Cocaine

17 Isso se chama auto-controlo


Notas iniciais
E essa sou eu... postando! Yay. Acho que vão gostar desse capítulo e ao mesmo tempo vão me matar... porque, well, não tem beijos nem pegação. Não se preocupem, garotas! Vai ter tempo para pegação mais tarde! Obrigada a todos os que comentaram! Eu prometo que não vos irei matar com uma colher AHAH Boa leituraaa

Foi complicado, mas consegui encontrar a chave certa para abrir a porta do apartamento. Entrei, sentindo o cansaço apoderar-se de mim. Cambaleei pela sala, acertando e quebrando alguma coisa e quando a porta da entrada foi aberta por Julian, apressei-me e escondi-me no meu santuário. Ou quarto. Tanto faz.

Chega de confraternizar com o inimigo.

Acho eu.

[…]

– Harley, sua mal comida! Abra essa maldita porta ou vamos ter problemas! – gritou Chad pela enésima vez. Sério, me deixa em paz. Estou me deprimindo. – Se você não abrir agora, vou ter uma conversazinha com papai.

Ah, minha cabeça doeu. Ninguém me deixa sozinha por um minuto, porra! Eu sei, eu deveria sair por um momento. Eu estive trancafiada nesse quarto por três dias assistindo os malditos filmes de Harry Potter… e Chad estava ficando extremamente preocupado com a minha sanidade mental.

Eu estou bem. Sério.

Só tem um maluco querendo me matar. E ah, eu me lembrei do meu mais recente drama. Fui expulsa da universidade. Nunca mais irei pisar East River. Isso supostamente deveria ser um motivo para eu ficar feliz, pois já não teria que estudar… mas porra, eu meio que gostava de estudar.

Olha para mim. Já nem raciocino direito! Eu odeio estudar, meu Hades. Tão grande é o meu desespero.

– Harley. Você vai ter que sair… eu vou viajar. Vou visitar minha mãe. Você nem sequer vai se despedir de mim? – insistiu Chad. Suspirei. Levantei da cama e cambaleei pelo quarto escuro até encontrar a porta e abri-la. Chad encontrava-se do outro lado com a sua cara fofa e os seus cachos fofos, olhando para mim. Olhando para mim com pena. Argh, odeio isso.

– Mano. – murmurei, sentindo algumas lágrimas encherem os meus olhos. Tentei afastá-las, mas não tive sucesso. Chad envolveu-me com seus braços firmes e uma das suas mãos passeou por meu cabelo.

– Eu sei, eu sei. Shh. Não chora, Harley. Eu odeio quando você chora. – sussurrou o meu irmão contra o meu cabelo. – Você quer vir comigo? Minha mãe pode não ser sua mãe biológica, mas é como se fosse. Você também é sua filha. E além disso, vai lá estar o papai.

Abanei a cabeça e afastei-me do garoto. — Não Chad, deixa para lá. E desculpe por chorar. É só que… por vezes me lembro dela. E sinto-me… meio que vazia. Você tem sorte por ter sua mãe por perto.

Chad assentiu e me puxou pela mão. – Vem comer algo. Durante esses três dias, você só comeu porcaria.

Concordei e deixei-me ser guiada por ele. O assunto “mãe” ainda batalha na minha cabeça. Durante muito tempo, eu tentei esconder. Mas agora, sinto-me tão frágil. Sinto-me uma criança de novo. Uma criança que precisa da mãe.

Mas ela não está mais aqui.

Chad obrigou-me a sentar nos bancos desconfortáveis da cozinha e ordenou que eu comesse milhares de panquecas. Desse jeito, vou ficar gorda e ninguém vai querer casar comigo!

– Julian descobriu tudo. – murmurei com a boca cheia de panqueca. Chad sentou-se na minha frente e bagunçou os seus cachos.

– Eu sei. Não se preocupe, ele não vai contar para ninguém. Eu o fiz prometer isso. – quase me engasguei com as palavras do meu irmão. Esse maldito contou tudo para Julian?! Tudo mesmo? Julian vai pensar que eu sou uma vadia. Uma vadia assassina!

– Você contou tudo para ele, Chad?! Como pôde! – gritei, afastando o prato da comida. Deslizei para fora do meu banco e quando ia para sair da cozinha, estanquei no lugar. Julian estava escorado na parede. Seus olhos terrivelmente negros e profundos, capturaram os meus. Prenderam-me. E durante alguns segundos, nem sequer consegui respirar.

