Cobiçando um monstro
5 Capítulo 4
Notas iniciais
Ódio era uma palavra de significado muito forte. Era um sentimento dominador, que o cega e o leva fazer coisas sem controle. Por que algo tão ruim era considerado um sentimento? Era tão intenso e destruidor, que o fazia se questionar o porquê de alguém gostar de sentir tanto ódio. Ele mesmo sentia ódio por poucas coisas.
Ele odiava o seu leite preferido vencer. Odiava ver algum inocente maltratado. Odiava perceber que alguma mulher sofria. Odiava ver as roupas que seu irmão lhe deu rasgadas. Odiava violência... Odiava Izaya.
Seu corpo vibrava e seu sangue fervia somente lembrando-se desse nome.
Izaya... Izaya... Izaya!
Queria matá-lo. Aquela pulga fazia surgir o que tinha de ruim de dentro dele. Odiava violência, mas desejava tirar a vida de Izaya Orihara. Ele teve oportunidades, muitas, ao ponto que chegava a se irritar por não conseguir chegar até o fim. Ele era estupido? Era irracional? Era tudo em um só.
Ao mesmo tempo em que desejava todas as coisas ruins, desejava que nada fosse se concretizar.
Pulga bastarda que destruiu seus pensamentos racionais. Ele deveria ter adivinhado que esse tipo de situação poderia acontecer desde o dia que Shinra na escola lhe falou de um amigo. Seus anos na escola foram tão confusos desde o dia que aquela pulga foi citada para si.
— Tenho um amigo que quer te conhecer!
Shizuo lembrava-se muito bem dessa frase dita por Shinra na escola, quando eles estavam no terraço da escola. Lembrava-se do sorriso do Shinra, lhe olhando com expectativa. Lógico que não tinha gostado dessa ideia. Primeiramente, ninguém que queria lhe conhecer, sentiam medo, e segundo, se Shinra ficou interessado em fazer experiências nele com certeza esse outro estranho também ficaria.
— Não tenho interesse em conhecer ninguém! – levantou-se do chão.
Ele só não poderia acreditar que no mesmo dia Shinra resolveu apresentar esse “amigo” para ele. Foi ódio a primeira vista, odiou aquele cheiro que o outro exalava, odiou aquele cabelo negro, odiou aqueles olhos que tinham um brilho vermelho, principalmente odiou aquele sorriso. Um sorriso de lado, sarcástico, que carregava uma malicia que odiava. Odiou Izaya naquele momento e o odiou ainda mais pela sua perseguição naquele dia, seu primeiro atropelamento.
Sua vida na escola foi um inferno depois que Izaya Orihara surgiu.
— Shizu-chan~
Como ele odiava aquele apelido, principalmente saindo daquela boca maldita. Sentado na sua carteira na sala e Izaya em pé, em frente ao quadro negro aproveitando o intervalo para lhe encher. Aquele sorriso sarcástico, a língua transmitindo veneno ao dizer aquele apelido estupido e a mão pequena e fina acenando para o alto. Aquela pulga maldita sabia o irritar até mesmo quando não fazia nada.
Mas aquele maldito tinha que lhe confundir. Pessoas de outros colégios apareciam tentando lutar contra ele, procurando uma briga desnecessária tentando provar quem era mais forte. Muitas vezes na hora da saída, poucas vezes na hora da entrada e a primeira vez que ficou confuso foi nessas vezes que teve que entrar na escola ferido por causa dessas brigas.
— Shizu-chan ainda está vivo... – olhou para o lado do corredor onde Izaya estava encostado lhe observando com aquele maldito sorriso. Ele sabia que tinha o dedo do Izaya nessas brigas, ele só não tinha como provar, tudo que poderia fazer era seguir para a enfermaria e dar algum jeito nos poucos machucados que teve e arrumar um uniforme novo, pois esse que estava usando estava arruinado. – Pena que monstros não morrem rápido.
Ele teve que se conter, mesmo que seus passos agora estavam mais pesados e suas mãos fechadas em punhos. Tinha ido muitos vezes parar na direção por causa daquela pulga, hoje ele estava evitando isso com muito custo. Muito custo mesmo, com aquela coisa irritante lhe seguindo pelo corredor saltitando feliz e falando besteiras com aquela voz irritante. Não era atoa que era uma pulga, pequeno, saltitante e que incomodava.
