Cocaine

16 Confraternizando com o inimigo


Notas iniciais
ESSA BOSTA AI É PARA LER, NÃO PARA IGNORAR. TÁ, ME DESCULPA. FUI GROSSA. Eu sei... Eu sei... Vocês querem me matar, aplicar torturas medievais em mim, me quebrar em duas, whatever! Eu não consegui mesmo ser rápida dessa vez! Essa altura da minha vida - sim, eu tenho uma vida - foi muito importante e tive que dar toda a minha atenção para ela! NÃO, EU NÃO VOU ABANDONAR COCAINE! ISSO NUNCA! Agora, os agradecimentos! Obrigada ApplePie, amei a sua recomendação diva e perfeita! Quase desmaiei, meu Hades! E para os restantes... Obrigada pelos 39 COMENTÁRIOS! What?! Isso é mesmo verdade?! Como?! Meu Hades... como vocês são maravilhosos para mim! Obrigada gente. Vou enviar cookies para todo o mundo! *brincadeira, quer bolachinha... vai comprar* Agora! O novo chapter só para vocês! MUAH! *isso é um beijo, é*

Assustada, deslizei as minhas mãos pela minha cabeça e não encontrei o capuz. Encontrei o meu cabelo. As mechas arroxeadas e compridas batiam-me no meio das costas. Julian encarava-me um tanto maravilhado e assustado. Engoli em seco. Ele vai me destruir. Jared vai me destruir.

Lágrimas nervosas deslizaram pelas minhas faces antes que eu as pudesse impedir. Eu vou morrer.

[…]

Eu sei que estou ficando repetitiva. Mas, eu vou mesmo morrer. E acho que morrer não é legal. Principalmente quando a pessoa que quer acabar com a sua vida, é um maníaco vingativo e que por sinal, é também o melhor amigo do garoto que você acabou de beijar.

A vida tem um humor do cacete.

– Porque está chorando? – perguntou Julian, tentando me consolar. Eu beijei ele. Eu sou uma pessoa desumana e pecadora. Acho que dessa vez, Hades não vai interceder. Ai de mim!

– Nada não. — enxuguei as lágrimas e fuzilei Julian. Os lábios dele ainda estavam semiabertos e marcados por meus dentes. Os seus olhos escurecidos avaliavam-me de cima a baixo. Ótimo. Adoro ser o centro das atenções.

– Você não tem um pênis, isso é um alívio. – ah, engraçado. Ele chegou nessa conclusão. Mordi o lábio, reprimindo um revirar de olhos. Uma risada rouca fez eco no elevador. Esse filho do capeta está rindo? Como ele consegue?! Estamos presos nesse elevador filho da puta, caralho!

Eu só falo porcaria mesmo. Acho que minha mãe iria sair distribuindo socos se lesse meus pensamentos. É.

– Palmas para você. Não sei se já reparou, mas estamos presos. Não há motivos para rir, seu idiota. – resmunguei, cruzando os braços. Eu não sou paciente. Escorei-me na parede do elevador e encarei a minha figura no espelho. Eu estou um caco. Meu cabelo roxo está revoltado. Meus olhos vermelhos e inchados. Meu nariz vermelho. Meus lábios inchados. Parece que fui na 3ª Guerra Mundial e voltei.

Pelo espelho, vi Julian aproximar-se perigosamente de mim.

– Eu já entendi isso. Estamos presos. Sozinhos. – retorquiu o garoto, puxando-me para si e enlaçando-me pela cintura. – Só não entendi uma coisa, Harley… Porque se escondeu de mim? Sou assim tão feio?

Eu queria gritar um enorme “não” na cara dele. Esse garoto brinca comigo, só pode! Em que planeta Julian seria considerado feio?! Eu atrevo-me a falar que ele é o garoto mais perfeito e obsceno que eu vi na vida!

Engoli em seco, sentindo as suas mãos queimarem a minha cintura. Empurrei-o levemente para que se afastasse de mim, mas Julian nem se mexeu. Perfeito.

