Cocaine

29 A intervenção da Lady Gaga


Notas iniciais
Hey meus adoráveis viciados! Como me desculpar por demorar um mês e 4 dias para postar? É, eu vou ignorar a vossa vontade de me assassinar e falar que amo todos vocês de coração e que responder 60 comentários (SÉRIO GENTE, TEM COMO NÃO AMAR VOCÊS?), estudar, iniciar minhas aulas de violão e escrever... é muito complicado. Eu estava meio perdida até ontem ter ficado até 4 da manhã escrevendo DOIS capítulos! É, vai ter dois chapters essa semana! Ebaaaa! E além disso quero muito agradecer a Thaaty por ter recomendado (Recomendações são a melhor coisa do mundo! Obrigada mais uma vez)! MAIS UMA COISA IMPORTANTE! Eu criei um tumblr para vocês poderem interagir com os personagens! Vocês têm uma pergunta? Então pergunte para Julian, Harley, qualquer um! Aviso desde já que vou ignorar coisas malvadas e insultuosas e que não vou dar spoiler. Bom, é isso! Esse é o link... então façam as vossas perguntas: http://cocaineagain.tumblr.com/ Ah, e as photos do tumblr são muitas delas sobre a história! Enjoy!

Flame alcançou-o rapidamente e abraçou-o com força, jogando a cabeça loira no ombro dele. Abri a boca, sentindo o choque e a raiva colidirem.

– Flame e Julian?! O quê… Porquê? – murmurou Jade, parecendo mais chocada que eu. Abafei uma risada debochada, sentindo um sabor amargo na boca.

– Parece que o Julian encontrou a número 111.

[…]

– Número 111? Como assim? – perguntou Jade, não compreendendo as minhas palavras. Pestanejei para verificar se tudo aquilo não passava de uma ilusão. Não era.

Encolhi os ombros e encarei-a com pesar.

– Esqueça. Apenas vamos embora… Por favor. – sussurrei desviando o olhar do garoto que continuava com uma loira magnífica pendurada no seu pescoço. Eu sabia que ele estava me olhando. Eu sentia-o me examinando com minúcia. Me provocando com o seu sorriso torto e galante.

Jade não fez mais perguntas desnecessárias. Ignorei a sensação que o olhar do Grant provocava na minha pele e arrastei os pés até a outra ponta do campus.

Sentámos na grama suave e incrivelmente bem cuidada e ficámos em silêncio apreciando o céu meio nevoado. Parece que hoje vai chover. Jade moveu-se, parecendo um pouco desconfortável com o silêncio. O sinal para o segundo período bateu mas continuámos imóveis.

Parecíamos duas desconhecidas.

Que idiota.

Sorri levemente para Jade, incentivando-a a relaxar. A garota respirou fundo e mecanicamente imitou o meu sorriso. – Acho que eu lhe devo uma explicação, não é mesmo? – balbuciou, brincando nervosamente com os dedos.

– Sim, parece que sim…

A garota fechou os olhos para evitar ter que encarar os meus. – O que Flame disse… tudo… é verdade. Eu sou a v-vingadora. E meio que fui eu que… fiz tudo aquilo com Jane.

Acenei uma vez. Essa é a primeira vez que vejo Jade tão nervosa. Esperei pacientemente até que ela ficasse suficientemente confortável para continuar. Ao fim de um longo minuto, Jade abriu os olhos novamente e me olhou.

– Eu queria muito ajudar você. Muito mesmo. – a garota fez uma nova pausa parecendo escolher as palavras certas para falar. – O problema é que eu odeio esse negócio de vingadora. Eu odeio esse maldito cargo. Pareço até uma vilã de quadradinhos.

– Se você odia isso tanto assim porque simplesmente não desiste? – a minha colega de apartamento abanou a cabeça com violência.

– Não é tão fácil assim. Antes de se formar, o antigo vingador me escolheu e não me deu a liberdade para rejeitar esse cargo. É assim que funciona esse negócio de vingadores. Mas claro que eu não queria isso. – Jade pegou minha mão e apertou-a levemente na sua. – Mas quando eu vi você com problemas, pensei que poderia utilizar esse poder idiota para alguma coisa necessária. E isso me deixou feliz.

Apertei a sua mão antes que Jade me soltasse. – E saiba que eu sou eternamente grata por ter feito isso por mim, mas… tinha mesmo que colocar Flame no meio de tudo isso? Essa garota certamente não é sua amiga e sinceramente ela também não parece ser o tipo de pessoa que gosta de ajudar os outros.

Não pude deixar de sentir uma raiva amarga sufocar-me a garganta. Se essa tal de Flame não tivesse aparecido… eu poderia… sei lá. Bom, Julian estaria sozinho nesse momento e não agarrando-a! É. Isso é ciúme. Julgue-me.