Ele não parou o seu caminho para a enfermaria, mesmo quando Izaya pulou na sua frente e passou a andar de costas para o corredor e de frente a si. Sorrindo feito um grande idiota, lhe dando uma grande vontade de socá-lo.
— Isso é o que acontece com monstros como você! – Izaya dizia para irritá-lo e dava certo. Ele sabia que era um monstro, sabia que era um anormal por ter aquela força sobre-humana. Por isso queria se isolar de todos, para não ferir ninguém. Porém ele estava cogitando muito cometer um homicídio. – Se Shizu-chan tivesse aceitado a minha amizade, quem sabe eu não daria um jeito nessas pessoas irritantes?
— Você que é irritante. – respondeu e reparou no vacilar dos passos do menor e no sorriso um pouco perdido. – Prefiro ficar sozinho no mundo a ser seu amigo. – então viu naquele momento a cena que nunca mais esqueceu os olhos de Izaya olharem fixamente nos seus, o sorriso mais vacilante e os passos parados, fazendo-o parar também.
— Shizu-chan é um monstro idiota. – Izaya respondeu voltando a sorrir enormemente e se aproximou sussurrando. – Tomara que morra rápido! – disse correndo para longe.
Ele não respondeu, ou ficou raivoso, ficou realmente pasmo. Por um momento, mesmo mínimo, ele achou que tinha visto algum tipo de humanidade em Izaya. Afinal, aquilo que ele viu foi tristeza?
— ** -
A pior coisa que Shizuo se lembrava de ter feito na sua vida acadêmica foi ter parado para reparar no irritante Izaya Orihara desde aquele dia que achou ter visto algo de humano no baixinho.
Izaya era do tipo que não aparecia nas aulas, mas tirava as melhores notas. E quando aparecia era a coisa mais irritante de se ver. Sempre envolvido em algum esquema, em alguma coisa ilícita, eram raras as vezes que agia como um aluno normal. Nessas raras vezes Izaya pegava algum livro e ficava lendo ao invés de prestar atenção nas aulas. Era uma visão interessante, principalmente quando se sentava perto da janela.
Os lábios finos ficavam exprimidos quando concentrado na leitura, as sobrancelhas ficavam franzidas e o olhar concentrado. Era uma imagem bonita. E essa foi sua primeira perdição, achar Izaya bonito.
Achar ele bonito quando estava gritando pela escola aquele apelido idiota de “Shizu-chan” com aquele sorriso enquanto fugia dos seus socos, achar ele bonito quando estava gargalhando ao conversar com Kadota ou Shinra e lhe lançando comentários maldosos, achar ele bonito enquanto estava comendo quando Shinra o obrigava almoçar junto com eles. Sua perdição foi pior quando o “bonito” passou a ser “lindo”.
A pior coisa da sua vida foi considerar Izaya lindo. Aquela pulga irritante e odiosa não poderia ser linda, principalmente quando ficava horas conversando com a garota Mikage. Aquela menina estava descaradamente atraída por ele. Não, Izaya não poderia ser lindo. A pesar que foi lindo vê-lo agir diferente ao ver um peixe morto na cantina da escola, também o achou lindo o ver molhado pela chuva e pulando nas poças rindo enquanto escapava de ser esmagado por suas mãos.
Os cabelos negros molhados, brilhando. Os olhos totalmente fechados sorrindo enquanto girava e lhe chamava de “Idiota”.
Também achou Izaya lindo quando este apareceu na escola no inverno, enrolado em um casaco grosso se protegendo da neve. As bochechas coradas e a ponta do nariz vermelha, a voz irritante um pouco diferente provavelmente por estar começando a ficar doente. E essa foi sua pior perdição.
Lembrava-se muito bem naquele dia na enfermaria, quando Shinra o obrigou a acompanha-lo na visita ao Izaya. Ele poderia estar desejando a morte de Izaya, que este estivesse sofrendo aos poucos, mas simplesmente seguiu seu amigo e ficou parado encarando Shinra conversar com um Izaya gripado enrolado nas cobertas naquela cama.