Minha cabeça ordenava que eu chutasse o “Julianzinho” dele… mas meu corpo estava adorando essa maldita aproximação. Hades, me ajuda. Eu quero continuar virgem e pura!

– Eu não contei nada porque você é simpatizante do inimigo. Agora me solta antes que eu chute suas partes íntimas. E sim… você é feio. Muito… feio. – a minha ameaça foi bem eficaz, pois logo Julian se afastou de mim. Acho que ficou ofendido. Tenho que resolver isso. Coitado.

– Simpatizante do inimigo?

– Você é um dos caras do mal. – respondi, sentindo-me um pouco idiota.

Uma das sobrancelhas perfeitas de Julian arqueou-se, deixando-o ainda mais apetitoso do que já é. Preciso odiar ele. Ele vai me foder. E não é literalmente. Porque se fosse literalmente, eu poderia reconsiderar. Mas… como posso odiar alguém assim? – Ah, então você costuma beijar os caras do mal?

Sorri e aproximei-me vagarosamente do garoto obsceno. – Sim. E sabe porquê? Eles são os que beijam melhor.

Já que vou morrer, pelo menos quero morrer com estilo.

Ou não.

Estou mais parecendo uma vadia.

Mas mesmo assim, um sorriso de canto presunçoso ocupou os lábios de Julian. Ah, acho que já não está ofendido. E essa sou eu, contribuindo para o aumento da autoestima dos gostosos.

– Eu te agarraria agora mesmo. Mas como sou – aparentemente – o vilão, vou deixar isso para mais tarde. – Julian passou as mãos pelo cabelo e encarou o teto como se estivesse pensando. Pelo menos, um de nós consegue pensar. Bom, o cara estuda medicina… tem que conseguir pensar. Tem uma cabeça linda. E que pensa! Meu Hades, existe cara mais perfeito? Ele é o pecado de todas as garotas!

Pensando em garotas… será que as garotas da classe dele são gostosas? Humf, tenho a certeza que sou mais. Na minha classe não tem nenhum gostoso. Quer dizer, eu não conferi… mas penso que não existe tal espécime a cursar física. É só um bando de nerds. E depois, tem eu. Uma maluca roxa cursando uma matéria que odeia.

– Harley. – chamou Julian, balançando uma das suas mãos de dedos compridos e perfeitos na frente do meu rosto. Ah, acho que também tenho fetiche por mãos. Ou se calhar, tenho fetiche por Julian mesmo. Quem sabe… — Harley!

– O que você quer, porra?! Não vê que estou viajando? – gritei como uma garota normal e lúcida. Ah, quase ri com isso!

– Eu achei uma maneira de tirar a gente daqui. – eu falei que ele estava pensando. Mas acho estranho. Essa é a sua grande oportunidade. Estamos sozinhos. Ele pode acabar com tudo agora. Ah claro, deve querer esperar por Jared. E juntos vão me matar. Como em um final feliz.

Para eles.

A não ser que Julian não saiba de nada. Impossível. Jared é o seu melhor amigo. Melhores amigos partilham tudo, certo? Até segredos mais obscuros. Eu tenho que parar de pensar nisso. Estou me tornando chata.

– Harley, pode me dar a sua atenção por um minuto, porra?! – gritou o garoto mais beijável do mundo, fazendo-me bater a cabeça contra a parede do elevador. Caramba, esse maldito me assustou!

Revirei os olhos e aproximei-me de Julian. – Fala logo.

– Primeiro, siga a minha linha de pensamento. Estamos presos entre dois andares: o nosso e o inferior. Se usarmos a porta de emergência, conseguiremos chegar no nosso. Provavelmente. – explicou ele, apontando para a pequena abertura no teto. Hum… não custa tentar.

– Eu vi fazerem isso nos filmes. Acho que pode resultar.

