São necessários 42 músculos no meu rosto para fazer uma carranca. Mas apenas são precisos 4 músculos para estender o meu braço e quebrar o rosto perfeito dessa vadia. Eu sou muito preguiçosa. Acho que a escolha é bem óbvia.

Entrei com tudo no apartamento e deitei-me no sofá. Ah, paz de alma agora.

– Eu deveria ser sua única! Mas não! Fica se esfregando nas outras vadias! Você está comigo! É comprometido comigo, Julian! – gritou uma voz extremamente esganiçada. Uma garota? Aqui? Com Julian? Eu queria impedir esse sentimento… mas, não dá. Estou com ciúmes.

A garota bateu a porta do quarto do demónio e saiu para a sala. Fiquei observando-a. Nunca a vi na vida. E porra, era bem bonita. Eu nunca conseguiria competir com ela. Principalmente porque eu não quero competir. Julian apareceu na sala completamente enfurecido e sem camiseta. Isso está se tornando habitual. Não que eu me queixe, claro.

– Saia, Anna! É sério ou não respondo por mim. – ameaçou Julian. Revirei os olhos. Eita, que violência.

– Não vou, Julian… Nós temos tudo para dar certo. – dei um tapa na minha própria testa. Eu chego em casa super cansada da vida e ainda tenho que assistir esse show. – Vamos voltar a ficar juntos! Vamos ser felizes! Eu vou lutar pelo nosso amor.

– Anna, não existe amor aqui. Foi sexo. Só. – a garota levantou a mão e acertou um tapa no rosto de Julian. Opa, vai deixar marca no rostinho perfeito dele! Anna acalmou-se e rodeou o pescoço do garoto com os braços.

– Eu te perdoo. Eu sei que não falou por mal, Julian.

Nesse momento, até eu sentia a fúria de Julian. Eu estava ciumenta. Zangada. Cansada. E com carência. E quero comer chocolate. Levantei do sofá e aproximei-me deles.

– Meu Deus, garota. Todo o mundo tem o direito de ser idiota, mas você está abusando. Saia da minha casa, vadia! – resmunguei apontando para a porta. Julian fez o favor de empurrar a garota e fechar a porta na cara dela.

– Obrigada, me salvou! Amo você! – paralisei. Julian, não faz isso comigo. Não faz isso. Ou eu me apaixono. E eu não posso. Eu não posso mesmo. É perigoso. Extremamente perigoso.

Notas finais
Recomendem, favoritem, comentem... Façam o que bem entenderem, mas mostrem que estão vivos!