Por um pequeno momento ele achou que os olhos minúsculos de sono, marejados devido a gripe de Izaya tivessem ido para a sua direção e tivessem lhe encarado, chamando para se aproximar mentalmente. Parecia um imã. Se aquilo fosse real, aquela cena de Izaya encolhido na cama, suado devido a febre e vermelho lhe encarando lhe causou um pequeno comichão no baixo ventre.
A pior coisa que tinha feito foi entrar naquela enfermaria, pois naquela noite foi a primeira vez que sonhou com um Izaya deitado debaixo de si, gemendo e vermelho pedindo para ir mais fundo e mais forte. Foi a pior situação da sua vida, acordar em seu quarto, suado e excitado por ter tido um sonho erótico com deu inimigo mortal. Foi horrível e vergonhoso tomar café da manhã e perceber que seu irmão o encarava como se soubesse o que tinha acontecido.
Depois daquele dia procurou evitar de todas as maneiras de encontrar com Izaya, o que era difícil, pois aquela pulga irritante vivia o seguindo. Tentava correr, mas aquele baixinho corria atrás dele rindo e perguntando do que estava com medo. Virava-se quando percebia que Izaya estava em algum corredor e corria para longe irritado quando Izaya o via e vinha logo atrás o chamando de monstro.
Uma vez Izaya parou em frente a mesa, antes da aula começar, com um mão na cintura.
— Embora eu adore não ter que ver essa sua cara irritante, Shizuo-chan, não tem graça quando sou eu que corro atrás de você. – ele se sentou sobre a sua mesa. Shizuo se sentia desconfortável, lembrava-se muito bem do sonho que tivera e com quem foi em cima da mesa do professor. – Será que percebeu o quanto sou superior e está tentando fugir da realidade?
— Na verdade, seu eu pudesse nunca mais te ver ficaria muito feliz. – respondeu.
E lá estava, aquele olhar diferente, o sorriso sustentado forçadamente e as mãos se apertando. Shizuo imaginava se caso Izaya tivesse algo cortante naquele momento o perfuraria. Mas tudo que Izaya fez foi dar aquela risada estupida, lhe chamar de idiota e sair da sala.
Por um momento Shizuo chegou a achar que as orelhas de Izaya estavam vermelhas.
— * * -
Sua época na escola foi a pior na sua vida e foi a mais confusa. Ele era anormal, ele sabia muito bem. Ter aquela força, aquele poder que poderia ferir. Por isso que não se aproximava de ninguém, de nenhuma garota também. Mesmo que seus hormônios naquela época estivessem explodindo ao ponto de ter sonhos eróticos com Izaya, ele nunca ousou encostar-se a nenhuma pessoa. Ele não queria se sentir responsável em ferir alguém. Embora, nos seus sonhos ele sabia muito bem segurar um Izaya cavalgando sobre ele muito bem sem machucá-lo.
Por isso que recusava os sentimentos das garotas, nos sonhos era uma coisa e no mundo real era outra. Ele sabia que a maioria tinha medo, não o olhava nos olhos e se afastava, mas volta e outra aparecia alguma menina e se declarava e lhe estendia uma carta, nunca chegou a ler nenhuma, porque Izaya aparecia do nada interceptava a carta e corria.
As vezes Izaya lia a carta da menina na frente de outras pessoas, rasgava soltando algum comentário maldoso e ria. Ele odiava aquilo, odiava como Izaya tratava os sentimentos das pessoas. Shizuo confessava que não tinha interesse nas garotas, mas respeitava os sentimentos delas. Era nesse momento que se esquecia de tudo e corria atrás de Izaya, tentando quebrá-lo ao meio.
Se ele era um monstro fisicamente, Izaya era um monstro intelectualmente. Izaya era um monstro que não se importava com sentimentos das pessoas, tratava como uma piada.
Por isso que ficava aliviado quando não ganhava chocolates no dia dos namorados para assim as meninas não sofressem, apesar de que depois descobriu através de Shinra que Izaya pegava os chocolates antes dele encontrar e os jogava fora.
— Shizu-chan é um monstro, monstros devem ficar sozinhos!
Essa foi a resposta que Izaya lhe deu quando foi prensado na parede e questionado por causa dos chocolates.
— Eles são meus, assim como as cartas. – Shizuo gritou prensando ainda mais Izaya na parede e lhe encasulando com o corpo para não escapar. Pior coisa, ele estava sentindo o cheiro do menor mais forte, o calor do corpo do menor e uma imensa vontade de beijar. – Eu decido se vou ou não ficar sozinho.