– Tenho a dizer que o seu plano de esconder a Harley por baixo de um capuz, é simplesmente… idiota. Deveria ter pensado em algo mais eficaz, Chad. – seus olhos deixaram os meus e eu lembrei-me como respirar. Por três dias, eu tentei evitar Julian. E estava conseguindo. Mas esse maldito parece ter o poder de ser materializar na minha frente.

Chad libertou uma risada bem-humorada e encolheu os ombros. – Foi o melhor que consegui arranjar. Eu meio que estava desesperado. Julian, espero que cuide da Harley enquanto eu estiver fora.

– Eu não preciso que cuidem de mim. Nunca precisei.

Julian olhou novamente para mim parecendo divertido. Esse canalha está se divertindo com a situação. Ele pode até esconder meu segredo, mas continua sendo um perigo. Ele pode me agarrar! E tem pior…

E eu meio que gosto disso. Ou seja, ele tem que ficar a um metro de distância de mim! Um metro é pouco. Cinquenta!

É. Acho razoável.

– Eu tenho que ir. – resmungou o meu irmão. Chad aproximou-se de mim e depositou um pequeno beijo na minha testa. E depois aproximou-se de Julian e colocou uma mão no seu ombro. E que ombro largo é esse, meu Hades! – Cuidado com essa besta, Julian.

Argh, eu que sou a besta? Sempre eu nessa casa!

E essa é a história de como meu irmão foi viajar e me deixou nas mãos de um demónio obsceno que quer possuir meu corpo. Assim que Chad saiu do apartamento, Julian ficou me encarando de braços cruzados. Um sorriso torto ocupou sua boca. Hum… isso não pode ser coisa boa.

– E se nós terminássemos o que começámos no elevador? – murmurou, dando um passo na minha direção.

Automaticamente, dei um passo para trás.

– Não me parece boa ideia.

Dessa vez, Julian abriu um sorriso de dentes perfeitos e deu mais um passo. – Hum… até parece que você não quer.

Mordi o lábio inferior e dei dois passos atrás. Puta que pariu, ele está tentando me seduzir. Oh Hades, eu sei que você já não me ama… mas não me ferra dessa vez!

– E não quero. Eu te odeio. Se afaste de mim. Agora. – minhas pernas tremeram um pouco quando Julian deu mais um passo na minha direção. Porque diabos, eu ainda não sai correndo? Vou ser estrupada! Ai, minha santa vaca.

– Me odeia. – repetiu o demónio, dando mais um passo. Eu não me conseguia mover. Na verdade, eu não queria me mover mesmo.

– Te odeio. – repeti, tentando encontrar a minha lucidez. Oi amiga, onde está você? Sua vagabunda, não me abandona desse jeito.

O Sr. Obsceno quebrou finalmente a distância entre nós. Oh, ótimo. Agora está tudo perdido. Adeus mundo, gostei de conhecer você.

– E me deseja também. – sussurrou Julian. Eu sentia o seu hálito quente e com cheiro de menta bater no meu rosto. Porra. Tentei manter a postura. Coloquei um sorriso irónico e o encarei.

– Para de fantasiar, Julian.

– Para de se enganar a si própria, Harley. – pior que ele tem razão. Eu estou me enganando. Eu quero tanto agarrar ele. Meu corpo até está ficando com coceira.

Mas mesmo assim, eu não iria perder.

– Para de se achar a última bolacha do pacote. – eu sei, eu deveria ter pensado melhor nesse ataque. Eu estou ficando sem ideias. Vou ter que usar minha agressividade.

Julian fechou seu sorriso e fixou seus olhos nos meus. Algumas partes do meu corpo aqueceram. Senti uma vontade compulsiva de me esconder do seu olhar. Parecia que Julian conseguia ver todos os segredos que eu protegia no meu íntimo. Parecia que ele conseguia destruir todas as paredes que eu levantava, todas as minhas defesas.

– Admite, Harley. – pediu ele, pegando numa das minhas mechas roxas. Seus dedos brincaram com ela, enquanto seus olhos brincaram comigo.

– Não me provoque ou eu quebro esse seu rosto lindo! – ah, estava demorando. Obrigada agressividade. Você apareceu na altura certa!

A minha ameaça não demoveu o garoto. Ele continuou me provocando com a sua existência. Argh.

– Ah, então isso significa que você me acha lindo.

E eu só me ferro. Acho que Hades não tem culpa do meu azar. Eu me ferro sozinha mesmo!