É só que… É humilhante.

A boca de Jade abriu-se novamente e eu deixei de divagar sobre os meus problemas com garotos. Garotos não. É “o garoto”. Argh. Para de pensar nesse maldito, Harley!

– Eu não queria que você me visse como “A vingadora”. Eu queria e quero ser apenas Jade, a sua colega de apartamento e amiga estranha que ama assistir filmes dramáticos e chorar que nem uma idiota quando o cara troca a garota pela empregada gostosa.

Ri com vontade e abanei a cabeça, espalhando as mechas roxas pelos meus ombros. – Vingadora ou não, você sempre será a mesma Jade.

A garota de belos cabelos cacheados deixou cair uma lágrima solitária, mas logo a limpou e sorriu parecendo aliviada.

– Só uma coisa… Flame não é mesmo irmã de Jane, certo?

Jade revirou os olhos. – Não. E nem sei porque diabos ela inventou isso. Eu só lhe pedi que me ajudasse a esconder a minha identidade e ela fez de tudo isso um drama de novela. Agora… eu já notei que você e Julian… hum… estão meio estranhos. O que aconteceu?

Cruzei os braços e bufei como uma criança birrenta. – Eu meio que menti para ele e… erm… meio que… dei a entender que dormi com o Daniel. E é isso! Agora Julian me odeia. Eu o odeio. Final feliz!

– Você fez o quê?! – Jade cravou seu olhar no meu e sem mais nem menos, desfez-se em gargalhadas altas. – Você é completamente insana, Harley Adams!

Revirei os olhos e mostrei-lhe a língua. – Claro! Diz a garota que cozinha enquanto dorme! – retruquei acompanhando-a na risada. Só parei de rir quando uma outra questão que não fora esclarecida, passou por minha mente. – Espera… Chad me falou que os seus ataques de sonambulismo só acontecem quando você se sente culpada… você se sentia culpada por esconder isso de mim?

Jade acenou. – Eu… acho que sim. Essa coisa toda estava me consumindo aos poucos. Parece que ontem atingi o meu limite e simplesmente… erm… cozinhei.

Ri e novamente o silêncio regressou. Eu estava revivendo todas as palavras que Flame dissera para Jade há minutos atrás. Ainda tinha algo que não encaixava no meio de tudo isso. E eu estava guardando essa pergunta para o fim pois parecia meio complicada e pessoal. Peguei numa das minhas mechas roxas e fiquei brincando com ela.

– Hum… uma última coisa… Flame disse alguma coisa sobre trato e ameaças…

Calei a boca, assistindo a garota deitar no gramado e suspirar. – Ah isso. Eu estava esperando você fazer essa pergunta… Bom, no meio do primeiro ano, eu tornei-me a vingadora e esse cargo trouxe-me bastantes inimigos como pode imaginar. Flame era um deles. A garota vivia tentando tornar a minha vida mais complicada do que já era. E eu nem sabia o porquê disso. Eu não a conhecia. Nunca fiz nada contra ela. Era estranho.

Jade arrancou um pouco de grama e sentou-se novamente. – Então, eu descobri que ela queria o meu lugar como vingadora, mas foi rejeitada. E parece que assim que Flame descobriu quem foi o escolhido, ou seja eu, ela ficou tentando me fazer desistir.

– E o que você fez?

– Eu não reagi bem a isso. Eu meio que a ameacei. Eu falei que se ela voltasse a fazer algo contra mim, ela iria descobrir a razão pela qual fui escolhida para vingadora. Mais tarde, eu caí em mim e me arrependi. Eu pedi desculpa para ela e propus um trato: essa história de vingadora iria acabar se ela ficasse me devendo um favor. Eu usei esse favor com você.

Rodeei as minhas pernas com os braços e pousei a minha cabeça nos joelhos. – Porque diabos você iria querer um favor dessa cobra?

– Ah cara, foi no primeiro ano. Eu não conhecia ninguém. Não tinha a quem recorrer se algo desse errado. Eu queria ter um plano B caso eu me desse mal em alguma coisa. – bufou Jade, parecendo arrependida com as escolhas que fizera no passado.

– Bom. Acho que faz sentido… E agora, o que você vai fazer? – perguntei, sentindo uma gota de água cair na minha testa. Eu falei que iria chover.

Jade ficou encarando o nada durante alguns minutos. A chuva aumentou. E mesmo assim, nenhuma de nós se mexeu um milímetro.