— Ora, ora... Está interessado em alguém? – Izaya ria sarcástico.
— E se eu estiver? – e pela primeira vez ele tinha visto o sorriso de Izaya sumir, os olhos um pouco mais abertos o encarando. Shizuo sentiu o cheiro de Izaya se intensificar, a respiração ficar mais pesada e os batimentos acelerados. Ele sentiu tudo isso vindo de Izaya.
Ele sentiu Izaya mais humano e sentiu atração por isso.
— Você é um idiota mesmo. – e Izaya voltou a sorrir falsamente, gargalhando sem parar. – Nenhum dos meus amados humanos irá te querer. Você é um monstro que só serve para assustar e machucar as pessoas. Todos tem medo de você! Você nasceu pra morrer sem ninguém, nenhuma garota irá querer um monstro igual você.
E o loiro se cansou daquilo, largou Izaya contra a parede e o encarou furioso e rosnando. Como ele poderia sentir desejo e vontade de beijar aquilo? Aquele ser que lhe falava aquelas coisas? Ele sabia que era um monstro, ele sabia que era fora do normal. Ele também sabia que não poderia se apaixonar e ter ninguém pois essa pessoa terminaria machucada. Ele sabia que destruía em tudo que tocava. Ele sabia de tudo isso. Que culpa ele tinha?
Ele odiava violência, mas se irritava fácil e tinha aquela força. Ele não pediu por isso, ele não tinha culpa que também estava se sentindo atraído pelo idiota do Orihara que sempre lhe lembrava do monstro que era. Ele estava tão confuso, tão triste por ele mesmo e se odiando profundamente.
Era isso que lhe deixava mais iriado. Por que estava atraído pela pessoa que mais odiava?
— Melhor estar sozinho do que terminar com alguém como você. – cuspiu e sentiu algo afiado entrar na sua barriga.
Seus olhos se arregalaram e olhou para Izaya, que segurava ainda o canivete cravado em sua carne. Ele viu, bem lá no fundo daqueles olhos furiosos do menor, aquela tristeza novamente. Ele também viu algo que talvez até mesmo alguém inteligente como Izaya não tivesse reparado nele mesmo.
Ele viu confusão no olhar de Izaya.
— * * -
Tudo que envolvesse Izaya era confuso naquela época escolar, lhe fazia odiá-lo e mesmo assim atraía-o. Mesmo depois de tantas confusões, brigas e perseguições, a noite ele acabava deitado em sua cama imaginando possuir Izaya. Nos momentos de mais raiva e ódio ele sonhava com sexo selvagem, nos momentos mais calmos, só irritantes, ele sonhava com sexo com tranquilo. Mas todas as vezes era com Izaya, o maldito.
Esperava ser somente uma fase da vida, os hormônios adolescentes dominando a sua cabeça lhe fazendo sonhar daquele jeito e até a se masturbar em casa e na escola. Tudo passaria quando se tornasse adulto.
Foi o que tinha achado...
Agora adulto, Shizuo se sentia mais confuso do que no passado. Agora ele era um homem adulto que não era mais controlado pelos hormônios e mesmo assim estava completamente perdido por causa de Izaya.
Por causa de pulga, ele havia perdido o emprego, foi preso, havia decepcionado o irmão, foi frequentemente atacado, machucado e tentaram o matar diversas vezes. Mesmo assim, ele estava perdido naquele olhar quase humano de Izaya quando o encarava confuso, mesmo adultos.
Ele conseguia ver aquela humanidade, ele queria muito não conseguir ver, desejava ser somente a sua imaginação. Contudo, quando Izaya com olheiras pediu para matá-lo, ele não conseguiu. Ele não conseguia imaginar fazer isso.
Mesmo quando Izaya tentou ferir a mulher que tentou lhe seduzir para não ter que pagar a dívida e ele tentou correr atrás ele não conseguiu. Ele sentia uma vibração diferente vindo de Izaya, uma confusão, um desespero.
Odiava-se a si mesmo por não conseguir se controlar, olhar Izaya na perseguição e desejar que eles parassem com isso e que se beijassem logo. Odiou-se ainda mais quando encontrou Izaya em sua casa, segurando a sua camisa e com aquela marca no pescoço.