– Você não entende ironias? – falei, cruzando os braços como uma criança birrenta. Julian pareceu não me ouvir. Estou sendo ignorada por esse vadio! Aliás, acho que ele virou uma estátua. Nem mexe. Nem pestaneja. Será que fui eu que fiz isso? Eu o transformei em pedra! Eu sou a santa Medusa! Meu Hades, que legal!

Julian descruzou meus braços e pegou minha mão apertando-a na sua. Ah, parece que a minha teoria está errada. Ele está vivo. Eu não sou a santa Medusa.

– Harley… eu quero beijar você. Mas tenho a certeza que seria agredido. – falou o demónio, aproximando-se do meu rosto com um sorriso de canto. Mas ele não me beijou. Ele ficou percorrendo a linha do meu pescoço com o nariz. Acho que arrepiou lugares no meu corpo que eu nem sabia que existiam.

Odeio ele. Odeio ele. Odeio ele. Ele é a pessoa que eu mais odeio nesse mundo… mas quando ele faz esse sorriso idiota de quero-possuir-seu-corpo, eu me esqueço até do meu nome.

– Não, Julian… para com isso, por favor! – reclamei, tentando empurra-lo para longe sem êxito. Merda.

– Isso o quê?

Revirei os olhos e baixei a cabeça, deixando cair as mechas roxas no meu rosto. – Me seduzir.

Julian aproximou-se um pouco mais e depositou um beijo cálido no topo da minha cabeça. – E está funcionando?

Esse garoto é demais. Fode com o meu psicológico, fode com o meu coração, fode com os meus pensamentos, fode com os meus nervos e com o meu corpo que é bom, nada!

Bom, eu também não deixaria.

– Está funcionando sim. E muito. – resmunguei, conseguindo me libertar da sua prisão. Caminhei vagarosamente pela cozinha. Eu tenho que voltar para o meu quarto. Eu preciso voltar para o meu quarto!

– Que bom.

Suspirei levemente e virei-me para encarar o senhor sedução demoníaca. Melhor acabar com isso logo.

– Bom seria a sua boca encostada na minha. Mas isso jamais irá acontecer de novo. Julian, para com isso. Não pode brincar desse jeito. Não comigo.

Ah. Eu não esqueci que ele é o maior cafajeste que existe nesse mundo. E não, eu não vou entregar meu coração para ele. Não vou ficar com ele. Eu não sou esse tipo de garota. Não mais.

Cambaleei novamente até o meu quarto. O meu querido refúgio. Eu precisava me ocupar. Tenho que esquecer todo o assunto sobre Jared. Sobre minha mãe. Sobre Julian Obsceno Grant. Sobre a minha expulsão. Sobre Jane.

Essa vaca deve estar rindo da minha desgraça nesse momento. Que droga.

Em vez de entrar no meu quarto, entrei no de Jade. Precisava conversar com ela. Ela é uma garota. Ela me entenderia. Entenderia os problemas do meu coração. Mas, ela não estava.

Seu quarto estava vazio.

Agora que penso nisso, já passaram vários dias desde que vi Jade pela última vez. Essa garota está sempre ocupada. Enfim.

Algo no canto do quarto de Jade chamou minha atenção. Aproximei-me vagarosamente do objeto e deixei que um dedo tocasse nas cordas do violão. Um som afinado ocupou o silêncio do quarto.

Lembrei-me das palavras de Jade na primeira vez em que estivemos juntas nesse quarto… “Na verdade, ele não me pertence. É de Julian. Só que ele não toca mais…”

O violão de Julian.

Porque será que ele deixou de tocar nele?

– Eu não acredito que Jade guardou essa coisa velha. – sussurrou uma voz atrás de mim, fazendo-me pular de susto. Julian estava quase colado a mim. Perto demais. Esse garoto só pode ser um ninja. Nem senti a sua presença entrar no quarto!

– Hum… Julian. Posso lhe fazer uma pergunta? – perguntei, sentindo-me uma intrusa.

Os olhos de Julian deixaram de ser apenas negros. Agora eram uma mescla de azul e preto. Ele acenou com a cabeça e observou-me com curiosidade. É agora, meu Hades.

– Jade me contou que você não toca mais… porquê?

O garoto mordeu o lábio inferior e deixou de me olhar. Seus olhos fixaram-se no violão. – Eu não toco mais porque esse violão… foi me oferecido por minha ex. E ela está morta.

Notas finais
Reviews para mim, ou nem por isso?! Por favoooor, eu fui bem comportada dessa vez! Postei rapidinho! E fantasminhas, acho que está na altura de aparecerem. Sim? Sim? Sim!