A garota finalmente tocou-se que estava chovendo e levantou-se num pulo. – Flame quebrou o trato quando contou toda a verdade, portanto a minha promessa tornou-se inválida. Eu vou reclamar aquilo que me pertence. E eu não sei o que Flame está planejando, mas eu farei alguma coisa se for necessário. Sabe porque o último vingador me escolheu?

Neguei levemente com a cabeça e levantei-me rapidamente, começando a correr na direção da saída de East River.

– Porque eu sou bastante cruel quando acho que algo é injusto. Eu não deixo nenhuma ponta solta. A pessoa recebe o que dá.

Corremos em silêncio e apanhámos um táxi na avenida mais próxima. Olhei o relógio no meu pulso. É, agora não tem mais volta. Encarei a confusão de carros e pessoas por detrás da janela. – Cara, o segundo período está quase terminando. E eu aqui matando aula novamente.

Jade riu e pegou uma toalha na sua bolsa. – Como se você se importasse com isso, Har.

– Eu me importo sim! Se papai sabe… nem quero imaginar! Além disso, eu realmente preciso estudar física. A competição está perto e estudar me ajuda a esquecer o idiota do… — reclamei, baixando a voz quando me toquei do que estava falando. O motorista tentava sem êxito esconder um sorriso. Argh, agora eu sou a palhaça. Perfeito.

– Você deveria contar a verdade. Eu aposto que Julian viria correndo para os seus braços no exato momento em que o fizesse! Meu Deus, vocês são o casal mais certo e errado que eu conheço!

Revirei os olhos quando o sorriso do motorista aumentou um pouco mais. O que dizer desse cara que não me conhece e que já me ama? É, acontece com todo o mundo. Ou não. – O que você quer dizer com isso, Jade?

– Bem, vocês são ambos horríveis portanto… meio que se merecem! – empurrei o ombro da garota fingindo uma falsa indignação. O táxi ficou em silêncio por um momento. Mas só até Jade descobrir que o motorista também curtia filmes dramáticos. É. Foi uma tagarelice infernal.

Mas dessa vez eu não acompanhei o entusiasmo da minha amiga. A minha mente estava sobrevoando o oceano de pessoas que tentava proteger-se da chuva. E não importava para onde eu olhasse, todas elas me lembravam o Julian. A maneira de andar. O cabelo desordenado. O sorriso torto. Era a pior das torturas.

E isso só desencadeava mais e mais pensamentos sobre Julian Grant. Será que se eu falasse toda a verdade, ele acreditaria em mim? Assim tão fácil? E ele ficaria comigo ou me descartaria como fez com todas as outras garotas? Eu não sei… Flame é menos complicada. E além disso, é dotada de toda aquela beleza exótica. E sim, isso é inveja pura.

Claro que desse jeito, eu não teria uma chance.

Que merda. Eu fodi tudo por causa de uma maldita lista. Parece que esse é o meu maior talento: destruir toda a coisa boa que entra na minha vida. Não que Julian fosse uma coisa boa. Ele era apenas… eu sei lá. Argh.

– Terra para Harley! – gritou Jade na minha orelha. Olhei em volta e vi que tínhamos chegado a casa e que o motorista e Jade esperavam uma reação minha. Sorri despreocupadamente e logo Jade pagou ao motorista, abriu a porta do carro e saiu. Deslizei pelo banco e ia para fazer o mesmo quando a voz do motorista me para:

– Não deixe esse garoto escapar, mocinha.

Ok, isso me assustou.

Mas mesmo assim antes de fechar a porta do táxi, sorri e acenei. – Pode deixar.

Entrámos no prédio e como o elevador quebrou novamente, subimos as escadas correndo como duas idiotas. Acho que o meu pulmão ficou lá no táxi. Assim que abrimos a porta encontrámos Chad estirado no sofá bebendo cerveja e obviamente, matando aula. Bom, pelo menos não sou a única.

Quase me juntei a ele… mas eu tinha uma competição para ganhar. E sim, um génio precisa estudar! Eu preciso rever. E fazer cálculos. Eu preciso estudar. Eu preciso ganhar. É importante para o papai.

– Mas é importante para você? – perguntou uma vozinha irritante na minha mente. Ignorei-a e fui no meu quarto me trocar para uma roupa seca.

Coloquei a minha velha camiseta folgada e enrolei meu cabelo num coque desajeitado. Recolhi o material necessário para estudar e fui para a sala. Eu não podia ficar sozinha ou meus pensamentos iriam parar em Julian novamente.

Sentei no chão e encostei-me no sofá, esperando conseguir finalmente paz para estudar. E agora eu poderia falar o quanto sou uma garota exemplar e que meus cílios caíram de tanto estudar… mas eu acabei mordendo meu lápis e encarando o padrão complexo que as gotas de chuva faziam no vidro da janela.