Um sorriso macabro desenhou-se na boca carnuda do meu vilão preferido. Claro, porque Julian é meu e somente meu. Ele é que ainda não sabe disso. – Certo. Então, suba.

Suba o quê? Esse menino enlouqueceu? Fiquei encarando o filho do capeta por eternidades. O que esse diabo espera que eu faça?

Julian abafou uma risada e aproximou-se um pouco mais de mim. Alerta, perímetro de segurança. Não ultrapasse o perímetro de segurança ou está sujeito a ser agarrado por uma garota roxa! – Suba nos meus ombros, Har.

– Só pode estar de sacanagem! Nem Morta eu faço isso. Suba você nos seus ombros! – muitas garotas gostam de subir nos ombros dos garotos. Acham isso fofo.

Sim, o inferno também é bastante fofo.

Partir o pescoço também é fofo.

– Se você não subir, não iremos sair daqui. – reclamou o maldito. Odeio quando ele tem razão.

– Mas… eu tenho vertigem.

E essa é a hora em que o moço fala: “Eu seguro você, meu amor. Não se preocupe. Você é meu mundo! Vamos casar e ter um palácio e uma piscina!”

– Deixa de ser fresca, Harley. – e como sempre esse vadio, não segue o guião. Argh!

Julian se ajoelhou na minha frente e esperou pacientemente por mim. Mordi o lábio inferior e coloquei minhas pernas nos seus ombros. Eu sou pesada, ele não vai conseguir me levantar mesmo.

E com apenas um movimento brusco, Julian conseguiu se colocar de pé e me fazer gritar por todas as divindades existentes. Vou trair Hades. Porque aparentemente, ele só me ferra.

– Ah! Me ponha no chão, seu filho do capeta aproveitador! – isso fez Julian rir que nem uma hiena. Maldito. Odeio ele! Odeio todas as células que o constituem! Quando descer, vou quebrar esse nariz perfeito que ele exibe com tanto orgulho! Só me espera, Julian Grant!

– Para com o drama e tenta seguir o plano. – revirei os olhos e estiquei-me até alcançar a saída no teto. Isso Harley, boa garota! Só não olha para baixo. Não estávamos tão longe do nosso andar. Eu poderia pular dos ombros do capeta e pular novamente para a saída.

Eu poderia.

Mas eu tenho uma coisa chamada medo.

– Dá para pular. Mas nem pense que eu vou fazer isso. Isso é suicídio. E eu não quero morrer ain-… — meu protesto foi interrompido por um barulho familiar. Um pequeno tilintar. Não acredito! Puta virgem! Eu estou salva! Eu vou ser livre e feliz! – Me solta! O elevador está funcionando de novo!

– Ah, não. Estou adorando ter minha cabeça entre suas pernas. – e depois disso, o meu pé magicamente voou na direção do abdómen definido de Julian Grant. E o maldito nem gemeu de dor. Caramba!

Para a minha felicidade, consegui sair dos ombros do garoto bem quando as portas do elevador abriram. Coloquei novamente o capuz e corri para bem longe de Julian assim que tive oportunidade.

Por mais gostoso e inocente que ele pareça, não quero arriscar. Não confio nele. Ele pode estar apenas esperando a oportunidade perfeita para me matar.

Que merda… ainda sinto os seus lábios aveludados brincando com os meus.

Foi complicado, mas consegui encontrar a chave certa para abrir a porta do apartamento. Entrei, sentindo o cansaço apoderar-se de mim. Cambaleei pela sala, acertando e quebrando alguma coisa e quando a porta da entrada foi aberta por Julian, apressei-me e escondi-me no meu santuário. Ou quarto. Tanto faz.

Chega de confraternizar com o inimigo.

Acho eu.

Notas finais
E agora sim... Vai começar a festa ehehehe Até o próximo e já sabem o que eu querooooo! Reviews! Montanhas de revieeeeews! Se não enviar... Saiba que eu sou bruxa. E que vou aparecer no seu quarto. E matar você. Com uma colher. Não é brincadeira, não. *muahahah*