Aquele maldito, aquele desgraçado. Quem ele permitiu que o tocasse? Quem ele permitiu que o marcasse? E por que permanecia com aquele olhar como se mentalmente lhe quisesse também? Desgraçado, não o confunda!
Mesmo assim não se conteve em marcar o pescoço de Izaya, não se conteve em provar a pele e desejar Izaya preso a si e longe de todos. Não se conteve em lhe chupar um dos mamilos, pois sua ideia era marcar Izaya para todos o olhasse e percebesse que ele pertencia a alguém.
Porém, não imaginou que o seu desejo de beijá-lo seria maior quando Izaya pediu para tocá-lo em meio aos gemidos. Estranhamente aqueles lábios pequenos e finos eram macios, tão apetitosos que o fazia desejar mais beijos, infelizmente a ideia de Izaya era lhe ferir e fugir com uma das camisas que tinha ganhado do seu irmão.
Pulga maldita.
Desgraçado que estava acabando com seu raciocínio. Não importava a quem ele pergunta-se, se era para Celty, Shinra, Tom ou até seu irmão sobre essas coisas que estava sentindo, mesmo não citando para quem, a resposta era a mesma. Que talvez ele estivesse apaixonado. Maldição! Até o Simon tinha citado algo pior que paixão e ele não queria pensar nisso.
Mas ele pensou, ele infelizmente pensou no que Simon disse quando ele segurou o pulso de Izaya quando este tentou atacá-lo pelas costas enquanto conversava com Kadota. Não conseguiu não pensar em nada além quando largou o pulso de Izaya e olhou aquela pele pálida e fina marcada com seus dedos arrependido de tê-lo machucado.
Pela primeira vez ele se sentiu arrependimento de ter machucado Izaya e isso estava lhe deixando louco. Estava lhe atormentando. Não poderia ser o que Simon disse, mesmo ele mesmo não acreditando em algo que fosse contrário.
Ele e Izaya precisavam urgentemente conversar, pois ele viu no olhar do menor as mesmas emoções confusas. Porém tudo que conseguiu foi ser ferido mais uma vez, mesmo depois que eles se beijaram arduamente naquele beco, Izaya conseguiu lhe ferir.
E por um momento ele se sentiu feliz e confiante, ele conseguiu tocar no queixo de Izaya, conseguiu segurar a cintura dele e o beijou sem machuca-lo. Estava em puro êxtase e queria fazer isso mais uma vez. Não somente uma, mas várias e várias vezes. Mesmo que Izaya fosse cravar aquele canivete nele novamente, ele adoraria de beijar daquele jeito só para ver aqueles lábios avermelhados e inchados novamente.
Contudo, não conseguiu fazer novamente. Mesmo que desejasse beijar Izaya e amassar uma placa na cabeça dele, a pulga sumiu por alguns dias. Isso era bom ao mesmo tempo em que o deixava irritado e ansioso de querer encontrá-lo.
E com essa ansiedade que ele voltou para sua solitária casa depois do trabalho. Cansado ao deixar seu óculos sobre a mesa da cozinha. Pensando em Izaya e naquele olhar confuso e humano enquanto tomava leite. Aquele olhar que não conseguia esconder o tão humano que era. Suspirou largando a caixa no lixo e seguindo para o seu quarto.
Shizuo poderia se considerar um cara de sorte por ter uma saúde inabalável e o coração controlado, pois se ele fosse cardíaco ele poderia ter morrido naquele momento.
— Shizu-chan demorou!
Era Izaya deitado na sua cama de bruços usando somente a sua camisa branca social que Kasuka lhe dera, com as pernas nuas balançando e quase fazendo aquela blusa levantar e mostrar as nádegas de Izaya. Seu coração disparou vendo Izaya, não sentiu vontade de esmagá-lo, soca-lo ou jogar algo contra ele. Ele também não sentiu vontade de tocar as pernas que provavelmente seriam macias, ou arrancar aquela camisa e chupar aqueles mamilos. Ele percebeu que sentiu saudade e uma imensa vontade de beijar Izaya.
Simon infelizmente tinha razão, ele não estava simplesmente apaixonado...
Ele estava amando.
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