Minha mente estava cansada. Eu estava cansada. O mundo estava cansado de me ouvir falar que eu estava cansada. E ter Chad e Jade me encarando como se eu fosse um duende e não quisesse partilhar o pote de ouro… bem, não me estava certamente ajudando.

– Perderam alguma coisa aqui?

Jade suspirou e cruzou os braços parecendo aborrecida. – Essa não é a hora para estudar, Adams. O baile é amanhã á noite e você ainda não tem um vestido, porra!

– Eu já falei que eu não vou. Eu não tenho sequer um par. Esqueçam. Não estou minimamente interessada nisso. – resmunguei, voltando meu olhar para os livros de física quântica. – Agora, me deixem estudar em paz e parem de me olhar desse jeito. Me desconcentra.

E eles aceitaram meu pedido carinhoso e deixaram a minha alma morrer sossegada. Sinta a ironia. Desde quando alguém me ouve nessa casa? Em vez disso, Chad recolheu todos os meus livros e materiais, abriu a janela e jogou tudo para fora. Levantei-me em pânico.

– Caralho! Ficou maluco, Chad?! – corri para a janela. Minhas coisas estavam nesse momento tomando um banho na calçada. Legal. – Sério, eu juro que te mato! Qual é a ideia, seu idiota?!

– Eu estou cansado de ver você deprimida. Meu amor, você precisa de uma intervenção. Agora.

Jade aproximou-se de nós, sorrindo como um ser diabólico. – Isso vai ser divertido.

Depois disso, os dois me fizeram sentar no sofá. E eu claro, obedeci. Eu estava em luto pelos meus materiais. Cara, papai vai me dilacerar se souber!

Em pouco tempo o apartamento tornou-se uma bagunça de cores, bebidas coloridas, música alta e salgadinhos. E tinha também a minha pessoa, sentada ali no sofá sem entender o que estava acontecendo. Eles queriam me fazer ficar bêbada? Me engordar com salgadinhos?! Como isso é uma intervenção? Eu vou ser jogada pela janela também? É isso?

A campainha soou por cima da música e esperei Jade ou Chad atenderem. Mas eles estavam ocupados na cozinha e provavelmente não a ouviram, por isso eu e a minha camiseta folgada fomos atender.

Se eu soubesse o que me esperava, eu teria quebrado a minha cabeça na parede na esperança de ficar inconsciente.

Cara, eu sou tão inocente.

Uma inocente que viu seus materiais serem assassinados.

Eu estava frágil, ok?

Por isso, eu fui alegremente atender a porta. E assim que a abri, encontrei um pequeno grupo de homens desconhecidos. Ok. Acho que isso é mais ou menos normal… mas porquê que dois deles estavam vestindo roupas dignas da Lady Gaga?

– Ham… Eu acho que vocês erraram a porta. – murmurei encarando o salto alto enorme que um deles usava.

Um ser hediondo e conhecido, saiu do meio deles e avançou na minha direção presenteando-me com um abraço. – Oh Harley, viemos o mais depressa que pudemos querida!

Encarei o namorado do meu irmão com horror. – Como assim Logan? Quem são esses caras?

Logan sorriu e depositou um beijo na minha face. E responder minha pergunta, não?!

– Ah, vocês chegaram! – virei-me na direção do meu irmão. Logan correu para os seus braços e beijou-o levemente. – Entrem!

Um a um, os garotos passaram por mim beijando a minha face. Quase todos. Um deles simplesmente selou nossos lábios num selinho que quase me fez abrir a janela e imitar os meus materiais. Quase. Mas vou deixar essa possibilidade em aberto. Fiquei segurando a porta, enquanto todas as fibras do meu ser tremiam.

Senhor Hades, como você deixou esses demônios escaparem do inferno?

Os garotos desconhecidos começaram a pular no meu sofá e aí a coisa ficou séria. Aproximei-me de Chad desviando de uma almofada voadora que aparecera do nada. – O que está acontecendo?!

– Essa é a sua intervenção. – esclareceu Chad, mostrando-me um sorriso adoravelmente diabólico. — Você estava parecendo uma coisa roxa infeliz e estava me deixando infeliz também. Estávamos precisando de uma festa!

Será que dói muito pular da janela e aterrar com a cara no asfalto?

Notas finais
É isso gente! Vou postar novamente quinta ou sexta! Deixem os vossos comentários, favoritos ou mesmo recomendações (coisas lindas)! E se quiserem, façam as vossas perguntas no tumblr! AGRADEÇO MUITO A TODO O MUNDO QUE COMENTA E SEMPRE ACOMPANHA! VOCÊS QUEBRAM O MEU CORAÇÃO DE PAIXÃO AHAHA Acho que é tudo por agora!