Cocaine

7 As vantagens de ser um garoto


Notas iniciais
Hey bitches! Desculpem a demora (arranjei uma vida social infelizmente)! E MEU HADES! Obrigada pela recomendação mais perfeita da minha vida deixada pela Shadow Girl! Amei, vou colar ela na minha testa! Chorei tanto, meu Hades! Sou a escritora mais feliz do mundo! Obrigada a todos os que acompanham "Cocaine"! SG, esse capítulo é inteiramente seu! Boa leitura!

– Obrigada, me salvou! Amo você! – paralisei. Julian, não faz isso comigo. Não faz isso. Ou eu me apaixono. E eu não posso. Eu não posso mesmo. É perigoso. Extremamente perigoso.

[…]

– Você ama quem? – guinchou Chad com a sua voz mais estridente. É nessas alturas que você repara o quanto ele é homossexual. E eu adoro esse jeito do meu irmão. Chad colocou-se na frente de Julian, fuzilando-o.

O meu meio-irmão não era tão alto como Julian. Este último parecia um modelo, imperturbável e perfeito. O meu olhar passeou por seu corpo reparando em uma mancha negra na cintura. Uma tatuagem com uma frase. Eu não consegui ler pois a calça de Julian tapava um pouco.

Mordi o lábio e senti o sabor de sangue. Julian acabava com a minha sanidade.

– Ah, seu irmão salvou-me. A maluca da Anna estava me irritando. – explicou Julian, despenteando o cabelo negro. Eu pergunto-me se o seu cabelo será suave. Queria tocar-lhe, mas provavelmente receberia um soco. E o meu rosto é perfeito demais para ser marcado.

– Anna Winterfield? Você terminou com ela? Com a Anna Tesuda Winterfield? Ficou louco? Eu gosto de garotos mas para ela, eu fazia uma exceção! – o meu queixo foi lá para o fundo do inferno. Ela nem era isso tudo. Eu olhei para ela e sim, tinha lábios rosados e cheios, cabelos negros e compridos, olhos verdes misteriosos, quadril largo e seios grandes. Nada de especial! Julian não gosta dela, não mesmo!

– Ela não é assim tão boa de cama. – viu só?! Eu falei! Fechei os olhos com vergonha. Eu queria esconder-me. Essa conversa de garotos… Eu não aguento! Senti meu rosto aquecer. Eles vão falar sobre sexo? Bem na minha frente? Eu vou matar o Chad!

– Mas cara, os seios dela compensam! São bem grandes. – baixei a cabeça. Meu Deus, eu sou virgem e pura. Não mereço ouvir isso!

– O que infernos vocês estão falando?! – virei-me na direção da voz. Jade parecia ainda mais incomodada que eu. A garota olhou para mim e graças a Deus, inventou uma desculpa qualquer e salvou-me dessa conversa pecadora! Eu sou uma pessoa púdica! Olha para mim sendo irónica. Mereço um salgadinho!

Jade levou-me para o seu quarto. Era do mesmo tamanho que o meu. Só que o de Jane tinha as paredes repletas de fotografias e a sua cama parecia bem mais confortável que a minha. Sentei-me em cima da coberta azul que decorava a cama da garota e baixei o capuz.

Suspirei. Parece fácil, mas fingir ser uma pessoa que você não é… bem, é horrivelmente frustrante. Principalmente, quando você quer comer o garoto que está parcialmente nu na sala de estar.

Jade aproximou-se sorrateiramente de mim e passou seus dedos no meu cabelo roxo. Ficou escovando o meu cabelo com os dedos. Parecia uma carícia maternal. E eu não queria que ela parasse. Sorri levemente quando vi um violão encostado na parede.

– É muito bonito. Quer tocar para mim? – pedi, apontando para o violão negro e perfeito. Jade fechou os olhos e encolheu os ombros como se pedisse desculpas.

– Na verdade, ele não me pertence. É de Julian. Só que ele não toca mais… — encarei Jade esperando uma explicação que simplesmente não veio. Ela sabia algo sobre Julian que eu desconhecia. Aliás, para mim, tudo em Julian é uma incógnita sem solução possível. Nesse momento, apercebi-me. Eu sou uma intrusa, não os conheço.

Afastei delicadamente as mãos de Jade e sai do quarto. No corredor, conseguia ouvir as vozes animadas de Chad e Julian. Que merda, odeio esse sentimento depressivo. E de solidão. Como se não houvesse lugar nenhum no mundo onde eu pertença. E será que estou certa?

Fechei-me no meu quarto. Ignorei a voz de Chad falando para eu sair. Ignorei os pedidos chorosos de Jade implorando para eu abrir a porta. Ignorei as ameaças sem fundamento do todo gostoso Julian. Ignorei tudo isso. Melhor não me acostumar com toda essa atenção. Harley Adams nasceu para ser odiada e ignorada. Nasceu para fazer merda! Eu nasci para ser algo mais que uma garotinha estúpida. E nesse momento, eu estou sendo idiota. Idiota o suficiente para merecer um soco na cara. Julian pode fazer as honras.

Escondi o cabelo no capuz e sai do meu quarto. Os três loucos com quem eu partilho o apartamento estavam vegetando no sofá. Cruzei os braços e coloquei-me na frente da tevê. – Levantem agora! Estou afim de ir beber.

Julian foi o primeiro a levantar-se. Sorriu-me com todos os seus dentes perfeitos e aproximou-se de mim. – Você manda.

Sorri provocante e fixei meu olhar nos olhos azulados de Julian. Fui imediatamente absorvida por eles. Senti-me afogar cada vez mais. Só me lembrei que precisava respirar, quando Chad colocou-se na frente de Julian Obsceno.

– Não! Não vai acontecer! Nem pense! Não vai sair desse apartamento, Harley! – revirei os olhos e rodeei os ombros de Chad com um braço.

– Chad, relaxe. Somos adolescentes por pouco tempo, temos que aproveitar o melhor que a vida tem. Vodka. Pense em vodka. O sabor adocicado descendo e queimando a sua garganta. – Chad mordeu levemente o lábio inferior e acenou lentamente. Um sorriso extremamente sexy e perigoso cresceu na boca de Julian. Ah, que vontade de dar uns pegas nele.

– Vamos logo! – gritou Jade, quebrando a minha linha de pensamento. Deixámos o apartamento e entrámos no elevador. Jade não parava de tagarelar. Pensei em amarrá-la e deixar ela bem ali. Tentador, mas sempre me ensinaram que não devo maltratar os animais. E apesar, de Jade ser um animal chato, eu adorava essa maluca.

Seguimos Julian pela rua até um dos seus bares preferidos. O bar escolhido pelo garoto estava bem cheio de universitários curtindo a vida. Sentámos em uma das mesas no canto e ficámos conversando e ouvindo o rock maravilhoso que soava nas colunas do bar. Senti-me relaxar. Uma garota com uma saia curta demais veio anotar nossos pedidos. Vi a vadia piscar o olho para Julian e este, lançou-lhe o seu sorriso mais obsceno. Traidor filho da puta! Ah, esse maldito sentimento possessivo. Hades interceda por meu coração.

A garota trouxe rapidamente as bebidas e fiz questão de derrubar a minha vodka na sua roupa. Recebi um olhar mortífero de Julian, mas valeu a pena. A garota desapareceu e ainda pediu desculpa. Oh, eu perdoo você vadiazinha! Boa garota!

Pedi uma nova bebida e fiquei encarando os casais que se esfregavam na pista de dança. Eu acho isso nojento, mas se o senhor Obsceno quisesse, eu fazia uma exceção. Senti um arrepio assustador subir-me pelas costas e percorrendo a cicatriz que rasgava o meu ombro. Toquei-a levemente por cima do casaco.

Levantei o meu olhar e aterrorizada, vi uma pessoa conhecida caminhar na minha direção. Eu. Estou. Morta.

Jared desviava-se da multidão, abrindo caminho na direção da nossa mesa. Belisquei a perna de Chad por debaixo da mesa. O meu irmão parecia mais assustado que eu. Não era um sonho, eu estava vendo Jared bem ali… tão perto de mim. Um sorriso despreocupado ocupava o seu rosto. Os olhos tão bonitos e familiares dele provocaram-me um aperto no coração. O gémeo de Nolan. O mesmo cabelo espetado e despenteado, as mesmas covinhas nas faces, o mesmo sorriso de dentes brancos e perfeitos. O mesmo olhar castanho e meigo.

Mas eu sabia que tudo aquilo era uma máscara. Jared era cruel. A minha cicatriz era a prova que o irmão gémeo de meu ex-namorado era mau. Muito mau. Respirei devagar e baixei a cabeça quando Jared parou na minha frente. Vou ser morta. Agora mesmo. Na frente de todos eles. E Jared vai enganá-los e falar que eu era uma assassina. Que droga! Mordi o lábio. Só espero que Jared não faça nada contra Chad. Ou eu volto dos mortos e mando ele para o inferno!

– Julian! Porra, há quanto tempo! – levantei o olhar para Jared. Mas que merda é essa?!

Julian elevou seu olhar para Jared e levantou-se do seu lugar, abraçando o meu inimigo. Foda-se. Os dois ficaram conversando sobre trivialidades e Jared acabou por sentar-se na nossa mesa. Muito perto! Perto demais! Tirem ele daqui! Olhei para o meu meio-irmão. Ele escrevia algo no celular e parecia demasiado calmo. Fiquei beliscando o meu braço para me impedir de fugir. A minha automutilação terminou quando senti meu celular vibrar e vi que Chad me enviara uma mensagem.

Fique calma. Parece que Julian e Jared são conhecidos. Ele não desconfia de nada. Não me conhece a mim e você está irreconhecível. Tente ser amigável e ele vai embora logo.

Olhei descrente para o meu meio-irmão. Fique calma? O caralho é que fico calma! Julian é amigo dele! Do cara que quer minha cabeça enfiada em uma estaca! Se Julian descobre a verdade, eu me fodo. É claro que ele vai ajudar o amigo a me matar. Bom trabalho, Hades! Acabou de ferrar a minha vida! Pode tirar umas férias que eu deixo.

– E quem são seus amigos? – perguntou Jared, fazendo-me pular de medo. Engoli em seco. Julian apontou para cada um, individualmente dizendo nossos nomes. Chegou a minha vez e Julian falou um alto e mortífero “Harley”.

Um silêncio pesou na nossa mesa. Mas rapidamente Jared quebrou-o com um sorriso torto a brincar-lhe nos lábios. – Que merda de nome, cara.

Como é que é, sua besta?! Tentei sorrir despreocupadamente. – Acredite, eu também odeio.

Jared sorriu mais abertamente e estendeu-me sua mão. Peguei-a irritada e apertei-a com toda a força que consegui reunir. O meu inimigo sorriu mais abertamente e largou minha mão.

– Você é interessante… Harley.

Notas finais
JARED APARECEU UHÚ! Comentem, recomendem ou favoritem! Deixem-me feliz!